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Author: Emily Pestana

Bullying: como o ensino de Ciência pode colaborar com a prevenção e enfrentamento

Cecília de Oliveira Prado

Profa. Dra. Ana Maria Dietrich

Resumo

O bullying, presente no cotidiano de nossas escolas, pode e deve ser prevenido e enfrentado através do ensino de Ciências, assim como todos os demais componentes curriculares, agregando aos seus conteúdos próprios temas transversais que os enriqueçam e promovam reflexões que visem o estabelecimento de relações sociais mais éticas e solidárias. 

 

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Exposição “FLUVIUS”, de Paula Klien,

O Centro Cultural Correios do Rio de Janeiro, apresenta, de 3 de dezembro de 2019 a 26 de janeiro de 2020 a exposição “FLUVIUS”, de Paula Klien, com curadoria de Denise Mattar. A mostra reúne mais de 50 trabalhos recentes da artista cuja produção se caracteriza pela utilização incomum do nanquim.
“FLUVIUS” exibe um conjunto das novas pesquisas de Paula Klien ao lado de algumas obras produzidas anteriormente. São pinturas, digigrafias e um vídeo performance da artista pintando telas e papéis dentro de um rio. Além disso, “Fluvius” apresenta duas exuberantes raízes que segundo a artista “servem para proteger o rio das erosões e segurar a terra, evitando que o rio seja soterrado, deixando a água fluir”. “Simbioticamente unidas, águas e raízes refletem bem esse momento do trabalho de Paula Klien, instável, sutil e delicado, mas também denso, intenso e profundo. São as águas mansas de um rio turbulento”, complementa Denise Mattar curadora da exposição.

 

 

 

 

 

 

As pinturas expressivas que brotam do mergulho de Paula Klien no seu mundo interior, mantém a espontaneidade do gesto que as criou, produzindo uma variação monocromática de extrema riqueza. Mais do que a presença material da tinta, o que está em curso é a intimidade imersiva da artista revelando a verdade universal da relação de cada homem consigo mesmo, do eu confrontado com a luta entre a constância e a impermanência, e a transcendência metafísica necessária para absorver o axioma irrefutável do “continuum” do universo, do planeta, do ser humano – e o contraste com a complexa vida que construímos baseados na ilusão da permanência.

 

 

 

 

 

Por esse substrato, o trabalho de Paula Klien, classificado em princípio, como expressionismo abstrato, na senda de artistas como Hans Hartung ou Soulages, se revela na verdade muito mais próximo de Gao Xingjian, ou Zeng Chongbin, artistas contemporâneos chineses que hoje impressionam o circuito internacional. Exatamente por atingir essa mesma essência, que hoje fascina o Ocidente, seu trabalho teve imediata aceitação na Europa, desdobrando-se num intenso período de exposições. Não por acaso foi a única artista brasileira convidada a participar da mostra Pincel Oriental, no Centro Cultural Correios-RJ, em 2018. Desde 2017 a artista vem realizando exposições no exterior. Entre elas, na AquabitArt Gallery, no Deustsche Bank e na Positions Art Fair em Berlim. Solo Booth organizado pela Saatchi Art Gallery em Londres e na ArtBA em Buenos Aires. No Brasil, além da participação em mostras e feiras, realizou a individual “Extremos Líquidos” na Casa de Cultura Laura Alvim, com curadoria de Marcus Lontra.

 

Serviço: “FLUVIUS” – exposição
Abertura dia 3 de dezembro de 2019, 18h30
Em cartaz de 4 de dezembro ate dia 26 de janeiro de 2020.  Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro, Rio de Janeiro – RJ / Telefone :  (21) 2253-1580
Horário : de terça-feira a domingo, das 12h às 19h
Entrada franca

 


 

 

 

 

 

 

Ana Maria Carvalho

História das Ciências + Ciência como Cultura vs História da Educação Matemática: Explorando potenciais articulações entre referenciais.

 

Zenildo Santos

Lúcio Campos Costa

Profa. Dra. Ana Maria Dietrich

 

RESUMO: Neste ensaio, busca-se estabelecer um diálogo entre dois referenciais teóricos debatidos no âmbito da disciplina de Metodologia e Historiografia das Ciências e da Matemática e projeto de pesquisa, do primeiro autor, submetido ao Programa de Pós-graduação em Ensino e História das Ciências e da Matemática da Universidade Federal do ABC (UFABC). Os aportes utilizados na disciplina foram: 1) Martins (2005), que traz contribuições metodológicas relevantes sobre a pesquisa em História das Ciências, explorando seus objetos, métodos e problemas; 2) Santos (2009), que apresenta uma defesa da Ciência como Cultura e reflete sobre suas implicações epistemológicas na Educação Científica Escolar. Desse diálogo, foi possível convergir, de um ponto de vista metodológico e teórico-conceitual, para a importância da compreensão das Ciências e da Matemática a partir da perspectiva histórica e cultural, compreendendo-as como um produto social historicamente construído, elaborada sob influência do contexto cultural em que está imersa. Desta forma, pode-se contribui para a superação de ideias distorcidas por vezes presente no ambiente escolar.

 

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Não trago flores, e sim, a espada!

Essa poesia é um manifesto que intenciona: 

Produzir a vida. 

Destruir as incoerências, mas compreender que as contradições fazem parte da natureza 

humana. 

Promover o silenciamento da voz do opressor e fazer uma ode ao Continente que teve a 

sua história silenciada e contada a partir de lábios imperialistas. 

Denunciar o caráter colonial, latente na sociedade brasileira, que torna as domésticas 

invisíveis enquanto pessoas, mas visíveis enquanto força de trabalho braçal. 

Alertar aos senhores e senhoras de engenho para que abandonem o conforto da casa 

grande, pois, assim como as nossas antepassadas e antepassados, 

Vamos atear fogo em sua morada!                                                                                                                       

Rogo-te, pois que salve a tua alma a tempo! 

Que a besta imunda personificada na eugenia possa ser banida, definitivamente! 

E que leve consigo a ideia de que aquilo que não presta é coisa de pessoas de pele preta. 

Sonho com o dia em que o gênero masculino não será o padrão para criação de palavras 

E o homem branco e imaculado, deixará de ser o padrão para “todas as medidas 

humanas”. 

Devemos lutar por sociedades onde as Mulheres, especialmente as Negras, não 

carreguem o mundo nas costas sozinhas. 

Vislumbro no horizonte, o momento em que diremos “Nativos Brasileiros” e não 

indígenas. 

Quando as religiões afro serão vistas como mais uma forma de atingir a espiritualidade. 

E a xenofobia, será vista como um crime a si mesmo tendo em vista que somos todas, 

todos, forasteiras e forasteiros nesta terra. 

Não podemos permanecer indiferentes à diversidade humana. A indiferença é a outra 

face da crueldade. 

Que possamos subverter a lógica de hierarquização das culturas. 

Devemos extirpar o “ismo” de homossexualismo. 

Assim como “fobia” de transfobia 

Que seja tragado para o submundo, o ódio à pessoa pobre! 

Muitas histórias poderiam ser escritas com os crimes sociais supracitados 

Mas, a nossa poesia, conseguirá realizar apenas uma narrativa: 

A da África que pariu o mundo e foi violentada pela ganância de seus filhos bastardos 

O Continente que presenciou a transição de um ser hominizado para um ser humanizado 

E que flagrou a primeira Diáspora Humana 

Viu emergir os impérios mais prósperos e vastos do planeta 

Mas que sofreu em silêncio ao ver os seus filhos e filhas sendo arrancados de si no 

tráfico negreiro. 

Toda vez que a palavra diáspora é mencionada para se referir ao rapto, ao estupro, ao 

atentado, 

Lágrimas manam do rosto de Nossa Mãe África. 

Porque a palavra diáspora está sendo usada com a conotação de sequestro de seus filhos 

e filhas! 

Como se isso não fosse desventura o suficiente, as histórias do Continente Africano 

foram atiradas aos cães. 

Mas ressurge a cada dia! 

A verdade é que a África não deu à luz apenas a mim e a você, mas também à filosofia, 

a arte, e a ciência. 

O eurocentrismo é um mentiroso! 

Fez o mundo acreditar que tudo o que provém da Europa é universal e padrão. 

E mais uma vez, isso golpeia a Mãe África! 

Que por ter dado á luz as Singularidades, entende que essa universalidade busca 

suprime e não agrega. 

Vale ressaltar que o Continente não era de todo sublime antes da chegada dos europeus 

Se a escravidão já existia lá? 

Sim. 

O conflito étnico? 

Também. 

Mas o racismo não! 

E isso muda tudo! 

Muda a forma como me veem! 

A forma como as minhas irmãs e irmãos de cor se vêem! 

Eu sei que você foi educada, educado para ter alta estima pelo homem branco europeu

Isso também é culpa do imperialismo europeu. 

Então se torna difícil para ti, reconhecer os horrores realizados pela colonização. 

Vocês dizem que os povos nativos na África e nas Américas já estavam divididos, já se 

escravizavam uns aos outros, como desculpa 

Para apagar a podridão feita pelos colonizadores brancos, 

Mas deixe-me dizer-te: Antes da expansão europeia, não havia o conceito de raça! 

E esse maldito critério coloca a minha carne negra como a mais barata

A ciência vulgar do século XIX, embriagada pelo eurocentrismo, tentou fazer o mundo 

acreditar que: 

A mulher branca não tem alma; 

O nativo americano e os mongóis se constituíam como uma raça inferior ao homem 

branco, mas nem de todo repugnante; 

O homem negro, de início, era visto como outra espécie 

Intermediária entre o homem branco e o primata 

Os homenzinhos da ciência mentiram sobre os estudos de craniometria 

Disseram que os primatas tem o crânio maior do que o das pessoas negras 

E para que? 

Para “provar” por meio de uma mentira científica que o negro era ainda inferior ao 

primata! 

Nesse banquete de desgraças, a mulher negra era servida como a mais inferior das raças 

humanas

Anos depois, os ditos homenzinhos da ciência chegaram à conclusão que os homens 

negros também são seres humanos e ficaram devastados. 

Também me corta o coração a indiferença com que a pessoa deficiente é tratada, 

A indiferença é a outra face da crueldade 

Dói falar sobre essas desventuras, 

Eu sei, 

Mas se o machucado não estiver exposto, não cicatriza. 

Saiba que toda vez que a palavra macaco é proferida para agredir uma pessoa negra, 

esse pensamento primitivo de raça, ressurge das profundezas do inferno! 

Isso não te dá asco? 

O seu silêncio cabe neste momento? 

Grite, 

Brade 

Mas por favor, desça de cima do muro! 

Certa vez ouvi uma história que dizia que o pecado original foi trazido pela Mulher 

Ou pelo diabo que enganou a Mulher tanto faz 

E desde então, 

Quer dizer, 

Muito antes disso, 

Ser Mulher nesta terra, se tornou nascer com o peso da culpa 

Numa história criada por homens 

E para Homens 

O Nosso Ser, foi retirado de Nós. 

Ao nascer, a menina pertence ao pai 

Na vida adulta, por meio do casamento, ela recebe o título de mulher mediante a benção 

do marido 

E posteriormente, com a maternidade, o desejo da mulher pertence aos paridos e não a 

ela! 

E quando há espaço para ser Mulher? 

Em verdade, em verdade vos digo que essa poesia não lhe traz flores, 

Trás a espada! 

É o que toda palavra de libertação traz consigo! 

Decidi usar a minha arte como instrumento de luta antirracista! 

Que iniciará com a narrativa da África, 

Tendo em vista, que esta deu à luz ao Mundo e consequentemente, a tudo que nele há! 

Apresento-te o mito de criação da deusa Odudua

Que percebendo a intemperança do deus Obatalá, decidiu tomar o poder para si e criou 

o mundo sozinha! 

Quando o Homem percebeu o que a Mulher lhe fez 

Ou será que foi o que ele fez consigo mesmo? 

Ficou irado! 

Foi travado um conflito violento 

Mas o Amor venceu 

E Odudua, triunfou. 

A cabaça, que representava o Mundo criado por Ela, se partiu no conflito, 

E a parte de cima se tornou o céu 

E a de baixo, a terra. 

Essa versão de criação do mundo não é contada na terra de Odudua 

Narrativas onde as mulheres constroem não são bem vistas por homenzinhos. 

É de se supor com propriedade que as primeiras histórias foram narradas pela África 

Inclusive as religiosas! 

Por que não podemos acreditar que existam divindades mais flexíveis do que nós, e que 

se manifestam de formas diferentes? 

Em diferentes culturas? 

Os pais e as mães não dizem que educam os filhos de maneira diferente? 

Se Nós que somos maus, tentamos respeitar a singularidade do Ser que amamos uma 

divindade também não o faria? 

Não trago certezas, apenas reflexões. 

Porque narrativas universais incomodam 

Sufocam 

Mutilam 

Transpassam 

Violentam 

Por isso que trago a espada comigo, e não flores. 

Para partir a cabaça dos homenzinhos que consideram-se a si mesmos como sábios. 

Romper a ordem existente é um ato revolucionário! 

Que nasce com a inconformidade, do luto, da luta. 

A revolução precisa vir de dentro para fora. 

Dentro, porque deve te ajudar a enxergar os seus pecados primeiro, e não os de outrem! 

E de fora, porque temos muitas cabaças a partir. 

E a paz? 

Está no horizonte, juntamente com a nossa utopia. 

Ao término desta poesia posso lhe assegurar que estou em luto 

Mas não temos tempo para viver o luto 

Apenas a luta, 

A luta será a verbalização de nosso luto coletivo 

Estamos contritos, quebrantadas, quebrantados, enlouquecidos, enlouquecidas por esse 

sistema dominante que nos dilacera, 

Mas temos a resiliência da Mãe África

E só essa graça, 

Nos basta! 

Com amor: Nínive. 

 

 

 

Autoria: Nínive Silva 

A grande voz – Africanidades, Literatura Infantil e Circularidade

O Curso de Extensão Africanidades, Literatura Infantil e Circularidades promovido pelo curso de Pós Graduação lato sensu Educação em Direitos Humanos, promovido pela faculdade Federal do ABC (UFABC) e pela Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (UFABC) teve sua aula inaugural no segundo sábado do mês de agosto (10). O curso possui 150 vagas e as inscrições aconteceram no primeiro semestre do ano.
O curso tem como enfoque questões étnicos-raciais, dando uma visibilidade maior a cultura negra e trazer um novo protagonismo a partir de uma narrativa decolonial. O curso é voltado para a formação de professores da educação básica, focando em educação infantil e ensino fundamental, arte-educadores e educadores sociais e populares. Com grades diferenciais, as aulas foram compostas por materiais teóricos e práticos.
Este ano todos, desde cursistas a organizadores, se encantaram com a diversidade de assuntos que nasceram durante os encontros e o quão rico pode ser aulas que utilizam como material didático desde slides e documentários a simples livros infantis e sementes.
A aula  de Simone Pedersen, que é uma incrível escritora e contadora de histórias, tinha como objetivo discutir e compreender como a literatura infantil potencializa o repertório do educador, podendo assim levar seus alunos a terem uma discussão crítica em cima dos Direitos Humanos, a partir da teoria social cognitiva. Juntamente com sua mala de livros e histórias, Simone foi capaz de despertar em cada cursista a criança descontraída e curiosa que cada um carrega, mostrando a beleza da simplicidade dos contos infantis e a graça da contação de histórias.
No segundo dia do Africanidades nossa querida amiga e atriz Vera Luz, que é formada na Escola de Teatro Célia Helena, realizou juntamente com o percussionista, músico e professor de musicalidade afro e instrumentos sacros, Alagbê Renato,
uma incrível performance sobre as Histórias de Bambusche, gritando  para todos escutarem seu orgulho em ser mulher, preta e livre!
O quinto encontro do Africanidades, realizado no dia 14/09/2019 contou com a presença do Professor Paulo Inácio Coelho da Rede do Cuidado, que promoveu uma aula com brincadeiras, músicas e danças. O objetivo da aula era centrado na vivência das práticas culturais colaborativas, como desconstruir a competitividade como uma prática natural e ajudar no crescimento de uma ação cultural cooperativa entre as crianças e de maneira acessível, mostrar os temas dos Direitos Humanos, até mesmo para crianças.
Paulo apresentou diversas brincadeiras que envolviam músicas e danças. Através de um canto africano, mostrou como podemos nos conectar uns aos outros mesmo tendo rotinas, ideologias e pensamentos distintos. Mesmo sendo intimamente diferentes uns dos outros ainda sim, nossa luta é conjunta, uma só.
Convidando os cursistas a voltarem no tempo, Paulo ensinou uma nova forma da brincadeira de passa o anel, jogando em grupos menores, em roda, tendo uma pessoa ao centro para adivinhar com quem ficou o anel e com música, muita música, dando espaço a risadas e demasiada diversão.
Paulo voltou a falar sobre o instinto competitivo e como uma forma de provocação pediu aos cursistas para montarem duplas e entregou a eles uma faixa. Instruiu que a faixa deveria ficar ao chão e que apenas quando a música parasse poderiam pegá-la novamente. Com isso nos mostrou quanto a competitividade nos envolve, colocando em evidência que ao parar a música as duplas não se preocuparam em pegá-la em conjunto. Para encerrar esta brincadeira, pediu que as duplas se olhassem e tentassem pegar a faixa ainda com o olhar fixo no outro, enxergando aquele que está a sua frente, percebendo o objetivo em comum -pegar a faixa- e ensinando que na fraternidade e união de valores não há espaço para a indiferença e individualismo.
Para encerrar o encontro e como uma forma de unir mais ainda os laços, ensinou a dança da umbigada, que promoveu muito mais que diversão e gargalhadas, selou com muita magnitude a conectividade de todo o grupo.
No último dia do Curso, os criadores do Coletivo Amazonizando, Suane Brasão e Ivamar Santos, promoveram uma riquíssima aula sobre a Amazônia, mas não com um objetivo didático e sim como um grito de socorro que muitos insistem em ignorar.
Encerrando com chave de ouro, Suane e Ivamar entregaram tambores, chocalhos e agogôs aos cursistas e através de música e batuques, andando pela Universidade Federal do ABC, dançamos, cantamos e “incomodamos” a todos com a estrondosa voz da liberdade!
UBUNTU. Eu sou porque nós somos!