• Home
  • Author: Rafael C. Braga

Author: Rafael C. Braga

Poesias, imagens…

Poesia não é fórmula matemática, e a ciência não é capaz de explicá-la…

Também por estes motivos, quando se cria uma imagem a partir de um poema, ou vice-versa, o resultado sempre sairá diferente. Uma pessoa que de forma livre desenha, pinta ou fotografa inspirada por uma poesia, obterá um resultado único. Da mesma maneira, cada um de nós que escrever inspirado em imagens, tanto reais, quanto fictícias ou imaginárias, escreverá algo singular, e isto porque o elemento “humano” não é exato, ele se conecta com a Poesia das coisas (igualmente inexata), e seus frutos são sempre novos e muitas vezes inesperados…

Esta foi somente uma breve introdução para mostrar a vocês os resultados de algumas experiências envolvendo Poesia e imagem.

Abaixo estão poemas de minha autoria (Victor Canti) que serviram de inspiração para as ilustrações da artista Júlia Niero Páfaro:

Flor, imagem e essência
Paciência em vida
Existência visível da esperança

Flor – Ilustração 1

Flor – Ilustração 2

 

O Grande Ditador

Pólvora, sinto seu gosto e sua fúria
Ao meu irmão e a mim feriu no peito
Um rio sedento de ambição e de lamúria
Conduziu a nação ao mesmo leito

No coração de ferro pulsa óleo
Comprado à custa de sangue humano
É o ouro negro das misérias
Entupindo-nos em ambiente urbano

Ruas mortas, acinzentadas
Hora do toque de recolher
A estupidez está armada
Em busca de glória e poder

Precisamos de força renovada
Não a mesma que faz sofrer
O amor é a evolução da estrada
Unindo-nos para verdadeiramente Ser

O Grande Ditador 1

O Grande Ditador 2

 

É feito na causa

O efeito é a causa
Do efeito da causa
Efeito que causa
Causa efeito causa
Causa que causa
Efeito causa causa
Efeito na causa

É feito na causa

 

Este é um outro exemplo, em que uma fotografia que tirei serviu de inspiração para a escrita de um amigo de longa data, Mateus Rosa:

Das partes que deixamos passar…

Espaços…
Vãos…
Inválidos?
Ou válidos?
(…)
Como saber?
(reticências novamente)

E por fim, uma fotografia feita pelo Mateus que também me serviu de inspiração para escrita:

Foto: Mateus Rosa

O fato que alimenta
o fado
é fardo
Pesadelo

aglomerado de cinzas
na glória
dos pulmões petrificados…

“A complexidade da Poesia é a mesma da existência / bem maior do que se pensa…”

Autoconhecimento e Poesia

Há Poemas que são Mundos, e pequenos versos que dizem Tudo…

Dentro do Caos e da desordem há Poetas

Só observando, mudos…

 

Quando leio ou ouço poesias, particularmente me volto ao que existe de único em cada uma delas. Digo isso porque, sempre vejo nos poemas dos outros e nos próprios, elementos que carregam as identidades dos autores, e estas são as marcas muitas vezes sutis que nos levam ao mundo interior de cada poeta.

A poesia, para mim, nasceu como um rio que transbordou por não suportar mais o grande volume de sentimentos, emoções e pensamentos acumulados ao longo da Vida. Ela nasceu violenta, autocrítica das ações e atitudes tomadas até então, e avançou revoltosa, cheia de fúria e de mágoas, buscando além da expansão, o alívio, a serenidade e a compreensão dos trajetos que a Vida estava seguindo, questionando os sentidos, as explicações dos fatos, e principalmente a si mesma.

A PoesiaVida desejava estender-se e entender-se como jamais havia tentado. Era um processo de reflexão sobre si e sobre o mundo, sobre as relações entre os “dois”, sobre seus conflitos. Um processo de destruição e também criação de si, sendo sua auto cura, porque o mundo de antes já não lhe servia mais. E assim a Poesia se desvelava, mostrava-se nua em frente ao espelho e, então, desejava saber o que era este mesmo espelho…

Desta forma se iniciou minha relação com a escrita poética, e posteriormente com a Filosofia. A busca por se entender e autoconhecer se utilizava da caneta e do papel, e assim, o que se via poeticamente dentro e fora de si, se expressava, se materializava.

A Poesia, desde então, mostrou-me muitas vezes quem fui e quem sou. Ela também foi capaz de revelar o que desejo Ser e o que posso me tornar. A Poesia é, portanto, eu mesmo. Ela também é você quando a escreve, quando a lê e relê. Ela tem esse poder de ser ao menos um pouco de nós, mas por vezes ela é o Todo, ela É, como já disse em outra ocasião, a própria Vida.

Para finalizar, duas poesias que foram escritas nesta busca:

Demora

Seja o medo, medo ele
O medo possa amedrontar
E na sombra, própria sombra
Uma trilha possa achar

A distância das ideias
Deixa o Sol engrandecer
Enquanto as sombras se desfazem
Para tudo conhecer

E conheceste o futuro
Nunca mais há de esquecer
De uma vida tão real
Que demora pra nascer

Seja mundo, mundo fértil
E não tema o sofrer
Pela hora da verdade
O que quer é ser você!

Zero Igual a Um

Vida e poesia

Esta primeira publicação da coluna PoetiVidade é dedicada a pensar a Poesia como um estado de Vida. Poesia como própria Vida que se desvela perante o olhar e os pensamentos do Poeta.