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Espaço do Leitor

Os Jogos Digitais nos tornam mais inteligentes

Diego Marques de Carvalho

Maria Inês Ribas Rodrigues

 

Novas formas de pensar e aprender estão sendo elaboradas no mundo das telecomunicações, informática e mobilidade, contexto ainda inexpressivo em 1993 quando o filósofo Pierre Levy publicou sua obra, “As tecnologias da Inteligência: o futuro do pensamento na era da informática”, referência bibliográfica importante para questionar o conhecimento na sociedade da informação. Levy (1993) afirma que as relações entre os homens, o trabalho, a aprendizagem e a própria inteligência dependem, na verdade, da metamorfose incessante de dispositivos informacionais de todos os tipos.

Figura 1. Tecnologia inteligente

Fonte: https://www.ab2l.org.br/4-aplicacoes-de-inteligencia-artificial-em-servicos-comuns-de-tecnologia/

 

O computador, com seus diversos aparatos e softwares, é uma ferramenta para a educação. A área da computação deve olhar para a educação e dedicar esforços para entender suas características, teorias e desafios. O processo de desenvolvimento de um dispositivo computacional para aplicação no processo de aprendizagem deve incluir os educadores. Squirra e Fedoce (2015) afirmam que a sociedade contemporânea, do conhecimento, caracteriza-se pela expansão do acesso às informações e pela combinação das configurações e aplicações da informação com as tecnologias da comunicação em todas as suas possibilidades. Entendemos que os dispositivos móveis como os celulares se destacam como a principal ferramenta de inclusão tecnológica social desta década.

O desenvolvimento de softwares de qualidade é uma preocupação para a Ciência da Computação. O grande desafio desta área é criar sistemas disponíveis, corretos, seguros, escaláveis, persistentes e ubíquos. Quando incluímos este problema em Informática na Educação novos paradigmas complementam esta questão. Como desenvolver softwares educacionais que também atingem seus objetivos pedagógicos? Desenvolver Softwares Educacionais (SE) não é uma tarefa trivial, é necessário identificar os requisitos educacionais. Nas teorias de aprendizagem podemos encontrar estes requisitos, e devem ser usadas no desenvolvimento de SEs, mas nem sempre são consideradas. São necessárias iniciativas que considerem as teorias de aprendizagem para sistematizar o desenvolvimento de SE (SOUTO; SILVA, 2017).

Um bom jogo digital educacional deve incorporar bons princípios de aprendizagem. Aprender enquanto joga é um dos fatores de sucesso dos jogos digitais, se eles não possibilitassem a aprendizagem ninguém os compraria, os jogadores não aceitam jogos fáceis, bobos e pequenos, o desafio e a aprendizagem são em grande parte aquilo que torna os jogos digitais motivadores e divertidos (GEE, 2009).

Figura 2. Criança jogando videogame

Fonte: https://www.gamecoin.com.br/dia-das-criancas-melhores-videogames-para-os-baixinhos/

 

Alguns acreditam que o estudante ao jogar está aprendendo apenas o jogo, premissa que não é verdadeira. O ensino escolar tradicional, está inclinado para a transmissão de informações de professor para aluno, já nos jogos o estudante está envolvido em uma atividade, utilizando ferramentas, linguagem e compartilhando valores. Nos jogos, aquele que participa do processo de aprendizagem, deve explorar as regras e ao mesmo tempo descobrir como utilizá-las para alcançar seus objetivos, a aprendizagem nos jogos acontecem pela ação (GEE, 2009).

Mas para serem utilizados com este fim, os jogos precisam ter objetivos de aprendizagem bem elaborados, capazes de ensinar conteúdo das disciplinas aos usuários, ou então, promover o desenvolvimento de estratégias ou habilidades importantes para ampliar a capacidade cognitiva e intelectual dos estudantes (GROS, 2003).

O trabalho realizado por Ribeiro et al. (2015) identificou as teorias de aprendizagem aplicadas em Jogos Digitais Educacionais desenvolvidos no Brasil no período de 2004 a 2014. O resultado da pesquisa mostrou que o desenvolvimento dos Jogos Educacionais analisadas foram fundamentados no Behaviorismo em (13%) dos casos, Cognitivismo (14%), Humanismo (22%) e Construtivismo (51%). A teoria de Piaget está presente em 22% dos trabalhos, enquanto a teoria de Vigotsky aparece em 15% das publicações, o autor também identificou a falta de adoção de teorias de aprendizagem em 40,74% da amostra (RIBEIRO et al., 2015).

 

As teorias de aprendizagem de aprendizagem construtivistas identificadas são: teoria do desenvolvimento social [Vigotsky 1962], aprendizagem baseada em problemas [Escola de medicina 1960], aprendizagem cognitiva [Vigotsky 1978], aprendizagem por descoberta [Bruner 1960], aprendizagem baseada em casos [Originou da aprendizagem baseada em problemas 1990], aprendizagem situada [Leve e Wenger 1990], aprendizagem como atividade lúdica [Leont’ev 1990] e aprendizagem sob a perspectiva da teoria ator-rede [Latuor 1987] (RIBEIRO et al., 2015).

Figura 3. Aprendizagem

Fonte:http://fundacaotelefonica.org.br/noticias/como-a-neurociencia-ajuda-a-explicar-os-processos-de-aprendizagem-na-educacao/

As teorias de aprendizagem são fundamentais no desenvolvimento de jogos educacionais, e devem ser selecionada com coerência para evitar erros conceituais. O jogo estimula a experimentação, dúvida e a interação do jogador com a realidade (ambiente, objeto, pessoas). A falta de diálogo é problema enfrentado na educação dos nativos digitais, nascidos em meio a revolução das tecnologias da informação e comunicação, os jogos podem servir como ferramenta para reduzir essa distância, desde que atendam os requisitos das teorias de aprendizagem, e isso só é possível incluindo os educadores no processo de desenvolvimento.

 

REFERÊNCIAS

 

GEE, J. P. Bons video games e boa aprendizagem. Perspectiva, v. 27, n. 1, p. 167–178, 2009.

GROS, B. The impact of digital games in education. First Monday, v. 8, n. 7, p. 6–26, 2003.

LEVY, P. As tecnologias da Inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. São Paulo: Editora 34, 1993.

RIBEIRO, R. J. et al. Teorias de aprendizagem em jogos digitais educacionais: um panorama brasileiro. RENOTE, v. 13, n. 1, 2015.

SOUTO, M.; SILVA, C. Um catálogo de requisitos pedagógicos para auxiliar o desenvolvimento de softwares educacionais. In: Brazilian Symposium on Computers in Education (Simpósio Brasileiro de Informática na Educação-SBIE). [S.l.: s.n.], 2017. v. 28, n. 1, p. 506.

SQUIRRA, S.; FEDOCE, R. A tecnologia móvel e os potenciais da comunicação na educação. e-publicacoes, 2015.

 

AUTORES

Diego Marques de Carvalho é programador e professor universitário em Tecnologia da Informação. Possui graduação em Comunicação Social pela Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação. Foi professor e assistente de coordenação da Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação, Instituto Brasileiro de Tecnologia Avançada, Faculdade Diadema, Faculdade Drummond e Faculdade Paulista de Artes. Atualmente é professor do curso de Programação de Jogos Digitais do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, na ETEC Guaracy Silveira e Faculdade Impacta de Tecnologia. Tem experiência na área de Desenvolvimento de Jogos Digitais, atuando principalmente nos seguintes temas: desenvolvimento de softwares e jogos para dispositivos móveis e internet, mídias digitais, web 2.0 e educação à distância. Desenvolveu projetos e softwares para empresas como IG Internet Group, Banco do Brasil, Aymoré Financeira, Livraria da Vila, Hotel União, Self-Realization Fellowship, Stella Barros Turismo, Cannon by Elgin, Tanrac, Mahindra, Fapcom e AQCEZ Construtora.

E-mail: diego.marques@ufabc.edu.br

 

Maria Inês Ribas Rodrigues possui Licenciatura em Física pelo Instituto de Física da Universidade de São Paulo (1994), mestrado em Ensino de Ciências – Modalidade Física pelo Instituto de Física da Universidade de São Paulo (2001), doutorado em Educação (Doutorado Sanduíche) – School of Education. University of Leeds, (2005) e doutorado em Educação – Ensino de Ciências e Matemática, pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (2006). Atualmente é professora do Centro de Ciências Naturais e Humanas, Universidade Federal do ABC. Tem experiência na área de Educação com ênfase em Ensino de Ciências, atuando principalmente nos seguintes temas: Ensino de Física; Desenvolvimento Profissional dos Formadores de Professores, Formação de Professores, Didática das Ciências, Pesquisa-ação Colaborativa.

E-mail: mariaines.ribas@ufabc.edu.br

Visita ao Museu Memorial de Direitos Humanos de Santiago (Chile)

A cursista Aureni Lima, que concluiu a Especialização em Educação em Direitos Humanos pela UFABC em 2018, fez uma visita ao Museu Memorial de Direitos Humanos de Santiago (Chile).

Ela enviou um relato de sua experiência a este simbólico local, que representa a memória da luta pelos Direitos Humanos em um país que também sofreu com graves violações de direitos básicos durante os anos de chumbo.

Confira abaixo o texto enviado por ela:

Aureni Santos Lima Silva

 

Prezados colegas e professores /formadores, em especial profa. Ana Dietrich, compartilho aqui com vocês a visita que realizei no MMDH Santigo, onde pude apreciar muitos momentos de aprendizado na prática considerando que na UFABC  tivemos debates oriundos de leituras de teóricos, vídeos, imagens, construções de novos textos, análise de questões que me possibilitaram neste espaço supracitado, promover novas leituras e aprendizagens através da visita monitorada, pesquisa em lócus via recursos disponibilizados (head fone aos visitantes), vídeos, além de visita acompanhada por pesquisador que informava cada etapa do contido (exposição) no museu.

Fiquei instigada a querer saber mais principalmente no espaço destinado à expositores de materiais coletado sobre criança: como pensavam, viviam, sofriam no momento da ditadura. Tem fotos que podemos visualizar os registros que Ninõs (crianças) faziam sobre elas. Acompanhei as discussões sobre a ditadura junto a pessoas que estavam em visita onde explicava-se todo o processo vivido pelos prisioneiros e prisioneiras, alojamento, contatos, política, sanções e o sofrimento marcando a história de luta, principalmente das mulheres para garantir seus direitos à vida, ao trabalho, ser respeitada como cidadã, garantia de direitos fundamentais, tal qual do Homem.

O fluxo de pessoas adentrando o museu seja visitante ou pesquisadores observei que era a contento, o que nos alegra saber que temos debates em “outros cantos“ do país, em prol da causa DOS DIREITOS HUMANOS. Essa possibilidade de novos elementos nos faz crescer como ser humano e nos dá possibilidade de expressarmos nossas intenções, desejos, credibilidade, enfim nos fortalece a continuar na luta por justiça social, garantia de direitos e respeito a vida de si e do outro.

Prezados, meu imenso abraço de agradecimento a toda a equipe da UFABC por me possibilitar interagir neste espaço em condições de ampliar novos olhares e saberes, sabendo do que eu lia, interpretava, admirava e conscientizava a continuar o percurso iniciado na universidade junto a essa equipe.

As fotos remetem a alguns momentos dessa visita. Muito boa a contribuição recebida e quando podemos trabalhar a teoria a partir da análise da prática. Tudo se vislumbra!!. Além disso, pude compartilhar os saberes com outras pessoas: filhas, esposo, colegas, mais esse momento que amei durante dias de férias no Chile.

Autora: Aureni Santos Lima Silva

Cursista da pós-graduação lato sensu Educação em Direitos Humanos – UFABC em 2018.

Email: aurenilima@gmail.com

 

 

Carnaval

Quase seis horas, mas vai ainda visitá-lo, o amigo pintor, recém-chegado de viagem. Passa pelo jardim, apanha raminhos de manjericão cheiroso, há sempre alguma orquídea  aberta a apreciar pelo caminho… Chega ao ateliê, gosta de apreciar o “Orquidário”, tela de rara beleza, onde o amigo reproduziu a perfeita beleza das orquídeas do jardim, agora ao lado da outra, um fantástico “Carnaval”, que suas mãos talentosas criaram com máscaras coloridas. Um carnaval tantas vezes intensamente vivido, mas que se fora para sempre da vida dele.

Quer fotografar as duas telas, o amigo entre elas, Tinha-as visto nos esboços, tomando lentamente as cores, as formas se aprimorando, até chegarem à plenitude, com sua beleza contagiante, vencendo concursos, despertando admiração. E retornadas agora das viagens, das exposições, um rastro de beleza deixado pelos caminhos.

Consulta o relógio: seis horas.  Tem pouco tempo, tantos os compromissos. Liga mais luzes, quer plena claridade, prepara o flash, dispara. Mas, com ele, máscaras escapam da tela, ganham corpo e vida, se atropelam, multiplicando-se às dezenas. Quer ser racional, buscar explicações sensatas, mas os foliões a envolvem, invadem o “Orquidário”,  colhem as flores, esvaziam a tela.

Cruzam-se serpentinas, tudo é alegria. Mal pode vislumbrar o amigo pintor nos braços foliões, rindo e dançando. Pensa no vinho que ele lhe serviu, nos brindes ao sucesso. Quem sabe ali a explicação, talvez um pequeno exagero. Ou a existência se redefinindo em enigmáticas paragens? Não importa. Entra no clima, tromba com arlequins e pierrôs, canta também marchinhas de tantos carnavais passados. Flutuam todos no espaço dilatado, a luz jorra de ignotas fontes…

Estranhamente, não se movem os ponteiros do relógio.

Mas o vento frio da madrugada entra pela janela. Murcham as orquídeas, foliões se reduzem a máscaras, as esgarçadas fantasias se diluem no ateliê. A alegria se vai. Voltam lentamente às telas, máscaras e flores.

Consulta o relógio: seis horas. O tempo não escorrera? E lá está o amigo pintor, o sorriso bondoso, nenhuma perplexidade. Não teria vivenciado tais momentos? Melhor se calar, quem sabe passageira alucinação. Ou feitiço daquelas telas encantadoras?

Despede-se. Sai à rua. Nada acontecera. Não há carnaval, apenas a rotina. Faz frio. Enfia as mãos nos bolsos do casaco. Confetes?

 

Maria Apparecida Sanches Coquemala

Autora licenciada em Letras, especializada em Linguística, pedagoga. Premiada pela UBE, Rio com A Gruta Azul e Carnaval, 2º e 3º lugares; e pelo Governo da Paraíba, Correio das Artes, com À Espera e pela Ed. Porto de Lenha, Gramado, ambos 1º lugar, todos  coletâneas de  contos e crônicas.  Na literatura infanto-juvenil, publicou Naná e o Beija-flor; na poesia, À margem da vida e Pulsar, este já na 3º ed. Autora também de Círculo Vicioso, O Último Desejo, Além dos Sentidos e Flashes, coletâneas de contos e crônicas; Participa de antologias no Brasil,  Portugal e Itália. Cronista de O Guarani, jornal  de  Itararé, SP, cidade onde reside.

Email para contato: maria-13@uol.com.br

 

Floreios e notas de uma voz que não se Callas

Leia a contribuição da leitora Vanessa Ribeiro Simon Cavalcanti na coluna Espaço do Leitor

Vanessa Ribeiro Simon Cavalcanti

Universidade Federal da Bahia/Universidade Católica de Salvador

Dammi I colori…
Recondita armonia di bellezze diverse!
È bruna Floria, l’ardente amante mia,
E te, beltade ignota
cinta di chiome bionde!

Tosca, Puccini.

 

Os sons e os signos sempre foram parte das expressões de Humanidade. Registros da História, sejam orais ou o simples fato de lembrar. O encantamento e o deslumbramento quando se ouve uma voz lírica potente e atemporal são marcas que não podem deixar de estar associadas à Maria Callas. Dentre as famosas óperas do Belo Canto, repertórios como Norma, La Sonnambula e I Puritani, de Bellini; Lucia di Lammermoor, L’Elisir d’Amore e Don Pasquale, de Donizetti; e O Barbeiro de Sevilha, de Rossini, foram consagrados pela interpretação de Cecilia Sophia Anna Maria Kalogeropoulou.

Antonio Tommasini escreveu no New York Times: porque depois de morta, Callas ainda fascina e impressiona tanto? Simplesmente poderia responder – por ser ela mesma cada uma de suas interpretações. Do glamour restou-lhe em seus últimos dias o silêncio: dizem os biógrafos que sua vida foi agitada, polêmica e cheia de excentricidades e que morreu sozinha e sem uma causa determinante. Talvez o que mais importe seja justamente que, para além de sua vida pessoal, deixou marcadas as vozes de tantas mulheres, de tantas personagens que se tornaram únicas. As violências, o sucesso escalar, a solidão e o isolamento marcam vida e final dos dias de Callas.

Nascida em New York em 1923. Filha de imigrantes gregos, retornou à Grécia com sua família em 1937 por dificuldades econômicas vivenciadas nos Estados Unidos. Estudou no Conservatório de Atenas com Elvira Hidalgo, renomada soprano e professora. Realizou seu debut com a obra Tosca de Pucini (1941), papel que seria sua marca e interpretaria em diversas ocasiões. Cantou em Atenas durante anos antes de realizar a grande experiência: a estréia de La Gioconda de Ponchielli, na Arena de Verona (1947). Dos fatos relevantes desse episódio fica o encontro com o diretor Tullio Serafin (1878/1968), que se converteu em mentor musical.

Na vida amorosa, somente em 1949, Callas encontrou seu primeiro marido, Giovanni Meneghini que, juntamente com Serafin, foram os responsáveis pela carreira e abertura de fronteiras para a voz dela. No Scala de Milão seu triunfo veio em 1950, com Aida. A conquista do público norte-americano se deu em 1956, em sua cidade natal, com a apresentação de Norma, de Bellini.
Foi, sem dúvida, uma descobridora de obras operísticas que estavam esquecidas como as peças de Cherubini, Gluck, Haydn e Spontini, ademais de ter sido dirigida por renomados regentes internacionais como Leonard Bernstein, Carlo Maria Giulini e Herbert Von Karajan.De suas parcerias, a marcante presença de dois cantantes: Giuseppe di Stefano, tenor, e Tito Gobbi, barítono, com os quais compartilhou e gravou inúmeras peças.
Sua vida pessoal e amorosa se transformou em alvo quando, em 1959, Callas abandonou seu marido pela companhia de Aristóteles Onassis. Neste período, houve um retiro da cena internacional e, em 1965, realizou sua última apresentação de Tosca em Covent Garden, em Londres. De uma relação tempestuosa, Maria também foi deixada por outra grande personagem do período: Jacqueline Kennedy. Apesar de tempos de retiro e reclusão, contribuiu na formação de músicos nas aulas magistrais da Juilliard School de New York, entre os anos de 1971 e 1972.
De soprano a mezzosoprono, vestiu-se de Carmen, assim como também de Lucia de lamermoor. Os matizes de sua voz a transformaram em a “diva da Ópera”, além de interpretações dramáticas e interpretações que calavam, num momento, para em seguida ser ovacionada pelo público. Sua vida foi tão polêmica que os holofotes confrontavam sua privacidade e sua voz, assim como às heroínas que incorporava no palco, silenciava o seu pranto e angústia.
De Medéia e Norma à Tosca, de Violetta à Lucia, Gioconda ou Amina, Callas representou papéis femininos fortes e que não deixam sombra: sua dedicação ao trabalho era sua própria existência, como afirmou em entrevista certa vez. Em uma de suas master class afirmou: “um cantor deve cantar em todas as tessituras”.
Sua voz não foi silenciada com a última apresentação oficial em 11 de Novembro de 1974 no Japão. Depois de trinta anos de sua morte, os matizes e floreios de sua voz ainda fascinam e deixam a tecnologia transformá-la em personagem atemporal, em um clássico no sentido de Ítalo Calvino: aquele que não deve ser escutado, mas reprisado e no tempo de redescobrir… “Brava Callas!, Brava Maria!”. A vida pode ser interpretada e registrada de muitas formas e a ópera é uma das facetas mais dramáticas da contemporaneidade, vivida por ela em “inúmeras” vozes femininas.

 

Fontes das imagens:

Imagem 1: Fonte: https://www.telegraph.co.uk/opera/what-to-see/tantrums-tapeworm-diet-aristotle-onassis-disintegration-maria/ Acesso em 13/03/2018.

Imagem 2: Fonte: Maria Callas e Tullio Serafin. http://www.ilpopoloveneto.it/notizie/spettacoli/teatro/2018/02/02/54974-50-tullio-serafin Acesso em 13/03/2018.

Imagem 3: Fonte: Capa do LP e fotografia (1955). Disponível em https://www.arlequim.com.br/detalhe/1710548/Lucia+Di+Lammermoor+(Berlin+29-+09-+1955).html

 

Vanessa Ribeiro Simon Cavalcanti 

Pós-doutorado pela Universidade de Salamanca (CNPq e CAPES, Brasil). Doutora em Direitos Humanos pela Universidade de Leon, Espanha. Professora e investigadora do Programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo da Universidade Federal da Bahia e do Programa de Pós-Graduação em Família na Sociedade Contemporânea, da Universidade Católica do Salvador. Investigadora associada ao Instituto de Sociologia da Universidade do Porto e integrante do Núcleo de Estudos sobre Gênero e Direitos Humanos (NEDH/UCSAL).

Email para contato:

vanessa.cavalcanti@uol.com.br

Lattes

http://lattes.cnpq.br/6538283866214716

USO E ABUSO DE DROGAS EM COMUNIDADES INDÍGENAS

Leia a contribuição do leitor Aquicélio Oliveira na coluna Espaço do Leitor

Aquicélio Oliveira

O uso do álcool em comunidades indígenas aumentou consideravelmente nos últimos anos e passou a ser um problema de saúde pública. Porém, é necessário levar em consideração aspectos ligados a moral e a ética indígena, uma vez que a cultura dos mesmos é diferente da cultura ocidental e buscar, sobretudo, entender as razões pelas quais há resistências.

Há diversas restrições quanto ao acesso de outras pessoas nas comunidades indígenas, pois há, sobretudo, a preservação cultural e medo de se perder ainda mais os costumes estando em contato direto com outros povos que não o indígena de sua etnia. De acordo com o diretor da escola presente dentro da comunidade indígena, a falta de informação acerca dos problemas de saúde mental sobretudo, podem leva-los a um ponto crítico, na medida em que não por parte deles conhecimento sobre os males do abuso do álcool e de outras drogas, e com o constante desenvolvimento de novas drogas pode-se perder uma comunidade inteira devido à falta de informação.

Contudo, é necessário pensar não somente na necessidade do nosso serviço na comunidade como também na aceitação do mesmo. Mesmo havendo, de acordo com o diretor, as restrições importas podem dificultar a realização e a comunidade indígena pode ser prejudicada por continuar havendo falta de informação quanto as questões inerentes ao uso e abuso do álcool e outras drogas com capacidade psicoativa e psicotrópica.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Desde o descobrimento do Brasil pelos portugueses em 1500 a cultura indígena foi dizimada havendo o que pesquisadores como Felix de Melo (2011) um genocídio aos índios. Com o passar dos anos, o índio vem perdendo cada vez mais o seu espaço no meio social uma vez que a mata que é tida pela cultura indígena como algo sagrado e parte de suas “religiões” vem se tornando fazendas e com isso os índios perdem totalmente seus direitos sobre ela. Desta forma, a relação dos povos indígenas e o restante da comunidade brasileira, sobre tudo o estado, é marcada por conflitos em relação as suas terras e a tentativa de manter a identidade indígena.

Atualmente, a colocação do índio na sociedade brasileira é marginalizada. Com isso, a pouco investimento por parte do poder público para a preservação e continuidade da cultura destes povos. O consumo de álcool e outras drogas pela população indígena:

De acordo com a FUNASA apud Felix de Melo (2011), o alcoolismo está entre as enfermidades mais comuns nos grupos indígenas brasileiros, com destaque para as regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, tendo como agravante a aproximação das populações indígenas das não-indígenas. O contato interétnico, segundo Souza e Garnelo apud Felix de Melo (2011), iniciou-se há mais de três séculos e propiciou a introdução da bebida destilada na comunidade indígena, favorecendo mudanças na organização destas sociedades, com modificações mais amplas na cultura indígena. (FÉLIX DE MELO, p. 3 2011).

O álcool é a droga mais utilizada nas comunidades indígenas brasileiras. De acordo com Marrot (2004) o alcoolismo traz com ele a dependência, abstinência, distúrbios de ansiedade e um dos mais importantes, o Delirium Tremes, que pode ser fatal, o alcoolismo é um termo enérgico que indica um possível problema, mas para melhor precisão é preciso diagnosticas quais são os distúrbios que estão afetando o paciente.

Para Marrot (2004) existem dois mecanismos que são obedecidos pelo comportamento de repetição, que é  o reforço positivo, que busca o prazer, para obter satisfação, e o reforço negativo que busca um comportamento de evitação de dor, e uma pessoa na busca pelo álcool acaba obedecendo então ao reforço positivo e negativo, no começo a pessoa procura um prazer no qual a bebida proporciona, e depois que a pessoa não alcança mais esse prazer, ela não consegue achar uma forma de parar de beber porque sempre quando o sujeito tenta parar vem os sintomas da abstinência, e para evitar, a pessoa continua o uso do álcool.

Para o desenvolvimento de práticas que visem combater o problema do alcoolismo e também de outras possíveis drogas psicotrópicas faz se necessário pensar a moral indígena; a sua cultura e o conjunto de leis, crenças e práticas que dão identidade para estes povos, como meio para se obter melhores resultados e garantir melhor entendimento acerca de quem eles são e no que eles acreditam.

De forma geral, é necessário refutar preconceitos a fim de buscar um bom resultado, se atentando às necessidades e peculiaridades dos mesmos. A intervenção se pauta na questão do consumo do álcool podendo se estender a outras drogas psicotrópicas, desta forma, é preciso tratar da questão de forma ética, pois o uso de substancias psicotrópicas incluem também outros riscos à saúde do sujeito e também é possível encontrar situações delicadas como por exemplo questões sexuais ligadas ao uso destas substancias e cabe ao profissional manejar tais situações de forma ética sem exposições desnecessárias e até mesmo fazendo outras intervenções se necessário.

REFERENCIAS

FÉLIX DE MELO, Juliana Rízia et al. Implicações do uso do álcool na comunidade indígena potiguara. Physis-Revista de Saúde Coletiva, v. 21, n. 1, 2011.

MARROT, Rodrigo. Alcoolismo: Transtornos relacionados por semelhança ou classificação. Psicosite, Rio de Janeiro, v. 15, 2004.

 

Aquicélio Oliveira é formado em Filosofia (2015 a 2017). Atualmente cursa Psicologia (2014 a 2018). Atuou na empresa GERAR no setor social e institucional  (2015 a 2016). No momento, é estagiário do Colégio Estadual Daniel Rocha (PR).

 

 

 

Email para contato:

aquicelio.oliveira@outlook.com