• Home
  • Cognitio Sensitiva

Cognitio Sensitiva

Questões filosóficas acerca da liberdade humana

‘Liberdade’ é mais um desses valores humanos que só existem plenamente no dicionário, diferentemente da ideia de liberdade que povoa as cabeças humanas. Rigorosamente, ninguém sabe se Deus existe, mas a ideia de Deus fez e continua fazendo história. A ideia não precisa ser verdadeira, basta que tenha adeptos para alterar a realidade.
A ideia de liberdade provém de nossa condição de indeterminação. Não temos instintos, mas pulsões, como disse Freud. Animais sabem o que fazer logo quando nascem, os humanos não. Precisamos ser educados. Instintos são respostas rígidas aos estímulos. Mas, os humanos não têm respostas rígidas aos afetos. Logo, a indeterminação, vista como possibilidade de nos diferenciarmos, conduz à ideia de liberdade. Embora os outros animais sejam harmônicos com a natureza, a humanidade precisou criar a cultura para acomodar sua condição indeterminada.
Instintivos, os outros animais já sabem o que fazer ao nascer. Nós, humanos, sem saber o que fazer, tivemos de inventar regras para conviver entre nós. As primeiras regras foram os mitos. O mito é uma narrativa de construção de valores, que podem nos dizer sobre o que o certo e o errado, o bom e o mau, o verdadeiro e o falso para a comunidade em que estamos inseridos.
Juntamente com os mitos, vieram os ritos ou rituais.
‘Rito’ em sânscrito quer dizer “ordem”. A sucessão de rituais dentro de uma comunidade auxilia seus membros a saber o que devem ou não fazer, como agir, que lugar ocupar. Tribos ainda existentes em várias partes do mundo dão exemplos claros do modo ritual de comportamento. Quando qualquer membro é culpado de violar um ritual é expulso da comunidade para morrer na selva, pois sua noção de pertencimento é tamanha, que não sabe como viver fora da tribo.
Nas sociedades mais complexas, os ritos e rituais se transformam em instituições sociais. Elas cumprem o papel de nos informar sobre o que fazer, como agir e quem ser diante da sociedade. Nossa falta de instintos demandou a invenção de forças externas (instituições sociais) que visam manter e ensinar códigos de comportamentos. A humanidade se autocodifica através das instituições.
Segundo Platão, quando os deuses abandonaram a humanidade à própria sorte, obrigou-nos ao autogoverno e para isso inventamos a política – a arte de governar a pólis.

A ideia de liberdade, como um efeito colateral da condição de indeterminação, nos ofereceu uma plasticidade sociocultural, devido nossa natureza carente: carecemos de instintos. Os gregos entenderam isso rapidamente e viram que a liberdade não é exatamente uma qualidade humana, mas uma necessidade. Para aqueles antigos gregos, o mundo é regulado pela categoria da necessidade, que governa a natureza, vista como um fundo perene, que nenhum deus criou. Para eles, tanto os deuses como os humanos vivem dentro da natureza.
Por esses motivos, os antigos gregos formaram uma sociedade e uma cultura fundada pela condição de finitude humana, porque sempre acreditaram que as pessoas são mortais, têm seu limite derradeiro no fim de sua vida. A ideia dos gregos para definir o humano é “aquele que está destinado a morrer”.
Sobre essa verdade insofismável, os antigos gregos construíram uma ética da finitude. Por aquele código não devíamos ultrapassar nossos limites, de modo que não nos tornássemos soberbos, a ponto de imitar os deuses. Os que tentam ultrapassar os limites de sua humanidade preparam a própria ruína. Boa parte do teatro clássico grego representou tragédias e dramas sobre a ascensão e a queda de heróis tomados pela soberba.
Muitos séculos depois, quando emerge para a história o movimento judaico-cristão, a ética grega da finitude humana é abandonada em favor da crença cristã na eternidade da alma. Se no mundo grego, a natureza hospedava tanto deuses como homens, no mundo judaico-cristão a natureza é criatura de Deus e deixa de ser um fundamento neutro, para reproduzir a vontade divina.
Segundo o Genesis, ao fim de cada dia da criação, Deus se cumprimentou por suas obras, afirmando que elas são boas. Deus as cria e recomenda a Adão que o homem as torne em seu domínio. Mas, a dominação do homem sobre o mundo implicou em conhecimento das coisas, por isso a necessidade das tecnologias e das ciências.
Por causa desse ímpeto cristão pelo domínio da natureza, a ciência e a tecnologia tiveram grande avanço. Francis Bacon escreve em seu livro Novum Organun, que “scientia est potentia”. Ali ele escreve com todas as letras que a ciência surge para aliviar o homem das condenações que Deus lhe impôs, quando o expulsou do paraíso: a dor, o conhecimento da morte, a fadiga do trabalho. A ciência nasce como o cumprimento de uma profecia judaico-cristã.
Por isso, no ocidente, é bem difícil não pensar como cristão. Os crentes pensam que o passado é pecado, o presente é penitência e o futuro é salvação. Os cientistas ocidentais pensam que o passado é ignorância, o presente é pesquisa e o futuro, progresso. Os socialistas pensam que o passado é injustiça, o presente é revolução e o futuro é justiça social. Os psicanalistas pensam que o passado é trauma, o presente é análise e o futuro é cura.
Essas relações temporais positivas fazem dos cristãos, melhor dizendo, dos ocidentais, pessoas otimistas. O otimismo também pode ser arrolado como mais uma invenção cristã, já que ao final de tudo o bem irá triunfar. Ao contrário dos antigos gregos, que eram trágicos porque conheciam sua finitude, os cristãos se regozijam, porque jamais conhecerão a morte.
Na modernidade, uma das grandes influências do cristianismo pode ser observada no constituição do iluminismo. O cristianismo está na revolução francesa, carregando as bandeiras da liberdade, igualdade e fraternidade. A liberdade, para os cristãos, é seu destino nos céus. A igualdade provém da crença de que todos somos filhos de deus. Enquanto a fraternidade, o cristão promove em função de seu dever de amar ao próximo.
Para o cristianismo, é muito importante que os homens sejam livres, de modo que possuam o livre-arbítrio, pois do contrário não poderiam ser responsabilizados pelos seus atos, não poderiam ser punidos pelos pecados. A salvação cristã depende da punição dos pecados, caso contrário não haveria a eleição dos justos – todos estariam salvos! Logo, é preciso ser livre para cometer ou não uma ação boa ou má.
A ideia de que o homem é livre, portanto, responsável pelos seus atos, baseia toda a ordem jurídica ocidental, que julga a partir da intensão de agir – ato culposo ou doloso. Curiosidade: quando Oppenheimer inventou a bomba atômica, seria possível responsabilizá-lo por Hiroshima e Nagazaki?
Hoje, no início da era pós-cristã, não se julga mais pela intensão de agir, mas pelo efeito de sua ação, como diz Max Webber. Ética da responsabilidade – a ação é julgada pelo efeito que produz, não mais pela intensão, que ninguém pode julgar corretamente.
No futuro haverá mais liberdade esperando por nós? Difícil dizer: se tivermos como exemplo o otimismo cristão, a resposta é sim. Se os antigos gregos estavam certos em seu modo trágico de pensar, a resposta é não. Há meio termo?

Estética: uma palavra, muitas definições

ESTÉTICA: UMA PALAVRA, MUITAS INDEFINIÇÕES

É com imensa satisfação que escrevo aqui minha primeira coluna na Contemporartes, após um convite irrecusável de nossa amiga Drª Vanisse Simone, com o caloroso endosso dos demais componentes do site, cuja acolhida muito me honrou. Como combinado, vou desenvolver na coluna COGNITIO SENSITIVA, variados temas relacionados com a estética, mas do ponto de vista das teorias do conhecimento, além de assuntos correlatos. Espero poder entusiasmar nossos leitores com perspectivas inusuais, tais como entender a estética a partir de um conhecimento autônomo e independente da filosofia.

Saudações!

Simetria, harmonia, proporção e ritmo perfazem os principais critérios estabelecidos entre os antigos gregos para a definição do que lhes representava a beleza, assim como também a verdade, à maneira de Platão. Uma das clássicas definições de verdade se apresenta como o resultado da mais feliz adequação do pensamento às instâncias do real.
Desde os antigos gregos, a ideia de verdade guarda uma estreita relação com a ordem das letras e dos números. A ideia de que o belo reside em determinados padrões geométricos provém da crença racional de que a verdade é bela, e a beleza só existe na verdade, de modo que ambas (verdade e beleza) produzem o bem. Daqui nasce a trindade platônica formada pelo bem, o belo e a razão (verdade). Constituída por essa tríade metafísica que permeia o senso comum ocidental, nossa percepção da beleza vinculou-se à necessidade de medir e ordenar um mundo melhor.
No entanto, essa relação triangular pouco tem a ver com a estética.
Quando não se tem uma noção precisa do que uma palavra significa, geralmente a transformamos num saco sem fundo onde cabem muitos significados e sentidos. ‘Estética’ é um desses ônibus semântico, com inúmeras definições não conflitivas, devido ao enorme espaço semiótico em que habita. No entanto, se quisermos saciar a curiosidade acerca dos significados possíveis da palavra ‘estética’, devemos iniciar por sua origem etimológica. ‘Estética’ é um termo criado por Alexander Gottlieb Baumgarten (1714-1762), a partir da palavra grega “aísthesis”, que traz o significado de conhecimento do mundo por meio das percepções. Para Baumgarten, a estética é um estudo da sensibilidade como um tipo de cognição – a cognição das coisas particulares, ao invés de conceitos abstratos.
Esse pensador alemão entendeu a estética como uma disciplina técnica capaz de produzir conhecimentos “análogos aos da razão”. De acordo com esta noção de estética, as ‘aparências’ artísticas abandonam seu status de meras ilusões em contraposição às representações lógicas do intelecto, para almejar um caráter de manifestações de verdades e valores essenciais.
O “outro” da razão – o analogon rationis, de que fala Baumgarten –, não pode ser proferido pela lógica linguística ou matemática, por que produz e comunica um pensamento que, semanticamente, está destituído de sentido. O ‘sentido’ formado pela lógica se refere à direção para qual os signos da linguagem apontam seus significados. Elementos estéticos não têm sentido, porque não remetem significados para fora de sua própria estrutura.
Como um conjunto de conhecimentos perceptivos e sensíveis – fruto da experiência do corpo no mundo –, a estética nasce humanista, na medida em que empresta à corporeidade considerável importância na constituição do conhecimento, afastando-se das crenças racionalistas acerca de um suposto vínculo do pensamento com o plano transcendente das ideias universais.
Até o século XVIII, o predomínio de um platonismo teologizado nas filosofias da arte compelia o ocidente a um julgamento do gosto por critérios idealistas da beleza, atada à verdade e à razão. Àquela filosofia da arte cumpria erigir proposições universais que visavam colocar a poética a serviço da evocação do sublime, com o auxílio luxuoso da mimesis, a metateoria da arte ocidental. Os padrões gerais de critério do gosto e da beleza serviam para distinguir e classificar a arte modelar (erudita), em oposição às artes populares ou não-ocidentais, elegendo o eurocentrismo como padrão universal.
Tais ideias acerca da arte, que ainda vigem no século XIX, são resquícios de um platonismo difuso que orientou os diversos idealismos a formar seus valores nos altos nimbos abstratos da razão. Porém, desde Baumgarten, a estética não pode mais ser apenas uma disciplina do critério do gosto e do belo. A estética tradicional que insistia na “sublimação purificadora da arte” não fazia mais do que avaliar o grau de fidelidade da obra em relação aos cânones (modelos abstratos) impostos de antemão, enquanto aplicava o anestésico semântico da crítica, insensibilizando a experiência estética, para reduzi-la à verdade.
Por esse tempo, a arte foi vítima da soberba intelectual, que se acreditou capaz de encontrar nela leis e ordens universais independentes da ação humana. Os cânones que um dia ordenaram a práxis artística no ocidente nunca tiveram algo de natural ou de objetivo – ao contrário, sempre foram interpretações arbitrárias, sujeitas ao modo de ver de cada grupo, tempo e sociedade. Como escreveu em seu livro “Contra a interpretação”, Susan Sontag afirma: “a interpretação é a vingança do intelecto contra a arte”.
Mas, a arte, como qualquer outra experiência estética, é uma projeção da sensibilidade humana, ela não gera vínculos com planos transcendentes, porém é sempre um marco da manifestação de estranhamento que o humano experimenta diante do mundo realmente existente.
O rastro deixado na história do pensamento pelo modo como Baumgarten entendeu a estética começa a reaparecer neste século com o refluxo da maré idealista. Em razão disso, a estética vai deixando de ser filosofia da arte, para voltar a ser um tipo de conhecimento não teorético, do qual faz parte a arte, assim como também um conjunto bem maior de produções humanas inexplicáveis pelas teorias racionalizantes.
Porém, muitos ainda continuam crendo na arte apenas como um processo de comunicação de ideias e ideais, a partir de imitações plásticas de coisas reais ou imaginárias. Por via de consequência, a arte contemporânea é condenada por essa franja da sociedade, pelo pecado da dessemelhança com a verdade, pois ainda entende a finalidade da arte como ilustração de conceitos. Para o senso comum, a obra de arte se torna tanto mais ‘bela’ ou ‘sublime’, quanto mais capaz de oferecer ao fruidor uma elegante mimese narrativa, que o permita comungar de uma ideia familiar bem estabelecida.
Para essa parte do público, a arte só pode ser simbólica, de modo a oferecer uma comunicação semelhante à linguagem, capaz de emular a verdade por meio de uma aparência, que serve de dispositivo didático para o entendimento da inteligência.
Contudo, o grande público também desconfia e alimenta certo temor em relação a todo o campo da arte. Adestrado por Platão, o senso comum repele justamente os elementos dissonantes e insensatos que acompanham o corpo das obras de arte, por conta do que imagina serem desvios “diabólicos”, que rompem com os critérios semânticos e intelectuais (distinção e clareza) da lógica discursiva, distorcendo aquilo que seria a missão e o destino da arte: auxiliar o pensamento inteligível a elucidar a verdade. Para o senso comum, a arte aceitável deve ser uma didática sensível, cujo propósito não poderia ser abandonado à liberdade: a norma da arte deve ser a educação, e a norma da educação é a filosofia.
De qualquer modo, essa estética tradicional, que vê a arte como veículo sensível da verdade, é incomensuravelmente diversa da estética contemporânea, que tende a aumentar progressivamente a distância interposta entre seu pensamento sensível e perceptivo, e a filosofia tradicional da arte, que um dia entendeu a estética como mera crítica objetiva do gosto.
Enquanto todas as coisas estéticas acabam escapando a qualquer definição filosófica, nenhum conceito pode conter uma noção geral da arte. E como a filosofia é um método de produção de conceitos, ela não tem muito o que dizer acerca da estética. Definir a arte como propriedade da teoria é perder de vista sua natureza física. Quando um filósofo tenta produzir uma definição da arte, seu conceito deve tanto excluir o que não é artístico, quanto incluir qualidades artísticas, mas o elemento estético projetado pela obra de arte não pode ser simplesmente eliminado, pois qualquer artefato é uma coisa existente – não é uma ideia que se possa conceituar.
É um dogma do pensamento filosófico a crença, segundo a qual, o conhecimento verdadeiro deve ser traduzido por um conceito abstrato e racional, pois a impermanência da sensorialidade e das aparências do mundo sensível impediriam a formação de uma verdade estável sobre as coisas.
A tradição filosófica lançou fora as impressões dos sentidos físicos, a percepção, a intuição, a emoção e a paixão, considerando-os instrumentos inaptos para elaborar o conhecimento, tratando-os como frutos da ignorância natural do corpo humano. Mas, não seria um contrassenso acreditar que a razão pode, ela mesma, dizer o que é? Essa tarefa não deveria ser realizada por um juízo externo à própria razão, que servisse de parâmetro independente entre os critérios de ignorância e racionalidade?
Se a razão for entendida como purificação e ascese do pensamento, então, a ignorância que ela combate é queda em direção ao mundo, mergulho no devir, cognição da sensibilidade e do corporal, distanciamento do inteligível e do espírito, momento presente, história e mutação. Contudo, é disto aqui que trata a estética.
Hoje, a estética não pode se entender como uma filosofia da arte, ou um empreendimento lógico-filosófico, mas como um campo do conhecimento que tem por base cognitiva a sensibilidade humana, capaz de conhecer o mundo “analogamente à razão”, por meio da experiência do corpo humano em atrito com o mundo real.
O que é o mundo real em que habitamos, senão um emaranhado de forças e relações interdependentes que se misturam e fundem-se rizomaticamente, sempre deixando de ser o que era e vindo a ser coisa diversa? Este não é o mundo da razão, nem dos conceitos universais que definem categorias, classes e identidades, mas o mundo empírico das sensações, das coisas e dos corpos. Aqui, na confusão inconstante do real, o pensamento tradicional da razão não tem como pensar, pois não pode estabelecer conceitos confusos.
Para conhecer o mundo em que vivemos é necessário outro pensamento que não pense apenas de forma lógica, mas que produza cognição a partir da percepção de sintomas das coisas que nos afetam. Ao contrário do que condena a razão, o pensamento estético não é ilusório, nem um perigo – mas análogo ao estado real do mundo.
A distinção lógica dos conceitos é artificial e cultural – não se encontra no mundo, mas na ordem semiótica das linguagens humanas. O mundo não se distingue em espécies, classes, nem em categorias. Conceitos claros e distintos são codificações que permitem aos humanos comunicar ideias acerca do mundo, mas tais ordens são artificiais.
Se a estética é o campo do conhecimento sensível, vinculado às nervuras do real, não tem como continuar a ser um departamento do campo filosófico, encarregado de normatizar a arte. A estética contemporânea tem mais o que fazer do que figurar como um projeto falido da filosofia, que não conseguiu reduzir a arte a conceitos inteligíveis.
Libertar a estética da filosofia também abole em nós a crença lógica no “bem pensar que alcança a verdade” e toda sua vetusta moralidade, que vê na espécie Homo sapiens um elo com a eternidade, capaz de abraçar a causa e a finalidade do mundo. Livre dessa fantasia idealista, a estética pode finalmente auferir conhecimento por meio da ludicidade dos corpos e da realidade material e energética que nos cerca.
A cognição estética é anterior a qualquer silogismo da mais elementar lógica aristotélica. Conhecimento obscuro e confuso, o pensamento sensível evoluiu com o corpo humano, desde milhões de anos, tendo talvez origem em Gaia, a deusa primordial da mitologia grega que representa a Mãe Terra, a sofia ancestral do corpo humano, elemento primitivo de uma potência geratriz inominável.
Não é de hoje que vários pesquisadores vêm nos alertando para outras fontes de conhecimento disponíveis ao humano fora dos rígidos sistemas lógico-gramaticais da veneranda tradição filosófica ocidental. Há muito mais recursos cognitivos em nossas percepções, sensibilidades e paixões do que imagina o velho idealismo platônico de nosso senso comum.