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Espaço do Leitor

Não trago flores, e sim, a espada!

Essa poesia é um manifesto que intenciona: 

Produzir a vida. 

Destruir as incoerências, mas compreender que as contradições fazem parte da natureza 

humana. 

Promover o silenciamento da voz do opressor e fazer uma ode ao Continente que teve a 

sua história silenciada e contada a partir de lábios imperialistas. 

Denunciar o caráter colonial, latente na sociedade brasileira, que torna as domésticas 

invisíveis enquanto pessoas, mas visíveis enquanto força de trabalho braçal. 

Alertar aos senhores e senhoras de engenho para que abandonem o conforto da casa 

grande, pois, assim como as nossas antepassadas e antepassados, 

Vamos atear fogo em sua morada!                                                                                                                       

Rogo-te, pois que salve a tua alma a tempo! 

Que a besta imunda personificada na eugenia possa ser banida, definitivamente! 

E que leve consigo a ideia de que aquilo que não presta é coisa de pessoas de pele preta. 

Sonho com o dia em que o gênero masculino não será o padrão para criação de palavras 

E o homem branco e imaculado, deixará de ser o padrão para “todas as medidas 

humanas”. 

Devemos lutar por sociedades onde as Mulheres, especialmente as Negras, não 

carreguem o mundo nas costas sozinhas. 

Vislumbro no horizonte, o momento em que diremos “Nativos Brasileiros” e não 

indígenas. 

Quando as religiões afro serão vistas como mais uma forma de atingir a espiritualidade. 

E a xenofobia, será vista como um crime a si mesmo tendo em vista que somos todas, 

todos, forasteiras e forasteiros nesta terra. 

Não podemos permanecer indiferentes à diversidade humana. A indiferença é a outra 

face da crueldade. 

Que possamos subverter a lógica de hierarquização das culturas. 

Devemos extirpar o “ismo” de homossexualismo. 

Assim como “fobia” de transfobia 

Que seja tragado para o submundo, o ódio à pessoa pobre! 

Muitas histórias poderiam ser escritas com os crimes sociais supracitados 

Mas, a nossa poesia, conseguirá realizar apenas uma narrativa: 

A da África que pariu o mundo e foi violentada pela ganância de seus filhos bastardos 

O Continente que presenciou a transição de um ser hominizado para um ser humanizado 

E que flagrou a primeira Diáspora Humana 

Viu emergir os impérios mais prósperos e vastos do planeta 

Mas que sofreu em silêncio ao ver os seus filhos e filhas sendo arrancados de si no 

tráfico negreiro. 

Toda vez que a palavra diáspora é mencionada para se referir ao rapto, ao estupro, ao 

atentado, 

Lágrimas manam do rosto de Nossa Mãe África. 

Porque a palavra diáspora está sendo usada com a conotação de sequestro de seus filhos 

e filhas! 

Como se isso não fosse desventura o suficiente, as histórias do Continente Africano 

foram atiradas aos cães. 

Mas ressurge a cada dia! 

A verdade é que a África não deu à luz apenas a mim e a você, mas também à filosofia, 

a arte, e a ciência. 

O eurocentrismo é um mentiroso! 

Fez o mundo acreditar que tudo o que provém da Europa é universal e padrão. 

E mais uma vez, isso golpeia a Mãe África! 

Que por ter dado á luz as Singularidades, entende que essa universalidade busca 

suprime e não agrega. 

Vale ressaltar que o Continente não era de todo sublime antes da chegada dos europeus 

Se a escravidão já existia lá? 

Sim. 

O conflito étnico? 

Também. 

Mas o racismo não! 

E isso muda tudo! 

Muda a forma como me veem! 

A forma como as minhas irmãs e irmãos de cor se vêem! 

Eu sei que você foi educada, educado para ter alta estima pelo homem branco europeu

Isso também é culpa do imperialismo europeu. 

Então se torna difícil para ti, reconhecer os horrores realizados pela colonização. 

Vocês dizem que os povos nativos na África e nas Américas já estavam divididos, já se 

escravizavam uns aos outros, como desculpa 

Para apagar a podridão feita pelos colonizadores brancos, 

Mas deixe-me dizer-te: Antes da expansão europeia, não havia o conceito de raça! 

E esse maldito critério coloca a minha carne negra como a mais barata

A ciência vulgar do século XIX, embriagada pelo eurocentrismo, tentou fazer o mundo 

acreditar que: 

A mulher branca não tem alma; 

O nativo americano e os mongóis se constituíam como uma raça inferior ao homem 

branco, mas nem de todo repugnante; 

O homem negro, de início, era visto como outra espécie 

Intermediária entre o homem branco e o primata 

Os homenzinhos da ciência mentiram sobre os estudos de craniometria 

Disseram que os primatas tem o crânio maior do que o das pessoas negras 

E para que? 

Para “provar” por meio de uma mentira científica que o negro era ainda inferior ao 

primata! 

Nesse banquete de desgraças, a mulher negra era servida como a mais inferior das raças 

humanas

Anos depois, os ditos homenzinhos da ciência chegaram à conclusão que os homens 

negros também são seres humanos e ficaram devastados. 

Também me corta o coração a indiferença com que a pessoa deficiente é tratada, 

A indiferença é a outra face da crueldade 

Dói falar sobre essas desventuras, 

Eu sei, 

Mas se o machucado não estiver exposto, não cicatriza. 

Saiba que toda vez que a palavra macaco é proferida para agredir uma pessoa negra, 

esse pensamento primitivo de raça, ressurge das profundezas do inferno! 

Isso não te dá asco? 

O seu silêncio cabe neste momento? 

Grite, 

Brade 

Mas por favor, desça de cima do muro! 

Certa vez ouvi uma história que dizia que o pecado original foi trazido pela Mulher 

Ou pelo diabo que enganou a Mulher tanto faz 

E desde então, 

Quer dizer, 

Muito antes disso, 

Ser Mulher nesta terra, se tornou nascer com o peso da culpa 

Numa história criada por homens 

E para Homens 

O Nosso Ser, foi retirado de Nós. 

Ao nascer, a menina pertence ao pai 

Na vida adulta, por meio do casamento, ela recebe o título de mulher mediante a benção 

do marido 

E posteriormente, com a maternidade, o desejo da mulher pertence aos paridos e não a 

ela! 

E quando há espaço para ser Mulher? 

Em verdade, em verdade vos digo que essa poesia não lhe traz flores, 

Trás a espada! 

É o que toda palavra de libertação traz consigo! 

Decidi usar a minha arte como instrumento de luta antirracista! 

Que iniciará com a narrativa da África, 

Tendo em vista, que esta deu à luz ao Mundo e consequentemente, a tudo que nele há! 

Apresento-te o mito de criação da deusa Odudua

Que percebendo a intemperança do deus Obatalá, decidiu tomar o poder para si e criou 

o mundo sozinha! 

Quando o Homem percebeu o que a Mulher lhe fez 

Ou será que foi o que ele fez consigo mesmo? 

Ficou irado! 

Foi travado um conflito violento 

Mas o Amor venceu 

E Odudua, triunfou. 

A cabaça, que representava o Mundo criado por Ela, se partiu no conflito, 

E a parte de cima se tornou o céu 

E a de baixo, a terra. 

Essa versão de criação do mundo não é contada na terra de Odudua 

Narrativas onde as mulheres constroem não são bem vistas por homenzinhos. 

É de se supor com propriedade que as primeiras histórias foram narradas pela África 

Inclusive as religiosas! 

Por que não podemos acreditar que existam divindades mais flexíveis do que nós, e que 

se manifestam de formas diferentes? 

Em diferentes culturas? 

Os pais e as mães não dizem que educam os filhos de maneira diferente? 

Se Nós que somos maus, tentamos respeitar a singularidade do Ser que amamos uma 

divindade também não o faria? 

Não trago certezas, apenas reflexões. 

Porque narrativas universais incomodam 

Sufocam 

Mutilam 

Transpassam 

Violentam 

Por isso que trago a espada comigo, e não flores. 

Para partir a cabaça dos homenzinhos que consideram-se a si mesmos como sábios. 

Romper a ordem existente é um ato revolucionário! 

Que nasce com a inconformidade, do luto, da luta. 

A revolução precisa vir de dentro para fora. 

Dentro, porque deve te ajudar a enxergar os seus pecados primeiro, e não os de outrem! 

E de fora, porque temos muitas cabaças a partir. 

E a paz? 

Está no horizonte, juntamente com a nossa utopia. 

Ao término desta poesia posso lhe assegurar que estou em luto 

Mas não temos tempo para viver o luto 

Apenas a luta, 

A luta será a verbalização de nosso luto coletivo 

Estamos contritos, quebrantadas, quebrantados, enlouquecidos, enlouquecidas por esse 

sistema dominante que nos dilacera, 

Mas temos a resiliência da Mãe África

E só essa graça, 

Nos basta! 

Com amor: Nínive. 

 

 

 

Autoria: Nínive Silva 

A vida dos mortos está na memória dos vivos – André Mattos

André Luiz Reis Mattos

 

Oliver Abel, no prefácio do livro Vivo até a Morte de Paul Ricoeur, afirma que este autor dizia “que havia duas coisas difíceis de aceitar na vida, de aceitar verdadeiramente: a primeira é que somos mortais; a segunda, que não podemos ser amados por todo o mundo.” (ABEL. 2012, prefácio p. IX)  Com relação à primeira, a dificuldade estaria na impossibilidade concreta de “figurar o que são e onde estão agora nossos próximos já mortos”, (Ibidem) e, principalmente, de nos imaginarmos mortos.

Philippe Ariès, que na obra História da Morte no Ocidente, estuda os costumes ante a morte nas culturas cristãs ocidentais, motivado pela “importância, para a sensibilidade contemporânea dos anos de 1950-1960, da visita ao cemitério, da devoção aos mortos e da veneração aos túmulos” (ARIÈS. 2012, p 19). Ariès busca na sua pesquisa, entre outros aspectos, entender a dificuldade humana de tratar com a perda do ente próximo, porque a “morte do outro” sinaliza a sua própria condição de sujeito mortal.

Fotografia 1: Jazido perpétuo com retratos de familiares enterrados no mesmo espaço. Os túmulos são lugares de lembranças e de culto aos que faleceram. Cemitério Municipal Drº Leopoldo Machado, centro de Paraíba do Sul/RJ. Registro de 11/2012, acervo André Mattos.

 

Os mortos permanecem na memória dos vivos e nos lugares de lembrança destes: os cemitérios com seus mausoléus, túmulos, as inscrições funerárias, os espaços de culto (também organizados por alguns em seus lares), as imagens sacras e os retratos dos mortos. “O imaginário procede por deslocamento e generalização: meu morto, nossos mortos, os mortos”; (RICOEUR. 2012, p. 8) eu morto (nosso destaque).  

A experiência de quem sobrevive à morte de um ente querido é na verdade o encontro com a sua própria realidade de ser finito, percebendo-se irremediavelmente mortal; é “a consciência de si e do outro, o sentido da destinação individual ou do grande destino coletivo.” (ARIÈS. 2012, p. 23)

Fotografia 2: Nesta imagem além da fotografia do ser amado, têm-se a identificação do batismo  católico (registrado na data entre o nascimento e a morte) como ação que possibilita a “conquista” de um  lugar “na grande família de Jesus” (figura incorporada a imagem), reafirmando desta forma, a crença na sobrevivência do ser além da morte. O retrato funciona aqui como um atestado da morte e da esperança na continuidade da vida. Cemitério Municipal Drº Leopoldo Machado, centro de Paraíba do Sul/RJ. Registro de 11/2012, acervo André Mattos.

 

A memória dos vivos e a lembrança dos mortos funcionam então, como a lembrança do que há de vir, “o caminho da antecipação da iminência de ser tragado por minha vez a massa perdida” (RICOEUR. 2012, p. 31) e assim, não se desejando estabilizar no lugar de esquecimento dos que permanecerão vivos após a própria morte, estabelece-se no imaginário  e em suas representações, os lugares e objetos de lembranças dos mortos.

Uma memória irredutível à passeidade do “não-mais” de certo modo exaltada em preservação do ter-si, o “ainda-presente” do passado “salvo” do não-mais, fazendo contrapeso e simetria ao “já-presente” do futuro, salvo do “ainda-não”.

 

O uso das fotografias dos mortos nos túmulos e mausoléus dos cemitérios relaciona-se a necessidade não só de possuir, de reter a imagem dos que amamos, mas de tornar eterno o que na memória garante as lembranças, evitando-se o esquecimento indesejável (do outro e de si), aparecendo neste contexto, como o objeto capaz de atender em grande parte este imperativo tão humano: o de vencer a morte e tornar as pessoas “eternas”. Sujeitos que permanecem “vivos” na expressão material da imagem registrada, para que o tempo, inexorável inimigo da vida, pois nos conduz invariavelmente a morte, seja vencido. É a relação permanente entre vida, morte, memória, religiosidade, lembrança e esquecimento, com a fotografia se tornando o próprio signo de que somos mortais e os fotógrafos, verdadeiros agentes da Morte.

Fotografia 3: No retrato, uma foto-montagem, o casal “unido” após a morte, e ao fundo a imagem do céu, lugar desejado/esperado para a vida após morte. Cemitério Municipal Drº Leopoldo Machado, centro de Paraíba do Sul/RJ. Registro de 11/2012, acervo André Mattos.

 

É esta condição de poder “ludibriar a morte” que concede a fotografia a sua aura de objeto místico, mágico, “fonte da juventude”, conservando “algo da temporalidade vivida (passado, presente, futuro),” (RICOEUR. 2012, p. 45) como um objeto de identidade; criando-se então, ao olhar a imagem impressa (como as que apresento), uma lembrança pela similaridade com as próprias memórias, mesmo que a realidade na fotografia não tenha sido vivenciada.

É possível que, no desenvolvimento cotidiano das fotos, as mil formas de interesse que elas parecem suscitar, o noema “Isso-foi” seja, não recalcado (um noema não pode sê-lo), mas vivido com indiferença, como um traço que não precisa explicação. É dessa indiferença que a Foto do Jardim de Inverno () acabava de me despertar. Seguindo uma ordem paradoxal, já que costumeiramente asseguramo-nos das coisas antes de declara-las “verdadeiras”, sob o efeito de uma experiência nova, a da intensidade, eu induziria, da verdade da imagem, a realidade de sua origem; eu confundiria verdade e realidade em uma emoção única; na qual eu colocava doravante a natureza – o gênio – da Fotografia, já que nenhum retrato pintado, supondo que ele me parecesse “verdadeiro”, podia impor-me que seu referente tivesse realmente existido.

 

É esse “Isso-foi” que conduz inicialmente todo o olhar que repousa na imagem relacionando a fotografia com a verdade e a realidade, ao ponto de ser aceito o referente sem necessidade de elucidação. Mas quando do trato do registro fotográfico enquanto fonte em pesquisas, a visão deve superar metodologicamente esta percepção comum às pessoas, para adentrar ao campo da análise e da interpretação, alcançando o máximo das informações presentes na imagem, conduzindo o pesquisador a uma interdependência de conceitos e aplicações teóricas, permitindo que a fotografia seja empregada em análises diversas por campos de ciências múltiplas.

Fotografia 4: Toda uma vida apresenta-se nos diversos momentos registrados em imagens que foram “unidas” nesta foto-montagem. A lembrança não se restringe apenas a um retrato, estende-se pela temporalidade da existência, desde o nascimento, passando pelas idades primeiras, a escola, a festa junina, a infância, a adolescência e a morte no início da maturidade. Cemitério Municipal Drº Leopoldo Machado, centro de Paraíba do Sul/RJ. Registro de 11/2012, acervo André Mattos.

 

A vida dos mortos fragmenta-se na fotografia e na memória, retomando seu ritmo, quando a percepção repousa sobre a imagem e esta desperta lembranças – saudades pousadas em retratos -, e movimenta a memória no instante que vence a distância temporal entre o corte fotográfico e a observação do referente imagético. Somente a imagem fotográfica e a imagem da memória são capazes de lidar com tempo interrompendo e retomando o seu fluxo através da lembrança, impedindo o esquecimento dos mortos que são, e do morto que sei que serei um dia.

 

Bibliografia:

ARIÈS, Philippe. História da Morte no Ocidente. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2012.

BARTHES, Roland. A Câmara Clara. Rio de Janeiro. Editora Nova Fronteira. 2008.

RICOEUR, Paul. Vivo até a Morte. São Paulo. WMF Martins Fontes Ltda. 1ª edição, 2012.

 

André Luiz Reis Mattos,bacharel em Administração pela UFRural/RJ, Mestre em História Cultural pela Universidade de Vassouras/RJ (Orientadora: Profa Doutora Ana Maria Dietrich); servidor da justiça estadual, ex-professor das disciplinas História da Educação, História da Arte, Arte e Educação e Teoria do Currículo no curso de Pedagogia da Faeterj – Três Rios/RJ; e-mail:alreismattos@gmail.com.

TRABALHO E JUVENTUDE RURAL

Letícia Costa Silva

Kezia Vieira de Sousa Farias

Kelly Carolyne Cirqueira Alves

 

A partir das históricas formas de organização social acontecem também avanços nas formas de produção, principalmente a partir do século XVIII com a revolução industrial e o desenvolvimento do sistema capitalista e suas constantes reestruturações produtivas pautadas pelo liberalismo e neoliberalismo. Todas essas dinâmicas do capital influenciando nas questões econômicas, sociais e culturais em relação às condições de trabalho, bem como à situação juvenil, principalmente aos jovens agricultores que estão sendo levados a abandonar a terra para adentrar à condição de exército de força de trabalho nas cidades nesse sistema exploratório desencadeado pelo modo de produção capitalista.

Imagem 1: Revolução Industrial. Imagem 2: Trabalho e desemprego. Imagem 3: Jovem agricultor

 

No mercado de trabalho os jovens são marginalizados, pois são considerados sem experiência para atuar em empregos de grande responsabilidade e quando conseguem emprego são em atividades fragmentadas, cansativas e repetitivas, de legislação flexível, com grande carga horária e baixa remuneração.

Dentro dessa problemática da condição juvenil e trabalho, há a questão também do jovem situado no espaço rural, em que é simultaneamente herdeiro e trabalhador da propriedade. Na realidade agrícola o que possibilita o reconhecimento social como agricultor adulto não é a idade, mas sim o domínio “sobre o saber fazer da agricultura”, ou seja, as técnicas de produção necessárias, oportunizando o reconhecimento desses jovens, como agricultores. (WEISHEIMER, 2009).

De acordo com Weisheimer (2009), para que aconteça esse processo geracional, da transição de jovem para adulto no contexto rural, é importante que haja as condições econômicas, sociais e culturais adequadas. No entanto, muitas vezes devido às difíceis condições que se encontra a situação agrária em decorrência das consequências dos processos promovidos pelo sistema capitalista nas relações de trabalho no campo, muitos jovens acabam por abandonar a agricultura para fugir das precárias ou inexistentes condições de trabalho, se dirigindo para as superlotadas periferias das cidades em trabalhos exploratórios de baixa remuneração, marginalizados das oportunidades de alcançarem empregos decentes.

Por isso, a importância da criação de políticas públicas por parte do poder público que visem manter o jovem na terra, assim como mais incentivos às atividades agrícolas. Para que os trabalhadores do campo tenham condições de desenvolver e aumentar seus cultivos, a vida no campo esteja bem estruturada economicamente, apresentando condições para desenvolver os cultivos ou aumentar a produção e investimentos na propriedade e assim garantir aos jovens que querem trabalhar no campo, a sua permanência.

FONTES DAS IMAGENS:

Imagem 1: https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/historia/primeira-revolucao-industrial

Imagem 2: https://diariodocomercio.com.br/sitenovo/metodologia-utilizada-para-medir-o-desemprego/

Imagem 3: https://www.cresol.com.br/site/noticias/interna?id=1126

 

REFERÊNCIAS

WEISHEIMER, N. A situação juvenil na agricultura familiar. Tese doutorado. Porto Alegue, UFRGS, 2009.

Disponível em : http://pct.capes.gov.br/teses/2009/42001013012P7/TES.PDF

Acessado em: 05/04/2018.

 

Leticia Costa Silva, discente do programa de pós-graduação em dinâmicas territoriais na Amazônia, UNIFESSPA/Campus Universitário de Marabá, leticia_200914@hotmail.com

 

 

 

 

Kezia Vieira de Sousa Farias, discente do programa de pós-graduação em dinâmicas territoriais na Amazônia, UNIFESSPA/Campus Universitário de Marabá, vieirakezia@hotmail.com

 

 

 

Kelly Carolyne Cirqueira Alves, discente do programa de pós-graduação em dinâmicas territoriais na Amazônia, UNIFESSPA/Campus Universitário de Marabá, kellyalves@unifesspa.edu.br

EPISTEMOLOGIAS OUTRAS

Kezia Vieira de Sousa Farias

Leticia Costa Silva

Kelly Carolyne Cirqueira Alves

 

Preocupado em analisar a constituição jurídica do poder, uma genealogia das formas jurídicas no interior dos saberes no contexto da modernidade, Foucault (2005), em diálogo com as obras de Nietzsche discorre sobre a invenção do conhecimento. Desse modo, ele elabora como o saber se institui e molda os sujeitos através dos discursos que são aceitos como verdade. A invenção do conhecimento, segundo Foucault (1995), deriva das relações de poder para regular os corpos através de mecanismos de controle com práticas disciplinares.

Imagem 1: Iba Mendes: Ciência e Poder.  Imagem 2: Chefia e liderança. Imagem 3: Mística de encerramento no acampamento pedagógico / Gisele Brito.

 

A disciplina é, segundo o autor, uma técnica em que são organizadas formas para os corpos se adequarem, mas a condição das relações de poder é, sobretudo, a resistência. Quer dizer, para Foucault (2005), que a verdade não é um estado que se alcança, mas sim uma construção demarcada nas relações entre poder e saber.

No campo dos estudos de etnologia indígena, podemos destacar as formulações de Viveiros de Castro. Para esse autor o perspectivismo ameríndio também tem apresentado críticas à colonialidade epistêmica na busca pela verdade através do conhecimento.  Segundo Viveiros de Castro (2015), no campo do pensamento indígena, o outro é tratado no processo de devoração, ou seja, na medida em que se devora o outro assimila-se a sua cultura.  A compreensão do outro se dá no esforço de não o ver como estranho, ela rompe com as barreiras e faz o esforço de assumir e assimilar a perspectiva do outro. Nas suas palavras, “o perspectivismo indígena é uma doutrina do equívoco, isto é, da alteridade referencial entre conceitos homônimos” (VIVEIROS DE CASTRO, 2015, 53). Nessa epistemologia corre-se o risco de ser dominado pelo outro, mas ela não reforça a padronização dos conhecimentos.

É importante ressaltar o fenômeno do devir, ser outro é o que movimenta o perspectivismo indígena. Dessa maneira, as epistemologias não se constroem sozinhas, ela sempre se dá na relação e na mediação. Kopenawa em “A queda do céu” (2015) expõe que o pensamento indígena pode e tem contribuído para que o Ocidente reflita sobre seus problemas. Ele aponta outras formas de conhecimento científico, que é o contato com os vários mundos. A ciência ocidental é uma das formas de explicar o mundo, mas não é a única.  O discurso produzido pela lógica da verdade científica como homogênea tem produzido dicotomias. Os subalternizados não são passivos, uma vez que, reclamam os sentidos nas práticas do cotidiano, sendo capaz de criar e recriar um movimento dialético na práxis de resistência.           

As concepções e manifestações dos conhecimentos dos subalternos se contrapõem à lógica linear da produção de sentidos. Outras epistemologias se apresentam como fundamentais no processo de criação de novos sentidos para os sujeitos que foram e, que continuam sendo marginalizados.  

FONTES DAS IMAGENS:

Imagem 1: https://www.google.com/search?q=fotos+ciencia+e+poder&client=firefox-b-d&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwjm6bi9__XhAhXSCtQKHceTBQMQ_AUIDygC&biw=1366&bih=654#imgrc=WBTpAVKr3-U9WM

Imagem 2: https://www.google.com/search?q=fotos+ciencia+e+poder&client=firefox-b-d&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwjm6bi9__XhAhXSCtQKHceTBQMQ_AUIDygC&biw=1366&bih=654#imgdii=qhxMninrHIzS5M:&imgrc=WBTpAVKr3-U9WM:

Imagem 3: https://www.brasildefato.com.br/2016/04/17/acampamento-em-eldorado-dos-carajas-homenageia-mortos-e-debate-as-novas-lutas/

REFERENCIAS

FOUCAULT, Michel. A verdade e as formas jurídicas. Rio de Janeiro: editora Nau, 2005.

KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. A queda do céu: Palavras de um xamã yanomami; trad. Beatriz Perrone-Moisés. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

Lugones, Maria.

VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. Metafísicas canibais: Elementos para uma antropologia pós-estrutural. São Paulo: Cosac Naify, 2015.

 

Kezia Vieira de Sousa Farias, discente do programa de pós-graduação em dinâmicas territoriais na Amazônia, UNIFESSPA/Campus Universitário de Marabá, vieirakezia@hotmail.com

 

 

 

Leticia Costa Silva, discente do programa de pós-graduação em dinâmicas territoriais na Amazônia, UNIFESSPA/Campus Universitário de Marabá, leticia_200914@hotmail.com

 

 

 

 

Kelly Carolyne Cirqueira Alves, discente do programa de pós-graduação em dinâmicas territoriais na Amazônia, UNIFESSPA/Campus Universitário de Marabá, kellyalves@unifesspa.edu.br