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O PAPEL DO PROFESSOR E O USO DA INTERNET NA ESCOLA: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

CHAVELLI DOMINIQUE LUIZ

VANISSE SIMONE ALVES CORRÊA

 

A Internet revolucionou o mundo e a educação. Desde seu surgimento, inúmeras possibilidades de aprendizagem surgiram. Torna-se necessário, portanto, refletir sobre essa temática. Para LOPES (2004):

A Informática vem adquirindo cada vez mais relevância no cenário educacional. Sua utilização como instrumento de aprendizagem e sua ação no meio social vem aumentando de forma rápida entre nós. Nesse sentido, a educação vem passando por mudanças estruturais e funcionais frente a essa nova tecnologia (LOPES, 2004, p. 1).

A formação continuada pode dar ao professor a segurança necessária para a condução do trabalho pedagógico. Caso não tenha essa formação, o professor deve buscar por si mesmo sua  qualificação,  por meio do acesso à Internet, a troca com seus pares e a busca por uma literatura adequada e de qualidade.

A internet veicula uma grande quantidade de informações. Nem toda informação é conhecimento. Porém, entende-se que muitas informações podem ser transformadas em conhecimento, se formalmente organizadas em conteúdo escolar. Para Jordão (2009):

Diante da facilidade e ampliação no acesso às informações, cabe à escola o papel de orientar os jovens sobre como utilizar tais informações para que se transformem em conhecimento. O uso das TICs pode contribuir com o professor para criar espaços agradáveis e interessantes de aprendizagem, tornando suas aulas momentos adequados para o processo de gestão do conhecimento (JORDÃO, 2009, p. 1).

 

O uso das tecnologias na educação é uma realidade e também uma necessidade.   Não basta apenas colocar o equipamento na escola e “treinar” o aluno, pois antes de tudo, o que deve ser levado em conta é a formação humana e que tipo de cidadãos a escola quer conceber. Portanto, para Kampff (2006), a tecnologia na escola tem um duplo desafio: o social, referente à formação e o pedagógico, no sentido de facilitar o acesso aos conteúdos.

Este trabalho iniciou-se com a busca, junto ao Banco de Teses da Capes[1],  pelas pesquisas que continham descritores relevantes. Os resultados encontrados foram: uso da Internet na escola: 1920 trabalhos; uso responsável da Internet: 703 trabalhos; professor e uso da Internet: 840 trabalhos e papel do professor no uso da Internet: 153 trabalhos. O significativo número de trabalhos (3.616)  demonstra o interesse dos pesquisadores sobre o tema.

 

 

O PAPEL DO PROFESSOR NO USO DA INTERNET NA ESCOLA

A quantidade imensa de informações disponibilizada pela Internet pode ser acessada diretamente, por qualquer pessoa, em qualquer lugar. Ou seja, de maneira geral, não existe nenhum tipo de filtro que permita ao indivíduo escolher qual informação quer ou necessita tem que partir da consciência e do bom senso de quem acessa a Internet. No caso de jovens e crianças, que ainda estão em formação, é necessário que alguém os oriente a escolher e a selecionar as informações que possam ser úteis e relevantes. Como a escola também propicia esse acesso à Internet, entende-se que também ela, na figura do professor, deve se responsabilizar  por essa orientação. O professor é um profissional sobrecarregado. Sobre ele pairam inúmeras responsabilidades. Suas responsabilidades estão previstas, entre outras legislações, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei n.º 9394/96, em seu artigo 13:

 

Art. 13º. Os docentes incumbir-se-ão de:

I – participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino;

II – elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino;

III – zelar pela aprendizagem dos alunos;

IV – estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento;

V – ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional;

VI – colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade (Brasil, 1996).

 

Esse artigo explicita quais são os deveres e funções fundamentais dos professores. O inciso III, quando afirma que cabe ao professor “zelar pela aprendizagem dos alunos”, desloca a função do professor para além do repasse dos conteúdos. O verbo zelar inspira cuidado e proteção. Brandão (2010, p. 55), entende que “Se o docente não ‘zelar pela aprendizagem dos alunos’, não é digno do exercício da profissão a que se propôs”. Assim, compreende-se que além das responsabilidades legais, previstas ainda há outras funções inerentes ao professor, diretamente relacionadas à ética da profissão. A palavra ética pode ter vários significados. Neste trabalho optou-se pela seguinte definição: ciência da conduta (ABBAGNANO, 2000). Ou seja, a ética define como alguém deve se comportar em determinado lugar ou função. Assim, a ética profissional do professor deve impulsioná-lo a trabalhar pelo bem de seus alunos. Nesse sentido, é seu dever aconselhá-los e orientá-los. Para Oliveira e Freitas (2006):

Crianças são crianças. O mundo, no entanto, é dos adultos. Por isso a preocupação de tantos pais e professores em preservar a infância de seus filhos e alunos de um mundo cada vez mais complicado. O conteúdo sem censura da Internet pode parecer a muitos uma ameaça à inocência e, até mesmo, segurança da garotada. Há na Internet todo tipo de informação de cunho reprovável: violência, pornografia e apologia ao racismo. Mas a rede também encerra uma grande porção do conhecimento humano. Porém, não há porque ter medo da Internet. Como todo meio de comunicação, ela merece cautela e capacidade do expectador de analisar seu conteúdo. Para as crianças, são os pais e professores os responsáveis por ajudá-las a entender como funciona a rede (OLIVEIRA e FREITAS, 2006, p. 1).

Além da falta de filtro das informações veiculadas pela Internet, é preciso levar em conta também o incremento das redes sociais. Muitos alunos possuem perfis no Facebook e no Google +, por exemplo. O professor deve aproveitar esse interesse dos alunos nessas ferramentas, para que, além de orientá-los ao bom uso das mesmas, também possam usá-las como um fomento para a aprendizagem. No site da Revista Nova Escola (http://revistaescola.abril.com.br/), uma reportagem assinada por Pechi (2014) traz algumas excelentes sugestões para isso, tais como:

  1. Faça a mediação de grupos de estudo
    Convidar os alunos de séries diferentes para participarem de grupos de estudo nas redes – separados por turma ou por escolas em que você dá aulas -, pode ajudá-lo a diagnosticar as dúvidas e os assuntos de interesse dos estudantes que podem ser trabalhados em sala de aula, de acordo com os conteúdos curriculares já planejados para cada série. Os grupos no Facebook (…) podem ser concebidos como espaços de troca de informações entre professor e estudantes, mas lembre-se: você é o mediador das discussões propostas e tem o papel de orientar os alunos. Todos os participantes do grupo podem fazer uso do espaço para indicar links interessantes.

  2. Disponibilize conteúdos extras para os alunos

    As redes sociais são bons espaços para compartilhar com os alunos materiais multimídia, notícias de jornais e revistas, vídeos, músicas, trechos de filmes ou de peças de teatro que envolvam assuntos trabalhados em sala, de maneira complementar. (…). Esses recursos de apoio podem ser disponibilizados para os alunos nos grupos ou nos perfis sociais, mas não devem estar disponíveis apenas no Facebook (…), porque alguns estudantes podem não fazer parte de nenhuma dessas redes. Para compartilhar materiais de apoio e exercícios sobre os conteúdos trabalhados em sala, é melhor utilizar espaços virtuais mais adequados, como a intranet da escola, o blog da turma ou do próprio professor.
  3. Promova discussões e compartilhe bons exemplos
    Aproveitar o tempo que os alunos passam na internet para promover debates interessantes sobre temas do cotidiano ajuda os alunos a desenvolverem o senso crítico e incentiva os mais tímidos a manifestarem suas opiniões. Instigue os estudantes a se manifestarem, propondo perguntas com base em notícias vistas nas redes, por exemplo. Essa pode ser uma boa forma de mantê-los em dia com as atualidades, sempre cobradas nos vestibulares.
  4. Elabore um calendário de eventos
    No Facebook, por meio de ferramentas como “Meu Calendário” e “Eventos”, você pode recomendar à sua turma uma visita a uma exposição, a ida a uma peça de teatro ou ao cinema. Esses calendários das redes sociais também são utilizados para lembrar os alunos sobre as entregas de trabalhos e datas de avalições. Porém, vale lembrar: eles não podem ser a única fonte de informação sobre os eventos que acontecem na escola, em dias letivos.
  5. Organize um chat para tirar dúvidas
    Com alguns dias de antecedência, combine um horário com os alunos para tirar dúvidas sobre os conteúdos ministrados em sala de aula. Você pode usar os chats do Facebook, do Google Talk, do MSN ou até mesmo organizar uma Twitcam para conversar com a turma – mas essa não pode ser a única forma de auxiliá-los nas questões que ainda não compreenderam. A grande vantagem de fazer um chat para tirar dúvidas online é a facilidade de reunir os alunos em um mesmo lugar sem que haja a necessidade do deslocamento físico (PECHI, 2014, p.1).

 

A mesma autora dá alguns conselhos para que o professor faça um trabalho adequado, não se expondo e tomando certos cuidados:

Mas, é evidente que em uma rede social o professor não pode agir como se estivesse em um grupo de amigos íntimos. (…)  Por isso, no mundo virtual, os professores precisam continuar dando bons exemplos e devem se policiar para não comprometerem suas imagens perante os alunos. Os cuidados são de naturezas diversas, desde não cometer erros de ortografia até não colocar fotos comprometedoras nos álbuns (PECHI, 2014, p.1).

 

Assim, é preciso lembrar que a ética profissional do professor deve estar sempre presente, mesmo nos ambientes virtuais. Além destas sugestões de trabalho, o professor deve tomar alguns cuidados, a seguir elencados:

 

– Estabeleça previamente as regras do jogo
Nos grupos abertos na internet, não se costuma publicar um documento oficial com regras a serem seguidas pelos participantes. Este “código de conduta” geralmente é colocado na descrição dos próprios grupos. Com o tempo, os próprios usuários vão condenar os comportamentos que considerarem inadequados, como alunos que fazem comentários que não são relativos ao que está sendo discutidos ou spams[2]*.

– Não exclua os alunos que estão fora das redes sociais
Os conteúdos obrigatórios – como os exercícios que serão trabalhados em sala e alguns textos da bibliografia da disciplina – não podem estar apenas nas redes sociais (até mesmo porque legalmente, apenas pessoas com mais de 18 anos podem ter perfis na maioria das redes).  A mesma regra vale para as aulas de reforço. A melhor solução para esses casos é o professor fazer um blog e disponibilizar os materiais didáticos nele ou ainda publicá-los na intranet da escola para os alunos conseguirem acessar o conteúdo recomendado por meio de uma fonte oficial (PECHI, 2014, p.1).

 

A autora ainda ressalta que todo esse trabalho deve ser comunicado aos pais, que deverão estar cientes do trabalho pedagógico desenvolvido nas redes sociais e deverão manifestar sua concordância para a efetivação doo mesmo.

Além destas sugestões, o professor deve estar atento a outras possibilidades da Internet. Não deve se fechar à tecnologia mas sim usá-la para desenvolver um trabalho interessante. Pode e deve fazer um trabalho interdisciplinar com questões envolvendo a Internet. Nas aulas, por exemplo, de Português, pode discutir textos que falem da Internet. Há muitos assuntos que podem ser trabalhados, mas sugerem-se alguns, mais relevantes:

– Bullyng e cyberbullyng: É necessário refletir sobre o bullyng  e também o cyberbullyng, o que ocorre com muita frequência. O professor pode mostrar aos alunos como isso ocorre, como se proteger e mostrar alguns filmes sobre a temática. Isso desenvolverá uma consciência de todos na turma e ajudará a barrar, impedir e até mesmo denunciar os casos que porventura possam surgir.

– Peer-to-peer (P2P): Explicar aos alunos como funcionam os chamados peer-to-peer, que possibilitam a troca e o compartilhamento de qualquer tipo de arquivo. Muitas vezes são usados para trocar filmes e músicas, mas esses aplicativos têm alguns problemas. Podem transmitir vírus e também possibilitar o acesso a produtos que têm direitos autorais. Se determinada música, por exemplo, tem direito autoral e é transmitida sem a devida permissão, o usuário incorre em crime. Um exemplo de Peer-to-peer é o site do Baixaki[3].

– Blogs: Hoje em dia é muito fácil criar e manter um blog, gratuitamente inclusive. O professor pode estimular seus alunos a criar um blog de interesse comum. O blog é como se fosse um diário virtual, uma ferramenta muito interessante.

– Pedofilia: Infelizmente, há muitos casos de pedofilia, que se iniciam com o uso da Internet e dela se utilizam para agredir crianças e jovens. O professor deve falar claramente sobre este assunto, esclarecendo e orientando os alunos para se manterem em segurança. Discutir e demonstrar os casos de pedofilia já descobertos pode alertar os alunos e evitar que os mesmos caiam em armadilhas virtuais.

– Facebook: O Facebook é uma febre e está se configurando como uma importante ferramenta de comunicação. Apesar de ser necessário ter 18 anos completos para se abrir um perfil, o que se vê é crianças e jovens de todas as idades com perfil no Facebook. Conversar, demonstrar e orientar como se usar o Facebook é uma necessidade absoluta dentro da escola.

– Mecanismos de busca: Os mecanismos de busca são vários, mas o mais conhecido e acessado é o famoso Google. Para a pesquisa escolar, o uso do Google é muito importante. Nessa discussão sobre o Google é possível e desejável orientar que tipo de informação pode ser acessada e utilizada, bem como orientar sobre a questão das fontes, demonstrando para os alunos que toda informação que é retirada de algum lugar deve ser referenciada no trabalho. Isso abrirá também a possibilidade de discussão sobre o plágio, que vem se tornando um grave problema na pesquisa acadêmica. Também podem ser trabalhadas algumas questões básicas da Metodologia Científica, mesmo nos anos iniciais, como paráfrase, citação direta e plágio.

Há muitas atividades que o professor pode realizar, utilizando-se da Internet e fazendo um trabalho realmente significativo e de interesse para seu aluno. O que foi aqui elencado é apenas uma sugestão de trabalho inicial, mas que com a criatividade, interesse e energia de cada professor pode se enriquecer sobremaneira.

O fundamental é que se entenda que o professor não pode se omitir em relação ao uso das TIC’s. Deve aproveitá-las e utilizá-las como um suporte interessante e valioso para o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem. Além do dever profissional e legal que o professor tem de orientar seus alunos, há também o dever ético de ajudar as novas gerações a se colocarem no mundo de maneira saudável, autônoma e solidária.

[1] O Banco de Teses da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes,  disponibiliza o acesso às pesquisas realizadas nos programas de pós-graduação no Brasil. A busca foi realizada no mês de dezembro de 2014.

 

[2] “Spam é o termo usado para referir-se aos e-mails não solicitados, que geralmente são enviados para um grande número de pessoas. Quando o conteúdo é exclusivamente comercial, esse tipo de mensagem é chamada de UCE (do inglês Unsolicited Commercial E-mail)”.  In: http://www.antispam.br/conceito/  Acesso em 10/01/2015. *Nota das autoras.

[3]Baixaki é o primeiro e mais popular site que permite downloads (mais de 85 mil opções de programas para computador, jogos, jogos online e aplicativos para celulares). Figura entre os maiores sites do Brasil,  recebendo um grande volume de acessos provenientes de diversos países, em especial Portugal, Japão e EUA.

In: http://pt.wikipedia.org/wiki/Baixaki. (adaptado).  Acesso em 03/12/2014.

 

Referências:

ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2000.

BRANDÃO, C. F. LDB Passo a passo. São Paulo: Avercamp, 2010.

BRASIL. Senado Federal. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: n.º 9394/. Brasília: 1996.

BRITO, G.; PURIFICAÇÃO, I. Educação e novas tecnologias – um repensar. Curitiba: Editora IBPEX, 2008.

CARDOSO, A. L. T.; PEREIRA, J. B. O tutor e a atividade de tutoria na educação a distância. In: COSTA, M. L. F.; ZANATA, R. M. (orgs.). Educação a distância no Brasil: aspectos históricos, legais, políticos e metodológicos. Maringá: EDUEM, 2014.

COUTINHO, C. P.; ALVES, M. Educação e sociedade da aprendizagem: um olhar sobre o potencial educativo da Internet. Revista de Formación e Innovación Educativa Universitaria. Vol. 3, Nº 4, 206-225 (2010).

DIAS R. A.; LEITE, L. S. Tecnologias da informação e comunicação e protagonismo juvenil: o projeto “Jovens navegando pela cidade”. Tecnologia Educacional, v. 188, p. 45-60, 201

KAMPFF, A. J. C. Tecnologia da informática e comunicação na educação. Curitiba: IESDE Brasil S. A.: 2006.

LOPES, J. J. (2004). A introdução da informática no ambiente escolar. In> http://www.clubedoprofessor.com.br/artigos/artigojunio.htm

Acesso em 20/01/2015.

MARTINS S. C. M. ; ROZENFELD, C. C. F. (2012). O uso de TIC’s na formação de professores: redefinindo práticas de letramento à luz de uma abordagem crítica.

In: http://sistemas3.sead.ufscar.br/ojs/Trabalhos/31-764-1-ED.pdf

Acesso em 26/05/2014.

MENDES, J. TICs – Tecnologias da Informação e Comunicação Educativa. In: UFPR. Pedagogia. Magistério da Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental. EaD. UFPR. Curitiba, 2011.

MORAN, J. M.; MASETTO, M. T.; BEHRENS, M. A. Novas tecnologias e mediação pedagógica. Campinas: Papirus, 2013.

MORIN, E. Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro. São Paulo: Cortez: 2000.

MOURA, V. F. S.; PEDRA, M. F. P. A.; SANTOS, A. M. X. (2011). A formação de professores e as TICs: O uso do computador e laboratórios de informática nas séries iniciais do ensino fundamental básico. In: http://encuentro.educared.org/profiles/blogs/a-forma-o-de-professores-e-as-tics-o-uso-do-computador-e-laborat?xg_source=activity

Acesso em 23/05/2013.

OLIVEIRA, E. A. de; FREITAS, R. C. de. Uso responsável da Internet. Curitiba: Comitê para a democratização da Informática do Paraná, 2006.

PACIEVITCH, T. Tecnologia da Informação e Comunicação. (2007). In: http://www.infoescola.com/informatica/tecnologia-da-informacao-e-comunicacao/

Acesso em 06/02/2015

SILVA, C. D. A.; GARIGLIO, A. J. A formação continuada de professores para o uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC): o caso do projeto Escolas em Rede, da Rede Estadual de Educação de Minas Gerais. In: Rev. Diálogo Educ., Curitiba, v. 10, n. 31, p. 481-503, set./dez. 2010.

Imagens retiradas da Internet sem fins lucrativos.

Fonte das imagens :

http://posiembu.blogspot.com/p/em-azteca.html

http://www.agence.com.br/ead-empresas-melhores-resultados-corporativos/

  • Este trabalho é parte de uma pesquisa realizada pelas autoras para obtenção do título de especialista em Educação a Distância com Ênfase na formação de Tutores.

RELAÇÃO ENTRE AS CONDIÇÕES DE TRABALHO NAS ESCOLAS E A SAÚDE DO PROFESSOR

ELZA LEÃO OLSEN ALVES

VANISSE SIMONE ALVES CORRÊA

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PARANÁ – UNESPAR

 

Introdução

Em decorrência de muitas horas de trabalho e do aumento da violência dentro da escola, os professores e agentes educacionais têm sua saúde física e mental ameaçada.  A causa maior da fadiga que está classificada na “má condição de trabalho” se dá pela intensificação e excesso de trabalho, pela necessidade e exigência de trabalhar mais, em menos tempo e sem recursos. A falta de instrumentos pedagógicos, o baixo rendimento e indisciplina dos alunos, o baixo salário, somado com o trabalho que leva para casa, põe a profissão de educador em situação delicada. É indispensável repensar o trabalho docente.

Metodologia

A pesquisa está no início, trata-se de um Trabalho de Conclusão de Curso de Pedagogia. Está embasada em  autores que pesquisam a temática. Além disso, serão realizadas entrevistas com profissionais da educação de das escolas municipais da cidade de Paranaguá. Também serão buscados os dados sobre afastamento dos docentes junto ao RH do município.

https://antonioroque.blogs.sapo.pt/277170.html

 

Resultados

A pesquisa ainda se encontra no início, porém, é possível afirmar, pelas leituras realizadas, que a cada dia aumentam o número de casos de afastamento dos docentes por motivos de saúde e estresse. Entre os motivos de afastamento está o aumento da violência, da carga horária e as condições de trabalho 

Considerações Finais

Somente colocando em prática uma nova reforma educacional que vise uma nova gestão, formas de avaliação, mecanismos contra a violência, e distribuição de trabalho com instrumentos para a sua execução, e principalmente a valorização do professor é que poderíamos recuperar a ideia teórica de escola que consiste em buscar excelência na aplicação do ensino, formar cidadãos conscientes e capazes de conviver em sociedade. Valorizando assim a transmissão do conhecimento que é feito pelo professor.

 

Referências

Jornal Brasileiro de Psiquiatria. Vol 58. Qualidade de vida dos professores: uma perspectiva para a promoção da saúde do trabalhador. 2008

LIMA, Erike Joely, Docência e a depressão: fatores predominantes no processo. 2009

Revista educação em questão. As condições de trabalho docente na educação infantil. 2013

https://antonioroque.blogs.sapo.pt/277170.html

 

 

 

Teatro de Bonecos na Caixa Cultural em Curitiba

Quem está em Curitiba pode ver a Mostra Mundo Giramundo, até o dia 12 de agosto

 

A exposição não traz apenas os bonecos mas revela o processo de construção, que envolve aspectos mecânicos e cinéticos  das marionetes.

 

Traz também alguns desenhos, em destaque nas paredes, que mostra como um boneco é pensado, antes de tomar forma. O criador do Giramundo é Álvaro Apocalypse e um pouco de sua arte pode ser vista nessa exposição.

Há elementos cênicos do período de 1970 a 2014, que demonstram a trajetório histórica do grupo.

A mostra é impressionante. Ao entrar no ambiente, você se sente imediatamente transportado a um universo lúdico e onírico. É simplesmente lindo e vale a visita. Uma viagem fantástica ao universo do Teatro de Bonecos.

 

 

Fotos: Vanisse Simone

 

Serviço:

Mostra Mundo Giramundo

Conselheiro Laurindo – Centro,

Curitiba – PR, CEP: 80060-100

De 16 de maio a 12 de agosto

Fone:  (41) 2118-5111

 

OS EFEITOS DA PARTICIPAÇÃO ATIVA DA FAMÍLIA NA EDUCAÇÃO

Antonia Ivaneide Mourão

Vanisse Simone Alves Corrêa

 

INTRODUÇÃO 

O tema estudado trata dos efeitos da participação ativa da família na educação. A aprendizagem resulta da estimulação do ambiente, envolve o uso e o desenvolvimento de todos os poderes, capacidades e potencialidades do homem, tanto físicas quanto mentais e afetivas. Com isso a aprendizagem não pode ser considerada como um processo de memorização, conjunto de funções mentais ou unicamente os elementos físicos ou emocionais, todos os itens mencionado são necessários.

O reconhecimento da própria habilidade determina o encaminhamento da vida escolar, pois a autoconfiança do aluno o ajudará a avançar, expor ideias, hipóteses, representações e teorias. O professor com a família são peças-chave para ajudar os estudantes a se reconhecem como sujeitos e intelectualmente ativos.

A presente pesquisa se justifica por percebermos as dificuldades da parceria entre escola e família, é percebido no decorrer do trabalho realizado dentro e fora da sala de aula. Assim é necessário refletirmos como elaborar projetos e conseguirmos a parceria. A parceria entre família e escola, se seguirem juntas, com os mesmos princípios e critérios, os objetivos planejados serão atingidos. Cada membro empenhado com o propósito de fazer sua parte, para que no fim da jornada possam conduzir as crianças e jovens a um futuro melhor.

 

Para OLIVEIRA (2010):

A família sempre foi e contínua a ser a instituição chave onde se estreia a socialização: é nela que a criança se inicia como indivíduo social desde o seu nascimento. Depois, surge a escola, em parceria com a comunidade, onde o indivíduo se insere, num processo de socialização que se desenrola ao longo da vida. Portanto, a família, nunca pode abdicar da sua função socializadora, embora, na escola, a interação social se amplifique, ganha uma nova dimensão, diversificada e plural e se transforme num processo dinâmico que funciona ou deve funcionar, sempre, numa convergência de esforços com a família (OLIVEIRA, 2010, pág. 7).

 

Aspira-se que a família e a escola tracem as mesmas metas de forma simultânea, para que possam proporcionar ao aluno uma aprendizagem de qualidade e que venha fomentar cidadãos críticos e capazes de enfrentar as complexidades que surgirão na sociedade.

A metodologia deste trabalho pauta-se em revisão bibliográfica de autores que estudam a temática da relação família/escola.

Os conhecimentos adquiridos durante a história da educação, nos leva a perguntar que modelo de educação temos e o que queremos, que participação nossos pais tem a respeito da educação de seus filhos, e nós como pais, o que o que temos feito para sermos ativos na escola onde nossos filhos pertencem, daí a importância de refletirmos e por onde devemos começar, para que a educação de qualidade torne-se uma realidade. Como os pais percebem a escola? Que tipo de ambiente a família classifica a escola? Que tipo de relação a família tem com a escola?  Com que frequência vão à escola? Que tipo de participação a família tem com a escola? Qual a relação entre família-escola?

O presente trabalho tem como objetivo verificar e aprofundar a importância da participação da família no que se refere a aprendizagem dos alunos no seu processo de ensino aprendizagem, bem como identificar seus efeitos a fim de solucionar as dificuldades de aprendizagem no vida escolar dos mesmos. A realização desse trabalho visa verificar a importância da colaboração dos pais no processo de aprendizagem e desenvolvimento do aluno.

Ao analisarmos e vivenciarmos as dificuldades de aprendizagem escolar, percebemos que muitas de nossas crianças apresentam dificuldades em sua aprendizagem, seja por fator cognitivo, psicológico, afetivo. Sempre nos deparamos com essas barreiras e pensando nisso estudaremos os efeitos da participação dos pais no processo de ensino-aprendizagem de nossos crianças. Perante estudo, leituras e vivência, entende-se que família/escola são consideradas protagonistas no processo de progredir a ação humana. É necessário que haja na relação construída entre crianças/pais/escola, pois, para que possa alcançar sucesso, a criança precisa sentir-se segura e amparada, tanto no ambiente familiar, quanto no ambiente escolar. É de obrigação da família/escola juntas elaborar estratégias que assegure a melhoria das condições de estudos, para o melhor desenvolvimento da criança/adolescente.

Esta união deve estar pautada na cultura democrática e a gestão democrática está pautada no trabalho coletivo, onde seus membros realizam juntos a tomada de decisão, pela qual estão em prol do mesmo objetivo, que é a educação de qualidade, onde toda a comunidade  buscar caminhos para torná-la cada vez mais competente e capaz de cumprir seu papel, que é de acolher as diversidades presentes na sala de aula, com a finalidade de oferecer uma educação de qualidade para todos os alunos, explorando suas potencialidades para que possa facilitar e promover mudanças em toda organização escolar.

 

De acordo com Marcondes (2012):

Assim, tanto a pessoa que está em desenvolvimento se modifica ao entrar em contato com um meio que lhe ofereça possibilidades, como também este ambiente é modificado por meio por meio da interação com a pessoa, ou seja, é um processo bidirecional (MARCONDES, 2012, p. 92).

Nesse sentido, a escola para desenvolver a parceria com a família, precisa ser democrática. Portanto é necessário que se instaure e fortaleça a gestão democrática na escola.

Analisaremos nesse estudo algumas possibilidades de maior abrangência na relação complexa entre família/escola com o objetivo de verificar as possibilidades dessa interação, cuja união possibilita o progresso de uma educação continuada, que tem mais chances de dar certo com a influência da família. Ao estabelecer o elo de comunicação entre família/escola, é possível desenvolver junto com os mesmos um trabalho de grande expressividade, onde os sujeitos são capazes de colaborar para o melhor rendimento dos educandos. Para que os pais possam colaborar é necessário que a escola ouça o que eles tem a dizer, que os mesmos sejam instruídos como auxiliar os alunos no procedimento das atividades escolares, pois nem sempre os pais conseguem organizar um roteiro de estudos com os filhos, para que essa parceria possa dar certo e a aprendizagem dos educandos possa fluir.

 

 

 

Imagem extraída de:   http://www.webquestfacil.com.br/webquest.php?wq=19523

 

 

  1. A FORMAÇÃO FAMÍLIAR QUE TEMOS HOJE

A formação familiar está diversificada. As vêm se transformando. Isso não quer dizer que as crianças/adolescentes que fazem parte dos diferentes tipos de família devem ser tratadas de maneira diferenciada em relação ao processo de ensino-aprendizagem. Todos têm direito a educação e a família é um referencial importante.

Segundo VELOSO (2014),

É no sistema familiar que são expressas as inquietações, as conquistas, os medos e as metas pessoais. Para tanto, é necessário preservar a individualidade dos seus membros e ao mesmo tempo preservar o sentimento coletivo (VELOSO, 2014, pág. 13).

Diante da diversidade da formação familiar que nos deparamos no dia-a-dia da sala de aula, há diversidade na maneira como os pais atuam. Percebemos que muitos pais deixam de ser autoritário e mais liberais, deixam os filhos mandarem em se mesmo, como frequentar a escola quando estiverem dispostos e realizar as atividades quando desejam. Mas vale ressaltar que os pais devem estabelecer vínculo afetivo, sem deixar seus filhos à mercê de suas próprias vontades. Deve haver limites, que poderão influenciar no processo de aprendizagem. A educação traz consigo hábitos, costumes e valores, que influenciará de maneira satisfatória na aprendizagem. Com o apoio da família todo o processo de desenvolvimento escolar, agregará pontos positivos ao longo da vida escolar. Segundo algumas pesquisas, foi constatado que fatores socioeconômicos e familiares podem interferir no desenvolvimento escolar, mas se a família tem uma relação de proximidade com a escola, esses efeitos se reduzem de forma substancial pois os pais se comprometem e acompanham a vida escolar seja presente na escola ou com as atividades extraclasse. Por mais difícil que seja contar com a ajuda dos pais, o corpo diretivo, Direção, Coordenação Pedagógica e Conselho Escolar precisam encontrar meios para atrair os pais à escola e torna-los parceiros no processo da aprendizagem dos educandos.

 

Segundo ESTEVÃO (2012)

É preciso trazer o mais rápido possível a família para dentro da escola e que ela possa colaborar de forma mais precisa com o processo de educar, portanto compartilhar responsabilidades e não transfere-las para outros (ESTEVÃO, 2012, pág. 2).

 

Neste sentido, percebemos diariamente, que tanto por parte dos pais, quanto das escolas, ambos passam o bastão da responsabilidade da educação dos filhos/alunos um para o outro. Na verdade, ambos têm que tomar ciência todos somos responsáveis, que temos muito a contribuir para que a qualidade da educação seja real, que os números das avaliações externas e internas não se resumam em apenas números, mas devem traduzir aprendizagem real. É primordial que família/escola determinem metas que sejam realizadas ao mesmo tempo, que possam oferecer aos alunos meios para que tenham segurança na aprendizagem, para que se tornem cidadãos capazes de enfrentar as dificuldades que possam surgir em agremiações, associações ou qualquer outro grupo que participem. Família/escola, quando entrarem em harmonia serão engrenagens fundamentais para o desenvolvimento da criança/adolescente, tornando-se suportes indispensáveis no rendimento escolar.

 

Segundo ESTEVÃO (2012):

E dentro dessa conjuntura está a família e a escola, a família deve se esforçar em estar presente em todos os momentos da vida de seus filhos, presença que implica envolvimento, comprometimento e colaboração, deve atentar para as dificuldades, não só cognitivas, mas também comportamentais (ESTEVÃO, 2012, pág. 4).

 

Todos os envolvidos, seja família/escola, devem criar e manter vínculos para que possa manter as funções que lhes são incumbidas. No dia-a-dia percebemos que tais vínculos perderam-se com o tempo, com o avanço da tecnologia, onde cada um cria seu mundo e isola-se do que é essencial e do outro que está ao seu lado, que espera um pouco de atenção, afeto ou até mesmo que o cative diariamente para que possa superar as dificuldades encontradas no ambiente escolar.

De acordo com LIMA (2009):

É importante destacar que a participação da família é algo inerente ao processo ensino-aprendizagem e não o único. Necessitamos aproximarmos do estudo da família sem prejuízos morais, sem determinismo, com uma atitude aberta que permita entender em que medida as experiências de seus membros favorecem o desenvolvimento (LIMA, 2009, pág. 7).

A família tem papel fundamental na vivência escolar dos alunos. Família/escola são parceiros primordiais na relação e construção da afetividade. A família por si só constrói vínculos no convívio diário através de conversas que possam conduzir as crianças/adolescentes por caminhos que os levem à socialização dos conhecimentos e às relações, interpessoais. A escola com o papel de unir o conhecimento e a vinculação com o meio deverá propiciar espaços educativos convenientes para o melhor desenvolvimento da aprendizagem, onde os alunos poderão levantar hipóteses, considerar, refletir e expor seus pensamentos e ideias. A escola deve se configurar como um espaço de troca de experiências, junto com o coletivo.

 

Imagem extraída de: http://mundodapsi.com/familia-configuracao-de-suas-composicoes/

De acordo com LIMA (2009)

O que organiza as relações são os limites, as fronteiras relacionais que estabelecemos com as pessoas. Fronteiras nítidas desenvolverão relações adequadas e respeitosa (LIMA, 2009, pág. 9).

Família/escola mesmo com pensamentos diferentes sobre educação, deverá unir-se para socializarem na construção do conhecimento e na busca de melhor convivência com as diferenças do outro, já que a escola tem um papel de grande importância na socialização da criança-adolescente, na promoção do conhecimento, das suas capacidades cognitivas.

 

 

  1. RELAÇÃO FAMÍLIA/ESCOLA. COMO APROXIMÁ-LOS?

Ao pensar no desenvolvimento social e cognitivo do aluno, com relação a participação da família nesse processo de aprendizagem entende-se que a família tem um papel primordial para construir uma educação de qualidade, mas a escola precisa da família. Juntas poderão procurar os melhores métodos, para melhorar, aperfeiçoar e maximizar o aprendizado das crianças.

Na ideia central de Polonia e Dessen(2005):

A escola deve reconhecer a importância da colaboração dos pais na história e no projeto escolar dos alunos e auxiliar as famílias a exercer o seu papel na educação, na evolução e no sucesso profissional dos filhos e, concomitantemente, na transformação da sociedade (Polonia e Dessen, 2005, pág. 304).

 

 

Imagem extraída de:http://www.faxinal.sc.gov.br/noticias/index/ver/codMapaItem/13655/codNoticia/417159

 

Quando escola e família se relacionam bem trazem muitos benefícios, especialmente para a consolidação do Projeto Político Pedagógico, onde é possível flexibilizar ações que antes não deram certo e com isto, reformular para que se possa complementar o que foi falho. Com as ações conjuntas entre ambas é possível perceber transformações, onde a família transfere valores e crenças e a escola amplia o conhecimento científico. Esse momento pode influenciar a aprendizagem e o desenvolvimento da criança e adolescente.

Neste contexto, escola/família, sem dúvida, são parceiros indispensáveis na construção do saber. Com participação ativa dos pais na escola e com o entendimento da responsabilidade de todos, é possível desenvolver capacidades e despertar para o trabalho coletivo e necessário, buscando a parceria entre família e escola.

Apesar de diversos autores defenderem a parceria família/escola, ainda encontramos resistência por parte da equipe diretiva, com relação a maior participação da família nas decisões da escola, seja no setor pedagógico ou financeiro. Muitos não desejam sair de sua zona de conforto para proporcionar às famílias momentos de visita, a não ser para falar sobre o bom ou mau desempenho dos alunos. Por outro lado, percebemos a falta de interesse dos pais com relação à aprendizagem das crianças/adolescentes, a maioria dos pais não têm tempo para os filhos, para irem na escola para saber como estão. A convivência familiar está cada dia mais distante do que é para ser, em que os pais precisam decidir se trabalham ou ficam com os filhos e optam por trabalhar e não ter convivência com os filhos, até por uma necessidade financeira. Infelizmente nosso sistema educacional está enraizado numa cultura que os pais são convidados à escola, somente para ouvir que seu(a) filho(a) não vai bem e isso os desmotiva até de abrir exceção de um dia de trabalho para ir à escola. Em contrapartida a escola não lhes proporciona momentos de lazer e descontração, nem como a participação ativa na construção do Projeto Pedagógico.

 

Segundo Polonia e Dessen, 2005:

Mas, tais limitações também podem estar diretamente ligadas ao corpo docente, com o receio dos professores de serem fiscalizados pelos pais, a percepção de que os pais não têm capacidade ou condições de auxiliar os filhos e a ausência de um programa ou projeto que integre pais e professores (Polonia e Dessem, 2005, pág. 306).

 

No espaço escolar é possível lidar e superar as diferenças, pois essas similaridades não devem ser obstáculo para o envolvimento e a construção da relação entre ambas, para que haja evolução no processo de ensino-aprendizagem, através desta relação é possível perceber mudanças na qualidade da educação, ao se envolverem e se sentirem parte da educação os pais serão capazes de proporcionar um melhor acompanhamento dos estudos de seus filhos.

 

 

Imagem extraída de:
https://gestaoescolar.org.br/conteudo/751/a-escola-da-familia

 

  1. A RELAÇÃO DA FAMÍLIA NA GESTÃO DEMOCRÁTICA DA ESCOLA

 

Uma escola democrática caracteriza-se como emancipadora dos sujeitos, para que os mesmos possam ser capazes de ultrapassarem suas realidades materiais e pessoais. Na Constituição Federal de 2008, no artigo 205(Brasil, 1988) diz:

 

Art. 205: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho” (C.F Artigo 205, pág. 121).

A educação é um direito reconhecido, mas ao mesmo tempo necessita urgentemente que seja garantido, principalmente no interior das escolas. Cabe ao gestor escolar assumir essa liderança para que os direitos sejam efetivados na realidade dos alunos. Todo direito deve ser declarado e assegurado (Cury, 2007). De fato na ideia central de Cury (2007),

[…] declarar e assegurar é mais do que uma proclamação solene. Declarar é retirar do esquecimento e proclamar ao que não sabem ou se esquecem que somos portadores de um direito importante. Declarar e assegurar, sob esse enfoque, resultam na necessária cobrança de quem de direito (dever) e na indispensável assunção de responsabilidade por quem de dever (direito) em especial quando ele não é respeitado (Cury, 2007, pág. 485).

A qualidade do ensino necessita que enfrentemos um longo processo de mudança que deve começar a partir do Projeto Político Pedagógico, onde os membros da escola democrática, envolvam-se neste processo para proporcionar um ensino de qualidade.

Para que esse processo ocorra é necessário que as políticas públicas tomem consciência de seu papel e dos demais. Para que a educação de qualidade torne-se realidade com a participação dos pais neste processo é preciso que todos sintam-se envolvidos e responsáveis, onde todos tenham igualdade de condições e de educação. Para que a escola democrática possa ter qualidade, necessita de mudanças, ao começar pela presença dos pais na escola e no processo de construção do Projeto Pedagógico.

Também deve ser lavada em consideração a flexibilidade do plano do professor, que procurará recuperar os alunos que não foram bem sucedidos, isto é, com baixo rendimento procurará estratégias que subsidiarão esse processo e consequentemente o sucesso escolar.

 

 

Imagem extraída de:https://blogdocape.wordpress.com/2017/05/12/familia-e-escola-uma-aproximacao-nece

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A aprendizagem resulta do estímulo da família tanto afetivo como emocional. Isso ajudará o educando a ser um agente ativo e participativo no seu processo de aprendizagem. Foi possível constar a partir das leituras realizadas que os alunos cuja a família tem participação ativa na sua vida escolar, se sobressaem nos estudos, como também na vida profissional e sentem-se motivados e confiantes para realizarem suas atividades, ir à escola todos os dias. Para que isso ocorra é necessário que a gestão democrática viva está democracia, pois ao se pautar na democracia a escola proporcionará meios que possa atrair os pais a terem uma participação ativa, com isso sentirão responsáveis pelas decisões da escola, e favorecer um melhor encaminhamento para uma educação de qualidade.

De acordo com Estevão, 2012, assim quando a participação da família é ativa esse aluno melhora no rendimento na escola, de ruim passa para ser bom tornando-o mais participativo e motivado.

Lima, 2009, organizou diversas atividades com a participação dos pais. A primeira foi um café matinal para o dia das mães, foi trabalhado alguns aspectos referentes às funções que elas desempenham na educação de seus filhos, juntamente com a escola. O segundo encontro foi apresentado um texto do jornal de Londrina com o título “Aula da dada, Aula Estudada”; os pais concluíram que precisam auxiliar a organização de estudos em casa e dar um monitoramento, mesmo que seja depois do horário de trabalho, isto é, depois que chegarem em casa. O terceiro encontro, como acompanhar os filhos na aprendizagem escolar, priorizou que a família deve dar apoio, criar hábitos de estudos, estabelecendo rotinas, dando suporte material e emocional, para que o filho/aluno aprenda a pensar e a resolver problemas. O quarto encontro foi Bullying Escolar que pode ter origem em casa. Após os relatos os pais se posicionaram, refletindo sobre o assunto tratado e alguns não tinham noção da gravidade da palavra BULLYING. O quinto encontro teve como tema: “Por que os filhos precisam dos pais”, e nele foi feita uma reflexão sobre o saber, já que a família é o berço da educação, pois nesta “célula” família que a criança aprende os primeiros conceitos na vivencia com seus familiares. Concluiu-se que as crianças precisam encontrar na família segurança para seu desenvolvimento, precisam estar cercadas de amor e estabelecer no convívio com o adulto, os limites necessários para uma vida em sociedade.

Essas experiências demonstram o quanto aproximar a família da escola pode agregar na construção de uma educação de qualidade.

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  • Este artigo foi inicialmente apresentado como requisito  à obtenção do grau de Especialista no Curso de Especialização em Coordenação Pedagógica, Setor de Educação, Universidade Federal do Paraná e foi orientado pela Profª Dra. Vanisse Simone Alves Corrêa.
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