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Author: Izabel Liviski

A ARTE E A CIÊNCIA DE IMPLANTAR UMA BIBLIOTECA….

Destacamos neste Espaço do Leitor, o trabalho de Sonia Mara Saldanha Bach Passot*, à frente da Biblioteca do Campus Rebouças da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que ajudou a criar desde os primeiros passos até a sua implantação final. A Biblioteca foi inagurada em 2016 e encontra-se em fase de conclusão. Em breve atenderá os alunos e a comunidade. Com a palavra, sua principal idealizadora:

 

 “Em 2010, recebemos uma boa notícia: a Universidade ganhou um novo campus, com a construção de três blocos no bairro Rebouças. Essa área, cedida pelo governo federal, possibilitará a redistribuição dos espaços do edifício D. Pedro I, na Reitoria, passando a abrigar, futuramente, os cursos de Educação, Psicologia e Turismo. Mais tarde, também está prevista a abertura de dois novos cursos: Biblioteconomia e Museologia.

O anexo A, logo na entrada, abrigará a Biblioteca do Campus Rebouças e terá três pavimentos. A área total ocupada pela Biblioteca será de 2.177,87 m2 e sua denominação oficial é “Biblioteca do Campus Rebouças”, com a sigla “RB”. A nova biblioteca dará importante apoio e complementação às atividades universitárias, através dos serviços ofertados, do material bibliográfico disponível e do mobiliário concebido e adquirido. Daí a importância do cargo de bibliotecária – responsável dessa unidade, como coordenadora de todos os esforços para bem atender à comunidade universitária do setor.

Balcão de atendimento

 

HISTÓRICO

Em 11 de fevereiro de 2012, a Direção do SiBi convidou-me para assumir a chefia da nova biblioteca. Aceitamos de imediato, muito honrada, mas, ao mesmo tempo, com toda humildade, consciente não só das nossas próprias limitações, como da complexidade dessa tarefa. Assumir uma biblioteca ainda em fase de implantação, partindo quase do zero, é tarefa muito diversa das atribuições normais, pois tudo está para ser planejado, calculado, solicitado, instalado, etc…

Porém, acima de tudo, o que nos motivou foi a vontade de devolver à Universidade um pouco do muito que dela recebemos, pois, servidora desta instituição desde 1991, foi na UFPR que fizemos nosso curso de graduação em biblioteconomia e, também graças a ela, que conseguimos concluir nosso curso de mestrado, em Lyon, na França, além de outras experiências maravilhosas ao longo da nossa carreira. É, portanto, com satisfação que apresentamos este relato onde procuramos registrar, de modo geral, todas as atividades que conseguimos desenvolver ao longo dos cinco anos e meio de trabalho.

Detalhe da sala de pesquisa e acesso à internet

 

O PROJETO ESTRUTURAL

Nossa primeira providência foi conhecer, imediatamente, o novo espaço, onde as obras estavam em pleno andamento, com o prédio do anexo A quase concluído e dois elevadores externos instalados. O piso, emborrachado e anti – derrapante, já estava pronto. Logo marcamos um encontro com a arquiteta responsável, que nos recebeu com toda amabilidade. Fizemos algumas mudanças no layout, discutindo a questão da distribuição dos espaços e do mobiliário, e também solicitamos algumas mudanças na sala de referência e da chefia.

Essa foi à primeira de uma série de reuniões com a arquiteta, ao longo de todo o ano de 2012, onde discutimos detalhes, apresentamos sugestões, pedidos de modificações, melhoramentos, etc. sempre procurando trabalhar de forma conjunta com a responsável pelo projeto e Inspirada na Biblioteca Marie Curie, de Lyon, na França escolhemos a cor das paredes e das estantes, de tal forma que transmitissem a imagem de uma biblioteca viva, atuante, aberta a inovações.

Estantes inspiradas na Biblioteca Marie Curie, de Lyon, França.

Naturalmente, não esquecemos os recursos de tecnologia na biblioteca, com muitos computadores, vários pontos de acesso e cabines individuais com Internet wifi e rede lógica. Os critérios de acessibilidade e inclusão social para pessoas com deficiências também foram observados, contemplando os espaços para este publico, desde banheiros adaptados até a distância entre estantes que permitem a circulação de cadeiras de rodas, sempre de acordo com a legislação atual do MEC.

Outro cuidado nosso foi reservar um espaço apropriado para exposições. Como nossa visão de biblioteca é de, essencialmente, um espaço cultural, pretendemos, realizar, continuamente, exposições com novos temas a cada mês, em conjunto com os departamentos, professores e os estudantes. Nossa experiência como coordenadora da Exposição Franco Brasileira de Imagens Submarinas, realizada no setor litoral da UFPR, de 21 a 25 de novembro de 2012, funcionou como um treinamento no planejamento, divisão dos espaços, divulgação do evento na mídia, etc.

Recepção e sala de descanso.

Atualmente, a parte física da construção está terminada. Outra providencia imediata foi redigir o projeto dos recursos humanos, fazendo a previsão de usuários potenciais e a quantidade de servidores necessários, delimitando assim as necessidades da comunidade universitária. Para tanto, calculamos um número aproximado de 2.340 usuários potenciais. Para oferecer um serviço de qualidade na Biblioteca RB, levantamos a necessidade dos seguintes servidores: 4 bibliotecários, 1 bibliotecário sênior, 4 auxiliares administrativos (ou auxiliares de biblioteca); além de estagiários e bolsistas. Atualmente lotados nesta Biblioteca do campus Rebouças, embora ainda esteja funcionando no prédio da biblioteca de ciências Humanas temos quatro servidores oficiais.

Estes funcionários adiantam o trabalho de preparação do material para ser transferido para a Biblioteca do Campus Rebouças, desde que seja autorizada esta mudança. A preparação consiste na classificação, inclusão dos livros no Sophia, catalogação, classificação das teses e dissertações, atribuição do Cutter, troca de etiquetas, inclusão da Coleção Retrospectiva, listas de aquisições etc., tanto do material já presente na Biblioteca CH quanto dos novos volumes que estão chegando. Além disto, contamos com o apoio de 3 estagiários que nos foi repassado pela Direção do SiBi, do programa Bolsa SiBi.

Funcionários e diretora da bilbioteca

Estes alunos fazem um trabalho de complementação juntamente com os funcionários, e suas atividades são: Atendimento ao publico, reposição de livros nas estantes, auxilio no preparo técnico de livros e periódicos, inserção de livros no programa de Gerenciamento das Bibliotecas denominado Sophia, carimbo, etiquetagem, fitilhamento dos livros, auxilio no atendimento do Setor de Empréstimo, entre outros.

ACERVO

Para atender aos cursos de Educação e Turismo da UFPR (que hoje funcionam no Edif. D. Pedro I, na Reitoria e que serão transferidos para o campus Rebouças), está prevista a constituição de um acervo inicial de 50.000 títulos entre livros e periódicos. Foi formado um grupo de estudos na Biblioteca CH para discutir a divisão do acervo da Biblioteca de Ciências Humanas, com a retirada do material pertencente às duas áreas que serão transferidas. Essa divisão, aparentemente simples, envolve questões como os critérios para divisão das obras de referência, das obras multidisciplinares, das obras raras, das teses e dissertações, etc.

 

A Biblioteca Rebouças conta com variado e completo acervo de livros

Tudo isso foi abordado em duas reuniões, que contaram com a presença da chefe e de algumas bibliotecárias da CH e dos professores do Comitê de Usuários, que são representantes dos cursos de Educação e Turismo. Nessas reuniões também foi debatida a questão da necessidade de aquisição de novos títulos de livros. Além do material trazido da Biblioteca CH, também está sendo efetuada a compra de novos livros, nas duas áreas especificas conhecimento, (Educação e Turismo) para atender às crescentes demandas das atividades de ensino, pesquisa e extensão.

Participamos de varias reuniões com o Reitor (naquela época) da UFPR, prof. Dr. Zaki Akel Sobrinho, e o pró-reitor da Pró Reitoria de Administração a época (PRA), prof. Dr. Paulo Kruger, onde apresentamos o levantamento total dos custos para as compras desse primeiro momento, calculadas em aproximadamente R$ 380 mil reais. Recurso este, repassado pelo Reitor da UFPR a época, prof. dr. Zaki Akel Sobrinho para aquisição do mobiliário. (Foi repassada uma parte e posteriormente completado o valor total solicitado à época).

A diretora, funcionários e convidados no dia da inauguração

MOBILIÁRIO

Elaboramos um projeto para aquisição do mobiliário adequado para acondicionar o acervo e para atender funcionários, estudantes e professores. Planejamos o espaço disponível para as estantes de livros e calculamos quantos metros lineares seriam necessários. A distribuição do mobiliário também foi outro tema de conversas com a arquiteta, ao longo de todo ano. Como todas as aquisições da UFPR são feitas via pregões, fizemos reuniões com Setor de Compras do Sistema de Bibliotecas (SiBi) onde tivemos o apoio fundamental para o empenhamento das despesas, o pagamento propriamente dito, sem o qual as compras não se efetivam e adquirimos mobiliários, computadores, sistema anti-furtos e equipamentos gerais, em um total de R$ 381.984,00.

Naturalmente, tivemos que passar por todos os trâmites legais: orçamento pelas empresas, encaminhamento do projeto, avaliação e abertura de processo no SiBi, abertura de licitação através do DSG, lançamento do edital, inscrição das empresas, licitação propriamente dita, entre outros. Esses pregões foram realizados entre agosto e setembro/12, e posteriormente entre julho e agosto de 2016 quando finalizamos as compras do mobiliário necessário. A partir de dezembro 2012, ate agosto de 2016 recebemos material e iniciamos a montagem dos móveis, começando pelas estantes dos livros. Hoje, já estamos com 100% das aquisições entregues, todo o mobiliário está montado.

Vista geral da biblioteca

Contamos como o auxílio inestimável dos servidores da Biblioteca HE, assim como o pessoal terceirizado do Setor de manutenção da UFPR que auxiliaram no recebimento e distribuição do material nas dependências de dois, dos três andares da Biblioteca RB. Tão importante quanto à compra do mobiliário é a correta adequação do mobiliário da biblioteca aos seus usuários. Assim, após termos debatido a questão ergonômica desses móveis com a profa. Iranise Moro Pereira Jorge, professora de Terapia Ocupacional, da UFPR, que, juntamente com alunas do curso, implantou um projeto de ergonomia na biblioteca do Campus Rebouças.

Ela nos orientou sobre a melhor organização e disposição das cadeiras, altura adequada das mesas, computadores, fizemos varias reuniões de trabalho, quando com a sua equipe conheceu o local e fez a metragem estabelecendo os locais adequados para recolocação das estantes e cabines individuais dos alunos. Suas atividades ao longo de quase dois anos contemplaram: a organização dos espaços e diagnostico da Biblioteca por Aline Klein, o planejamento das estantes e seus acervos Ellen G. Sakowicz e a reforma do balcão de empréstimo por Aline Ávila, dentro dos padrões ergonômicos resultando em um artigo científico, disponível em:

http://www.cadernosdeterapiaocupacional.ufscar.br/index.php/cadernos/article/view/1346

A preocupação com o material reciclável recebido na biblioteca, como caixas de papelão, isopor, etc., também esteve presente em nosso planejamento. Acionamos o setor de Gestão Ambiental, da UFPR, e a Kombi dessa unidade recolheu, sempre que necessário, tudo que poderia ser reaproveitado. Durante todo este tempo mantivemos contato frequente com a direção do SIBI, que, com toda boa vontade e eficiência, sempre nos apoiou.

Vista externa do biblioteca, espaço do estacionamento

Em reuniões, apresentamos os projetos de mobiliário e de recursos humanos. Em outra ocasião, no local da própria biblioteca, debatemos o layout e a distribuição dos móveis, abordamos a questão dos funcionários da Biblioteca RB, as medidas necessárias para a organização do espaço físico da biblioteca. Também através de e-mails, temos apresentado o andamento dos trabalhos, sempre submetendo à sua aprovação as atividades desenvolvidas e os novos objetivos a serem atingidos.

A BIBLIOTECA RB

Quem entra na Biblioteca do Campus Rebouças, depois de passar pelo portal antifurto (já em condições de funcionar), encontra um espaçoso balcão de empréstimos, de granito preto e madeira. À esquerda do recinto, estão instalados os guarda-volumes com chaves, ao lado de uma divisória. Neste lado, com parede cor laranja, estão as salas para treinamento de usuários e para a bibliotecária de referência. Também deste lado, esta uma sala de recepção, com sofá e poltronas para os usuários que quiserem relaxar lendo um livro ou simplesmente aguardar alguém.

Equipamentos de segurança

À direita, o principal destaque é o amplo espaço reservado para exposições, em frente à sala da bibliotecária-responsável, que assim tem visão estratégica de todo o andar. A parede lateral, colorida em ocre, promete ressaltar muito bem os cartazes com os títulos das futuras exposições. Também neste andar, ficam situadas três salas, que serão salas para estudos e para o Projeto Arte na Escola. Subindo a escada com corrimão azul (o que facilita a visualização e aumenta a segurança de quem sobe), ou pelo elevador, chega-se ao segundo andar. À direita, ficam as cabines de estudo, as estantes vermelhas da Biccateca (que abrigarão uma parte das coleções bibliográficas) e a sala da bibliotecária desse setor.

À esquerda, estão as estantes de cor cinza, (que abrigarão outra parte das coleções bibliográficas). Um agradável espaço para leitura com poltronas confortáveis e coloridas. Calculamos em 1.084 metros lineares a quantidade de estantes necessárias para abrigar o acervo. Neste andar, há dois banheiros, masculino e feminino, já com as instalações prontas. A copa para os funcionários está pronta e possui geladeira, forno micro-ondas, pia e armários, além de uma pequena mesa com cadeiras. Logo em frente à escada, há uma saída do andar, com elevadores, que funcionará como saída de emergência.

Vista geral da biblioteca

O terceiro andar da Biblioteca será ocupado temporariamente pelos Professores e Estudantes que utilizarão os laboratórios do Setor de Educação já instalados. Todas as salas do 1°. e 2°. andar, onde ficarão os funcionários, já estão com o mobiliário (escrivaninhas, armários, etc.) montado. As cadeiras e poltronas, já entregues e montadas, ainda devem ser distribuídas pelas salas. Os extintores de incêndio estão instalados. A iluminação está funcionando bem. As persianas para as janelas (que já possuem grades e aparadores anti-sol) também estão colocados. Concretizamos nosso ideal de um ambiente amplo, agradável, bem arejado, que proporcione condições para pesquisas e uma boa visualização a todos os usuários, e onde o material bibliográfico fique bem organizado e preservado.

Os telefones e a Internet, tanto a rede logica quanto a rede wifi estão instalados no primeiro andar. Aguardamos em médio prazo a liberação para: Embalar, transportar e reorganizar o acervo retirado da Biblioteca de Ciências Humanas, com o material dos cursos de Educação e Turismo. (o Curso de Psicologia decidiu declinar da mudança para o Campus Rebouças). Implantar um projeto de Comunicação Visual, nos moldes do projeto já implantado na Biblioteca de Ciências Humanas (CH). Uma boa sinalização favorece o autoatendimento do usuário e diminuem a necessidade de simples orientação feita pelos funcionários, que assim têm mais tempo livres para o atendimento as demandas de pesquisas.

Conseguir material especializado para a realização de exposições (painéis, vitrines fechadas, suportes para quadros suspensos, etc.), dotando assim a biblioteca da infraestrutura necessária para a realização desses eventos. Prevendo os avanços e inovações do serviço bibliotecário, já cogitamos implantar, futuramente, dois terminais de autoatendimentos aos usuários, um para auto empréstimos e outro para auto devoluções.

Equipe de funcionários e diretora

Queremos ainda acrescentar que algumas questões importantes com relação ao envolvimento da Biblioteca no processo de atendimento do seu publico: Atuando no nível educacional, a biblioteca terá como objetivo fornecer aos estudantes os meios para desenvolver sua autonomia dentro dos espaços da Biblioteca. Valorizar os serviços de referencia, comutação bibliográfica, suporte aos professores, treinamentos em base de dados para pesquisas cientificas, exposições culturais em parcerias com os coordenadores e professores dos cursos objetivando suscitar a curiosidade e a interdisciplinaridade entre os estudantes (fotografias, objetos de artes), acesso aos computadores, às salas de estudos.

No nível científico, a biblioteca terá como objetivo proporcionar aos pesquisadores, professores, estudantes e comunidade o apoio à atividade científica. Trabalharemos com todos os recursos disponíveis e úteis para o desenvolvimento de pesquisas de qualidade e de informação. Ao longo dos anos, iremos refinando os objetivos, direcionando-os para integrar os desenvolvimentos educacionais e científicos na criação e evolução da tecnologia da informação e comunicação.

Balcão de empréstimos depois de reformado

A Biblioteca do Campus Rebouças foi inaugurada oficialmente em 16 de dezembro de 2016 apesar de todas as dificuldades e atualmente a mudança ainda não ocorreu devido aos imprevistos em relação à ocupação deste espaço. Desenhou- se um novo cenário que poderá ser visto neste endereço:

https://drive.google.com/file/d/0B-3SCJ4bUcs-MzczeVR0TzZpSUU/view“.

Texto: *Sonia Mara Saldanha Bach Passot

Percurso profissional  :

2017: Estágio profissional período 3 meses de fevereiro a abril em bibliotecas na França:
Lyon:
1 – Bibliothèque Universitaire – Lyon 1 – Espace Creativity & Learning

2 – EMLyon Business School Espace Creativity & Learning Hub Crédit Agricole

3 – Bibliothèque de l’Enssib – école nationale superieure des sciences de l’information et des bibliotheques

Paris: Bibliothèque de l’INHA – Institut Nationale de l’Histoire de l’art – Salle Labrouste

Lille: Bibliothèque Universitaire – LILLIAD Learning center innovation

2017: Universidade de Michigan período 20 – 24 maio 2017
E.U.A University of Michigan Library situada em Ann Arbor

Desde 2012: Responsável pela Biblioteca do Campus Rebouças da Universidade Federal do Paraná.
2008 – 2010: Mestrado Profissional « Ciências da Informação e de Bibliotecas» (SIB) na ENSSIB em parceria com a Universidade de Lyon 1.
2000- 2012: Bibliotecária no departamento de Ciências da Saúde/Botânico na Universidade Federal do Paraná.
1991 – 1999: Biblioteca de Ciências Humanas e Educação da Universidade Federal do Paraná

CV en ligne : http://lattes.cnpq.br/3107641857783246

Maiores informações:

file:///C:/Users/Izabel/Downloads/relato%20de%20estagio%20em%20bibliotecas%20%20%20francesas%20(1)%20(1).pdf

 

O QUE FOI O HOLODOMOR?

Curitiba vai receber a partir desta sexta-feira, dia 10/11, uma impactante e inédita exposição de fotografias e documentos a respeito do Holodomor, fato histórico ainda pouco conhecido no Brasil, e deliberadamente ignorado por alguns outros países.

FOTOGRAFIA E LITERATURA: REVELANDO PAISAGENS ÍNTIMAS….

A disciplina Literatura e Outas Linguagens: Landscapes Stories, ministrada pelo professor Rodrigo Vasconcelos Machado na Universidade Federal do Paraná neste semestre, teve como proposta a imersão produtiva no fazer fotográfico a partir da interface entre a literatura e a paisagem urbana, com um  caráter inteiramente experimental.

O curso, oferecido a alunos de diversas áreas e à comunidade em geral, possibilitou aos participantes vivenciar o processo de criação fotográfica através da literatura, trabalhando individualmente ou em equipe, o que rendeu trabalhos extraordinários, reunidos em uma exposição na Sala Arte, Design & Cia. da UFPR, e publicação em e-book.  Destacamos aquí, o ensaio fotográfico de Luiz Gustavo Singeski* e Isabela Fiori.

“Paisagens íntimas

A paisagem é o lugar dos que não têm lugar. O contrário do que é ligado à destinação, à domesticidade. Do que é habitável, morada. Privilégio de cidades estrangeiras visitadas pela primeira vez, dos desertos, das ruínas, dos céus pitorescos: serem desorientadores. Não acolhem, desolam o espírito. Interrompem o tempo e o espaço, impõem uma pausa ao pensamento.

“Curva”

Mas quando é que se tem paisagem? Kant diz que é toda vez que o espírito se desprende de uma matéria sensível para outra, conservando nesta a organização sensorial conveniente para aquela, ou pelo menos sua lembrança – o campo para o citadino, a cidade para o camponês. 

“Dobra”

O paisagista é aquele que vê as coisas de um outro ponto de vista; há a paisagem sempre que o olhar se desloca, o desenraizamento é sua condição. Neste ensaio, o corpo coisificado é transmutado em paisagem e os elementos da paisagem, corporizados. Sugere-se a criação de uma fisionomia da paisagem – aproximação da paisagem ao corpo: uma paisagem íntima.

“Estrutura”

As imagens deste ensaio partem da negação da perspectiva numa imagem superficial que permite a assimilação do plano geral ou médio ao close, a equiparação de um espaço com o corpo. Surge assim um olhar tátil. 

“Veio”

Sobreposição de camadas e superfícies que enrugam, fendem e descascam. Constituição de um espaço único de conjunções, de articulações de fragmentos.

“Forma”

Um espaço tátil. O mundo – a paisagem – num close. O retrato de corpo não produz um objeto parcial; ele o retira do seu lugar e tempo para tomá-lo em si mesmo.”

“Fenda”

 

*Luiz Gustavo Singeski é Arquiteto e Urbanista.

www.oficinaurbana.com.br

SERVIÇO:

Sala Arte, Design & Cia.

UFPR/REITORIA – Endereço: Rua General Carneiro, 460 – Hall do Edifício D. Pedro I – horário comercial.

DE 16 DE OUTUBRO A 2 DE NOVEMBRO.

 

MUITO ALÉM DA SELFIE…

“Um retrato! O que poderia ser mais simples e mais complexo, mais óbvio e mais profundo?” (Charles Baudelaire)

Na História da Arte, o Autorretrato é definido como uma imagem ou representação que o artista faz de si mesmo, independente do suporte escolhido. Esse tipo de auto-representação passou a ser cada vez mais frequente a partir da renascença italiana, e muitos artistas recorreram a essa forma de expressão, até mesmo chegando a uma espécie de obsessão como Rembrandt (1606-1669) que realizou quase uma centena de autorretratos, ou a pintora francesa Élisabeth Vigée Le Brun (1755-1842) também adepta dessa modalidade, ou ainda Frida Kahlo (1907-1954) autora de mais de cinquenta autorretratos, constituindo uma verdadeira autobiografia pictórica.

Autorretrato de Lebrun.

 

Também na fotografia o self-portrait se desenvolveu como um sistema de representação, fotógrafos de todas as tendências produziram fascinantes autorretratos cheios de significados, como o dadaísta e depois surrealista Man Ray (1890-1976) Vivian Maier (1926-2009) entre tantos outros. Cindy Sherman (1954-) fotógrafa norte-americana, é protagonista de todos os seus trabalhos em que discute os papéis impostos às mulheres pela sociedade, pela mídia, e pela arte, interpretando estereótipos femininos inspirados em filmes hollywoodianos, por exemplo.

 

Man Ray, self-portrait.

 

Cindy Sherman

 

É preciso, porém, diferenciar o autorretrato da “selfie”, tão popularizada atualmente nas redes sociais. Por curiosidade consta que a primeira selfie da história foi registrada pelo químico amador e fotógrafo Robert Cornelius, em 1839 (nos inícios da fotografia) em um daguerreótipo. Se isso de fato ocorreu, ele deve ter preparado o equipamento na parte de trás da loja da sua família na Filadélfia, removido a tampa da lente, em seguida correu e se sentou por um minuto antes de cobrir as lentes de sua câmera novamente.

Daguerreótipo de Robert Cornelius, 1839.

 

Para se estabelecer as principais diferenças entre um e outro não basta citar apenas a tecnologia: como se sabe, selfies em geral são feitas com smarthphones enquanto o autorretrato requer equipamento mais especializado. E se analisarmos questões de contexto e interpretação, percebemos que muitos autorretratos são criados para serem lidos como arte, sendo exibidos em museus e galerias, enquanto as selfies são compartilhadas como parte de uma interação, estando ligadas à pessoa retratada de forma íntima. Mas as diferenças não param por aí.

Para conhecer e colocar em prática, as diferenças profundas entre as duas modalidades, é que Charly Techio* realizou recentemente a “Oficina de Autorretrato – Além da selfie!” no Curso de Fotografia do Centro Europeu, em Curitiba.** “Abordei o conceito de autorretrato na história da arte, em relação a utilização da selfie; a percepção de seu corpo e o conceito que os alunos gostariam de passar através da imagem”, conta Charly, acrescentando que “o Autorretrato foi realizado não para falar de si (mesmo que todas as imagens que um fotógrafo produza, falem algo de si), mas usando o próprio corpo como um veículo para passar ideias.”

Assim, esta oficina que teve um enfoque na fotografia contemporânea, abordou o corpo como representação de ideias, a performance para a câmera, as técnicas de auto-representação e exercícios de reflexão sobre si mesmo para a construção de conceitos, desconectando o autorretrato como expressão artística da já tradicional selfie. Veja abaixo, alguns dos resultados obtidos pelos alunos na realização do curso:

Foto: Amanda Lavorato

 

Foto: Carol Leardini Picolo‎

 

Foto: Fernanda Camacho

 

Foto: Sandra Hiromoto

 

Foto: Thiago Zanotti‎

 

Foto: William Hara‎

 

 

Autorretrato de Charly Techio.

*Charly Techio, é formada em publicidade (UTP, 1998), pós-graduada em Fotografia (UniCuritiba, 2003) e em História da Arte Moderna e Contemporânea (Embap, 2010). É Supervisora do Curso de Fotografia do Centro Europeu de Curitiba (desde 2005) e do Curso de Artes Visuais (desde 2015); onde ministra aulas de Foto Arte.

Participou de diversas mostras coletivas e salões de arte, como o 15º MAM Bahia (2008), 63º SalãoParanaense (2009), 6º Salão dos Artistas Sem Galeria (SP e BH, 2015), e o 3º Salon d’Automne França-Brasil (SP, 2015); mostra “Diversidade e Afinidades: Universo x Reverso” acervo do Espaço Cultural Contemporâneo (Brasilia, 2010), “Momento Criativo da Arte Contemporânea Brasileira”, AVA Galleria (Helsinque, 2015) e no Consulado do Brasil nos Eua (NY, 2015).

Em 2009 recebeu Menção Honrosa, pelo ensaio apresentado para o Foto Arte Brasília, em 2010 foi 1º lugar no Salão de Arte de Atibaia SP e em 2013, recebeu Menção Especial pelo Conjunto da Obra, no Salão de Arte Contemporânea de Ponta Grossa – PR.
Individualmente expôs seu trabalho na Secretaria de Estado da Cultura do Paraná (Curitiba, 2005), no Museu de Arte Contemporânea de Cascavel (PR, 2007) na Galeria Lunara, (Porto Alegre, 2008), no Palacete dos Leões, (Curitiba, 2011); na Fnac (Curitiba, 2013); na Galeria Ponto de Fuga (Curitiba, 2013), no Museu da Fotografia de Curitiba, 2016.

Participou da residência artística Berlin_im_Fokus durante o mês de junho de 2013, na Alemanha, e expôs seu trabalho realizado neste período no Bethaniem Haus, em Berlim.

 

** A Oficina de Autorretrato – Além da Selfie! foi realizada dentro da programação do Subtropical 2017 – Festival de Criatividade Urbana: http://www.fundacaoculturaldecuritiba.com.br/agenda/subtropikal-2017/

 

Para informações sobre os Cursos de Fotografia, Artes Visuais e tantos outros, do Centro Europeu:

 

 

41 3233 6669
Rua Benjamin Lins, 999
Curitiba – PR

http://centroeuropeu.com.br