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FOTOGRAFIA E LITERATURA: REVELANDO PAISAGENS ÍNTIMAS….

A disciplina Literatura e Outas Linguagens: Landscapes Stories, ministrada pelo professor Rodrigo Vasconcelos Machado na Universidade Federal do Paraná neste semestre, teve como proposta a imersão produtiva no fazer fotográfico a partir da interface entre a literatura e a paisagem urbana, com um  caráter inteiramente experimental.

O curso, oferecido a alunos de diversas áreas e à comunidade em geral, possibilitou aos participantes vivenciar o processo de criação fotográfica através da literatura, trabalhando individualmente ou em equipe, o que rendeu trabalhos extraordinários, reunidos em uma exposição na Sala Arte, Design & Cia. da UFPR, e publicação em e-book.  Destacamos aquí, o ensaio fotográfico de Luiz Gustavo Singeski* e Isabela Fiori.

“Paisagens íntimas

A paisagem é o lugar dos que não têm lugar. O contrário do que é ligado à destinação, à domesticidade. Do que é habitável, morada. Privilégio de cidades estrangeiras visitadas pela primeira vez, dos desertos, das ruínas, dos céus pitorescos: serem desorientadores. Não acolhem, desolam o espírito. Interrompem o tempo e o espaço, impõem uma pausa ao pensamento.

“Curva”

Mas quando é que se tem paisagem? Kant diz que é toda vez que o espírito se desprende de uma matéria sensível para outra, conservando nesta a organização sensorial conveniente para aquela, ou pelo menos sua lembrança – o campo para o citadino, a cidade para o camponês. 

“Dobra”

O paisagista é aquele que vê as coisas de um outro ponto de vista; há a paisagem sempre que o olhar se desloca, o desenraizamento é sua condição. Neste ensaio, o corpo coisificado é transmutado em paisagem e os elementos da paisagem, corporizados. Sugere-se a criação de uma fisionomia da paisagem – aproximação da paisagem ao corpo: uma paisagem íntima.

“Estrutura”

As imagens deste ensaio partem da negação da perspectiva numa imagem superficial que permite a assimilação do plano geral ou médio ao close, a equiparação de um espaço com o corpo. Surge assim um olhar tátil. 

“Veio”

Sobreposição de camadas e superfícies que enrugam, fendem e descascam. Constituição de um espaço único de conjunções, de articulações de fragmentos.

“Forma”

Um espaço tátil. O mundo – a paisagem – num close. O retrato de corpo não produz um objeto parcial; ele o retira do seu lugar e tempo para tomá-lo em si mesmo.”

“Fenda”

 

*Luiz Gustavo Singeski é Arquiteto e Urbanista.

www.oficinaurbana.com.br

SERVIÇO:

Sala Arte, Design & Cia.

UFPR/REITORIA – Endereço: Rua General Carneiro, 460 – Hall do Edifício D. Pedro I – horário comercial.

DE 16 DE OUTUBRO A 2 DE NOVEMBRO.

 

MUITO ALÉM DA SELFIE…

Na História da Arte, o Autorretrato é definido como uma imagem ou representação que o artista faz de si mesmo, independente do suporte escolhido. Esse tipo de auto-representação passou a ser cada vez mais frequente a partir da renascença italiana, e muitos artistas recorreram a essa forma de expressão, até mesmo chegando a uma espécie de obsessão como Rembrandt (1606-1669) que realizou quase uma centena de autorretratos, ou a pintora francesa Élisabeth Vigée Le Brun (1755-1842) também adepta dessa modalidade, ou ainda Frida Kahlo (1907-1954) autora de mais de cinquenta autorretratos, constituindo uma verdadeira autobiografia pictórica.

EM FOCO: MAISON EUROPÉENNE DE LA PHOTOGRAPHIE

“O essencial é invisível aos olhos”
(Antoine de Saint-Exupéry)

Em fevereiro deste ano visitei um importante museu de fotografia que me agradou muito, e do qual trago excelentes recordações. Com a sigla MEP, a Maison Européenne de la Photographie  está situada no coração do bairro Marais, em Paris, e é dedicada à fotografia contemporânea, oferecendo aos visitantes um centro de exposições com mais de 20.000 obras de fotógrafos internacionais a partir dos anos cinquenta até os dias de hoje.

A instituição possui também uma biblioteca com um panorama da edição fotográfica e uma videoteca de filmes realizados por fotógrafos ou sobre eles. Nesse dia, a biblioteca e a videoteca não estavam abertas ao público devido a reformas no espaço. Na entrada do museu fui cumprimentada por funcionários que de forma simpática e acolhedora me ajudaram a entrar na maison e circular por lá… eu estava usando bota ortopédica devido a uma fratura no pé, ocorrida algumas semanas antes de viajar.

Colagem de Lee Friedlander, na entrada da MEP

 

Um pouco da História da MEP:

Fundada em 1978 por iniciativa de Henry Chapier, Jean-Luc Monterosso, Marcel Landowski e Francis Balagna, a Associação “Paris Audiovisual” é a origem da Bienal Internacional do Mês da Fotografia em 1980, cujo sucesso e a presença maçiça do público em geral têm ajudado a criar uma relação especial com a Prefeitura de Paris que se tornou ao longo dos anos, a primeira parceira e principal financiadora de suas ações.

É assim que em 1985 a cidade de Paris coloca à disposição da Associação do “Espaço Foto”, situado próximo da localização atual do Fórum das Imagens, a Place Carrée. Esta primeira galeria de 400 metros quadrados funcionou sob a direção artística de Jean-Luc Monterosso, e já representava o embrião da futura Casa Europeia da Fotografia por sua programação destinada ao conhecimento  de obras de artistas franceses e estrangeiros, a maior parte deles hoje famosa, mas que na época eram apenas considerados os pioneiros do movimento contemporâneo da fotografia, criando uma ruptura com o passado da imagem fixa, artistas como Robert Frank ou William Klein.

Nesta linhagem de artistas, encontrava-se no “Espaço Foto”, exposições de Duane Michals, Helmut Newton, Alice Springs e Ralph Gibson. Além disso, Henry Chapier inaugura uma exposição em 1986 para comemorar os 50 anos da Frente Popular, a partir dos arquivos do C.G.T. com fotos inéditas de Willy Ronis e Robert Doisneau sem esquecer de imagens raras do mundo da moda e do entretenimento.

Com a aproximação da década de 90, a Associação “Paris Audiovisual” assume um duplo papel, o de promover uma política artística e cultural para os parisienses e paralelamente tem a ambição de fazer do Mês da Fotografia uma ponta de lança capaz de consagrar a Cidade Luz como a capital inconteste da fotografia.

 

Fonte: https://lesmuseesdeparis.com/2017/08/02/maison-europeenne-de-la-photographie/

 

Exposições

A cada ano, a MEP propõe diversas exposições, com artistas de todos os horizontes criativos, convidando grandes nomes assim como jovens talentos a expor suas obras.

A Biblioteca

Com mais de 30.000 títulos, a biblioteca da MEP é um local de referência na matéria para pesquisadores, estudantes e amantes da fotografia.

A Livraria

Permanecendo aberta de quarta a domingo, a livraria  da MEP propõe obras em conexão com as Exposições e uma seleção composta de livros e revistas selecionados sobre artistas que fazem e que fizeram a história da fotografia.

A Coleção

A Coleção da MEP conta com mais de 20.000 fotografias. A mesma não é exibida permanentemente, mas é regularmente mostrada na França e no exterior como parte de grandes exposições.

Fonte: https://www.jr-art.net/exhibitions/murs-de-la-maison-europeenne-de-la-photographie-paris

 

A Vídeoteca

A Videoteca da MEP conta com cerca de 750 filmes consagrados à fotografia, ficções realizadas  por fotógrafos, filmes experimentais, e entrevistas,  disponíveis para consulta no local.

O Auditório

Auditório da MEP tem recebido muitas projeções e conferências, possibilitando ao público ver e ouvir grandes fotógrafos e profissionais da área.  A grande reabertura  se deu durante o ano  de 2013.

O ARCP

A MEP abriga também dentro de seus  muros o Atelier de Restauração e de Conservação de Fotografias da Cidade de Paris. Desde 1983, está em curso uma política de preservação do patrimônio fotográfico municipal.

Ateliers de fotografia para crianças e adolescentes. Fonte: https://www.parismomes.fr/nos-adresses/15-217-1099/musee-lieu-culturel/la-mep-maison-europeenne-de-la-photographie

 

Ações Pedagógicas

A MEP realiza ações educativas também com crianças através da fotografia. A fotógrafa Cyntia Mancuso realizou em abril deste ano uma oficina com crianças entre 7 e 10 anos, justamente para sensibilizar os pequenos e fazê-los experimentar “ver”, muito mais do que somente “olhar”.  Utilizando as emoções vindas dos outros sentidos, mais do que somente da visão, como o paladar, a audição, o toque e o olfato são colocados em ação para perceber o mundo ao redor, e expressar essas sensações em imagens.

“Feche os olhos … o que resta do mundo exterior, suas cores e suas formas? Que impressão deixa em nossas memórias? Que imagens continuam em nossa mente? elas são as mesmas para cada um de nós? Abra os olhos… o olhar vai muito além da visão! Ele questiona o mundo, projetando nossas emoções guiando nossos passos, influencia nosso ambiente. Nossa vez de fazê-lo aparecer em imagens!”

Exposição “Nova Dheli”

Algumas fotos e registros abaixo das instalações, estrutura, fachada, decoração e da exposição que estava em curso na MEP em fevereiro de 2017, “Nova Dheli”, sobre a qual Johann Rousselot escreveu na apresentação do ensaio fotográfico: “Brutalmente contemporânea, Delhi é uma selva na qual cada um tenta sobreviver à sua maneira, se protegendo quotidianamente, sem o qual ela o devora.”

 

“Imagens contemporâneas de Nova Delhi”

“Tradição e modernidade na capital da Índia”

 

“Visitantes podem apreciar a exposição e assistir à vídeos relativos ao tema”

 

“Contradições da sociedade indiana são retratadas em fotos.”

 

“As mesas têm fotografias antigas da cidade de Paris impressas em seu tampo.”

 

 

“Perspectivas inusitadas da cidade por toda a parte.”

“Fotos de natureza têm uma iluminação especial”

“Toda a decoração foi pensada para tornar a Maison um local muito aconchegante.”

 

 

“Cantinho perfeito para um café enquanto se observa e discute fotografia.”

 

 

 

 

 

“Espaços de sociabilidade e reflexão na MEP.”

 

“Fachada da MEP na Rue de Fourcy, Paris.”

 

“Ambientes expositivos que lembram cavas e bunkers.”

 

“Uma tela viva e movente, passa diante da Maison.”

 

” Pausa para descanso dos olhos e dos pés.”

 

 

Maison Européenne de la Photographie

5/7 rue de Fourcy 75004 (métro: Pont Marie or Saint-Paul)

Site oficial: www.mep-fr.org

Texto e Fotos: Izabel Liviski e MEP