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O Trabalho em Tempos de Corona Vírus

Assim como o vírus se propaga, instituições que resolvem, antecipadamente, paralisarem suas atividades em público ganham um engajamento muito grande entre as pessoas e claro, semeiam em outras gestões, condutas responsáveis.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) é relevante que organizações prezem por determinações que visem a qualidade do ambiente laboral estimulando o conforto psicológico e físico. Para tal, necessita-se de planos que abranjam previsão, suporte e reabilitação, se for o caso. [1]

Ainda segundo a OMS, empresas que se orientam nesse viés consciente conseguem obter maior produtividade, além, claro, da saúde de seus colaboradores. [1]. Diversos textos dessa coluna levantaram questões desejáveis perante os novos paradigmas organizacionais e como os gestores poderiam se implicar nesse processo dinâmico e, assim oberem maiores resultados almejados.

Muitos fatores de risco são expostos pela referida organização. Nessa publicação enfatizo a ameaça de políticas inadequadas de saúde perante a declaração de pandemia do novo Covid-19, também nomeado de Coronavírus ou Sars-Cov-2. A OMS aponta que a mudança de classificação para pandemia faz-se necessária já que os Estados deverão assegurar medidas de prevenção do contágio uma vez que o novo vírus apresenta um alastramento geográfico intenso. [2]

As medidas mundiais frente a essa declaração divergem de acordo com ações de cada país. No Brasil, o ministro da saúde afirmou que em nada mudará em nossas providências, mantendo somente o monitoramento das regiões afetadas e  divulgação de protocolos de prevenção do contágio. [2]

No link disponibilizado como “ [3] ‘’ obtive acesso a imagem a seguir, onde os senhores poderão analisar um gráfico criado pelo cientista Drew Harris, e este aponta como ações poderiam diminuir o contágio da Covid 19 e assim, consequentemente, evitar a síncope da saúde populacional.

Foto: Carl Bergstrom e Esther Kim/CC BY 2.0

Diante dessa atual realidade é necessário que façamos uma reflexão frente ao estado de alerta da população mundial. Para tal, exponho uma disparidade entre medo e ansiedade, como conceitos.  De acordo com Baptista, Carvalho e Lory (2005), o medo se apresenta através de um estímulo ambiental que provoca condutas de fuga ou prevenção, ou seja, o medo pode ser evitado ao passo que para isso, podemos nos retirar dos locais onde o perigo possa existir. Em contrapartida, temos a ansiedade, uma condição emocional danosa sem que haja necessariamente desencadeadores explícitos, e que, em muitos casos, não pode ser evitada.

Os autores concluem que o medo se apresenta de forma conveniente visto que este nos protege de exposições que poderiam trazer prejuízos para nossa segurança física e mental. A partir do momento que esse estímulo estressor é dominado, o mesmo não é mais encarado como uma ameaça. (BAPTISTA, CARVALHO, LORY, 2005)

Diante dessa perspectiva do conceito de medo e ansiedade; perante ao alastramento do novo vírus; constatando a insuficiência das medidas tomadas após a declaração de pandemia, até então, do governo e do medo em que a sociedade se encontra, o resultado não teria como ser outro: um completo desespero e um sentimento de desamparo por parte dos nossos representantes, e possivelmente dos nossos gestores.

 Assim como o vírus se propaga, instituições que resolvem, antecipadamente, paralisarem suas atividades em público ganham um engajamento muito grande entre as pessoas e claro, semeiam em outras gestões, condutas responsáveis através de exemplos advindos principalmente da Itália, segundo país com mais casos apresentados, que nesse momento, mais está sofrendo com a propagação do vírus.

A conscientização não deveria, de forma alguma, vir somente dos nossos representantes ou de pessoas com hierarquias maiores que as nossa! A partir do momento em que temos a informação de que aglomerações podem alastrar a doença, sabemos exatamente o que devemos fazer.

O sentimento de empatia deve ser considerado: os mais jovens, principalmente sem problemas de saúde, provavelmente não sofrerão o impacto do COVID-19, mas certamente, contraindo-o, será disseminado inclusive para o grupo de risco.

O resultado na saúde mental dos trabalhadores não é algo difundido, por enquanto, uma vez que a preocupação maior nesse momento é com a nossa segurança física. Termino esse texto com a reflexão de que nosso estado mental fará total diferença nos impactos tanto emocionais, inclusive a longo prazo, quanto nos impactos financeiros. Planejamento requer conscientização, responsabilidade, prevenção, tomada de partida, entre outros… quanto mais mobilização, mais ações!

O caminho é mais claro e seguro com conhecimento!

Bem vindos de volta a coluna Elaborando o Labor, 2020.

REFERÊNCIAS

 

[1] ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Saúde mental depende de bem-estar físico e social, diz OMS em dia mundial. 2016. Disponível em: <https://nacoesunidas.org/oms-empresas-devem-promover-saude-mental-de-funcionarios-no-ambiente-trabalho/>. Acesso em: 14 mar. 2020.

 

[2] UNA-SUS. Organização Mundial de Saúde declara pandemia do novo Coronavírus. 2020. Disponível em: <https://www.unasus.gov.br/noticia/organizacao-mundial-de-saude-declara-pandemia-de-coronavirus>. Acesso em 14 mar. 2020

 

[3] G1. Blog do Hélio Gurovitz.Um gráfico explica a pandemia. Disponível em: <https://g1.globo.com/mundo/blog/helio-gurovitz/post/2020/03/12/um-grafico-explica-a-pandemia.ghtml> Acesso em 14 de mar. 2020

 

BAPTISTA, Américo; CARVALHO, Marina; LORY, Fátima. O medo, a ansiedade e as suas perturbações. Psicologia,  Lisboa ,  v. 19, n. 1-2, p. 267-277,    2005 .   Disponível em <http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0874-20492005000100013&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em  14 mar.  2020.

 

 

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Psicólogo pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (2017); especialista em Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico pelo Instituto Brasileiro de Formação (2018); especializando-se em Gestão de Pessoas pela PUC Minas; estagiou na Secretaria Municipal de Educação em Juiz de Fora no Departamento de Apoio ao Estudante; foi monitor das disciplinas " Anatomofisiologia", "Neuroanatomofisiologia" e " Fundamentos da Avaliação Psicológica" no CES/JF; foi psicopedagogo na Doctum Caratinga. Tem interesse nos temas: saúde do trabalhador; processos gerenciais; saúde mental; Psicologia clínica e Psicologia escolar.

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