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Author: Ana Dietrich

O Brasil em risco: O alarme está soando!

Rodolfo Fiorucci

Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Paraná – IFPR/Jacarezinho e Pesquisador do Grupo Integralismo e Outros Movimentos Nacionalistas

 

“Talvez sejam os públicos fascistas, e não seus líderes, que precisem ser psicanalisados” (Robert Paxton em A Anatomia do Fascismo).

Em A Revolução dos Bichos, Orwell nos ensinou, num desfecho glorioso, que seres que até ontem compartilhavam das mesmas mazelas que seus pares, podem se tornar algozes piores que os antigos inimigos. Foi assim que os porcos da fazenda, representando esta transformação, passaram a caminhar em duas patas na casa grande; antropomorfizando-se.
Publicada em 1945, esta obra é um dos maiores ícones de resistência aos Totalitarismos (Seja de Direita ou de Esquerda), aos sectarismos, às reverências a violência, às manipulações e a qualquer tipo de intolerância. Mas todos estes terrores são consequências de momentos anteriores, e estes é que devem ser percebidos a tempo. O alarme sempre soa, mas precisamos estar atentos para ouvi-lo.
Os terrores de ditaduras, totalitarismos e fascismos não surgem repentinamente. São construções sociais, políticas, econômicas e discursivas que se valem de momentos de crises para desenterrar os mais profundos sentimentos de ódio e medo. Grupos assumem protagonismos sociais ancorados em discursos moralistas, religiosos, nacionalistas e anticorrupção em tons extremados, construindo sempre… SEMPRE, um inimigo comum (judeus, negros, índios, homossexuais, testemunhas de Jeová, comunistas, imigrantes, mulheres, líderes sociais, petistas etc) que justifique toda e qualquer delinquência e violência. Pelo “bem comum”, alguns precisam ser sacrificados e a democracia despedaçada… e a partir daí, os seguidores deste fenômeno sócio-político se sentem livres para agir, com carta branca, como se protegidos por um excludente de ilicitude.
Nunca antes na História do mundo a escalada fascista assumiu contornos muito diversos dos supracitados. Não seria diferente em terras tupiniquins. Um espectro ronda o Brasil, e este é o espectro de um autoritarismo com pitadas fascistas. Como em A Revolução dos Bichos, tornamo-nos lobos (ou porcos) de nós mesmos. Hipnotizados sob a égide de um moralismo torpe, que se vale dos mesmos motes nazistas (“Alemanha [Brasil] acima de tudo, Deus acima de todos”) e integralista/fascista (“Deus, Pátria e Família), legiões de pessoas comuns revelam seus lados mais sombrios, crentes de que exista um inimigo comum e/ou uma grande conspiração para destruir as bases da sociedade cristã.
Cegos e apaixonados seguem o líder (já chamado noutros tempos de Fuhrer, Duce, Chefe… hoje Mito), consubstanciando palavras de ordem de essência violenta e intolerante, em práticas sociais e virtuais que erigem, pouco a pouco, o inferno coletivo. Defendem projetos de destruição de seus próprios direitos, de sua estabilidade social, de suas garantias democraticamente cidadãs, de suas liberdades individuais, em nome de uma fantasiosa segurança que se resume em armar a todos, numa sociedade de extrema desigualdade. Esta é a receita da hecatombe!
Bailamos a beira do precipício, vendados e sem paraquedas. Contaminados pela patologia do antipetismo, diuturnamente produzido por uma mídia antissocial e antinacional (dominada por 5 famílias no Brasil – e muitos acham que isso é democracia [?!]…), que se vale de todos os recursos disponíveis para aflorar ódio e medo, entregamo-nos a projetos megalomaníacos, atacamo-nos, ofendemo-nos, tornamo-nos assassinos, agressores, violentos!
A isto a psicologia chamaria de histeria coletiva, que é um fenômeno psíquico de tendência a repetir qualquer ato e crença quando em grupos que os praticam. Deixamos de ser racionais para nos converter em autômatos passionais, misseis teleguiados, cujos alvos somos nós mesmos. Aceitamos perder tudo, entregar as riquezas nacionais, vender nossa água, floresta, recursos minerais, trabalho formal, tudo! Depois disso, o que nos restará? Até mesmo passamos a defender quem nos explora dia-a-dia, lutamos para que enriqueçam mais e mais, ludibriados por uma lógica nada empírica de que sem eles nada seremos. Quando, sem nós, eles também nada são. A sociedade é um jogo de equilíbrio de forças, que só funcionará quando princípios de justiça social mínimos fizerem parte da cultura popular.
O inimigo não é o seu irmão da cruel labuta diária. Não é a carne negra, não é a cultura indígena, tampouco o/a homossexual, ou a mulher que, empoderando-se, mitiga seu primitivo e frágil machismo. Muito menos é aquele/a progressista que luta em prol da diminuição de desigualdades, de justiça social, de acesso a bens mínimos para todos! Os inimigos meu/minha irmão/irmã, são outros. Exatamente aqueles que te fazem acreditar que seus pares são seus horrores. Que os que compartilham de uma vida medíocre (até mesmo você que ganha 5 ou 10 mil reais por mês) como a sua, seriam os adversários, devido a singelas diferenças que cada um pode apresentar em relação a ti. Você ainda não percebeu que tudo que sustenta ainda alguma garantia e direito a você está sendo demolido sob a verborragia de uma moral nebulosa.
Ingmar Bergman, o talentoso cineasta sueco que produziu O ovo da Serpente (1977) – uma obra prima sobre a sociedade que produziria o nazismo -, foi um ardoroso admirador de Hitler na juventude, sentimento alimentado após assistir um discurso do Fuhrer, em 1936. Dizia ele que se sentiu eletrizado com aquelas ideias! Bergman, em uma entrevista a escritora Maria-Pia Boethius, rememorou: “O nazismo que eu via parecia divertido e juvenil. A grande ameaça eram os bolcheviques [comunistas], que eram odiados”. No mesmo livro revela que o irmão e amigos atacaram a casa de um judeu e picharam a suástica em suas paredes. Eles acreditavam estar fazendo o correto para defender a nação, a pátria e a família, tudo em nome de Deus. Bergman lamenta o que descobriu mais tarde: “Quando as portas dos campos de concentração foram abertas, a princípio não quis acreditar em meus olhos. De uma maneira brutal e violenta, de repente fui arrancado de minha inocência”.
O alarme está soando, berrando na verdade! Precisamos, com urgência, escutar. Do contrário, que sociedade estamos erigindo neste exato momento? AINDA não é tarde demais… e por isso todos devem empunhar a única arma capaz de modificar um futuro tenebroso: o voto! Aqueles que se abstiveram de escolher, que o façam agora, pois a onda fascista engole a tudo e a todos.
Como escreveu Dante Alighieri em sua Divina Comédia: “Os piores lugares do inferno são reservados aqueles que, em tempos de crise, permanecem-se neutros”. Não sejamos mornos.

MONTEIRO LOBATO, patrono da literatura infantil brasileira?

Luciano Fortunato

Nenhum autor de livros para crianças foi tão bem sucedido em ridicularizar e inferiorizar o povo negro. O Sítio do Picapau Amarelo é quase uma catequese racista. Todos os personagem negros são caricaturas. Há até o resgate da lenda do Saci, que associa o negro ao demônio. Os livros do Sítio são lixo cultural. Seu autor, um homem que apoiava a Ku Klux Klan e lutou pelo “clareamento” do Brasil, participando ativamente de sociedades de eugenia. Abaixo, um “belo” trecho de um livro com personagens do Sítio:

“Afinal as duas velhas apareceram – Dona Benta no vestido de gorgorão, e Nastácia num que Dona Benta lhe havia emprestado. Narizinho achou conveniente fazer a apresentação de ambas por haver ali muita gente que as desconhecia. Trepou em uma cadeira e disse:
– Respeitável público, tenho a honra de apresentar vovó, Dona Benta de Oliveira, sobrinha do famoso Cônego Agapito Encerrabodes de Oliveira, que já morreu. Também apresento a Princesa Anastácia. Não reparem por ser preta. É preta só por fora, e não de nascença. Foi uma fada que um dia a pretejou, condenando-a a ficar assim até que encontre um certo anel
na barriga de um certo peixe. Então o encanto se quebrará e ela virará uma linda princesa loura”. (LOBATO, 1959, p. 234)

Há alguns anos fiquei chocado ao ler (em fac simile, na Revista Bravo) as cartas racistas de Monteiro Lobato, onde ele lamenta com um amigo cientista nos Estados Unidos a falta de uma Ku Klux Klan no Brasil e que a culpa do atraso do Brasil é dos negros. Esse era o pensamento não só do nosso querido escritor, mas também de parte da ciência daquela época, que defendia a eugenia. Precisamos entender as circunstâncias do dito, evitando o anacronismo, sempre que possível. Particularmente, sou contra a retirada de seus livros, por serem eles parte integrante da formação cultural brasileira. Sou contra qualquer censura de qualquer obra: mesmo da parte racista da obra de Lobato, um autor, sim, racista, o que hoje é fato notório. Acho, aliás, que é preciso entendermos como pensavam as “grandes mentes” da cultura nacional, para assim melhor compreendermos o fenômeno do racismo, que persiste.

Vida de gado, povo marcado, povo feliz

Igor Fuser

Docente do Curso de Relações Internacionais da UFABC

Meus amigos e amigas torcedor@s verde-amarel@s, não me levem a mal, mas para mim é impossível torcer pela Seleção Brasileira. Estou sofrendo demais com a realidade do mundo verdadeiro.

O petróleo do pré-sal, a maior riqueza natural do nosso país, está sendo roubado pelo capital transnacional. Na calada da noite, os traidores da pátria estão entregando esse tesouro de trilhões de dólares, bloco após bloco, a preço vil. A pilhagem mais escandalosa em toda nossa história está acontecendo justamente por estes dias, embalada pela trilha sonora das buzinas, das vuvuzelas, dos gritos eufóricos da multidão hipnotizada pela Copa.

O sonho dos governos de Lula e Dilma, de usar o pré-sal para impulsionar o nosso desenvolvimento econômico e social, está sendo sepultado sob as águas do Atlântico. De leilão em leilão, de decreto em decreto, estamos sendo condenados ao eterno atraso, sem refinarias, sem estaleiros, sem indústria nacional, sem tecnologia, sem Petrobrás, importadores de gasolina e diesel. E ninguém parece estar tomando conhecimento disso.

As nossas universidades públicas, orgulho dos governos progressistas, estão em acelerado processo de desmonte, com cortes sistemáticos de recursos. O plano dos golpistas, claramente, é asfixiar o ensino superior público, sucatear as universidades gratuitas, inviabilizar o seu funcionamento, para que elas encolham e agonizem, para que as mais frágeis delas fechem as portas e o que o restante, o que sobrar, se ajoelhe perante os bancos privados, verdadeiros donos do Brasil, em busca de umas migalhas de financiamento em troca do ensino pago.

O diploma universitário voltará a ser um privilégio dos mais ricos. Aliás, já está voltando: é o que estamos assistindo, de braços cruzados, enquanto centenas de milhares de jovens deixam o ensino superior por falta de meios de subsistência, com o corte das bolsas de estudo que garantiam sua condição de estudantes.

Os direitos dos trabalhadores, a maioria deles conquistas que remontam às lutas da primeira metade do século 20, estão sendo destruídos, sem choro nem vela, por uma burguesia voraz, predadora, perversa, que prefere o fascismo a admitir um mínimo de benefícios sociais para a massa de despossuídos. Os sindicatos, principal instrumento de defesa da classe trabalhadora, marcham silenciosamente para a extinção, exaustos, falidos, sem ânimo para a resistência, hoje mais necessária do que nunca. E a multidão indiferente, bestificada, vibrando na cadência da narrativa ufanista dos galvões buenos.

Desemprego em massa, milhões de novos desesperados no olho da rua todos os meses, em meio à maior epidemia de falências de empresas em toda a nossa história — e ninguém diz nada.

Lula, o maior líder popular brasileiros em todos os tempos, o melhor de todos os nossos presidentes, vai completar três meses na cadeia, condenado injustamente por um bando de canalhas, e ninguém, salvo um punhado de bravos, faz qualquer coisa em sua defesa…

Mas nada disso importa diante da grande pergunta, se Neymar será capaz de recuperar o seu talento, erguer-se finalmente em campo e levar a nossa pátria idolatrada ao retumbante triunfo. Esse é o foco de todas as atenções nestes dias de tragédia e de infâmia.

Até mesmo meus companheiros mais conscientes, mais combativos, alguns dos que eu mais admiro, se deixaram seduzir pelo grande circo do futebol.

Não se fala de outra coisa, não se pensa em mais nada, o país inteiro transformado num imenso rebanho marchando passivo para o matadouro. “Vida de gado, povo marcado, povo feliz”…

Uma vitória da seleção brasileira na final da Copa do Mundo será a apoteose da insensatez.

Tô fora dessa.

Carnaval

Quase seis horas, mas vai ainda visitá-lo, o amigo pintor, recém-chegado de viagem. Passa pelo jardim, apanha raminhos de manjericão cheiroso, há sempre alguma orquídea  aberta a apreciar pelo caminho… Chega ao ateliê, gosta de apreciar o “Orquidário”, tela de rara beleza, onde o amigo reproduziu a perfeita beleza das orquídeas do jardim, agora ao lado da outra, um fantástico “Carnaval”, que suas mãos talentosas criaram com máscaras coloridas. Um carnaval tantas vezes intensamente vivido, mas que se fora para sempre da vida dele.

Quer fotografar as duas telas, o amigo entre elas, Tinha-as visto nos esboços, tomando lentamente as cores, as formas se aprimorando, até chegarem à plenitude, com sua beleza contagiante, vencendo concursos, despertando admiração. E retornadas agora das viagens, das exposições, um rastro de beleza deixado pelos caminhos.

Consulta o relógio: seis horas.  Tem pouco tempo, tantos os compromissos. Liga mais luzes, quer plena claridade, prepara o flash, dispara. Mas, com ele, máscaras escapam da tela, ganham corpo e vida, se atropelam, multiplicando-se às dezenas. Quer ser racional, buscar explicações sensatas, mas os foliões a envolvem, invadem o “Orquidário”,  colhem as flores, esvaziam a tela.

Cruzam-se serpentinas, tudo é alegria. Mal pode vislumbrar o amigo pintor nos braços foliões, rindo e dançando. Pensa no vinho que ele lhe serviu, nos brindes ao sucesso. Quem sabe ali a explicação, talvez um pequeno exagero. Ou a existência se redefinindo em enigmáticas paragens? Não importa. Entra no clima, tromba com arlequins e pierrôs, canta também marchinhas de tantos carnavais passados. Flutuam todos no espaço dilatado, a luz jorra de ignotas fontes…

Estranhamente, não se movem os ponteiros do relógio.

Mas o vento frio da madrugada entra pela janela. Murcham as orquídeas, foliões se reduzem a máscaras, as esgarçadas fantasias se diluem no ateliê. A alegria se vai. Voltam lentamente às telas, máscaras e flores.

Consulta o relógio: seis horas. O tempo não escorrera? E lá está o amigo pintor, o sorriso bondoso, nenhuma perplexidade. Não teria vivenciado tais momentos? Melhor se calar, quem sabe passageira alucinação. Ou feitiço daquelas telas encantadoras?

Despede-se. Sai à rua. Nada acontecera. Não há carnaval, apenas a rotina. Faz frio. Enfia as mãos nos bolsos do casaco. Confetes?

 

Maria Apparecida Sanches Coquemala

Autora licenciada em Letras, especializada em Linguística, pedagoga. Premiada pela UBE, Rio com A Gruta Azul e Carnaval, 2º e 3º lugares; e pelo Governo da Paraíba, Correio das Artes, com À Espera e pela Ed. Porto de Lenha, Gramado, ambos 1º lugar, todos  coletâneas de  contos e crônicas.  Na literatura infanto-juvenil, publicou Naná e o Beija-flor; na poesia, À margem da vida e Pulsar, este já na 3º ed. Autora também de Círculo Vicioso, O Último Desejo, Além dos Sentidos e Flashes, coletâneas de contos e crônicas; Participa de antologias no Brasil,  Portugal e Itália. Cronista de O Guarani, jornal  de  Itararé, SP, cidade onde reside.

Email para contato: maria-13@uol.com.br

 

O PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS E A MÍDIA

Alan Aparecido Gonçalves

Marcos Costa

Sandra Felix Santos

Sandra Salerno

Thiago Augusto Pestana

Pesquisadores do Grupo de Pesquisa Educação em Direitos Humanos/ UFABC

Ana Maria Dietrich

Orientadora/ Docente UFABC

Resumo
O presente trabalho busca uma reflexão acerca dos desafios da efetivação da preservação dos Direitos Humanos na mídia. Para isso, buscamos esboçar um histórico da transformação que ocorreu na mídia e propor estratégias de difusão de informações importantes para dificultar a violação dos mesmos, seja por conta de racismo, sexismo, discriminação ou preconceitos.

Introdução

A Declaração Universal de Direitos Humanos completará 70 anos em 10 de dezembro de 2018. Essa comemoração nos faz refletir sobre como nossa sociedade, ainda reproduz injustiças e desigualdades, que, por conseguinte faz parte de retrocessos bastante acentuados e antagônicos à proposta da Declaração. Atualmente estamos em um momento crítico, e presenciamos diariamente manifestações de ódio, informações manipuladas e discriminação, principalmente através da mídia.

Sabemos que o conhecimento é a ferramenta que permite às pessoas a mudança, então, acreditamos que a melhor maneira de evitar que essas violações evoluam seja a difusão das informações e dos direitos de forma a envolver todas as pessoas com clareza e ciência sobre aquilo que é necessário falar. No Brasil, de acordo com a pesquisa feita pelo Ibope a pedido da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República em 2013, as pessoas passam em torno de 3h39min diariamente conectados à internet[1] e nesse caso, é importante ressaltar sob qual a forma que as pessoas assimilam os conteúdos fornecidos pela internet e qual seu posicionamento acerca das veracidades ali propostas. Temos como pressuposto, incitar pesquisas mais aprofundadas sobre determinadas questões no intuito de problematizar e confrontar notícias em busca de uma versão mais fiel à realidade proposta em um primeiro plano.

Em 2007, foi lançado no Brasil, o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos que propõe, entre outras coisas, diretrizes para a inclusão de ações educativas na mídia, capazes de penetrar nas regiões mais longínquas dos Estados e do país, fortalecendo a cidadania e os Direitos Humanos (BRASIL, 2007).

Além disso, temos previsto em nossa legislação vários trechos específicos que visam garantir a proteção dos direitos, da dignidade e da cidadania, como a nossa Constituição Federal de 1988, a Lei de Proteção ao Consumidor (Lei Nº 8.078, DE 11 DE SETEMBRO DE 1990) e o Estatuto da Criança e do Adolescente.

O objetivo deste trabalho é analisar as mudanças que já vem ocorrendo na mídia neste sentido para que seja possível propor estratégias que contribuam com a efetiva execução das diretrizes propostas no Plano Nacional de Direitos Humanos no que se relaciona à mídia.

Acreditamos que, se utilizada de forma adequada, a mídia pode ser um grande aliado à preservação dos Direitos Humanos.

A transformação da mídia

Através da pesquisa sobre os anúncios de publicidade, pudemos observar que muitas mudanças positivas vêm acontecendo gradativamente e muitos questionamentos a respeito da violação de direitos e discriminação. Entendemos que as propagandas eram fruto de pessoas com vistas à sua época, e nesse caso, cabe a nós uma reflexão que considere isso no presente.

Pudemos observar que, mesmo após a Declaração Universal de Direitos Humanos, ainda era frequente a divulgação de anúncios agressivos, discriminatórios e preconceituosos, como pode ser observado nas figuras abaixo:

Figura 1 – Anúncio racista da Fairbank Company (1900)

 

Figura 2 – Anúncio sexista da empresa Chase & Sanborn (1950)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No entanto, pouco a pouco, as mudanças começaram a surgir e atualmente, não apenas se tornou incomum a divulgação de anúncios com essas características, como também existem questionamentos que tem como objetivo alertar a insensatez dessas imagens, como o exemplo do trabalho do fotógrafo Eli Rezkallah, de Beirute, no Líbano, com uma série chamada “In A Parallel Universe”[2]:

Trabalho de Eli Rezkallah

 

Nesse sentido, analisando a teoria frankfurtiana de “indústria cultural” e “cultura de massa” de Adorno e Horkheimer, fica clara a percepção e preocupação destes teóricos em relação às banalidades que os conhecimentos fora dos moldes tradicionais podem oferecer. A propaganda nesse aspecto busca a síntese de imagens, disposição de cores e mensagens que podem estar bem além daquilo que se pode considerar como inofensivo. Walter Benjamins da mesma “escola” supracitada, já pensa que a reprodução de imagens pode favorecer o conhecimento de maneira democrática sem limites de espaços mais é preciso o domínio ético acerca daquilo que está sendo reproduzido e qual sua finalidade e objetivo. Sugere-se então com essas teorias que as mídias acabam por fomentar grande parte das informações consumidas em todo globo terrestre e se tornou um instrumento de difusão de saberes e de dominação seja por ordem do capital ou por questões políticas e ideológicas.

Sem dúvida, as mídias chegaram para ficar e cabe aqui refletir sobre como elas estão sendo tratadas e assimiladas pela massa. Partiremos da análise das mensagens e imagens popularmente chamada de Fake News que busca difundir informações deturpadas que fomentam discursos de ódio acarretando instabilidades sociais em todos os campos da sociedade. A exemplo disso, a vereadora Marielle Franco (PSOL) que foi assassinada junto a seu motorista Anderson Pedro Gomes no dia 14 de março de 2018 teve sua imagem associada a facções criminosas gerando a revolta de populares e entes próximos que sabiam que tal envolvimento era uma farsa. Esse exemplo nos aponta indícios de que forma algumas pessoas deturpam as informações e buscam a reprodução imediata destas inverdades nas redes sociais principalmente. Analisar a mídia é um exercício de resistência. É buscar a verdade acima de tudo e difundir conhecimento através dela e não advogar a favor de pessoas ou grupos como estratagema de dominação das mentalidades. Trata-se, portanto, de divulgar os Direitos Humanos, buscar resgatar a identidade das pessoas perdidas pela mentira das redes e convidá-las a reflexão sobre a verdade e a mentira. A educação salva aquilo que estão tentando assassinar e manipular: o conhecimento.

[1] Informação disponível em: https://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/brasileiro-passa-mais-tempo-na-internet-que-na-tv-diz-pesquisa-11810499; Acesso em: 20 mai. 2018.

[2] Disponível em: https://hypescience.com/fotografo-inverte-os-papeis-de-genero-em-propagandas-vintage-sexistas-e-os-homens-nao-vao-gostar-do-resultado/; Acesso em: 22 mai. 2018

 

Referências Bibliográficas

BENJAMIN, Walter, 1892-1940. – A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica / Walter Benjamin; organização e apresentação Márcio Seligmann-Silva; tradução Gabriel Valladão Silva. – 1. ed. – Porto Alegre, RS: L&PM,2013. 160 p.; 21 cm.

BRASIL, Comitê Nacional de Educação em Direitos Humanos. Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos / Comitê Nacional de Educação em Direitos Humanos. – Brasília: Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Ministério da Educação, Ministério da Justiça, UNESCO, 2007, 76 p.

BOURDIEU, Pierre, 1930-2002. A reprodução: elementos para uma teoria do sistema de ensino / Pierre Bourdieu, Jean-Claude Passeron; tradução de Reynaldo Bairão; revisão de Pedro Benjamin Garcia e Ana Maria Baeta. 6. ed. – Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.

ORWELL, George, 1903-1950. – 1984 / George Orwell; tradução; de Wilson Velloso. – 17. ed. – São Paulo: Ed. Nacional, 1984. (Biblioteca do espírito moderno; série 4.: Literatura; v.24).
SETTON, Maria da Graça. Mídia e educação / Maria da Graça Setton. – 1.ed..1ª reimpressão. – São Paulo: Contexto, 2011.

Referência Virtual

COSTA, Thiago Augusto Pestana da. EDUCAÇÃO, ESPELHO DA SOCIEDADE OU REFLEXO DA MÍDIA? Disponível em: http://conic-semesp.org.br/anais/files/2014/trabalho-1000018369.pdf; Acesso em: 07 abr. 2018.

Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos / Comitê Nacional de Educação em Direitos Humanos. – Brasília: Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Ministério da Educação, Ministério da Justiça, UNESCO, 2007. pp. 53-59. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=2191-plano-nacional-pdf&category_slug=dezembro-2009-pdf&Itemid=30192; Acesso em: 08 abr. 2018.