O curioso caso da radiodifusão campista

 

Victória Tupini Pereira

Técnica em Turismo com ênfase em Guia de Turismo pelo IFF-campus Itaperuna; Licencianda em História pela UFF-ESR. Foi bolsista IC/CNPq na Casa de Cultura Villa Maria/UENF com ênfase em acervo fonográfico. Bolsista na Unidade Experimental de Som e Imagem/UENF, onde é assistente de produção do documentário Manifesto do Samba por Jorge da Paz (UESI/GEPMU/UENF). Membro do Laboratório das Direitas e do Autoritarismo (LEDA) e do Laboratório da Imanência e Transcendência (LEIT) da UFF-ESR, vinculada ao projeto Museu Volante. Possui pesquisa na área de história da mídia, da indústria cultural e História Pública.

 

O curioso caso da radiodifusão campista

Victória Tupini Pereira

               Para quem nasceu e cresceu no interior do estado do Rio de Janeiro, a relação com a circulação das informações sempre foi clara: se você não acompanha a programação estritamente local, a imagem que fica é que o estado do Rio de Janeiro se resume à cidade do Rio de Janeiro e área metropolitana. Se tornou costumeiro falar que mora no Rio de Janeiro e logo perguntarem “em que bairro?”. Boa parte disso se deve à uma sublocação do que chamamos de interior. Esse interior não necessariamente precisa estar longe do litoral. No dicionário, interior significa interno; que está na parte de dentro. Mas nas concepções produzidas por instituições oficiais e reproduzidas pelos setores midiáticos, localizados nas capitais, interior pode ser entendido o que não está nas grandes metrópoles, ou até o que não aparece com frequência nas notícias midiáticas.

Também somos levados a pensar que essa falta de relevância atribuída ao “interior” advém das atividades econômicas relacionadas à vida interiorana, geralmente associadas à vida rural, como “ritmo lento da vida”. Contudo, adentrando as pesquisas que circulam sobre mídia regional, podemos perceber que tratar o assunto com a palavra “falta” por vezes esvazia a relação centro-interior.

Com o objetivo de compreender um distanciamento distintivo entre Centro e Interior com base numa relação que pressupõe uma ótica de acesso aos conhecimentos e informações atualizadas, mergulhamos em pesquisas que por fim geraram esse artigo. Desde já apontamos que a abordagem da centralidade não está na falta, e sim no escasso diálogo científico sobre as memórias sociais advindas de um apagamento das pesquisas históricas sobre o que partem do interior, como se nos restasse somente a emoção e não a razão científica no tratamento das Memórias coletivas.

A inquietação

A pesquisa que abordamos aqui parte do acervo da Casa de Cultura Villa Maria, Centro Cultural da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), a qual possui entre seus tantos arquivos, um vasto acervo fonográfico – discos de acetato, discos de vinil, fitas K-7, CDs e afins – que subsidiam pesquisas sobre a história da cidade de Campos dos Goytacazes/RJ. Nossa fonte principal foi o Fundo Amador Pinheiro da Silva. O fundo reúne cerca de 1835 discos de acetato catalogados de 78 rpm, sendo 1508 já digitalizados, que vão desde clássicos da música erudita europeia, como Chopin, Bach, Beethoven à discos genuinamente brasileiros – samba, choro – e latinos – maxixe, bolero, valsa -, descritos no catálogo com diferentes gêneros musicais, incluindo de compositores e cantores campistas.

O catálogo do Acervo Amador Pinheiro da Silva, foi nossa primeira fonte de pesquisa sobre a musicalidade que circulava no interior do estado do Rio de Janeiro, descrevendo os gêneros musicais praticamente de forma própria e não segue as atuais regras do sistema arquivista, o motivo é a datação do acervo, 1992. Nem todos os gêneros apresentados estão contidos no acervo em análise. Pela nossa contagem, a maioria esmagadora – aproximadamente 1400 discos – são de música erudita estrangeira (MEE). Dentre os distribuidores de discos MEE, aparece a empresa RCA Victor LTDA, que comentaremos adiante. Os gêneros musicais que mais chamaram a atenção foram: MEB – música erudita brasileira; MPB – música popular brasileira; MEFB – música étnica e folclórica brasileira; MEFE – música étnica e folclórica estrangeira; e MEFLA – música étnica e folclórica latino-americana. Vicente Rangel Jr., em seu livro Recortes da Memória Musical de Campos (1839- 1965) discorre em várias partes do livro a criação de novos gêneros musicais vindas e criadas a partir da mescla e tomada de referências da circularidade musical. Um exemplo disso é a Foxtrote, Fox-blue, presentes na categoria de música popular brasileira e latino-americana.

A partir desse tesouro da arte fonográfica, iniciamos a pesquisa sobre a criação dessa coleção: quem a construiu, por qual motivo, em que tempo, com que meios, para que. Amador Pinheiro da Silva, nome que batiza o fundo foi o seu proprietário. Este homem é descrito no livro Caju, de Oswaldo de Andrade, como morador da avenida XV de novembro, beira rio, em Campos dos Goytacazes, antigo alfaiate e amante de música. Amador junto à um grupo, foi fundador da Rádio Cultura de Campos, primeira emissora de rádio do estado do Rio de Janeiro, na década de 1930, quando a cidade do Rio de Janeiro ainda era capital do país. Para sanar as dúvidas sobre a ligação do acervo com a Rádio Cultura decidimos mergulhar a fundo na história da radiodifusão e seus impactos.

A questão é que, ainda na década de 1920 o rádio chega ao Brasil como um símbolo modernizador e civilizatório. Diferentemente da mídia impressa, o rádio tem o poder de adentrar na vida das pessoas com facilidade, afinal vivemos em um país onde o índice de analfabetismo ainda é grande nos dias de hoje com todas as políticas públicas construídas para isso, nas primeiras décadas do século passado, essas taxas eram ainda maiores. O rádio, portanto, chega como uma característica pessoal de informação. O historiador Eric Hobsbawm salienta que o rádio foi o primeiro veículo de informação a afetar individualmente.

Tabela I: Criação de emissoras de rádio (1923-1940)

Ano de Fundação 1923 1924 1925 1926 1927 1928 1929 1930 1931
Número de Empresas  

2

 

5

 

3

 

2

 

2

 

2

 

 

 

1

Ano de Fundação 1932 1933 1934 1935 1936 1937 1938 1939 1940
Número de Empresas  

 

5

 

15

 

9

 

8

 

5

 

 

6

 

10

Fonte: IBGE, Anuário estatístico do Brasil- 1941/1945, p.451.

Contudo, ainda era caro levar as emissoras ao ar. Segundo a historiadora Lia Calabre, em seu livro A Era do Rádio, onde disserta sobre os processos de chegada e consolidação da radiodifusão brasileira, inicialmente eram criadas as Sociedades de rádio, um grupo de animadores culturais se reuniam, na maioria das vezes nas suas próprias garagens, juntavam seus discos e iniciavam as sociedades, reuniam notícias, os gêneros musicais a gosto e iniciavam a caminhada econômica e técnica.

A queridinha do rádio: década de 1930 e a visão geral.

A era do rádio definitivamente simboliza novos tempos, em especial, tempos políticos e de interferência na realidade sócio-espacial. Os anos de 1930 trouxe consigo um marco estrutural para o Brasil. As palavras de Lia Calabre nos mostram que o rádio se expandiu em terras brasileiras totalmente afetado pela política do estado vigente. Com a derrubada da república oligárquica, o golpe de 1930 trouxera consigo um quadro visionário para a modernização. Focou-se nas indústrias, na organização sindical e na urbanização, rumo a modernização da sociedade. E pegando gancho com a necessidade de construção da memória nacional oficial, o rádio ganhava um papel fundamental para a consolidação do Estado Novo, e Getúlio Vargas – assim como Cárdenas no México e Perón na Argentina – não pouparia em utilizá-lo.

Em 1932 o que acontecia entre as emissoras foi definida por Antônio Pedro Tota como uma guerra no ar entre emissoras cariocas e paulistas. O estado brasileiro não havia controle sobre o que e como as informações fornecidas circulavam. O movimento denominado Revolução Constitucionalista de 1932, ocorrido em diversos estados do Brasil, mas com enfoque historiográfico maior em São Paulo, que iam de oposição ao governo varguista, foi defendido convictamente pelas principais emissoras da época.

“o rádio previamente instalado, e já adaptado às condições urbanas de massa metropolizada, agora servia como instrumento político manipulado pelo oligarquia que o assumiu como veículo. O rádio foi o primeiro veículo de comunicação a tomar público o início do chamado Movimento Constitucionalista de São Paulo; na sequência, foram ocupadas as estações da Rádio Record e da Rádio Educadora Paulista guarnecidas por metralhadoras.” (TOTA, Antonio Pedro. 1990)

Mas apesar de se manter a gostos e costumes da elite, o rádio enfrentava o paradoxo do estereótipo: uma programação intelectual aos frequentadores marginais (CALABRE, 25). A comunicação pelo rádio se mostrou um criativo e inovador meio de propagação ideológica, pois sua afetação englobou e transformou culturas, a partir do momento em que era expressão prática, organizadora e organizada da sociedade e criou um novo tipo de linguagem informacional. Decretos de 1932, promovidos pelo governo provisório de Vargas, regulamentavam o funcionamento técnico e profissional do rádio e a liberação parcial de propagandas comerciais dos patrocinadores. Contudo, foi a partir de 1937, com a implantação do Estado Novo e seu esquema de censura ditatorial, que o rádio brasileiro se torna fundamental no diálogo governo-sociedade. A criação do Departamento de Imprensa e Propaganda, em 1939, foi o canalizador final para intromissão do Estado no setor cultural.

“criou-se uma política de valorização e elaboração de estratégias para o setor cultural que extrapolavam os níveis puramente políticos. Ao organizar e regulamentar o funcionamento das emissoras de rádio, o governo reservava para si uma fatia desse setor. Já na legislação de 1932 estava prevista a irradiação de um programa nacional que deveria ser retransmitido por todas as emissoras do país – a Hora Nacional.” (CALABRE, Lia, p. 20)

A criação da PRF-7:

Como apresentado acima, a embrionária Sociedade Rádio Cultura tomou corpo e chegou ao ar numa época de fixação da radiodifusão nas culturas brasileiras tanto em termos políticos, mas principalmente artístico. Colocamos culturas, no plural, pois nos propomos a compreender o aparecimento do rádio como veículo de informação tanto sob tutela hegemônica do Estado, quanto luta territorial, especialmente pelas expressões artísticas, sendo base para um novo tipo de sociedade.

“A cultura é definida como um “mundo”, uma “esfera”, um “campo”, uma “estrutura” de atividades realizadas por “camadas” de intelectuais, vale dizer por aquela “massa social que exerce funções organizativas” – para além do campo da cultura – também na “produção” e no “campo político-administrativo”  (BARATTA, Giorgio. CULTURA, p. 172)

E sobre a luta hegemônica pelo rádio:

“À medida que o rádio ia se popularizando, passava a sofrer fortes críticas de uma parte da intelectualidade, que insistia em mantê-lo como veículo com fins educativos e divulgador da produção cultural erudita. Grande parte das críticas era dirigida à programação musical, em especial os sambas, marchas e canções, que passavam a dominar as emissoras populares.” (CALABRE, Lia. p 23)

Para concretizar o que até então foi debatido, partiremos da análise da construção de uma emissora de rádio específica e interiorana: a Rádio Cultura de Campos, de prefixo PRF-7.

Localizada no norte do estado do Rio de Janeiro, na região fronteiriça com o Espírito Santo e Minas Gerais, Campos dos Goytacazes sofrera intensas mutações no campo político e econômico do quadro nacional. Pesquisas históricas indicam a importância da cidade durante o período colonial e imperial brasileiro, devido a sua localização geográfica e a economia fluvial pelo rio Paraíba do Sul. Por outro lado, circulam informações de que foi a última cidade do país a se desprender do sistema escravocrata. Entretanto, por se localizar em região interiorana, a relação da cidade com o Brasil e com a historiografia é paradoxal. Por isso a tentativa de perceber o rádio como fenômeno a partir dela. Campos dos Goytacazes nos parece estar entre o que seria uma cidade foco – como o Rio de Janeiro – e os interiores; região tomada por usinas de cana de açúcar. Seu contexto social não se desliga da estrutura do país: famílias hegemônicas, onde os sobrenomes são primordiais até os dias de hoje e, em contrapartida a maioria da população demarcada pela desigualdade econômica e racial.

Por isso nossa proposta é compreender as atuações políticas, regionais, técnicas, artísticas, e sociais da era do rádio a partir do contexto e exemplificada pela Rádio Cultura. Mas também por entender a demanda no campo histórico da cidade. Muito se sabe sobre a influência mercadológica na Rádio Nacional ou da Rádio Mayrik Veiga, afinal, esses são produtos de um centro, mas pouco se discute sobre o processo de interiorização da radiodifusão.

Acompanhando os agitos políticos e técnicos do momento, a Rádio Cultura de Campos se fixou rapidamente na cena cultural campista e regional. Inaugurada em novembro de 1934, sob prefixo PRF-7, a primeira rádio fluminense foi um dos boom culturais da vez. Com sede na rua Conselheiro Octaviano e posteriormente na Av. Pelinca, a rádio contou com o patrocínio da empresa Byngton e CIA, representada pelo radialista Mário Ferraz Sampaio e diretor-geral da PRF-7. Sampaio disserta em seu livro História do Rádio e da Televisão no Brasil e no Mundo, que a primeira intenção era fazer um trabalho de campo em Campos dos Goytacazes e em Vitória/ES para possíveis instalações de transmissores. Campos foi escolhida pois já havia um animado grupo com a chamada Sociedade Rádio Cultura de Campos, orientada por Amador Pinheiro da Silva e seus discos de acetato. Surgiu a todo vapor. No ano seguinte a rádio já contava com a programação ao vivo: uma Orquestra de Salão própria, radionovelas, narração de corridas de cavalos, futebol, concursos musicais e de calouros e um broadcast variado: choro, samba-canção, tango, bolero, valsa, maxixe, entre outros. Com isso influenciador artístico, mas também comercial.

Estudando o jornal O Monitor Campista (1934- 1938) encontramos as programações diárias da Rádio Cultura e observamos que havia um padrão: das 11 às 12 horas programas de discos fornecidos por empresas locais e nacionais – Casa Beda, Campos RCA Victor Ltda, Alfaiataria Forzana, Café Londres e Drogaria Sobral -; a parte da tarde era destinada a programação de radionovelas, narração de esportes, palestras, entre outros; das 19 às 20 horas músicas do broadcast próprio; das 20 às 21 horas a Orquestra da Rádio Cultura se apresentava; das 21 às 22 horas programas gentil e de calouros; das 21 às 22 horas noticiário programa da Rede Verde-Amarela e fazia conexão de transmissão ao vivo com as rádios de São Paulo (a PRB-3 e PRB-6). Na revista Planície, com edições semanais que informavam os entretenimentos campistas, observamos a relação de mercado ao qual encontramos a rádio, onde se faz as propagandas também se vende os produtos ou seja, vende-se um estilo de vida, pois como afirma o radiomaker e pesquisador canadense R. Murray Schafer o rádio se tornou o relógio da civilização ocidental. Uma das principais diferenças entre o rádio e a mídia impressa foi, que além de estar presente na rotina das pessoas, alterou a rotina das mesmas. A ambientalização das salas de estar foi direcionada ao aparelho e, nas horas de descanso era o rádio a melhor companhia.

“Nesse sentido, o trabalho de Gooldfeder, da Universidade de São Paulo, em cuja análise sociológica dos programas de auditório, de repertórios e das produções humorísticas como elemento de transgressão e de reiteração de valores, e, ainda, mediante a análise da produção radiofônica como atividade formadora de opinião pública, permitiu identificar alguns aspectos contraditórios no processo de manipulação simbólica e reações psicossociais além das previstas pelos seus produtores. ” (NASCIMENTO, Marcio, p. 50)

No noticiário escrito pelo antigo radialista da PRF-7 Andral Tavares, do jornal Folha da Manhã de 21 de agosto de 2004, descreve sobre o dia da inauguração da emissora. As pessoas se aglomeravam na frente do prédio, ansiosos para a escuta nos transmissores instalados na rua. Também foram instalados alto-falantes nos bares, cafés e restaurantes no centro da cidade e era grande a euforia para mostrar ao restante do Brasil “sobre a cultura, as artes e a e as potencialidades da região” (Folha da Manhã, Campos, 21 de agosto de 2004).

Duas estabelecidas conversas chamaram a atenção para a vivência cotidiana com a rádio: dois homens, de classe social distintas, nos relataram suas experiências com a PRF-7. O primeiro, morador de área nobre da cidade acompanhava a programação convicto, utilizava dos rádio-jornais para informar-se e das músicas para se divertir, alegando-nos convivência com os artistas. Já o segundo entrevistado, sambista e morador de uma comunidade localizada no centro da cidade, relembra com mais entusiasmo das narrações de futebol e dos sambas que lá foram lançados, afirmando influência de personalidades da rádio na sua formação quanto músico, porém complementa falando que não era na Rádio Cultura que os novos músicos tinham voz, apresentavam-se nas emissoras de bairro.

Outra conversa com uma radialista que trabalhou para alguns programas da rádio fora importante para compreensão da rotina da PRF-7. Ela nos relatou a importância dos programas infantis nos auditórios para aproximação da emissora com seus ouvintes. As crianças acompanhavam a gravação do programa Gurizada enquanto sorteavam prêmios e realizavam gincanas.

“Cada um dos núcleos radiofônicos se subdividiam em outros setores. No jornalístico, por exemplo, encontravam-se repórteres, redatores e locutores que atuavam nos setores esportivos, de notícias, feminino, de serviços, de crônicas etc. Nas grandes emissoras, o núcleo musical era composto por orquestras internas, diversos maestros e conjuntos regionais, que executavam músicas populares. A música sempre foi um elemento fundamental dentro da programação de uma emissora de rádio, e eram esses profissionais que criavam os arranjos para os programas dos mais variados estilos. Os músicos também acompanhavam os cantores exclusivos da rádio e os convidados. Ou seja, a estrutura interna de uma emissora de rádio era complexa, com todos os setores funcionando de maneira interligada” (CALABRE, Lia. p. 33)

Interior: metrópole cultural

Para engrossar o caldo sobre o debate traçado inicialmente, apresentamos aqui a criação pioneira de uma emissora de radiodifusão, contudo não podemos cair nas diferenças dos tempos históricos. Os anos 1930 foi decisivo para o conceito de regionalismo. Lembramos aqui do clássico vídeo de Getúlio Vargas queimando as bandeiras estaduais, afim de simbolizar uma igualdade regional, embora nunca existente, dos Brasis. O estudo sobre essa mídia atinge vários gatilhos. Nos aprofundando mais no interior do estado, nas cidades ainda menores ou nas roças, ouvimos de longe o som do rádio, mesmo com o aparecimento tecnológico da televisão. Isso parte de todo processo histórico dessa mídia narrado aqui. A política de comunicação de massas encontra no rádio um campo aberto.

“Cultura de massa, isto é, produzida segundo as normas maciças da fabricação industrial. Propaganda pelas técnicas de difusão maciça (que um estranho neologismo anglo-latino, chama de mass-media); destinando-se a uma massa social, isto é, um aglomerado gigantesco de indivíduos compreendidos aquém e além das estruturas internas da sociedade (classes, família, etc). (MORIN. 1967, p. 16)

A cultura de massas abre espaço para a criação símbolos, mitos, imagens e por fim, uma homogeneidade, ligadas a formação da cultura nacional, uma re-criação de ideia do que é a nação. Entretanto, essa sociedade moderna baseia-se nos cruzamentos do complexo do que é cultura, de civilização e de história (MORIN, p. 23), sendo assim policultural ou multicultural, que se alimentam ou se chocam. Duas representações da cultura trabalhadas pelo autor é a alta cultura, que dentro das relações de poder apresenta-se como hegemônica, e a cultura de subprodutos, considerada “ópio do povo”. Ambas se chocam dentro do processo da criação, a primeira pautada numa criação autônoma e estética e a outra nas técnicas industriais, com a finalidade do consumo.

O rádio revolucionou os meios de comunicação a partir do momento em que milhares de pessoas recebiam a mesma notícia, mas cada um interpretava de sua forma, além de modificar a relação que a informação tinha com o tempo e criavam uma memória social sobre determinado fato ocorrido. Como complementa MacLuhan

“O rádio propiciou a primeira experiência maciça de implosão eletrônica, a reversão da direção e do sentido da civilização ocidental letrada diante da possibilidade de transformar a psique e a sociedade numa única câmara de eco; a dimensão ressonadora do rádio” (MACLUHAN, Marshall. 1979, p. 405).

Referências Bibliográficas

ADORNO, Theodor W.. Indústria cultural e sociedade. 8º ed. São Paulo: Paz e Terra, 2014.

Acervo Documental Sonoro/ Fonoteca da Casa de Cultura Villa Maria/CCVM da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro. Acesso de abril de 2017 a março de 2018. Campos dos Goytacazes/RJ.

CALABRE, Lia. A Era do Rádio. 2.Ed. Rio de Janeiro. Jorge Zahar Ed., 2004.

HOBSBAWN, Eric. A era dos extremos: o breve século XX (1914-1991). São Paulo, Companhia das Letras, 1995.

Jornal O Monitor Campista. 1934-1938. Arquivo Municipal Waldir de Carvalho. Campos dos Goytacazes/RJ. 2017.

MACLUHAN, Marshall. Os meios de comunicação como extensão do homem. São Paulo: Cultrix, 1979, p. 405.

MARTÍN-BARBERO, Jesús. Dos meios as mediações: comunicação, cultura e hegemonia. Rio de Janeiro, UFRJ, 1997.

MORIN, Edgar. Cultura de massas no século XX: o espírito do tempo. Companhia Editora Forense. Tradução Maura Ribeiro Sardinha. Rio de Janeiro, 1967.

NASCIMENTO, Marcio. PRA-9 Rádio Mayrink Veiga: um lapso de memória na história do rádio brasileiro. Litteris: Rio de Janeiro. 2018.

RANGEL JR., Vicente Marins. 1992. Recortes da Memória Musical de Campos (1839-1965). Itaperuna: Damará.

TOTA, Antonio Pedro. A Locomotiva no ar: rádio e modernidade. São Paulo: 1924-1934. São Paulo: Secretaria do Estado e Cultura, 1990

Corpos e Cheiros: O Brasil no fundo do poço.

Benvindo Siqueira é brasileiro, ator, humorista, autor, diretor de teatro, cinema e televisão, opera também como Youtuber tecendo reflexões bem-humoradas sobre política e comportamento; possuindo uma extensa filmografia e trabalhos em novela e teatro, é nascido em 27 de julho de 1947, atualmente está com 72 anos, tendo 54 de carreira.

Iniciou sua atividade no teatro em 1966 no Rio de Janeiro ao lado de Gonzaguinha e Reinaldo Gonzaga com o espetáculo “Joana em Flor”, desde então esteve presente em mais de 50 peças. Criador do moderno Teatro de Rua no Brasil em 1977 em Salvador na Bahia, em 2006 participou do Tecendo Saber, projeto educacional televisivo do Instituto Paulo Freire, interpretando o Seu Celestino. Publicou o livro “Humor, Graça e Comédia” pela Editora Litteris.

Imagem 1: Benvindo Siqueira. Fotografia sem informação do autor. Disponível no site <https://noticiacarioca.wordpress.com/2018/01/29/bemvindo-sequeira-volta-ao-palco-com-stand-up-apos-tres-anos-afastado/>. Acesso em jun 2020.

Na Rede Globo, fez Tieta e ficou famoso por seu personagem na Escolinha do Professor Raimundo, “Seu Brasilino”. Foi dirigente de entidades profissionais pela defesa dos direitos de artistas. Possui um site na internet com informações sobre sua vida e carreira: https://www.bemvindo.art.br/, além de páginas no Instagran e Facebook.

Siqueira publicou um vídeo no youtube intitulado O Poço e o Fundo do Poço, a mais ou menos três meses, e as impressões de seu relato, que sugiro a todos assistirem (https://youtu.be/TheryTt0mSo), me motivou a escrever estas reflexões.

Instado por sua neta a ver o filme O Poço, película espanhola dirigida por Galder Gaztelu-Urrutia, onde o roteiro utiliza-se de uma prisão dividida em andares com um poço no meio das celas, para escancarar o egoísmo humano em uma evidente divisão de classes, Benvindo relata a sua impressão inicial:

__O filme é fantástico, quem já viu pode dizer, eu não aguentei 15 minutos de filme, era um horror, era um horror, o filme me horrorizou – mostrando por gestos ter acompanhado o filme com as mãos sobre os olhos. Afirma que não teve estômago para continuar, fazendo-o por curiosidade apenas de forma “picotada” nos dias seguintes.

__O filme, – afirma, é o retrato fiel da desigualdade do mundo capitalista. É o retrato fiel do Brasil. O Brasil é o próprio Poço com sua desigualdade social.

Constrói Siqueira uma análise sobre o filme que considera uma alegoria, uma cadeia com centenas de andares e com um poço no centro, onde os sujeitos se encontram encarcerados – dois em cada cela -, numa prisão distópica onde todos pertencem a um nível, não podendo sair.

Imagem 2: A desigualdade social tem cor, traços e corpos bem marcados nos quadros de Cândido Portinari, um dos pioneiros ao retratar os marginalizados e excluídos em suas obras. A tela, Criança Morta (1944) retrata vida difícil enfrentada por famílias brasileiras que abandonam suas terras arruinadas pela miséria e a fome. Disponível no site <https://masp.org.br/acervo/obra/crianca-morta>. Acesso em jun 2020.

Pelo poço desce uma bancada com “os melhores banquetes, dispostos no primeiro estamento, no estamento zero, por mais de 50 chefes de cozinha preparando os melhores manjares do mundo” (SIQUEIRA, internet) A bancada desce para o primeiro andar onde os personagens, por três ou quatro minutos, podem comer a vontade e assim sucessivamente de andar em andar.

__Lá pelo 30º andar já não há mais comida suficiente, porque todo mundo já comeu, os andares de cima já comeram o que era para ter comido. Já quase não tem mais nada, o que sobra é uma comida mijada, cagada, cuspida, restos (…) mas mesmo assim as pessoas disputam e comem. Quando chega aos últimos andares já não existe mais nada e as pessoas começam a comer-se umas as outras, “fatiadas”.

__Mas é o perfeito retrato do que o capitalismo faz com os povos do mundo. E é o perfeito retrato da sociedade brasileira. (meu destaque)

A partir deste momento da sua narrativa, Benvindo Siqueira procede a uma comparação da nossa sociedade com a realidade retratada no filme, afirmando que vivemos num poço de desigualdades onde a miséria não tem fim. As imagens construídas pela sua fala forte, incisiva, estabelecida nas relações de exclusão e territoriedades sociais imprime-se na afirmativa de que “é insuportável assistir O Poço, como é insuportável reconhecermos e vermos a miséria do nosso país.” (meu destaque)

Imagem 3: Na obra de Leandro Bassano, 1557-1622, pintor da escola de Veneza, Banquet Scene, c. 1595, é possível identificar o banquete dos ricos e a migalhas para o miseráveis e os animais. Disponível no site <https://sites.google.com/site/aprendizuniversal/modos-de-vida>. Acesso em jun 2020.

É preciso identificar e superar as práticas de exclusão e as ações determinantes da invisibilidade, que se apresentam em nossa cultura social como uma forma de submissão e apagamento dos sujeitos viventes nos “estamentos” inferiores. Um dos caminhos é o da arte nas suas expressões em imagem.

Não há rivalidade entre fotografia e a arte quando da iluminação de realidades humanas conduzidas ao lugar de esquecimento histórico e social. Nas artes de objeções e críticas à pulsão de poder (poder que implica a formatação do poço sem fundo onde a miséria não tem fim), o que importa é trazer ao olhar o que perturba, inquieta, clareia; provocando o “conferir à imagem uma significação que parte dela [permitindo] uma interpretação que excede a imagem, desencadeia palavras, um pensamento, um discurso interior, partindo da imagem que é seu suporte, mas que simultaneamente dela se desprende.” (JOLY. 2009, p. 120)

Nas obras de arte e nas fotografias neste artigo selecionadas o que nos impressiona/aflige são os corpos e sua representatividade. Citando o filme Parasita (*), Siqueira (internet) materializa em sua fala o cheiro do povo, que é o cheiro de seus corpos:

__Quem é de classe média, classe média alta, quem é rico sabe o que é o cheiro do povo, o povo tem cheiro, porque quem mora em um barraco, cinco ou seis pessoas num mesmo cômodo, respirando o mesmo ar, o ar fétido do esgoto, da falta de ventilação, aquele cheiro fica impregnado no corpo, é o cheiro da pobreza. O ditador Presidente General Figueiredo chegou a dizer “prefiro o cheiro de cavalo a o cheiro do povo”.

Imagem 4: Descendentes dos escravos libertos pela Condessa do Rio Novo, na antiga Entre-Rios, hoje cidade de Três Rios/RJ, poucos anos após o finalizar das atividades da Colônia Agrícola de Nossa Senhora da Piedade, assistidos pelo Grupo Espírita Fé e Esperança, nesta tomada externa da sede da instituição, realizada na segunda metade da década de 30 do século XX. Fotografia do acervo Sr. Altair, sem autor conhecido. As desigualdades são mantenedoras das obras sociais de caridade, no quinhão que cabe aos sujeitos dos estamentos inferiores.

Os corpos se destacam… depauperados, envelhecidos, mal alimentados, entristecidos e sem esperança; mas não é somente o cheiro, Siqueira (internet) afirma, que  igualmente é a visão, o tato, da miséria, “aquela miséria que você se recusa a ver nas palafitas (…) a miséria mais profunda do Brasil, aquela que fede, que da horror, aquela que você não quer ver, aquela que tem casca de ferida no corpo, aquela que as pessoas estão morrendo esqueléticas, animalescas”. São os corpos dos últimos estamentos sociais.

O que menos importa nas expressões imagéticas da miséria é o contexto institucional da produção da obra de arte e da fotografia, mas a conjuntura histórica de sua recepção e a sua função desencadeadora de “fazer as coisas se aproximarem de nós, ou antes, das massas.” (BENJAMIN. 2008, p. 101)

(…) a compreensão da corporiedade humana como fenômeno social e cultural, motivo simbólico, objeto de representações e imaginários. Sugere que as ações que tecem a trama da vida quotidiana, das mais fúteis ou das menos concretas até aquelas que ocorrem na cena pública, envolvem a mediação da corporeidade; fosse tão somente pela atividade perceptiva que o homem desenvolve a cada instante e que lhe permite ver, ouvir, saborear, sentir, tocar e, assim, colocar significações precisas no mundo que o cerca. (BRETON. 2010, p. 7)

Este é o corpo, “vistos e cheirados” nas imagens da miséria humana.

“Nas sociedades heterogêneas, as relações com a corporeidade inscrevem-se no interior das classes e culturas que orientam suas significações e valores;” (BRETON. 2010, p. 81) assim temos o que a sociologia de Bourdieu e Boltanski define como os usos sociais do corpo. As valorizações distintas dos corpos sociais permitem as expressões nas territoriedades sociais do que Benjamim determina como “uma nova forma de miséria [que] surgiu com esse monstruoso desenvolvimento da técnica, sobrepondo-se ao homem.” (BENJAMIN. 2008, p. 115)

Imagem 5: Moradores de rua em Recife/PE, retrato da miséria de corpos sem teto, sem abrigo, sem educação, trabalho e saúde. Não foi possível definir o autor desta fotografia.

Desta forma, a miséria, criatura das relações capitalistas, é o objeto daqueles que

(…) estão nos andares de cima [que] não querem nem saber, acham que tudo lhes é devido, que eles comem o banquete farto porque estão no andar de cima, eles merecem, e assim são as pessoas do andar de cima que pensam que estão fora do poço, não, estão todas no mesmo poço (…) os donos do poço são os banqueiros, os financistas, os investidores, os donos do agronegócio, os especuladores, estes são os donos do poço, estes que preparam o banquete que é servido às classes sociais, até chegar à migalha, até chegar à miséria total, porque o banquete não é suficiente para todos, só para os estamentos superiores. (SIQUEIRA, internet)

Mas como mitigar a pobreza de experiência se o olhar desconhece, foge, diverge dos invisíveis e excluídos, apesar deles possuírem rostos e corpos que os representam? Os homens não desejam novas experiências. “Não, eles aspiram a libertar-se de toda experiência, aspiram a um mundo em que possam ostentar tão pura e tão claramente sua pobreza externa e interna, que algo de descente possa resultar disso.” (BENJAMIN. 2008, p. 118)

Nada de descente, só corpos e cheiros, no fundo do poço…

 

 

Referências:

(*) Parasita é um filme sul-coreano de thriller, drama e comédia, dirigido por Bong Joon-ho. Lançado em 2019, o longa-metragem tem feito um enorme sucesso internacional depois da sua exibição no Festival de Cinema de Cannes, onde venceu a Palma de Ouro. No ano seguinte, Parasita foi o grande vencedor do Oscar 2020, premiado nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e Melhor Filme Estrangeiro. (…) Desde o primeiro frame, Parasita traça um retrato crítico da realidade sul-coreana, chamando atenção para as desigualdades econômicas que dividem aquele país. (…) Em dois polos opostos, as famílias Kim e Park simbolizam dois modos de vida totalmente distintos: uns vivem abaixo do limiar da pobreza e os outros são milionários. Isso se torna visível nas dinâmicas, nos problemas e nos universos mentais dos núcleos familiares. (…) Numa sociedade capitalista que se caracteriza por uma divisão extrema da população, os funcionários observam o cotidiano dos Park e percebem como a vida deles é mais fácil, mais agradável, mais feliz. MARCELO, Carolina. Filme Parasita. Disponível no site < https://www.culturagenial.com/filme-parasita/>. Acesso em jun 2020.

 

BENJAMIN, Walter. Obras Escolhidas. Editora e Livraria Brasiliense. São Paulo/SP, 11ª reimpressão, 2008.

BRETON, David Le. A Sociologia do Corpo. Editora Vozes. Petrópolis/RJ, 4ª Edição, 2006.

JOLY, Martine. Introdução à Análise da Imagem. Papirus Editora. Campinas/SP, 13ª Edição, 2009.

SIQUEIRA, Benvindo. O Poço e o Fundo do Poço. Disponível: https://youtu.be/TheryTt0mSo. Acesso em jun. 2020.

RACISMO

Alguns estudos verificaram a hipótese de que preconceito racial e comportamentos contra imigrantes estão relacionados ao aparecimento de discursos de extrema direita, e ao consequente aumento de votos nos partidos associados a ela.
Isso nem sempre indica o reaparecimento da ideologia nazista ou fascista, mas sempre significa o culto à personalidade autoritária, o desejo de lideranças fortes, críticas a uma aparente desordem nacional e a procura de certa cidadania que exclui os “diferentes”.
Mesmo não defendendo um racismo no conceito usual do termo, tentam defender que diferenças culturais, vigentes nas relações entre os vários grupos, podem inviabilizar o funcionamento das normas sociais.
Isso constituiu o que denominamos racismo estrutural, uma forma de violência reproduzida no tecido social que assume características institucionais e culturais, ou seja, não direta, porque esta costuma chocar as pessoas.

É perceptível este fenômeno naqueles que denominados “capitão do mato”, ou seja, o discriminado que assume todos os valores dos discriminadores, numa tentativa desesperada e infrutífera de, pela adesão emocional, estar ao lado dos dominadores e, assim, superar a inferioridade de que se julga possuidor. Estão aí alguns dirigentes de órgãos estatais que ilustram a triste realidade, material farto para várias análises.
Ressalta bem este conceito a minuciosa construção da inferiorização dos negros com afirmações que os mantêm em posições subalternas, sob justificativa de incapacidade, ou falta de vontade para o trabalho, ignorando a ausência histórica de um efetivo processo educativo abrangente e inclusivo capaz de produzir isonomia na formação para o mundo do trabalho.
As meias verdades e o passado escravagista associados aos conceitos de supremacia branca, surgidos oportunisticamente para justificar o colonialismo e sua absurda comitiva de desmandos, brutalidades e genocídios, reforçaram o preconceito contra negros, índios e imigrantes.
Preconceito este sempre negado no aparecimento da opinião sobre democracia racial e o falso discurso da meritocracia, segundo o qual aqueles que se esforçarem poderão usufruir de direitos iguais – uma falácia utilizada para apontar as políticas de combate ao racismo como desnecessárias, já que pessoas possuem as mesmas oportunidades, e as ofensas raciais passam a ser consideradas como simples piadas, parte do espírito irreverente de nosso povo. Somos engraçados e sinceros, apenas.
Desta forma estruturamos uma determinada normalidade para o racismo presente nas relações sociais, econômicas, jurídicas e políticas, perpetuando a desigualdade e principalmente negando-a, o que não muda mesmo quando aceitamos uma responsabilização individual: dizemos que aquela pessoa (ou empresa) foi racista, como se isso fosse exceção.
As melhores posições no mundo do trabalho, assim como a total liberdade, propriedade privada, finanças, são dominadas por brancos, que definem as normas de conduta à qual todos devem sujeitar-se. Isso institucionaliza o racismo, tornando os atos de discriminações falsos ou inexistentes, e carregamos desde nosso processo de colonização, fortemente dependente da mão de obra escrava, um Estado em constante estado de exceção.
O processo educacional precisa ser completo e eficiente para que possamos falar em igualdade de condições, e darmos um passo concreto na direção da isonomia e justiça plena. Quanto mais soubermos sobre nós mesmos, nosso processo civilizatório, nossa ciência e nossa tecnologia, mais combateremos diferenças circunstanciais baseadas na quantidade de melanina na pele ou região de nascimento.
Boa escola é maturidade e inclusão, capacidade de desenvolver boas políticas públicas e as transformações sociais, como aquelas que as declarações da Organização das Nações Unidas (ONU) tem promulgado para colaborar no minorar este estado de coisas, promovendo novas visões sobre normas discriminatórias.

DRONES: CURSO ONLINE PARA ACOMPANHAMENTO DE OBRAS E INSPEÇÃO

“Os drones, criados inicialmente para missões militares e de espionagem, vêm ganhando utilizações das mais variadas no mundo corporativo e social — até para gravação de vídeo em casamentos. Na construção civil, as pequenas aeronaves não tripuladas, também chamadas “vans” (na sigla em inglês), são consideradas soluções viáveis para reduzir o tempo de obras e fornecer informações para os softwares de edificações.”

A escola de profissões Centro Europeu, de Curitiba (PR), por meio da sua nova plataforma de cursos à distância, a Live School (https://liveschool.centroeuropeu.com.br/) – está oferecendo o curso “Serviços Técnicos com Drones”. As aulas serão ministradas ao vivo nos dias 22, 24, 29 de junho e 01, 06 e 08 de julho, das 19 às 22horas e ficarão disponíveis para os alunos por 60 dias.

Pilotos de drones profissionais e interessados em entrar neste mercado que está em pleno crescimento têm a opção de começar um curso online e ao vivo de curta duração, na próxima semana, dia 22 de junho.

Utilização de drones na construção civil.

Entre as disciplinas do curso estão o universo dos drones profissionais, o uso de drones no setor imobiliário, drones para acompanhamento de obras, introdução ao tratamento profissional de imagens, inspeções com drones, entre outras. A grade curricular foi pensada para ampliar as oportunidades de pessoas que gostam de tecnologia e também para os profissionais que já atuam com pilotagem de drones.

Aplicabilidade na construção:

  • Mapeamento da área construída: os drones possibilitam que o engenheiro civil consiga traçar uma “visão” para além do projeto no papel;
  • segurança: com os drones na construção civil torna-se viável identificar falhas ou erros com antecedência. Dessa forma, cria-se uma espécie de “proteção” para o desenvolvimento da obra e dos funcionários empenhados nela;
  • progresso da obra: com as capturas de imagens feitas pelo drone o processo de desenvolvimento de obra pode ser acompanhado sem quaisquer impedimentos;
  • monitoramento dos operários: as imagens dos drones são desenvolvidas em tempo real, por isso, com eles, também torna-se possível monitorar o trabalho dos operários;
  • facilidade em realizar inspeções e análises estruturais: a tecnologia implantada nos drones permite uma visão precisa e ampla da estrutura local. Devido a isso, é como se a pessoa estivesse observando a construção de forma bem próxima. (Fonte: https://itarc.org/drones-na-construcao-civil/)

O supervisor do curso, o geógrafo, pesquisador e profissional da tecnologia drones, Alexandre Scussel, explica que o mercado está em amplo crescimento e que, com a pandemia do coronavírus, novos setores passaram a utilizar drones para vistorias, entregas e fiscalizações.

“A crise está gerando novas áreas de atuação. Sabemos que será necessário muitos profissionais capacitados e o objetivo é ensinar os alunos sobre como desenvolver soluções altamente especializadas e gerar valor por meio de dados captados com aeronaves remotamente pilotadas”, explica Scussel.

Foto: Alejandro Peña

NOVOS MERCADOS – O curso também é voltado para profissionais ligados às áreas de engenharia, arquitetura, seguradoras, construtoras, corretores de imóveis e todos os interessados em obter retorno rápido do investimento. “A vantagem do curso online é que ele não tem barreiras e, neste caso, trata-se de uma especialização de alto nível para atender demandas de um mercado que se mantém ativo, mesmo na crise”, finaliza Alexandre.

SERVIÇO

Curso “Serviços Técnicos com Drones”

Data das aulas: 22, 24, 29 de junho e 01, 06 e 08 de julho
Horário: 19 às 22horas
Inscrições : https://liveschool.centroeuropeu.com.br/cursos/servicos-tecnicos-com-drones/

Andreza Rossini – Assessora de Imprensa
Comunicore – Comunicação e MKT
41 – 99925.1169 / 41 – 3343.4797