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WORKSHOP “CINÉMA DE POCHE” NO CENTRO EUROPEU BATEL

Autora de uma tese sobre cinema feito com câmeras de celulares e defendida recentemente na Universidade de Sorbonne, na França, Claudia Maria Queiroz Lambach agora disponibiliza um workshop sobre o tema no Centro Europeu, no próximo dia 13 de setembro.

Esta pesquisa teve o objetivo  de entender o cinema móvel, feito com um dispositivo móvel, no cenário contemporâneo da “cultura móvel”, entendido como o conjunto de usos sociais associados aos dispositivos móveis conectados à Internet, produzindo e explorando textos, imagens, publicações em mídias sociais etc. Nós o analisamos como um fenômeno artístico, mas também comportamental e social, por meio dos usos e interesses (apostas, implicações) associados a ele, especialmente àqueles relacionados à inovação.

Fizemos uma série de entrevistas com profissionais ligados ao cinema de bolso. O Pocket Cinema aparece como um modo de expressão cinematográfico acessível a qualquer indivíduo com um dispositivo móvel, que usou amplamente novos recursos de divulgação via Internet e se tornou parte de uma tendência contemporânea da economia criativa.

Analisamos a distribuição de filmes de bolso em plataformas de vídeo na web e em festivais dedicados a imagens móveis entre 2005 e 2015. As imagens móveis se multiplicaram (selfies, vídeos), expondo até mesmo em um contexto mais íntimo. Refletimos sobre a proliferação de imagens móveis, criatividade, prática amadora e a posição do cinema de bolso diante do cinema tradicional.

Fonte: https://augmented.reality.news/news/augmented-reality-cinema-app-takes-you-movies-in-real-world-locations-0128627/

Com a cultura de participação e colaboração, a mídia convencional absorveu imagens móveis publicadas nas mídias sociais, uma nova maneira de colaboração focada no jornalismo. Por fim, a cultura móvel evolui rapidamente e levanta muitas questões.

A minha tese é uma reflexão sobre os usos e desafios da cinefilia feito com o telefone celular em uma sociedade equipada com esses aparelhos. O cinema é, portanto, o ponto de partida dessa pesquisa sobre criação “mobile”, através do que chamei na tese de cinema de bolso, ou seja, um cinema feito com um celular, que é um aparelho que se pode carregar dentro do bolso. Além do mais, alguns anos usando os celulares com câmeras, mostraram que a filmagem é apenas uma entre as muitas possibilidades que existem com esse aparelho digital voltado a comunicação entre as pessoas.

Uso da câmera do telefone celular para reportagens jornalísticas (Arquivo da autora)

A cultura do celular se revelou ser um fenômeno inovador nos diferentes segmentos da sociedade. Assim, estudando essa cultura através do cinema de bolso, eu me deparei com questões como “o que surgiu” e “o que pode ainda surgir” com a tecnologia móvel. De modo geral, a tese aborda essa tecnologia e as expressões sociais e artísticas que ela suscitou.

A pesquisa tem uma abordagem sociológica sobre o uso dessa tecnologia. Mas foi necessário considerar também outros aspectos desse assunto, tais como: a tecnológica, as artes visuais, a econômica (através da economia criativa), as formas de distribuição e o espectador por meio dos fundamentos do modelo semio-pragmático de Roger Odin, entre outros. Eu dediquei, então, alguns capítulos da tese para a discussão desses pontos e as suas relações com a inovação e com o cinema de bolso. Assim, seguem alguns aspectos importantes do universo do cinema de bolso e que foram fundamentais para dar início a pesquisa.

Cena do filme Parking (2014) do francês Alexandre Perez. O filme ganhou o prêmio mise em scene na 10ª edição do festival francês Mobile Film Festival. (Arquivo da autora)

O universo do Cinema de Bolso – Custos

Um dos pontos mais importantes de se fazer filmes com celular diz respeito aos custos. Realizar um filme com telefone celular é sempre realizar um filme em baixo custo. Eis alguns exemplos de longas-metragens de bolso:
Olive (2011), USA – o filme custou menos que 500.000 dólares. Os realizadores precisaram usar uma objetiva de 35 mm para melhorar na qualidade da imagem, sobretudo no que diz respeito a profundidade de campo. Para a filmagem, eles criaram um suporte para o smartphone multifuncional Nokia N8, conforme a figura abaixo.

Suporte para smartphone (Arquivo da autora)

The Affair (2014), USA – de Craig Ross Jr., iPhone5, 17.170 dólares.
Charlotte SP (2016), Brasil – de Frank Mora, iPhone5 e iPhone6, 25.300 dólares.
Amaré (2018), Brasil – de Marcel Izidoro, iPhone, 5.000 dólares.

Formas de distribuição dos filmes de bolso

Por meio dos festivais – No corpus da tese sobre os festivais, encontrei 86 festivais e 3 concursos. (Existem muito mais festivais, mas esses foram os que tinham informações precisas com relação as suas atividades).

Por meio da internet – Plataformas de vídeo.
YouTube, 1 bilhão de horas vistas por dia (setembro 2019).
DailyMotion, 300 milhões de utilizadores e 3,5 bilhões de visualizações por mês (setembro 2019).
Vimeo, 70 milhões de membros em 150 países e 280 milhões de visitantes por mês (fevereiro 2018).

Cena do filme Self portrait (2006) do sueco Johan Renck. O filme ganhou 2º premio do júri na edição de 2008 do Festival Pocket Film de Paris. (Arquivo da autora)

A análise semio-pragmática do cinema de bolso – Os espectadores do cinema de bolso: um público diferente do cinema tradicional?

Segundo Roger Odin, os espectadores desses filmes constituem um público diferente daquele público do cinema tradicional. O espectador de bolso é um espectador participativo, reflexivo, capaz de dar opinião e trocar observações. Eles podem criar seus próprios filmes e criar os filmes que vê. Assim, facilmente ele muda a sua posição de espectador para realizador.

Ele se torna um co-criador, porque sem esta mudança de posicionamento o filme não produziria os efeitos desejados. Odin acredita que graças a chegada dos filmes de bolso o espectador pode ver o filme de outra maneira, observar as questões técnicas, tecnológicas e instrumentais e se interrogar sobre a ferramenta usada para realizar os filmes.

Andreas Feininger (Self Portrait) em 1951, simulava o conceito da fusão corpo-câmera. Fonte:http://carlottarossi.blogspot.com/2013/07/photo-of-dennis-stock-by-andreas.html

 

O corpo como extensão da câmera

Um outro ponto abordado é a relação entre o corpo do realizador e o telefone celular, que chamei de “corporalidade”. Acredito que o tamanho do celular favoreça a criação de imagens quase oferecendo ao espectador uma sensação de estar dentro da imagem. Esta hipótese pode ser verificada, por exemplo, quando vemos as imagens de uma corrida de carros. O piloto-cameraman prende a câmera ao seu corpo e a imagem produzida permite ao espectador a sentir as mesmas sensações que experimenta o piloto. O realizador pode então usar a câmera como uma extensão de seu próprio corpo.

 

Claudia Maria Queiroz Lambach

Doutora em Ciências da Informação e da Comunicação pela Université Sorbonne Nouvelle, Paris 3, França. Membro do laboratório de pesquisa Labex ICCA. Mestre em Teoria da Cultura Visual pelo IADE – Faculdade de Design Tecnologia e Comunicação da Universidade Europeia (AlBan). Especialista em História da Arte Moderna e Contemporânea pela EMBAP. Designer na PUCPR.
Email : cmql@hotmail.com

 

 

Serviço:

Workshop Cinéma Poche
Dia: 13 setembro 2019
Horário: 14h30 – 16:00
Centro Europeu – Sede Batel
Mais informações:
Fone: 3233-6669
www.centroeuropeu.com.br

 

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Izabel Liviski é professora e fotógrafa, doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Escreve a coluna INcontros desde 2009 e é também Co-Editora da Revista​ ContemporArtes.​ Contato: bel.photographia@gmail.com

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