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Author: Izabel Liviski

A ESTÓRIA DENTRO DA HISTÓRIA…

Em um domingo de pós-feriado, na fila para ver o elogiado “Benzinho” na telona, conheci o cineasta Edson Luiz e a história do homem que, com uma única pergunta, mudou a história do Brasil: Antonio Soares Neto, também conhecido como Toniquinho JK, tema de documentário de Edson, pôs a construção de Brasília no programa de metas de Juscelino Kubitschek. (Ah, nem, spoiler !)

Esquisotérica como sou, vi logo uma cadeia de sincronicidades: no momento em que o país amarga as consequencias do descaso com a memória e a destruição do patrimônio no incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro, conheço o cineasta que tenta resgatar um episódio ocorrido em meu estado e pouquíssimo divulgado dentro e fora de Goiás. Uma estória pedia para ser contada.

Segue o relato envolvente que ouvi de Edson Luiz, naquela tarde agradável.
“O dia 4 de abril de 1955 parecia predestinado a transformar os destinos de uma cidade e de uma nação. De forma surpreendente, o candidato à Presidência da República Juscelino Kubitschek decidiu iniciar sua campanha pelo interior do Brasil, e a cidade de Jataí, em Goiás, foi o palco escolhido. Milhares de pessoas aguardavam o candidato para o comício na praça, mas uma chuva torrencial dispersou a multidão. As lideranças políticas locais decidiram, então, improvisar um comício num galpão onde funcionava uma oficina mecânica.

Ali, naquele galpão, algumas dezenas de pessoas ouviram do candidato Juscelino Kubitschek o compromisso de respeitar a Constituição se fosse eleito presidente. Juscelino estava preocupado com a instabilidade política então reinante, poucos meses depois do suicídio do presidente Getúlio Vargas. As Forças Armadas mostravam-se insatisfeitas com os rumos do país. Por isso, o candidato a presidente enfatizou a necessidade de se cumprir a Constituição para pacificar o país.

No improvisado comício discursaram apenas o então deputado estadual José Feliciano e o candidato Juscelino Kubitschek. E aí aconteceu outro fato incomum, que certamente não ocorreria se o comício houvesse sido realizado na presença de milhares de pessoas. Juscelino resolveu dialogar com o público. Queria conhecer a opinião do povo de Jataí sobre a situação do país. Foi então que um rapaz de 29 anos de idade, vendedor de seguros, fez uma pergunta que deixou o candidato perplexo.

Mas o que foi que aquele rapaz perguntou a Juscelino? Antonio Soares Neto, mais conhecido como Toniquinho, estava estudando a Constituição federal porque pensava em fazer o curso de Direito. Como o candidato prometera cumprir a Constituição, Toniquinho, num gesto de rara felicidade, perguntou-lhe se iria transferir a capital do país para o Planalto Central, conforme estava previsto na nossa lei maior.

Antonio Soares Neto, o Toniquinho Jk

Juscelino Kubitschek relata que seu plano de governo, que continha 30 itens, não fazia nenhuma referência à mudança da capital. Juscelino reconhece, como pode ser visto no documentário, que não havia pensado no assunto, e que a construção de Brasília não estava em suas cogitações antes que Toniquinho lhe fizesse aquela pergunta. O reconhecimento de Juscelino, de que Toniquinho foi o responsável pela inclusão da mudança da capital no plano de governo, aparece também nos livros de memória do ex-presidente. Esses livros são intitulados de “A escalada política” e “Por que construí Brasília”.

Juscelino relata que, em um ou dois segundos, respondeu a Toniquinho que cumpriria, sim, a Constituição, e assumia naquele momento o compromisso de transferir a capital. Antonio Soares Neto, que se tornou conhecido como Toniquinho JK, foi, portanto, sem sombra de dúvida, o grande responsável pela decisão de Juscelino Kubitschek de construir Brasília. A mudança da capital se transformou na principal meta de seu governo, chamada de Meta-Síntese pelo próprio JK.

Toniquinho JK, que vive em Goiânia há mais de 40 anos, desde 1975, atribui à inspiração divina o fato de haver cobrado de Juscelino o compromisso de transferir a capital para o interior do Brasil. Toniquinho conta que se sentiu tomado por uma energia muito forte, que o levou a interpelar Juscelino. Brasília foi inaugurada em 21 de abril de 1960, exatamente cinco anos e 17 dias depois da pergunta de Toniquinho.

Alvo de muitas homenagens em todo o Brasil, Antonio Soares Neto já recebeu títulos de Cidadão do Distrito Federal e de Minas Gerais, dentre outros. Recentemente, foi honrado com os títulos de Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG-GO) e de Cidadão Goianiense, proposto pela vereadora Léia Klebia. Nas duas ocasiões foi exibido, em pre-estreia, o documentário A pergunta que mudou a história do Brasil. O filme foi produzido com recursos da Lei Goyazes (lei estadual de incentivo à cultura), com patrocínio da CompLeite.

Toniquinho JK durante gravação com o cineasta Edson Luiz de Almeida

A notoriedade adquirida com a pergunta a Juscelino Kubitschek não o afastou dos hábitos simples, de uma vida modesta. Nunca pediu nem recebeu favores de governos e diz que se sente realizado por haver contribuído para a construção de Brasília e o desenvolvimento do interior do país que a mudança da capital proporcionou.”(Transcrição de texto do jornalista e cineasta Edson Luiz)

Ora, JK nasceu em 12 de setembro de mãe de ascendência cigana e checa, coisa também muito pouco comentada. Outra história que espero ver contada. Entrou por uma porta, saiu pela outra, quem quiser que conte outra.”

Texto e Comentários: Thania Coimbra.

*Thania Coimbra é jornalista pela UFG, o mais pela vida. Atua há quase três décadas em assessoria de imprensa, sobretudo em Goiás, onde vive. Adora literatura, cozinha, viagens, artes e cinema. 

Contato: <thaniacoimbra@gmail. com>

 

Capa do DVD

CARTA ABERTA SOBRE OS VALORES HUMANOS E AMBIENTAIS NO BRASIL

O momento é de exceção, em prol da paz e do diálogo está-se divulgando esta carta elaborada por diversas instituições que estão preocupadas com o nosso país, independentemente do resultado destas eleições. A divulgação dessas ideias é muito importante e também o repasse para outras pessoas interessadas nos rumos do país, e na preservação dos valores mais essenciais.

VOCÊ SERÁ SUBSTITUÍDO POR UM ROBÔ?

Essa é uma pergunta que muitos profissionais se fazem ou que deveriam começar a pensar a respeito. O mundo passa por grandes transformações desde a revolução rural, onde tudo era mais controlável e previsível. Passamos pela era industrial, onde máquinas entraram em cena com uma produção abundante. Veio a era digital onde a informação e a conectividade impulsionaram ainda mais o consumismo. São evoluções naturais que impactam o mercado de trabalho.

E agora estamos vivendo uma mudança de era, na qual começamos a passar por uma revolução exponencial, porém mais acelerada, com tecnologia de ponta disponível. Termos como computação em nuvem, IoT, Big Data, robótica, inteligência artificial, impressão em 3D e nanotecnologia se tornaram comuns no nosso dia a dia. Mas como isso vai impactar na vida dos profissionais?

Uma coisa é certa, nos próximos anos teremos muitas e rápidas mudanças. Segundo uma pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em torno de 57% das vagas de emprego estão suscetíveis à robotização e automação. Mais da metade das funções hoje exercidas pelo homem podem ser substituídas por máquinas. Outra previsão bastante curiosa é do Fórum Mundial Econômico que diz que 65% das crianças vão trabalhar em empregos que ainda não existem.

Crianças em idade escolar sendo preparadas para algo que ainda não sabemos como será. Temos um futuro cheio de incógnitas em relação ao que irá acontecer com os profissionais. Quais serão as profissões do futuro? O ser humano terá espaço? Como os profissionais devem se preparar para tudo isso?

Não me arrisco a dizer quais serão as profissões mais requisitadas, pois elas ainda não existem. Porém, com toda a certeza me arrisco a dizer quais serão os profissionais mais requisitados pelo mercado. Parece complexo, mas a resposta é muito simples. Todo trabalho que envolva atividades repetitivas e com uma lógica previsível, que não precise de socialização e intervenção criativa, que não resolva nenhum tipo de problema complexo e que ainda coloca em risco a vida será substituído por uma máquina.

Com isso fica fácil concluir que os profissionais mais disputados serão aqueles com características inerentes dos seres humanos como criatividade, capacidade de aprendizado e de adaptação, visão do momento e facilidade para se relacionar. Estou falando de soft skills, que são as competências e habilidades mais desejadas para os profissionais do século XXI.

Mais relevante do que uma coleção de diplomas e certificados técnicos, as características comportamentais e sociais é que manterão o espaço das pessoas no mercado combinada com toda a tecnologia disponível. Estou falando de um cenário muito mais inteligente. O que é desafiador e prazeroso o homem faz, o contrário será direcionado para um robô.

E como desenvolver as soft skills? Algumas pessoas têm habilidades natas e outras precisam correr atrás. E sim, é possível desenvolver essas características, mas para isso é preciso treino. Erroneamente muitos profissionais só enxergam o ensino tradicional como ambiente de capacitação. Falamos de comportamento, logo temos que estar em contato com outras pessoas onde possamos exercer essas competências. É preciso viver experiências diferentes.

Em um trabalho voluntário é possível desenvolver habilidades como relacionamento interpessoal e o espírito colaborativo. Em um Hackathon, que são iniciativas que estimulam a inovação, os participantes colocam a prova o seu potencial de resolver problemas complexos e extrapolar sua visão empreendedora. Em um curso de Fotografia é possível desenvolver um pensamento crítico e estimular o olhar criativo.

Ou até mesmo em uma formação para chef de cozinha você vive experiências na qual ajudam a desenvolver suas características de líder e de trabalho em equipe. Independente da área de atuação é preciso se colocar em situações desafiadoras que auxiliem no desenvolvimento de características fundamentais para qualquer profissional de sucesso.

O avanço da tecnologia é inevitável, a robotização em massa será uma realidade, as pessoas devem assumir o que de fato é da sua natureza. Somos dotados de uma grande capacidade de criar e de se reinventar. Pode ser que nem todos acompanhem essa evolução. Naturalmente essa mudança trará perdedores e ganhadores. Meu papel aqui é a provocação para que todos enxerguem essa necessidade e tenham atitude para serem ganhadores. Não devemos temer as máquinas, e sim usá-las a nosso favor. A vida é feita de escolhas, nós somos feitos de escolhas. Você vai ser substituído por um robô?

*Ronaldo Cavalheri é Engenheiro Civil, CEO do Centro Europeu – primeira escola de economia criativa do Brasil e Business Development Manager do Microsoft Innovation Center Curitiba.

Fonte: https://mundo.centroeuropeu.com.br/blog/voce-sera-substituido-por-um-robo?utm_campaign=voce_sera_substituido_por_um_robo_restante