Exausto – de Adélia Prado.

por Larissa Germano

“Exausto

Eu quero um licença de dormir,

perdão pra descansar horas a fio,

sem ao menos sonhar

a leve palha de um pequeno sonho.

Quero o que antes da vida

foi o profundo sono das espécies,

a graça de um estado.

Semente.

Muito mais que raízes.

 

Adélia Prado em Bagagem, fl. 26.

 

Agradeço o silêncio, o repouso, a falta do que fazer.

Prezo a música profunda das Galáxias em movimento, que não sei se soa, mas brilha.

Mas as raízes nos doem mesmo. Por elas ficamos fincados ao chão e ligados à terra, e a outras raízes.

A semente, penso ser algo além do grão, o início de tudo, o vazio silencioso e mórbido de uma tarde de sábado em que todos dormem.

Menos eu.

Por mais exausta que esteja, resisto acordada, por medo de deixar escapar o lapso de tempo em que o enigma se revela e os cansaços chegam ao fim.

 

Ouça esta canção e entenda com o coração o que não está dito (em homenagem à Tônia Carrero, que morreu ontem).

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