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A ESTÓRIA DENTRO DA HISTÓRIA…

Em um domingo de pós-feriado, na fila para ver o elogiado “Benzinho” na telona, conheci o cineasta Edson Luiz e a história do homem que, com uma única pergunta, mudou a história do Brasil: Antonio Soares Neto, também conhecido como Toniquinho JK, tema de documentário de Edson, pôs a construção de Brasília no programa de metas de Juscelino Kubitschek. (Ah, nem, spoiler !)

Esquisotérica como sou, vi logo uma cadeia de sincronicidades: no momento em que o país amarga as consequencias do descaso com a memória e a destruição do patrimônio no incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro, conheço o cineasta que tenta resgatar um episódio ocorrido em meu estado e pouquíssimo divulgado dentro e fora de Goiás. Uma estória pedia para ser contada.

Segue o relato envolvente que ouvi de Edson Luiz, naquela tarde agradável.
“O dia 4 de abril de 1955 parecia predestinado a transformar os destinos de uma cidade e de uma nação. De forma surpreendente, o candidato à Presidência da República Juscelino Kubitschek decidiu iniciar sua campanha pelo interior do Brasil, e a cidade de Jataí, em Goiás, foi o palco escolhido. Milhares de pessoas aguardavam o candidato para o comício na praça, mas uma chuva torrencial dispersou a multidão. As lideranças políticas locais decidiram, então, improvisar um comício num galpão onde funcionava uma oficina mecânica.

Ali, naquele galpão, algumas dezenas de pessoas ouviram do candidato Juscelino Kubitschek o compromisso de respeitar a Constituição se fosse eleito presidente. Juscelino estava preocupado com a instabilidade política então reinante, poucos meses depois do suicídio do presidente Getúlio Vargas. As Forças Armadas mostravam-se insatisfeitas com os rumos do país. Por isso, o candidato a presidente enfatizou a necessidade de se cumprir a Constituição para pacificar o país.

No improvisado comício discursaram apenas o então deputado estadual José Feliciano e o candidato Juscelino Kubitschek. E aí aconteceu outro fato incomum, que certamente não ocorreria se o comício houvesse sido realizado na presença de milhares de pessoas. Juscelino resolveu dialogar com o público. Queria conhecer a opinião do povo de Jataí sobre a situação do país. Foi então que um rapaz de 29 anos de idade, vendedor de seguros, fez uma pergunta que deixou o candidato perplexo.

Mas o que foi que aquele rapaz perguntou a Juscelino? Antonio Soares Neto, mais conhecido como Toniquinho, estava estudando a Constituição federal porque pensava em fazer o curso de Direito. Como o candidato prometera cumprir a Constituição, Toniquinho, num gesto de rara felicidade, perguntou-lhe se iria transferir a capital do país para o Planalto Central, conforme estava previsto na nossa lei maior.

Antonio Soares Neto, o Toniquinho Jk

Juscelino Kubitschek relata que seu plano de governo, que continha 30 itens, não fazia nenhuma referência à mudança da capital. Juscelino reconhece, como pode ser visto no documentário, que não havia pensado no assunto, e que a construção de Brasília não estava em suas cogitações antes que Toniquinho lhe fizesse aquela pergunta. O reconhecimento de Juscelino, de que Toniquinho foi o responsável pela inclusão da mudança da capital no plano de governo, aparece também nos livros de memória do ex-presidente. Esses livros são intitulados de “A escalada política” e “Por que construí Brasília”.

Juscelino relata que, em um ou dois segundos, respondeu a Toniquinho que cumpriria, sim, a Constituição, e assumia naquele momento o compromisso de transferir a capital. Antonio Soares Neto, que se tornou conhecido como Toniquinho JK, foi, portanto, sem sombra de dúvida, o grande responsável pela decisão de Juscelino Kubitschek de construir Brasília. A mudança da capital se transformou na principal meta de seu governo, chamada de Meta-Síntese pelo próprio JK.

Toniquinho JK, que vive em Goiânia há mais de 40 anos, desde 1975, atribui à inspiração divina o fato de haver cobrado de Juscelino o compromisso de transferir a capital para o interior do Brasil. Toniquinho conta que se sentiu tomado por uma energia muito forte, que o levou a interpelar Juscelino. Brasília foi inaugurada em 21 de abril de 1960, exatamente cinco anos e 17 dias depois da pergunta de Toniquinho.

Alvo de muitas homenagens em todo o Brasil, Antonio Soares Neto já recebeu títulos de Cidadão do Distrito Federal e de Minas Gerais, dentre outros. Recentemente, foi honrado com os títulos de Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG-GO) e de Cidadão Goianiense, proposto pela vereadora Léia Klebia. Nas duas ocasiões foi exibido, em pre-estreia, o documentário A pergunta que mudou a história do Brasil. O filme foi produzido com recursos da Lei Goyazes (lei estadual de incentivo à cultura), com patrocínio da CompLeite.

Toniquinho JK durante gravação com o cineasta Edson Luiz de Almeida

A notoriedade adquirida com a pergunta a Juscelino Kubitschek não o afastou dos hábitos simples, de uma vida modesta. Nunca pediu nem recebeu favores de governos e diz que se sente realizado por haver contribuído para a construção de Brasília e o desenvolvimento do interior do país que a mudança da capital proporcionou.”(Transcrição de texto do jornalista e cineasta Edson Luiz)

Ora, JK nasceu em 12 de setembro de mãe de ascendência cigana e checa, coisa também muito pouco comentada. Outra história que espero ver contada. Entrou por uma porta, saiu pela outra, quem quiser que conte outra.”

Texto e Comentários: Thania Coimbra.

*Thania Coimbra é jornalista pela UFG, o mais pela vida. Atua há quase três décadas em assessoria de imprensa, sobretudo em Goiás, onde vive. Adora literatura, cozinha, viagens, artes e cinema. 

Contato: <thaniacoimbra@gmail. com>

 

Capa do DVD

MARIO VICHÈ GONZÁLEZ DISCUTE ANIMAÇÃO SOCIOCULTURAL NA UFPR

A Animação sociocultural voltada às ações educativas foi o tema do seminário que o professor-doutor Mario Vichè González* conduziu em Curitiba entre os dias 21 e 23 de agosto. O pesquisador da Universidade de Valência, na Espanha, abordou o tema como prática para criação e atuação de redes comunitárias e promoção do bem-estar subjetivo, da cidadania, da inclusão social e da solidariedade.

Professor Mario Vichè Gonzaléz durante a abertura do Seminário.

Promovido pelo Núcleo de Pedagogia Social (NEPS), da Universidade Federal do Paraná, o seminário aconteceu no setor de Educação do novo Campus Rebouças. A abertura ocorreu na terça-feira, dia 21 e seguiu durante a semana, com inscrições gratuitas e certificados.

Auditório lotado durante o Seminário, compareceram estudantes e professores da área de Educação e outras.

Com o avanço da tecnologia e a interconexão de mídias digitais e redes sociais, a animação sociocultural encontrou na cibernanimação um dos principais eixos de atuação. A ação é realizada em ambientes digitais e cibercomunidades para estimular a interpretação crítica e dialógica contando com a participação coletiva e de diversos atores sociais. Apesar de promover a interação no mundo virtual, a ciberanimação não se distancia do mundo real. “O ciberespaço nada mais é do que uma projeção do que aquilo que passa na vida cotidiana”, explica o professor.

Coordenadores, alunos e participantes juntamente com o prof. Vichè.

A animação sociocultural e a ciberanimação são comuns em rotinas educativas em países de língua portuguesa e também em alguns países europeus. Segundo Vichè, professores podem integrar as tecnologias em sua prática habitual, “condição já assumida em muitas tarefas cotidianas, tornando-as  atua ainda na consolidação da Pedagogia Social no Brasil, no intercâmbio de conhecimentos entre pesquisadores, e na articulação de demandas socioeducativas e culturais comunitárias em todas as etapas do desenvolvimento humano.

“Todos pela Educação!”, componentes do NESP/UFPR e participantes do Seminário.

 

Texto: Érica Teixeira (41) 99101-5272 (Assessoria de Imprensa)

Fotos: Luciano Buchmann e Izabel Liviski

Fontes:
http://marioviche.es
http://quadernsanimacio.net/marioviche/

*Doutor em Educação pela UNED;  Professor de Educação Primária; Professor Associado da Universidade de Valência; Sócio honorífico da APDASC (Portugal); Membro de Honra do Colegio Profissional de Educadoras e Educadores Sociais da Comunidade Valenciana; Membro do Conselho Acadêmico da “Fundación Enric Soler i Godes”; Editor da revista digital http://quadernsanimacio.net. Membro da Sociedade Iberoamericana de Pedagogia Social (SIPS); Ex-Diretor do Festival Internacional de Cinema Jovem de Valência; Co-presidente da AIFFA (Agència per la promoció, formació i foment de l’audiovisual) Assessor editorial das “Edicions del Bullent”.

A CONFEITARIA

A diretora Cleide Piasecki lança seu curta metragem A Confeitaria, na Cinemateca de Curitiba. Este projeto conta com o apoio da Copel e foi aprovado no Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura | PROFICE da Secretaria do Estado da Cultura | Governo do Paraná.