MULHERES QUE ESCREVEM POESIA

A Sala Leituras do Brasil do UniBrasil Centro Universitário recebeu no final de outubro, o lançamento do livro “Palavra de Mulher: Poesia”. A sala, que orgulha a instituição com sua bela coleção de obras de arte, recebeu muitas das autoras que tiveram suas obras publicadas no livro, e doze delas encantaram fazendo a leitura de seus poemas.

MARCIO JULIANO TOCA OUTRO SAMBA…

Outro Samba é o novo disco do cantor, ator e diretor Marcio Juliano.  O show de lançamento será no Ave Lola Espaço de Criação (Rua Marechal Deodoro, 1227 –  Centro, Curitiba/PR – próximo à Reitoria). Na sexta e no sábado (15 e 16), às 16h e no domingo (17), às 18h.

Pobres de Paris, uma pequena reflexão sociológica…

“Sous le ciel de Paris coule un fleuve joyeux, Il endort dans la nuit les clochards et les gueux”…  dizia Édith Piaf naquela famosa canção, onde entre outros personagens haviam os mendigos. 

Sim, porque falar de Paris é falar de luxo, arte, moda, design, cultura e romantismo, mas é falar também da presença paradoxal e cada vez maior de pobres nas ruas… mendigos, imigrantes e demais excluídos.

Passeando na avenida Champs Elysées, é impossível não ficar tocado com tamanho contraste, enquanto se olha para as luxuosas e exclusivas vitrines de griffes famosas. Miseráveis em meio a festivais de cinema, e de teatros lotados de gente elegante e bem pensante.

Farrapos do terceiro mundo entre desfile de roupas de seda finíssima, sacolas de compras, restaurantes perfumados de pratos exóticos, atores e jogadores de beisebol posando para fotos, gente despreocupada e alegre desfrutando seus cafés.

Fazendo um estranhamento em relação à postura que homens e mulheres assumem em seu ‘ofício’ de sobrevivência nas ruas, me pergunto sobre os dramas sociais subjacentes a essa situação.

Mulheres com trajes orientais em poses que demonstram uma absoluta submissão à generosidade dos passantes, ou seria uma profunda resignação perante seu destino? Ou ainda uma prostração religiosa diante dos templos de consumo?

O que pensar sobre a atuação desses homens de olhar humilde e postura cheia de dignidade que pedem ajuda para alimentar seus cães nos cartazes escritos em um francês impecável? Dispersos e em performances individuais esses atores se proliferam no ‘contrateatro’ urbano da cidade das luzes.

Sim…a Champs Elysées é paradoxal mas perfeitamente coerente com a lógica perversa do neoliberalismo, e da assim chamada globalização, que produz os excluídos dos benefícios da civilização contemporânea, e premia o individualismo e o consumismo.

Na Paris do século XXI é preciso sonhar um mundo mais humano. Não, talvez seja preciso sonhar um mundo mais animal, com a beleza e o brilho de ternura que vi nos olhos do cão sentado no colo do pedinte, e dizer com Walter Benjamin que:

“Cada época não apenas sonha a seguinte, mas, sonhando, se encaminha para o seu despertar. Carrega em si o seu próprio fim e – como Hegel já o reconheceu – desenvolve-o com astúcia. Nas comoções da economia de mercado, começamos a reconhecer como ruínas os monumentos da burguesia antes mesmo que desmoronem.”

Graffitis de Paris – Fonte: https://pt.dreamstime.com/foto-editorial-grafittis-de-paris-image70912861

 

Texto e Fotos: Izabel Liviski

Referências:

BENJAMIN, Walter. Paris capital do século XIX. In: KOTHE, Flávio (Org.)- Walter Benjamin. São Paulo: Ática, 1985.

O SOL AMARELO, EXPERIÊNCIAS DE GRAFITISMO NA PRISÃO

“A obscura cena do corredor de um presídio. Emana daí uma representação oprimida da degradação e corrupção humana. O ambiente infestado da nefasta brutalidade. Paredes sujas e marcadas pela fuligem de uma rebelião histórica. Paredes que grafam em si as memórias do cárcere calabouço, o fundo do poço.”

Robson Costa é o chefe de segurança da Penitenciaria Estadual do Paraná, um dos presídios mais violentos do brasil. Ele é quem nos atualiza a cena inicial. Porém, esta cena, cotidiana para muitos agentes penitenciários, técnicos, policiais, presos e seus familiares, visivelmente reforçava a representação monstrualizada do ambiente prisional.

Por meio de uma intervenção artística essa cena começou a mudar. Robson liderou um projeto que aliava arte do grafite como transformação local e pessoal. Inicialmente, o projeto contou com a inspiração da galera do projeto 180 graus – Congrega Church*, que levou para dentro do presídio alguns “grafiteiros” e jovens com seus skates. Eles propuseram uma vivência com atividades de grafite e arte nas paredes do pátio da PCE.

O grupo deixou uma mensagem de esperança nas paredes do ambiente prisional. Uma esperança na forma de um sol amarelo que invade todo o ambiente com sua luz. A partir daí, foram selecionados presos que demonstravam afinidade com a arte do grafitismo.

O resultado foi surpreendente. Essa semente se disseminou pelos corredores e a arte agora envolve e alivia o pesado caminho entre a entrada e a saída da penitenciária. Este corredor imerso em arte foi totalmente pintado pelos próprios presos.

O corredor antes marcado pela histórica mancha, recebeu uma intervenção que o transformou em uma cena de catedral. O grafite tem essa força, de atuar no contexto social e se coloca como uma possibilidade de expressar uma dimensão crítica sobre o mundo e sobre a condição de si.

O grafite mostra, por meio de um discurso, as várias dimensões dos sujeitos, suas ideologias, suas aflições e esperanças. Emanam daí uma polifonia de imagens que se expandem em uma cena resignificada.

O corredor começa sua cena com tímidas imagens da infância, seus heróis borrados e marcados por um traçado trêmulo. Aos poucos a seiva da arte ganha notoriedade quando passa a expressar a dimensão crítica do mundo mesclado pela penitência e esperança. Cena que invade as paredes e o teto do imenso corredor.

A escuridão e a luz. A treva vencida pelo iluminado sol da justiça. O dentro e fora. Quem fica e quem vai. A luz no fundo do poço que resgada a alma purgada e atormentada no limbo da solidão.

Tudo isso mesclado em uma tela que manifesta um discurso coletivo de sujeitos que narram sua história pelo ponto de vista dos que foram vencidos pela delinquência e que buscam uma significação de si próprios, de suas identidades e da necessidade de dar sentido à experiência vivida.

A cena nos conta que o fundo do poço pode ser vencido. Não é o fim. Pode bem significar um recomeço, como a cena da fênix que renasce das cinzas. Que quem anuncia isso, na boca do poço, são miríades de anjos com a eloquência de suas trombetas.

Clamam para que, no fundo do poço se olhe para o alto e veja que as mão divinas estão estendidas para o resgate. São as mãos de Deus que atuam por meio de diversas mãos, como as de Robson por exemplo.

Juvanira Mendes, assistente social do presídio, reforça que, para os presos que participaram da vivência educativa, a atividade representa uma oportunidade lúdica para produzir conhecimento e se relacionar com pessoas diferentes do seu cotidiano carcerário. Esse convívio é profundamente educativo e inspirador.
O reflexo disso pode ser constatado na forma de expressão artística, em formas e cores, que falam de vida, de esperança, de personagens da infância, representações religiosas, da família e do próprio desafio da vida.

Texto e Fotos: Julio Cesar Ponciano** e Mike Rodrigo Vieira***

Julio e Mike, coordenadores (e participantes) do projeto 180 Graus-Congrega Church, de Grafitismo na Prisão, saboreando “blindadas” no intervalo das intervenções no Presídio Central Estadual em Piraquara, Paraná.

*Para saber mais sobre a Congrega Church e seus projetos sociais:

E-Mail: mikervieira@gmail.com
Facebook: @congregachurch

**Julio Cesar Ponciano é antropólogo e sócio- ambientalista, Mestre em Antropologia Social e Especialista em Economia e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Paraná. Coordenador pedagógico da Organização Marista em Guaraqueçaba/Pr.
***Mike Rodrigo Vieira é Jornalista e Músico. Atua com jovens, e questões ligadas a comunidades socialmente vulnerabilizadas.