maio 26, 2019
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Depois de oito anos tomados para acertar a documentação, o Arquivo Público do Estado abriu no dia 17/03/2019 uma visita educacional para consultar fotos de arquivo da antiga RFFSA, extinta em 2007. O acervo conta com mais de 26 mil fotos, álbuns de companhias ferroviárias como a Sorocabana, a Paulista e a Mogiana, todos datados do final do século 19 e início do século passado, e aproximadamente 86 mil fotos de filmes fotográficos que fazem parte da história da Rede Ferroviária Federal. Esses arquivos se localizavam em Jundiaí e em um imóvel na rua Mauá chegaram desorganizadas, e por isso o acervo demorou mais de 10 anos para ser aberto. Logo após a RFFSA ser extinta, o patrimônio esteve quase abandonado até 2011, e até os dias de hoje ainda tem vagões e imóveis que são da antiga rede e não tem o devido fim. Ainda em 2011, foi assinado um acordo pelo Arquivo Público para manter o acervo pelo tempo mínimo de cem anos. O acervo conta também com material da São Paulo Railway, de 1867, que foi a primeira empresa de ferrovias em São Paulo. Nesta seção, a maior do arranjo, o Arquivo do Estado conta com 14.716 imagens de estações, obras, maquinário, entre outros. A menor, e última parte do conjunto, é composta por documentos de diversas entidades de ferrovias no país e no mundo inteiro, e também de instituições cujas quais não é possível identificar pelas fotos. O acervo pode ser visto apenas com agendamento prévio, feito pelo e-mail iconografico@arquivoestado.sp.gov.br. *Informações retiradas do site https://sobretrilhos.blogfolha.uol.com.br/2019/03/17/arquivo-do-estado-abre-acervo-da-extinta-rede-ferroviaria-federal-para-consulta/

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Numa visão simplista, a escravidão no Brasil foi apenas aquela monstruosidade que se cometeu por séculos contra índios e negros, e que teria sido “abolida” em 1888; isso é uma face dolorosa e vergonhosa de parte da verdade, mas está longe de ser toda a verdade. A pessoa escravizada não é somente aquela privada de liberdade e submetida a trabalhos forçados, é todo ser humano de quem se rouba a dignidade e os direitos fundamentais.

Adultos analfabetos, crianças fora do sistema escolar, moradores de rua, violência, ausência de saneamento e inúmeras outras mazelas, aderidas ao horror diário que chega de Brasília, com negociações imundas para a manutenção da imunidade/impunidade de figurões abaixo de qualquer suspeita, deveriam ter nos habituado aos absurdos que se pode cometer no exercício do poder.

Benesses, afagos, cargos, indulgências tributárias e plenárias, fatos antigos, embora tenham chegado a um paroxismo sem qualquer pudor, não nos levariam à suposição de que se fosse ao ponto de tentar restaurar formalmente a escravidão.

Foto1: Sebastião Salgado

No entanto o Ministério do Trabalho e Emprego baixou portaria que “flexibiliza” o conceito de trabalho escravo em nosso país, segundo a qual o trabalho em condição degradante, as jornadas exageradas e o trabalho forçado podem ser tolerados em uma sociedade civilizada desde que a vítima (o trabalhador) tenha concordado com isso.

Certo que grandes áreas do Brasil não são exatamente civilizadas, e pensemos no imenso poder de pressão que empresários mal-intencionados têm frente a trabalhadores pouco esclarecidos, até mesmo analfabetos, em situação de penúria – que labutarão anos a fio apenas para pagar sua própria comida e abrigo, embora estes estejam muito abaixo do que se concederia aos animais, e que mesmo neste caso caracterizariam desumanidade contra aqueles mais vulneráveis.

Agora, aquelas condições análogas à escravidão apenas se caracterizam dessa forma se os trabalhadores forem mantidos presos no local de trabalho; como se a impossibilidade de sair dele ou procurar outro emprego, sem ressarcir passagens e alimentação a preços extorsivos, já não fossem prisão não declarada. Simplificando: não havendo senzala não é escravidão, os grilhões econômicos, financeiros e o uso da brutalidade passam a não ter a mínima importância.

Outro dado absurdo: a lista das empresas envolvidas com trabalho escravo, que deveria ser levada a público no mínimo duas vezes ao ano e por determinação da área técnica do Ministério, passará a depender da “determinação expressa do ministro”. É desafiador imaginar como o ministro conseguirá tempo e competência, dentre as suas inúmeras atribuições (supomos), para filtrar as informações incômodas e determinar “expressamente” a publicação das restantes, o que provavelmente ocorrerá apenas em anos bissextos.

Foto2: Sebastião Salgado

Num país onde proliferam favorecimentos aos amigos, onde se compram votos a peso de ouro – com verbas públicas, evidentemente -, em que flagrantes explícitos de malversação do erário são apenas perseguições da mídia golpista, é fácil ver onde usamos o nariz vermelho do palhaço. Sem ofensas ao palhaço, trabalhador honesto e dedicado.

O setor agropecuário é essencial para o país, além de produzir alimentos gera divisas importantes com a exportação, e é um dos segmentos da economia que mais cria e mantém empregos formais distantes da degradação do trabalho escravo. É lamentável que alguns de seus representantes, talvez espúrios, valham-se da fragilidade de um governo pouco legítimo e em situação de pânico para tentar impor condições de trabalho indefensáveis para brasileiros.

Em meio a tanta infâmia é um consolo que possamos nos orgulhar do Ministério Público do Trabalho, dos auditores responsáveis pela área, por muitos representantes da sociedade civil e até pela Organização Internacional do Trabalho, que não dobraram a espinha e fazem o possível para evitar uma catástrofe humanitária e legal. Tudo tem limites.

MONTEIRO LOBATO, patrono da literatura infantil brasileira?
nov 13, 2018

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Luciano Fortunato

Nenhum autor de livros para crianças foi tão bem sucedido em ridicularizar e inferiorizar o povo negro. O Sítio do Picapau Amarelo é quase uma catequese racista. Todos os personagem negros são caricaturas. Há até o resgate da lenda do Saci, que associa o negro ao demônio. Os livros do Sítio são lixo cultural. Seu autor, um homem que apoiava a Ku Klux Klan e lutou pelo "clareamento" do Brasil, participando ativamente de sociedades de eugenia. Abaixo, um "belo" trecho de um livro com personagens do Sítio:
"Afinal as duas velhas apareceram – Dona Benta no vestido de gorgorão, e Nastácia num que Dona Benta lhe havia emprestado. Narizinho achou conveniente fazer a apresentação de ambas por haver ali muita gente que as desconhecia. Trepou em uma cadeira e disse: - Respeitável público, tenho a honra de apresentar vovó, Dona Benta de Oliveira, sobrinha do famoso Cônego Agapito Encerrabodes de Oliveira, que já morreu. Também apresento a Princesa Anastácia. Não reparem por ser preta. É preta só por fora, e não de nascença. Foi uma fada que um dia a pretejou, condenando-a a ficar assim até que encontre um certo anel na barriga de um certo peixe. Então o encanto se quebrará e ela virará uma linda princesa loura". (LOBATO, 1959, p. 234)
Há alguns anos fiquei chocado ao ler (em fac simile, na Revista Bravo) as cartas racistas de Monteiro Lobato, onde ele lamenta com um amigo cientista nos Estados Unidos a falta de uma Ku Klux Klan no Brasil e que a culpa do atraso do Brasil é dos negros. Esse era o pensamento não só do nosso querido escritor, mas também de parte da ciência daquela época, que defendia a eugenia. Precisamos entender as circunstâncias do dito, evitando o anacronismo, sempre que possível. Particularmente, sou contra a retirada de seus livros, por serem eles parte integrante da formação cultural brasileira. Sou contra qualquer censura de qualquer obra: mesmo da parte racista da obra de Lobato, um autor, sim, racista, o que hoje é fato notório. Acho, aliás, que é preciso entendermos como pensavam as "grandes mentes" da cultura nacional, para assim melhor compreendermos o fenômeno do racismo, que persiste.