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A IMPORTÂNCIA DA LITERATURA NO PROTAGONISMO EM DIREITOS HUMANOS

“Todo texto literário muda seu leitor, cabendo ao professor fazer as articulações emocionais, cognitivas, seja sobre a temática trabalhada, ou apenas para fruição…”

A literatura é capaz de encantar. Fonte: https://virusdaarte.net/a-literatura-infantil-e-100-bons-livros/

Cristina Miyuki Hashizume

Patrícia dos Santos Pessoa*

A literatura pode ser considerada a arte da palavra: através dela, autores têm a liberdade de criar a própria linguagem, uma forma pessoal e com seu estilo, expressando ideias, sentimentos e afetações. Trata-se de uma tela em que se manifestam inquietações internas, emoções, simbolizando liberdade. É música sonora, é aspiração e inspiração para a vida. É motivação, canção, sensação e um convite a navegar dentro de si para um encontro pessoal e ao mesmo tempo entender o outro, o universo e a viver com profundidade e não apenas passar pela vida.

Nesse sentido, transmitem afetos, mas também conjunturas sociais, temporais e espaciais. Mais do que representações e apenas afetações subjetivas, a arte também tem seu aspecto material. Contextualizada num cenário sócio-político-cultural, ela denota aspectos fundamentais para a formação subjetiva e constitutiva do cidadão. (DIETRICH et al, 2019)

Para Cândido (2004), ela é fundamental para a manifestação universal dos seres humanos, uma possibilidade de contato com o mundo fabulado sem o qual tornaria difícil a vivência das pessoas. Possibilita ao ser humano uma formação integral. Apostando nisso, podemos entender que ela contribui na “lubrificação” das relações humanas, no aprendizado, dando leveza e sensibilidade às aprendizagens.

Dado o seu caráter formativo, trata-se de uma importante ferramenta na formação docente. Usar a literatura, mais do que um instrumento pedagógico, trata-se de um modo de tocar o leitor, levando-o para sentir situações e se afetar com a história. Atua na formação e na aprendizagem das crianças e jovens, na medida em que faz o leitor sentir, pensar, trazer a experiência para a sua vida e transformá-la a partir das suas afetações. Todo texto literário muda seu leitor, cabendo ao professor fazer as articulações emocionais, cognitivas, seja sobre a temática trabalhada, ou apenas para fruição, permitindo um desenvolvimento integral humano (PEDERSEN, 2019, DIETRICH, A.M. et al, 2019).

Pedersen (2019) enfatiza que para que se estabeleça uma sociedade justa se faz necessário que a atenção esteja voltada para a formação das crianças na construção de seus valores. Os livros de literatura infantil, portanto, podem atuar na construção de uma reflexão crítica, fazendo intertextualidade e comparações entre imagens e textos. É necessário que o professor estabeleça sua atenção voltada à mediação da leitura sem deixar de lado a autonomia de escolha de seus alunos. Do mesmo modo, a literatura pode abordar assuntos como gênero, a negritude/branquitude, problematizando injustiças e violações de direitos humanos, numa ação de formação de médio prazo. (OLIVEIRA, 2019).

Sala de leitura de escola municipal de Ensino Fundamental de São Paulo (SP), de portas abertas para a literatura infantil. Fonte Facebook da EMEF RAUL POMPEIA: https://www.facebook.com/emefraulpompeia/

A possibilidade de transformação, proporcionando protagonismo em direitos humanos daquele que lê é importante. Nesse sentido, é importante o uso de materiais didáticos literários no ensino básico com vistas à formação para a cultura da paz. Construir novas gerações que zelem pelo cuidado, pelos valores humanos, respeito à diversidade deve ser uma meta para a atuação em educação e Direitos Humanos (SANTOS& SOUSA, 2019). Principalmente no momento histórico em que vivemos, certamente a formação em valores, na educação, é fundamental para que novos encontros e desencontros promovam um outro olhar sobre as diferenças.

A literatura pode ser um recurso fundamental na construção de uma nova cultura de valores mais consolidados, garantidores de relações mais inclusivas, democráticas, afetando as pessoas a partir de âmbitos que não meramente cognitivos e de aprendizagem. Tocam alunos/alunas, professores e professoras, gestão escolar a partir de outras sensibilidades, outros canais de formação, afetando-os e formando-os como cidadãos, militantes e defensores da justiça social. O uso de literatura, seja na educação infantil, nas séries iniciais ou na educação básica como um todo fala de uma intervenção que mais do que pedagógica, zela pela formação integral e cidadã de novas gerações rumo à cultura da paz.

Capa do Livro Educação em Direitos Humanos: Jogos & Literatura de SALVADOR & SANTOS, 2019. Universidade Federal do ABC. Coleção EDH Linguagens e Narrativas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Referências

CÂNDIDO, A. “O direito à leitura”. In:  Textos de intervenção. São Paulo: Duas Cidades, 2004.

DIETRICH, A.M.; HASHIZUME, C.M. Direitos humanos no chão da escola. São Bernardo do Campo: EDUABC, 2017.

OLIVEIRA, K. Literatura negra-brasileira  do encantamento. São Bernardo do Campo: EDUFABC, 2019. (Coleção organizada por DIETRICH, A.M.; HASHIZUME, C.M.; FRANCISCATO, I.)

PEDERSEN, S. Literatura infantil. São Bernardo do Campo: EDUFABC, 2019 (no prelo). (Coleção organizada por DIETRICH, A.M.; HASHIZUME, C.M.; FRANCISCATO, I.).

SANTOS, A.F.C.; SOUSA, C. Educação para a paz: análise das condições culturais de desenvolvimento no Brasil. PráxisEducativa, Ponta Grossa,v. 14, n. 2, p. 638-658, maio/ago. 2019. Disponível em:

http://www.revistas2.uepg.br/index.php/praxiseducativa. Acesso 04 dez 2019.

 

* PATRÍCIA DOS SANTOS PESSOA É DOUTORANDA EM PSICOLOGIA SOCIAL NA UNIFIEO.

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Professora do Programa Strictu Sensu (M/D) em Educação- UMESP e do Programa de Pós Graduação em Psicologia Educacional do UNIFIEO. Mestre (2003) e Doutora (2010) em Psicologia Escolar (USP). Desenvolve pesquisas focando educação, saúde e precarização das condições de trabalho e Direitos Humanos. É autora dos livros “Formação de Pedagogos e Cotidiano Escolar” (2009); Educação e Direitos Humanos: no chão da escola (EDUFABC,2017); “Trabalho docente e precarização nas relações laborais na educação” (APPRIS,2018) e seis livros paradidáticos em Educação e Direitos Humanos (2019). Autora de artigos em revistas indexadas em Educação e Sociologia, além de nove de capítulos de livros nas áreas de Psicologia e Educação.

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