Contravazios

Rock in Rio: breves acordes

1.

Antes tarde do que nunca: mas esses “Fora, Temer” entoados por alguns artistas mainstream só vieram depois da ameaça à Amazônia.

O ataque a direitos trabalhistas e a programa sociais, por exemplo, não causou a mesma mobilização, o mesmo engajamento.

Fica a impressão de que preservar árvore e bicho é mais importante do que preservar gente.

Ou de que tem malandro que só entra na luta “fácil”, consensual. Afinal, quem vai ficar do lado do Homem Ganancioso quando a vítima é a Mãe Natureza?

2.

Elza Soares – mulher, negra, octogenária – cantando “A carne” é que é resistência.

O resto é especial de fim de ano da Globo.

3.

Sobre o show que todo mundo (até o Axl Rose) viu menos eu, só tenho uma coisa a dizer: menos guns, mais roses.

4.

Idealizador do Rock in Rio,  o empresário Roberto Medina era candidato a prefeito e a galera do camarote vip o defendia dizendo que ele “sabia administrar uma cidade”.

Calma, gente. Foi só um pesadelo.

Massacres

A manchete afirmando que um sem-teto (desarmado) tinha praticamente esquartejado um policial (do batalhão de choque) foi meu primeiro contato com o Beto. Sorte minha não ter parado nela. Só assim pude conhecer um pouco a odisseia que levou o homem ao seu dia de chacrete do Datena. E, infelizmente, a um lugar chamado Carandiru.

Antes do pôr do sol

Quiseram os deuses do acaso que uma jovem francesa de nome árabe e um rapaz português de nome… português mesmo – que jamais tinham se visto – sentassem nas duas poltronas à minha frente e não se contentassem com um celular ou uma soneca; quiseram ainda aqueles deuses, mancomunados com os do cinema, que eu assistisse a um Linklater em tempo real, ao vivo e na primeiríssima fila.

Amores perros

A iminência do último dia é apenas pretexto para “Truman” fazer uma viagem ao território da amizade. Logo nas primeiras linhas, o roteiro de Cesc Gay (que também dirige o longa) e Tomàs Aragay toma um avião até um lugar de cores menos frias, a cidade de Madri.