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Ciência em Revista

Reflexões de Andro Le – Africanidades, Literatura Infantil e Circularidade

O curso Africanidades, Literatura Infantil e Circularidades chegou ao fim. Depois de seis encontros semanais entre os dias 10 de agosto à 21 de setembro, o Africanidades tem como enfoque questões etnicos-raciais, dando uma visibilidade maior a cultura negra e trazer um novo protagonismo a partir de uma narrativa decolonial, ele é voltado para a formação de professores da educação básica, focando em educação infantil e ensino fundamental, arte-educadores e educadores sociais e populares.

Ao longo dessas seis semanas, um dos nossos cursistas, chamado Leandro dos Santos Rodrigues, apelidado de Andro Le, fez relatos sobre suas vivencias em suas redes sociais, nos mostrando a importância desse projeto e o que os cursistas levam de aprendizado ao final de cada aula.

Um dos relatos mais emocionantes foi no terceiro encontro do Africanidades, onde uma das cursistas levou um grande cacho de banana para compartilhar com todos durante o café coletivo que o curso promovia. A ideia do café era promover uma troca de carinho e amizades e foi com essas bananas que todos entenderam o verdadeiro significado dessa proposta.

Abaixo o relato completo de Andro Le sobre o café coletivo do Africanidades.

Meu terceiro sábado no Africanidades

Ana havia antecipado…O horário do lanche poderia surpreender com as trocas:

” – Ah! Achei que ninguém ia comer as bananas! Ou você trouxe essa da sua casa?
– Não…Peguei ali na mesa.”

Mildima é uma mulher de 63 anos, filha de Neia, com quem se mudou para a casa de terra fértil la em Poa, interior paulista, cinquenta anos atrás. Neia foi mestra das lições de tato na terra, calendário de plantio e colheita até a doação do fruto:
“Minha mãe que plantou essas bananas… Sonhava em dar, enquanto todo mundo achava que se formariam filas na frente de casa para disputar a tapa.”
Os filhos de Mildima foram criados na mesma casa, adultos tornaram-se musicista e contadora, os dois alargaram a linhagem e incentivam os mais jovens a escutar sobre a especial bisavó. A senhora avó da conversa prazerosa no terceiro encontro do curso de Africanidades, é líder comunitária, trabalha na promotoria legal em defesa de mulheres vítimas de violência doméstica, aliando essa assistência ao cuidado de árvores.
“Outro dia ofereci pencas de banana a dois homens que ajudaram com conserto la em casa, um tinha escolhido a maior e a forma como olhava era de quem não sabia que cortando errado, impediria que crescesse outra” Mas não era com dúvida que dividia isso comigo, seu novo ouvinte atento, com meus “altos” 27 anos; Mildima guarda o elo entre Dona Neia e a doçura da banana que pôs sobre a mesa para estranhos, da mesma firmeza que o elo entre sua opção por não romper com as histórias não escritas de sua infância e seu nome na lista de chamada, caminhos que preparam para nós, tudo o que veio a aprender fora da casa é acréscimo, não substituiu, escondeu o anterior. Nem todos fazem isso.
Culpo Mildima pelo choro contido (ambíguo?) que não tinha conseguido soltar após as fotos do ataque a floresta amazônica, que não tinha conseguido soltar no ato de ontem, dia 23 de agosto. O Sagrado que há em matas, já é inalcançável para quem expulsou a floresta de dentro de si, quem traduz ridiculamente o valor em linguagem mercadológica, capitalista, cotação do minério, agronegócio… Mas pessoas como Mildima, Neia estão la, passando aos jovens sentados aos seus pés, heranças seculares, pertencimento; a terra é despertencente, a Mata, enquanto nós somos Dela, acredito nisso! Ela só pode fazer recordar e convocar em sua defesa quem não a queimou no próprio corpo.
Quantas histórias não escritas queimariam por ordem desses deserdados e infelizes?

Eu pedi um abraço a senhora dona Mildima por sua guarda. Ensine a tantos outros adultos que autorizar entrar no seu jardim, como tocar numa árvore sem impedir o crescimento de novos frutos.

No quarto encontro do Africanidades, tivemos uma aula muito especial sobre Escravidão e Diáspora Africana juntamente com a apresentação dos escritores que são parceiros do nosso projeto, dentre eles, Sophia Aloha, que compartilhou com seus colegas cursistas suas experiências em sala de aula e sobre o que a levou escrever seu livro Oya e os escolhidos.

Andro fez uma linda reflexão com as palavras da Sophia e a desigualdade que observamos dia após dia.

Quarto encontro Africanidades

Sophia é escritora, contadora e educadora. Artista multifacetada nas graças de suas madrinhas na literatura.
Nos idos de 2006, tinha um grupo de jovens alunos de aproximadamente catorze anos sob sua responsabilidade, certa feita, um entre eles a atingiu com uma observação pretensiosa e crua, tendo diante dele a figura de uma orixá:
– Tem deus com a minha Cor?
Afugentando o espanto, Sophia pôde devolver a ele:
– Nao só um. Tem um panteão.
Todavia, tampouco deveria saber o menino o que significava panteão. O livro com um deus negro estreava ele próprio na ânsia pela leitura.
Talvez renovasse a esperança de ter suas orações atendidas por um Senhor a quem pudesse falar da alvura dos ofensores.
O Brasil da igualdade racial, onde um menino de catorze anos, matriculado, pega um livro pela primeira vez… Onde alguns alunos negros de escolas públicas alcançam terceiro ano do ensino Médio sem estarem alfabetizados, evitando a sala porque os colegas que sabem, zombam.
Sophia pediu apoio a babalorixas, yalorixas para criação de “Oya e os escolhidos”, primeira obra com aparição de jovens negros combinando super poderes concedidos pelos orixás.

Passam anos e a mágoa continua, a gente crescido se reconhece na mágoa da criança que descobre sua identidade pelo medo do outro, pelo nojo, pela professora do primário que finge que não viu a mão levantada, pela exclusão das excursões escolares, pela advertência mais dura.

Depois da aula que não vi até o fim, fui até a Paulista. Na Saída do metrô Uma menina de não mais que dois anos com chupeta e Uma camiseta da seleção suja, correndo entre varias pernas, todos brancos, nenhum baixa a cabeça e repara naquele tico de criança, ganhando distância da Mãe que fuma um cigarro sobre um cobertor. Eu me afasto assim que tenho certeza que a menina esta correndo distraída em um canto sem pernas que a derrubem

Relatos como esse faz com que o Africanidades cresça com mais força e amor, sabendo que todo o trabalho está gerando tantas reflexões e compaixão. É uma pena que tenha chegado ao fim, sabendo que essas trocas não acontecerão mais todos os sábados, mas continuarão no coração de todos.

“Eram os mais velhos que sorriam
Avistando a criançada lembrada de tocar
A brincadeira dentro de si, tinham
Marchando e girando, marabaixo, agogô, mar amar

Era uma mina, um país, estivador negro no cais
Corda ao cadafalso, explosão e estilhaço
Luto entre irmãos, quantos “- Vai!” A guerra traz?
Vela ao mastro, paixão e continental abraço.

Até mais, gente.

Cuidado até o último instante. Essa comissão vigilante, pousando a mão no ombro, perguntando se faltava alguma coisa mais de uma vez, sentando por último. Peito ficou apertado.
Inesquecível. Obrigado!”

Texto escrito por Luana Zanella a partir das Reflexões de Andro Le (Leandro dos Santos Rodrigues)

(Textos retirados do facebook)

 

 

A HISTÓRIA DA CIÊNCIA COMO FERRAMENTA PARA A COMPREENSÃO DOS SABERES E DAS DINÂMICAS DA AGRICULTURA URBANA.

A HISTÓRIA DA CIÊNCIA COMO FERRAMENTA PARA A COMPREENSÃO DOS SABERES E DAS DINÂMICAS DA AGRICULTURA URBANA.

 

 

Júlia Alice Vila Furgeri¹

Ana Maria Dietrich²

 

RESUMO:

            A agricultura urbana é prática que vem ganhando espaço como movimento ecológico e de promoção da segurança nutricional, mas também como via de afirmação da identidade cultural e da soberania alimentar. A investigação deste fenômeno através da abordagem da História da Ciência, reconhecendo as práticas e processos da agricultura urbana como expressão etnocientífica o cultivo comunitário como espaço de educação ambiental não formal pode ajudar a compreender as dinâmicas e confluências culturais nas relações entre as pessoas e o ambiente urbano.

 

PALAVRAS-CHAVE: agricultura urbana, etnoecologia urbana, história das ciências.

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

A paisagem humana é uma combinação de vários tempos presentes. Na verdade, paisagem e espaço são sempre uma espécie de palimpsesto onde, mediante acumulações e substituições, a ação das diferentes gerações se superpõe. O espaço constitui a matriz sobre a qual as novas ações substituem as ações passadas. É ele, portanto, presente, porque passado e futuro.” (SANTOS, 2008, p.104)

 

A concentração da população nos centros urbanos…

Leia o artigo completo aqui

A ARTETERAPIA COMO FONTE DE DESCOBERTA DO INDIVÍDUO

Elizabete Batista da Silva Lima

 

A estrutura da psique humana é como um vasto oceano (inconsciente) no qual emerge uma pequena ilha (consciente).

CARL GUSTAV JUNG

 

RESUMO

 

Esse artigo tem como objetivo destacar a importância da Arteterapia que promove a expressão de forças internas, libera informações reprimidas até a consciência, facilitando a transformação da pessoa e o desenvolvimento de sua personalidade como um todo. Através das técnicas de Arteterapia, são oferecidos materiais plásticos diversos para que o indivíduo possa fazer a escolha do que lhe for mais apropriado. Esses materiais, atendendo às singularidades do indivíduo, funcionam como instrumentos para ativar a criatividade e transmitir à consciência informações oriundas do inconsciente. A atividade criativa libera sentimentos, assume transformações analógicas. O processo criativo é terapêutico e enriquecedor e que, em certas pessoas, podem ampliar o conhecimento de si e dos outros.

 

Palavras-chave: Arteterapia. Criatividade. Arte. Conhecimento.

ARTETHERAPY AS A FOUNTAIN OF THENDIVIDUAL’S   DISCOVERY

 

ABSTRACT

 

This article aims to highlight the importance of Art Therapy that promotes the expression of internal forces, releases repressed information to consciousness, facilitating the transformation of the person and the development of his personality as a whole. Through the techniques of Art Therapy, various plastic materials are offered so that the individual can make the choice of what is most appropriate. These materials, serving the singularities of the individual, function as tools to activate creativity and transmit to consciousness information from the unconscious. Creative activity liberates feelings, takes on analogical transformations. The creative process is therapeutic and enriching and, in certain people, can broaden the knowledge of self and others.

 

Keywords: Art therapy. Creativity. Art. Knowledge.

 

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Ensino Básico em Direitos Humanos e possibilidades das redes virtuais de aprendizagem em diálogo com a metodologia da História Nova

Anita Iracema Simão

Ana Maria Dietrich

Geovanni Cabral

Resumo

 

A questão da violência na sociedade atual é latente. As desigualdades sociais continuam a crescer e os conflitos sociais tomaram cada vez mais a forma de racismo, sexismo, rivalidades étnicas religiosas, xenofobia, ultranacionalismo e homofobia.

A sociedade e a academia apontam para a escola de Educação Básica como o lugar onde podemos resolver esta situação, pois para eles é o lugar onde se deve ensinar sobre direitos humanos. Se a escola é este lugar, será que os professores e toda comunidade escolar estão preparados para trabalhar este tema? Será que o discurso dos professores e comunidade condizem com suas práticas diárias em direitos humanos?

Após um estudo prévio do Currículo Escolar da Educação Básica no Estado de São Paulo e a observação das práticas pedagógicas dos docentes, pode-se constatar que o tema Direitos Humanos é pouco trabalhado nas salas de aula e observa-se que muitas vezes o professor, por desconhecimento ou não achar o tema de responsabilidade da sua disciplina, não trata os Direitos Humanos com a importância e profundidade acadêmica que ele merece. Pensando no pouco conhecimento e/ou desconhecimento dos professores sobre os temas que geram a violência, propõem-se mapear as suas causas nas escolas da Diretoria de Ensino da cidade de São Bernardo do Campo. Após a tabulação dos dados pretende-se oferecer as escolas os resultados e convidá-las a participar de Grupo de Pesquisa em Direitos Humanos e Grupo de Estudo que desenvolva planos de aula com a temática de Direitos Humanos. Além disso, nos grupos de Plano de Aula pretende-se analisar junto com o professor os resultados e propor sugestões pedagógicas para que o professor seja multiplicador dos ideais da Declaração Universal de Direitos Humanos de 1948 proposta pela ONU.

Nesta perspectiva de construir colaborativamente com os professores da Rede Pública de Ensino alternativas para minimizar/solucionar a negação e violação dos Direitos Humanos fez-se fundamental a escolha da Universidade Federal do ABC que prima pela interdisciplinaridade, inclusão social e excelência.

Para a maior compreensão das violações dos Direitos Humanos conversarei com os métodos propostos pela História Nova e seus autores como Marc Bloc e Jacques Le Goff autores estes propostos na disciplina de Metodologia e Historiografia das Ciências e Matemática, ministrada pela Prof.ª Drª Ana Maria Dietrich, no Programa do Mestrado de Ensino História das Ciências e Matemática da Universidade Federal do ABC (UFABC).

 

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Arte e História: um diálogo possível em sala de aula?

Paula Nathaiane de Jesus da Silva

Mestranda, vinculada ao Programa de Pós Graduação em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora-UFJF. Licenciada em Educação Infantil pelo Instituto Estadual de Educação-IEE.2010-2011. E-mail: paula_nathaiane@yahoo.com.br

 

Resumo

 

Este artigo se furta a tratar da relação interdisciplinar entre História e Arte no campo da educação. Propomos uma breve discussão que permeia o questionamento de até que ponto é possível a um professor de História se apropriar das artes plásticas especificamente, como ferramenta de ensino em sala de aula, sem deixar a mesma como secundária, ou fugir do ensino tradicional, tratando-a como mera ilustração? Este ponto bem como as dificuldades que se encontra ao fazer esta escolha é o que vamos abordar em nosso texto.

 

Palavras-Chaves: Iconografia, História, Ensino, Educação.

 

Art and History: a possible dialogue in the classroom?

 

Abstract

 

This article evokes the interdisciplinary relationship between History and Art in the field of education. We propose a brief discussion that permeates the questioning of the extent to which it is possible for a history teacher to appropriate the plastic arts specifically as a teaching tool in the classroom without leaving it as secondary or to escape from traditional teaching, as a mere illustration? This point as well as the difficulties encountered in making this choice is what we will address in our text.

 

Keywords: Iconography, History, Education, Education.

 

Introdução

 

A escolha pela temática se dá pelo fato de atualmente desenvolvermos uma pesquisa relacionada ao campo da História da Arte que, devida a nossa formação, transpassa pelo campo da educação. Lembramos vagamente do nosso tempo de escola, poucas foram as memórias que se fazem presente. Das aulas de arte e de história, são poucas lembranças que recordamos, mas que são muito pertinentes para abrir a discussão.

Sempre estudamos em escola pública, nos anos 90.Naquela época, não havia a possibilidade de se utilizar um Datashow em sala de aula. A única tecnologia que possuíamos, era a televisão e o aparelho videocassete para assistir filmes ou documentários, localizada na biblioteca da escola, sendo que a mesma, só possuía um único aparelho, ou seja, uma televisão e um vídeo cassete para atender todas as classes-momentos raros em minha trajetória de aprendizado. As aulas seguiam uma linha tradicional, com leituras dos capítulos do livro e realização das atividades do mesmo. As poucas imagens que os livros traziam, na sua grande maioria pinturas, recordamos que não fora problematizada pelo professor em nenhum momento. Simplesmente era passado direto. Nós, enquanto alunos, também não nos pronunciávamos em relação a elas.

As aulas de artes, era uma alegria! Uma pena ser somente uma vez na semana. Sempre ficávamos ansiosos pela aula. Em algumas séries, recordamos que as atividades propostas incluíam algumas reproduções de obras, uma marcante foi Abaporu, da artista brasileira Tarsila do Amaral(1886-1973), colocada no quadro da sala, imprensa em uma folha A4, pela professora. Foi a primeira vez que nos deparamos com a obra, não fora explanado pela professora, seu contexto e importância para as artes brasileiras.Somente tínhamos que fazer uma reprodução da obra. Nossa sensação fora de estranheza, perguntas permeavam nossa mente, como: “Porque alguém pintaria uma tela representando uma pessoa com pernas e nariz tão grandes? Isso não é bonito.” Mas, também enquanto aluno, ninguém questionava nada. Simplesmente fazíamos o que tinha que ser feito.

Sabemos que o questionamento faz parte da aprendizagem. Em nossas lembranças aqui citadas, as imagens, utilizadas como ferramenta de ensino, no caso da aula de artes, não fora feito e, poderíamos ter aproveitado muito mais da aula se tivesse ocorrido, tanto da parte do professor, tanto do aluno. Já na lembrança das aulas de história, as imagens não eram citadas durante o processo de aprendizagem. Elas não compõem o corpo do texto do livro para servir de ilustração, as imagens falam, possuem signos e são um código de comunicação.

Assim, nos questionamos: Como trabalhar com pinturas no ensino de História em sala de aula? Como elas podem cooperar para agregar mais significação na aprendizagem dos alunos e no ofício de professor?

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