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Author: Emily Pestana

O Ensino de Estatística nas Escolas Técnicas de São Paulo – ETC através de projetos interdisciplinares

Mestranda Jaqueline de Oliveira Costa

Profa. Dra. Vivili Maria Silva Gomes

Profa. Dra. Ana Maria Dietrich

 

RESUMO

O presente estudo tem como objetivo estimular a reflexão de práticas pedagógicas interdisciplinares aos docentes, por meio de destacar o ensino de estatística na prática educativa, focalizando essa modalidade no Ensino Profissionalizante através de utilização de metodologias ativas e o desenvolvimento de habilidades cognitivas a partir de projetos interdisciplinares. A fundamentação teórica está centrada nos aspectos socioculturais que consideram a estatística como disciplina de mesmo valor que as demais já institucionalizadas. Desse modo, dialogaremos com autores e documentos que direcionam o processo de ensino e aprendizagem de estatística em sua abrangência de significações para o aprimoramento do indivíduo como pessoa humana e sua inserção na sociedade e mercado de trabalho. Nessa proposta, iremos também analisar os currículos escolares dos cursos técnicos profissionalizantes modulares e integrado ao Ensino Médio, compreendendo a constituição do ensino profissional, dos fundamentos do currículo integrado e as possibilidades de integração curricular, a partir do ensino de estatística, destacando a importância nesta modalidade de educação.

 

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Bullying: como o ensino de Ciência pode colaborar com a prevenção e enfrentamento

Cecília de Oliveira Prado

Profa. Dra. Ana Maria Dietrich

Resumo

O bullying, presente no cotidiano de nossas escolas, pode e deve ser prevenido e enfrentado através do ensino de Ciências, assim como todos os demais componentes curriculares, agregando aos seus conteúdos próprios temas transversais que os enriqueçam e promovam reflexões que visem o estabelecimento de relações sociais mais éticas e solidárias. 

 

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Exposição “FLUVIUS”, de Paula Klien,

O Centro Cultural Correios do Rio de Janeiro, apresenta, de 3 de dezembro de 2019 a 26 de janeiro de 2020 a exposição “FLUVIUS”, de Paula Klien, com curadoria de Denise Mattar. A mostra reúne mais de 50 trabalhos recentes da artista cuja produção se caracteriza pela utilização incomum do nanquim.
“FLUVIUS” exibe um conjunto das novas pesquisas de Paula Klien ao lado de algumas obras produzidas anteriormente. São pinturas, digigrafias e um vídeo performance da artista pintando telas e papéis dentro de um rio. Além disso, “Fluvius” apresenta duas exuberantes raízes que segundo a artista “servem para proteger o rio das erosões e segurar a terra, evitando que o rio seja soterrado, deixando a água fluir”. “Simbioticamente unidas, águas e raízes refletem bem esse momento do trabalho de Paula Klien, instável, sutil e delicado, mas também denso, intenso e profundo. São as águas mansas de um rio turbulento”, complementa Denise Mattar curadora da exposição.

 

 

 

 

 

 

As pinturas expressivas que brotam do mergulho de Paula Klien no seu mundo interior, mantém a espontaneidade do gesto que as criou, produzindo uma variação monocromática de extrema riqueza. Mais do que a presença material da tinta, o que está em curso é a intimidade imersiva da artista revelando a verdade universal da relação de cada homem consigo mesmo, do eu confrontado com a luta entre a constância e a impermanência, e a transcendência metafísica necessária para absorver o axioma irrefutável do “continuum” do universo, do planeta, do ser humano – e o contraste com a complexa vida que construímos baseados na ilusão da permanência.

 

 

 

 

 

Por esse substrato, o trabalho de Paula Klien, classificado em princípio, como expressionismo abstrato, na senda de artistas como Hans Hartung ou Soulages, se revela na verdade muito mais próximo de Gao Xingjian, ou Zeng Chongbin, artistas contemporâneos chineses que hoje impressionam o circuito internacional. Exatamente por atingir essa mesma essência, que hoje fascina o Ocidente, seu trabalho teve imediata aceitação na Europa, desdobrando-se num intenso período de exposições. Não por acaso foi a única artista brasileira convidada a participar da mostra Pincel Oriental, no Centro Cultural Correios-RJ, em 2018. Desde 2017 a artista vem realizando exposições no exterior. Entre elas, na AquabitArt Gallery, no Deustsche Bank e na Positions Art Fair em Berlim. Solo Booth organizado pela Saatchi Art Gallery em Londres e na ArtBA em Buenos Aires. No Brasil, além da participação em mostras e feiras, realizou a individual “Extremos Líquidos” na Casa de Cultura Laura Alvim, com curadoria de Marcus Lontra.

 

Serviço: “FLUVIUS” – exposição
Abertura dia 3 de dezembro de 2019, 18h30
Em cartaz de 4 de dezembro ate dia 26 de janeiro de 2020.  Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro, Rio de Janeiro – RJ / Telefone :  (21) 2253-1580
Horário : de terça-feira a domingo, das 12h às 19h
Entrada franca

 


 

 

 

 

 

 

Ana Maria Carvalho

História das Ciências + Ciência como Cultura vs História da Educação Matemática: Explorando potenciais articulações entre referenciais.

 

Zenildo Santos

Lúcio Campos Costa

Profa. Dra. Ana Maria Dietrich

 

RESUMO: Neste ensaio, busca-se estabelecer um diálogo entre dois referenciais teóricos debatidos no âmbito da disciplina de Metodologia e Historiografia das Ciências e da Matemática e projeto de pesquisa, do primeiro autor, submetido ao Programa de Pós-graduação em Ensino e História das Ciências e da Matemática da Universidade Federal do ABC (UFABC). Os aportes utilizados na disciplina foram: 1) Martins (2005), que traz contribuições metodológicas relevantes sobre a pesquisa em História das Ciências, explorando seus objetos, métodos e problemas; 2) Santos (2009), que apresenta uma defesa da Ciência como Cultura e reflete sobre suas implicações epistemológicas na Educação Científica Escolar. Desse diálogo, foi possível convergir, de um ponto de vista metodológico e teórico-conceitual, para a importância da compreensão das Ciências e da Matemática a partir da perspectiva histórica e cultural, compreendendo-as como um produto social historicamente construído, elaborada sob influência do contexto cultural em que está imersa. Desta forma, pode-se contribui para a superação de ideias distorcidas por vezes presente no ambiente escolar.

 

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A África pariu o mundo

A África pariu o mundo

Tia Mita na foto, em memória.

 

Assim como o educador Freire (2014), dedico esse texto às Mulheres Africanas que carregam o mundo nas costas.

No princípio era um verbo. E esse verbo era feminino e subversivo. O verbo se tornou carne e adquiriu a forma de um pássaro feminino. O verbo contido no discurso dessa passarinha, sussurrou-me ao ouvido uma história sobre a África que ainda não foi contada e causou-me insônia, angústia. Ainda é cedo para modificar as narrativas hegemônicas ou talvez, seja tarde demais, não sei. Apesar de entusiastas dizerem que nunca é tarde para mudanças, não gosto do entusiasmo, porque a realidade indica que não estamos preparadas e preparados para derrubar as hierarquias instituídas. O fato é que desejosos por uma mudança ou não, a revolução está a caminho e traz consigo um discurso feminino, contra opressão racial e de classes e isso promoverá a restauração de humanidades. Ao menos é isso o que se propõe.  Esse discurso tem sido narrado em nossa pesquisa realizada no contexto do Programa de Pós-Graduação de Ensino e Histórias das Ciências na UFABC, cuja defesa está programada para abril de 2021. Apesar de a multiculturalidade ser o assunto do momento, advirto-vos que essa pesquisa não trará paz consigo, trará a espada! E colocará o mundo acadêmico de cabeça para baixo, se é que algum dia esteve de cabeça para cima.

Desde a graduação, ocasião em que a minha trajetória científica engatinhava, ouvi uma História da Ciência, que trazia consigo a filosofia natural da Grécia Antiga como marco inicial. “Graças aos filósofos gregos foi possível elaborar a ciência moderna e contemporânea”. E onde fica a África e a Ásia nesse esquema? Não contribuíram com nada? Se a racionalidade começou com os gregos antigos, quem os ensinou a pensar de maneira racional? Essa inquietação foi o ponto de partida de nossa pesquisa e com base nos resultados iniciais da investigação mais dedicada, assumo a defesa de que precisamos de uma revolução na História da Ciência.

Em nossa verificação, descobrimos que Tales de Mileto, Pitágoras, Eudoxos, Aristóteles e alguns cientistas modernos, foram amamentados intelectualmente pela África, direta ou indiretamente. Macróbio, um escritor e filósofo africano disse que os egípcios foram os “pais de todas as ciências” Dreyer (1953, p. 129); Aristóteles e Platão são unânimes em dizer que a geometria foi criada pelos egípcios (BICUDO, 2002). Segundo Tzamalikos (2016) Demócritos, Pitágoras, Tales de Mileto, Eudoxus, Anaxágoras, filósofos gregos que normalmente ouvimos falar em História das Ciências e da Matemática, viajaram ao Egito a propósito de sua educação. E Erastóstenes que mediu o raio da terra era líbio e não grego. Euclides nasceu na cidade de Alexandria, sendo, portanto egípcio, assim como Ptolomeu, o astrônomo. Isso deveria ser motivo suficiente para questionarmos a ideia comumente aceita de que o marco inicial da filosofia natural foi estabelecido apenas pelos gregos.

A paleontologia, a genética e estudos linguísticos, indicam que a África pariu o mundo. A datação de diferentes fósseis de espécies do gênero Homo, assim como os fósseis de humanos modernos, indicam que a África é o berço da civilização (WEDDERBURN, 2003). Um estudo linguístico realizado em Atkinson (2011) disse que a origem da língua humana moderna é Africana, dada a variabilidade fonética encontrada no Continente.  Se na África foi o Continente em que o ser humano deu os seus primeiros passos, é de se supor que na África surgiram os primeiros modelos cosmológicos, filosóficos e religiosos. Não faz sentido pular produção de conhecimento sistematizada por pensadores africanos e dizer a racionalidade surgiu com a filosofia grega.

Segundo James (2013), a filosofia grega é um plágio da filosofia egípcia. O autor apresenta diversas evidências para subsidiar a sua perspectiva, dentre elas a perseguição do governo ateniense contra os fundamentos da filosofia grega por considera-la estrangeira. Segundo o autor, a filosofia egípcia foi o alicerce do que conhecemos como filosofia grega, por esse motivo Anaxágoras foi perseguido e exilado, Sócrates o filósofo foi executado, Platão foi vendido como escravo e Aristóteles foi denunciado e exilado (JAMES, 2013, p. 2).

Se a filosofia grega é plagiarismo da filosofia egípcia não importa. O que verdadeiramente interessa é apontar que os gregos não inauguraram a seara da racionalidade de maneira autossuficiente. Houve a colaboração de pensadores, filósofos, físicos, matemáticos egípcios, líbios, etíopes, fenícios e babilônios (TZAMALIKOS, 2016).  É sob essa pedra angular e multicultural que demos construir as narrativas de Histórias das Ciências, não sob uma perspectiva hegemônica que silencia a contribuição dos demais povos. Se sabemos que o imperialismo europeu demoliu as epistemologias não europeias, não seria nosso dever questionar a ideia de apenas ensinarmos sobre os conhecimentos produzidos por europeus num país multicultural como o Brasil?

É dado o momento de surgimento de outras epistemologias. É tempo de resgatar as epistemologias do Sul, especificamente as Africanas e Ameríndias no Brasil. Não podemos continuar em negação com a nossa brasilidade estabelecida pela identidade dos diferentes povos nativos brasileiros, das centenas de povos africanos que cá vivem e na diversidade de afro-brasileiros. Não podemos falar de surgimento sem trazer à baila discursiva Frantz Fanon, um psiquiatra e revolucionário que diz a luta do presente deve demolir o racismo e irromper um humano novo e livre do fardo da raça (FANON, 2008). Para que haja o surgimento de um sujeito social liberto da abjeção colonial, o eurocentrismo deve ser derrotado e para isso acontecer, o mundo deve ficar de cabeça para baixo. Ao fazer isso, demolimos a noção de que a Europa é o centro do mundo e nós somos periferias. Quando dizemos que há nações no Hemisfério Sul e outras no Hemisfério Norte, essa perspectiva não é geográfica e sim política e indica que as nações europeias e outras nações “desenvolvidas” estivessem acima de nós, enquanto nós estamos atrasados. A terra é esférica eurocentrismo, logo não existe norte e tampouco sul, mas já que essas notações existem, que possamos sulear o nosso mundo e não norteá-lo.

A terra dos Negros numa perspectiva em que o Sul é o centro do mundo.

Um cuidado que se deve ter ao ensinar sobre a África é descrevê-la em termos de África negra e África branca. Essa notação estabelece que ao Norte há uma África em estágio intermediário de civilização em que os moradores não são negros, em contraposição com a África negra, em que impera a miséria, a negritude e a morte. Em nome de minha africanidade os convoco para revisar essa ideia. A África é um continente africanizado que compartilha culturas riquíssimas, em que os cidadãos sejam brancos ou negros compartilham singularidades, semelhanças e diferenças. Apesar da diversidade no Continente Mãe, há encontros e desencontros entre os povos, não apenas desencontros. É preciso reescrever a História da África para proporcionar vida, que destrua as incoerências sobre o continente e que supere os estereótipos. Que por meio dessa revolução, seja possível banir a besta imunda que ainda paira entre nós e nos fez acreditar que somos hierarquizados quando a nossa origem Africana nos une. Se os homenzinhos da ciência fizeram o mundo acreditar que a “pessoa de pele negra é a mais inferior de todas as raças” Gould (2014), por meio da ciência, vamos desmascará-los. Que as verdades que serão trazidas nessa pesquisa provoquem uma revolução de valores e que nos conscientize que a África foi o nosso primeiro Baobá, em outras palavras, o Continente mãe foi o nosso primeiro berço ancestral, nem que seja num passado muito longínquo.

Quando disse que o discurso da nossa pesquisa adquiriu formato de um pássaro, o fiz em alusão a Iyami Oxorongá, um poder ancestral na cultura Iorubá que representa a energia condensada de todas as Mulheres velhas que já existiram e que existem. É sinônimo de amor e de justiça e é nesta perspectiva que a nossa pesquisa se assenta!

Com amor, Nínive

 

 

Referências bibliográficas

Atkinson, Q.D., 2011. Phonemic diversity supports a serial founder effect model of language expansion from Africa. Science332(6027), pp.346-349.

Bicudo, Irineu. “Platão e a Matemática.” Letras clássicas 2 (2002): 301-315.

DREYER, John Louis Emil. A history of astronomy from Thales to Kepler. Courier Corporation, 1953.

FREIRE, Paulo. A África ensinando a gente: angola, Guiné-Bissau, São tomé e Príncipe. Editora Paz e Terra, 2014.

GOULD, Stephen Jay. A falsa medida do homem. São Paulo: Editora WMF. 2014.

James, George GM. Stolen legacy. Simon and Schuster, 2013.

TZAMALIKOS, Panayiotis. Anaxagoras, Origen, and Neoplatonism: The Legacy of Anaxagoras to Classical and Late Antiquity. Walter de Gruyter GmbH & Co KG, 2016.

WEDDERBURN, Carlos Moore. “Novas bases para o ensino da história da África no Brasil.” Educação anti-racista: caminhos abertos pela Lei Federal 10.639/03 (2003): 133-166.