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Author: Éverton Siqueira

Alquimia, arte e geometria para conectar um mundo desigual

Por Ana Maria Carvalho

 

As obras tridimensionais que brilham sob a luz ultravioleta, da artista brasileira radicada em Nova York, Sabrina Barrios, que já passaram pela Bélgica, Espanha, Dinamarca e Estados Unidos e chegaram ao Brasil em uma trilogia. Cada unidade desse tríptico geométrico é parte de um quebra-cabeça maior. Cabe ao espectador/participante conectar os pontos para entender a narrativa completa. Além disso, o público é convidado a participar da discussão explorando e fisicamente navegando por essas obras.

Sabrina atualmente tem trabalhos na exposição Consciounsness na Alfa Gallery em, Miami, que abriu neste mês de setembro e fica em até dezembro. A Galeria Flecha em Madri também expõe trabalhos da artista.

Para a curadora Daniela Mattos, a pesquisa artística da Sabrina compreende muitas intensidades “Algo de um feminino selvagem e alquímico, tramando o que dá corpo e materialidade às instalações, pinturas e objetos; com o rigor projetivo de seus desenhos; com suas pesquisas que imbricam teoria da conspiração, aspectos formais que remetem à questões identitárias e históricas de brasilidade; com tantas outras velocidades que não caberiam aqui, talvez por sua natureza conceitual e poética quase holográfica”, define Daniela.

“O que cabe a nós, portanto, é abrir nossa potência vibrátil à alquimia das formas, linhas e planos, decidindo como entraremos pelos portais que estes trabalhos geram e escolhendo nossas próprias cartografias e planos de fuga”, completa.

Como parte do seu processo de imersão no Rio de Janeiro, Sabrina viverá os dois lados de um país dividido socialmente e politicamente. De Abril até o fim deste ano a artista está vivenciando duas realidades, morando entre a zona sul carioca e a comunidade da Providência (favela mais antiga da cidade), onde terá a oportunidade de compreender a realidade daqueles cujas vozes são raramente ouvidas.

A sequência que começa com a obra “Plano de fuga” construída em um bunker subterrâneo no jardim da casa onde hoje funciona a galeria de arte Marquês456, carrega a simbologia de um espaço subterrâneo com elementos da bandeira do Brasil separados. A segunda obra Partidos”está no Espaço Despina que, para Sabrina, é um ponto de profusão artística e resistência política, ali a obra é construída de dois triângulos que simbolizam polaridades masculino e feminina, com um círculo, que juntos formam a bandeira do Brasil. E a última está sendo construída neste mês de setembro em conjunto com crianças do morro da Providência, representando o futuro, remetendo a uma trajetória rumo à luz–como símbolo de consciência–para que esses dois mundos coexistentes possam respeitosa e pacificamente habitar um mesmo lugar no espaço.

As três instalações estarão abertas à visitação durante o Art Rio de 27 a 30 de setembro:

1. Plano de Fuga (Julho; Marques456)

2. Partidos (Agosto; Espaço Despina)

3. Feixe (Setembro; Casa Amarela – dia 22/09)

A abertura da exposição na Casa Amarela acontece sábado, dia 22 de setembro, das 16 às 20h; e por ser sediada na comunidade contará com uma lista de confirmação para os interessados. Mais informações no email casaamarelaprovidencia@gmail.com

Algumas exposições da artista:

The Fourth Bronx Museum Biennial (New York, 2017);

Epic of Creation (Finland, 2017);

The Earth Experiment (Brooklyn, 2017);

The Horse Rider and The Eagle (Brussels 2016);

JustMAD Art Fair (Madrid, 2016);

MoMA (Museum of Modern Art) NY: Abstract Currents (New York, 2013).

Para saber mais sobre a artista:

https://www.sabrinabarrios.com/

 

 

Texto de Ana Maria Carvalho

Ana Maria Lima de Carvalho é jornalista especialista em comunicação, psicanalista e fotógrafa.
Sócia da Crio.Art assessoria especializada em arte contemporânea

Cliques de humor e provocação no mundo contemporâneo

Por Ana Maria Carvalho

A exposição individual “POST(e)”, do artista visual André Sheik e com curadoria de Raul Mourão, será realizada no espaço Marquês 456 neste mês de setembro. A mostra apresenta fotografias feitas com telefone celular – realizadas entre 2014 e 2018 – da série “Antropomórfica”. Nas imagens, o artista mistura sua sombra com as de postes da cidade, criando personagens gráficos inusitados.

Raul Mourão, amigo de Sheik e curador da exposição, viu as imagens no Instagram e sugeriu levar a criação artística para a galeria. “Nessa série, Sheik incorpora o nonsense e vai para a rua criar cartoons instantâneos, espalhados nas calçadas da cidade. O fruto disso é um conjunto de estranhas personagens: um padre e sua bíblia, o cachorro de boca aberta e cerveja na mão, um homem de três cabeças, a bolsa da raposa”, comenta Raul.

 

O humor e a ironia são traços presentes na obra de Sheik, e, segundo ele, a brincadeira com o nome da exposição também leva a pensar na relação das pessoas com a própria imagem nos tempos atuais. “O nome – POST(e) – surgiu no início, e apesar de polêmico, decidimos por ele, porque nos leva a refletir ironicamente sobre a forma como construímos nossa imagem nas redes sociais”, diz o artista.        

O resultado será apresentado ao público no espaço Marquês 456, na Gávea, do dia 29 de setembro até o dia 10 de outubro de 2018.

Esta exposição também fará parte do Art Rio 2018 através do CIGA – Circuito Integrado das Galerias de Arte.  


Preview: dia 25 de setembro de 2018, das 16 às 20h  

Abertura: dia 29 de setembro de 2018, das 16 às 20h

Exposição: de 30 de setembro de 2018 a 10 de outubro de 2018

Visita guiada e conversa com o artista e curador: dia 06 de outubro de 2018, às 16h

Encerramento: dia 11 de outubro de 2018, das 16 às 20h

Local: Rua Marquês de São Vicente, 456 – Gávea – Rio de Janeiro (RJ)

 

Biografias:

André Sheik

Nasceu no Rio de Janeiro em 1966. Artista, curador, poeta e músico, dedica-se às artes visuais desde 1999, participou de exposições e mostras no Brasil (RJ, SP, MG, PE, CE, ES, BA, PR), em Portugal, França, Polônia, Suécia, EUA, Bolívia, Venezuela, Colômbia e Cuba, e já foi sócio de galeria. Atualmente, é editor executivo da revista Concinnitas, do Instituto de Artes da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ); pesquisador associado do Núcleo de Tecnologia da Imagem da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); colaborador em grupo de pesquisa sobre o mercado de arte na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO); cursa Bacharelado em História da Arte na UERJ.

Raul Mourão

Raul Mourão é artista plástico, nasceu no Rio de Janeiro em 1967. Estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e expõe seu trabalho desde 1991. Sua obra abrange a produção de desenhos, gravuras, pinturas, esculturas, vídeos, fotografias, textos, instalações e performances. Com muitas exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, também é escritor, curador, produtor de exposições e editor de publicações de arte.

 

Texto de Ana Maria Carvalho

Ana Maria Lima de Carvalho é jornalista especialista em comunicação, psicanalista e fotógrafa.
Sócia da Crio.Art assessoria especializada em arte contemporânea

 

 

Floreios e notas de uma voz que não se Callas

Leia a contribuição da leitora Vanessa Ribeiro Simon Cavalcanti na coluna Espaço do Leitor

Vanessa Ribeiro Simon Cavalcanti

Universidade Federal da Bahia/Universidade Católica de Salvador

Dammi I colori…
Recondita armonia di bellezze diverse!
È bruna Floria, l’ardente amante mia,
E te, beltade ignota
cinta di chiome bionde!

Tosca, Puccini.

 

Os sons e os signos sempre foram parte das expressões de Humanidade. Registros da História, sejam orais ou o simples fato de lembrar. O encantamento e o deslumbramento quando se ouve uma voz lírica potente e atemporal são marcas que não podem deixar de estar associadas à Maria Callas. Dentre as famosas óperas do Belo Canto, repertórios como Norma, La Sonnambula e I Puritani, de Bellini; Lucia di Lammermoor, L’Elisir d’Amore e Don Pasquale, de Donizetti; e O Barbeiro de Sevilha, de Rossini, foram consagrados pela interpretação de Cecilia Sophia Anna Maria Kalogeropoulou.

Antonio Tommasini escreveu no New York Times: porque depois de morta, Callas ainda fascina e impressiona tanto? Simplesmente poderia responder – por ser ela mesma cada uma de suas interpretações. Do glamour restou-lhe em seus últimos dias o silêncio: dizem os biógrafos que sua vida foi agitada, polêmica e cheia de excentricidades e que morreu sozinha e sem uma causa determinante. Talvez o que mais importe seja justamente que, para além de sua vida pessoal, deixou marcadas as vozes de tantas mulheres, de tantas personagens que se tornaram únicas. As violências, o sucesso escalar, a solidão e o isolamento marcam vida e final dos dias de Callas.

Nascida em New York em 1923. Filha de imigrantes gregos, retornou à Grécia com sua família em 1937 por dificuldades econômicas vivenciadas nos Estados Unidos. Estudou no Conservatório de Atenas com Elvira Hidalgo, renomada soprano e professora. Realizou seu debut com a obra Tosca de Pucini (1941), papel que seria sua marca e interpretaria em diversas ocasiões. Cantou em Atenas durante anos antes de realizar a grande experiência: a estréia de La Gioconda de Ponchielli, na Arena de Verona (1947). Dos fatos relevantes desse episódio fica o encontro com o diretor Tullio Serafin (1878/1968), que se converteu em mentor musical.

Na vida amorosa, somente em 1949, Callas encontrou seu primeiro marido, Giovanni Meneghini que, juntamente com Serafin, foram os responsáveis pela carreira e abertura de fronteiras para a voz dela. No Scala de Milão seu triunfo veio em 1950, com Aida. A conquista do público norte-americano se deu em 1956, em sua cidade natal, com a apresentação de Norma, de Bellini.
Foi, sem dúvida, uma descobridora de obras operísticas que estavam esquecidas como as peças de Cherubini, Gluck, Haydn e Spontini, ademais de ter sido dirigida por renomados regentes internacionais como Leonard Bernstein, Carlo Maria Giulini e Herbert Von Karajan.De suas parcerias, a marcante presença de dois cantantes: Giuseppe di Stefano, tenor, e Tito Gobbi, barítono, com os quais compartilhou e gravou inúmeras peças.
Sua vida pessoal e amorosa se transformou em alvo quando, em 1959, Callas abandonou seu marido pela companhia de Aristóteles Onassis. Neste período, houve um retiro da cena internacional e, em 1965, realizou sua última apresentação de Tosca em Covent Garden, em Londres. De uma relação tempestuosa, Maria também foi deixada por outra grande personagem do período: Jacqueline Kennedy. Apesar de tempos de retiro e reclusão, contribuiu na formação de músicos nas aulas magistrais da Juilliard School de New York, entre os anos de 1971 e 1972.
De soprano a mezzosoprono, vestiu-se de Carmen, assim como também de Lucia de lamermoor. Os matizes de sua voz a transformaram em a “diva da Ópera”, além de interpretações dramáticas e interpretações que calavam, num momento, para em seguida ser ovacionada pelo público. Sua vida foi tão polêmica que os holofotes confrontavam sua privacidade e sua voz, assim como às heroínas que incorporava no palco, silenciava o seu pranto e angústia.
De Medéia e Norma à Tosca, de Violetta à Lucia, Gioconda ou Amina, Callas representou papéis femininos fortes e que não deixam sombra: sua dedicação ao trabalho era sua própria existência, como afirmou em entrevista certa vez. Em uma de suas master class afirmou: “um cantor deve cantar em todas as tessituras”.
Sua voz não foi silenciada com a última apresentação oficial em 11 de Novembro de 1974 no Japão. Depois de trinta anos de sua morte, os matizes e floreios de sua voz ainda fascinam e deixam a tecnologia transformá-la em personagem atemporal, em um clássico no sentido de Ítalo Calvino: aquele que não deve ser escutado, mas reprisado e no tempo de redescobrir… “Brava Callas!, Brava Maria!”. A vida pode ser interpretada e registrada de muitas formas e a ópera é uma das facetas mais dramáticas da contemporaneidade, vivida por ela em “inúmeras” vozes femininas.

 

Fontes das imagens:

Imagem 1: Fonte: https://www.telegraph.co.uk/opera/what-to-see/tantrums-tapeworm-diet-aristotle-onassis-disintegration-maria/ Acesso em 13/03/2018.

Imagem 2: Fonte: Maria Callas e Tullio Serafin. http://www.ilpopoloveneto.it/notizie/spettacoli/teatro/2018/02/02/54974-50-tullio-serafin Acesso em 13/03/2018.

Imagem 3: Fonte: Capa do LP e fotografia (1955). Disponível em https://www.arlequim.com.br/detalhe/1710548/Lucia+Di+Lammermoor+(Berlin+29-+09-+1955).html

 

Vanessa Ribeiro Simon Cavalcanti 

Pós-doutorado pela Universidade de Salamanca (CNPq e CAPES, Brasil). Doutora em Direitos Humanos pela Universidade de Leon, Espanha. Professora e investigadora do Programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo da Universidade Federal da Bahia e do Programa de Pós-Graduação em Família na Sociedade Contemporânea, da Universidade Católica do Salvador. Investigadora associada ao Instituto de Sociologia da Universidade do Porto e integrante do Núcleo de Estudos sobre Gênero e Direitos Humanos (NEDH/UCSAL).

Email para contato:

vanessa.cavalcanti@uol.com.br

Lattes

http://lattes.cnpq.br/6538283866214716

Despedida e discurso de encerramento do Curso de Educação em Direitos Humanos

No último sábado (09/06), o Curso de Educação em Direitos Humanos – UFABC realizou o último encontro presencial desta edição do curso, além das bancas de avaliação dos Trabalhos de Conclusão de Curso da pós-graduação lato sensu em Educação em Direitos Humanos, turmas de Especialização e Aperfeiçoamento.

Após as palavras iniciais dos membros da mesa de abertura, os oradores convidados se juntaram à Profa. Dra. Ana Maria Dietrich e proferiram suas considerações sobre esta jornada a seus colegas e ouvintes.

Este foi um grande momento, já que os próprios cursistas puderam dizer o que o curso representou para eles ao longo destes meses. Confira aqui a íntegra do relato do cursista Rodrigo Martins, da turma de Aperfeiçoamento – Polo Diadema.

Além do belo discurso, Rodrigo Martins também enviou um agradecimento especial à sua tutora ao longo do curso, Cecília Prado, que é possível conferir abaixo:

“Adorei a experiência propiciada pelo curso e sou muito grato por seu inestimável apoio ao longo de toda a caminhada. 

Aliás, em minha trajetória escolar e acadêmica, jamais tive um professor tão dedicado na correção dos trabalhos. O seu detalhado feedback, com o perdão do estrangeirismo, ajudou-me muito na compreensão dos temas trabalhados na bibliografia. E sua agradável companhia animou as manhãs dos encontros presenciais em Diadema. Sentirei saudades. 

Peço a gentileza de você estender os meus cumprimentos à professora Ana Maria, à Nathália, e aos demais professores e tutores. 

Um forte abraço,

Rodrigo Martins”