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Histórias entrecruzadas: Fé e Trabalho num mundo novo e para a eternidade. Relatos em espaços e tempos do processo da instalação da Igreja Presbiteriana em Sana e Campos dos Goytacazes.

Vinner Stutz de Oliveira

Vinner Stutz é graduado em História pelo Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional. Nascido em Macaé, é Professor de Música e, atualmente, cursa o Mestrado em História Social na Pós Graduação em História Social do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS).

Histórias entrecruzadas: Fé e Trabalho num mundo novo e para a eternidade. Relatos em espaços e tempos do processo da instalação da Igreja Presbiteriana em Sana e Campos dos Goytacazes.

Introdução: das primeiras experiências protestantes no Brasil à chegada do presbiterianismo em Campos dos Goytacazes e no Sana

Diz-se que o primeiro vestígio de práticas protestantes ou de um protestante dentro do território brasileiro ocorreu ainda na primeira metade do Século XVI, quando Heliodoro Heoboano, um luterano que, inclusive, dizem que era filho de um amigo do próprio Lutero, aportou em São Vicente, litoral paulista.[2] Porém, seria apenas para visitar a colônia portuguesa na América, sem qualquer espécie de trabalho missionário atrelado a sua vinda. Apenas seria uma primeira experiência sem um vínculo de fato com a terra visitada, vínculo esse que aconteceria com as poucas incursões protestantes durante o período colonial, que viriam não só com um sentido missionário, mas também de se apossarem de uma parte da colonial terra brasileira.

Nesse sentido, os primeiros seriam os calvinistas franceses – huguenotes – que vieram numa missão, autorizada pelo próprio Calvino, na tentativa de fundação da França Antártida na Baía da Guanabara, em 1557, onde ministraram o primeiro culto protestante do Brasil e, talvez, das Américas[3] – culto esse realizado pelos Reverendos Pierre Richier e Guillaume Chartie.

Essa missão foi finalizada pelo próprio chefe da expedição, Villegagnon, quando exilou os adeptos da fé protestante e pediu para os líderes remanescentes que fizessem uma confissão de fé respondendo questionamentos seus, no que seria conhecido como a Confissão de Fé da Guanabara[4], nomeou-os como hereges e os matou. Villegagnon voltou pra França para se retratar de suas condutas e, os que ficaram, foram derrotados pelos portugueses.

A outra onda protestante durante o período colonial seria também de calvinistas, mas, dessa vez, da Igreja Reformada Holandesa, cujos adeptos teriam chegado com os holandeses, em Pernambuco, em 1630[5]. A expedição foi comandada por Mauricio de Nassau, conhecido como defensor da tolerância religiosa.

Os reformados holandeses fizeram propostas de tradução da Bíblia para o Tupi e conseguiram fundar 22 igrejas no Nordeste. Porém, também foram expulsos pelos portugueses, assim como também foram banidos os judeus estabelecidos em sinagoga no Recife. Foi, assim, encerrado um breve período de tolerância aos não católicos. Com o reino português restaurado após 60 anos da União Ibérica, num episódio, considerado pela História tradicional como o “fundador” da nação brasileira mestiça e católica – a Guerra de Guararapes, seria retomado o “modelo português de governar”, com obediência aos desígnios da Igreja de Roma.

Após as primeiras tentativas de instalar o protestantismo em território brasileiro, ainda no período colonial, novas tentativas de instalação definitiva no Brasil tornariam a acontecer com o chamado “protestantismo de imigração”. Durante o período joanino (1808-1821), vieram ao país os comerciantes ingleses devido a abertura dos portos aos navios ingleses e, assim, trouxeram também sua fé e costumes da Igreja Anglicana. Depois destes, ainda nessa onda imigratória, seriam os luteranos alemães e suíços que chegariam ao Brasil em 1824, já no Primeiro Império, e introduziriam essa prática protestante as cidades de Nova Friburgo, no Estado do Rio de Janeiro, e, posteriormente, em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul[6].

Após a leva de imigrantes que vieram devido à abertura do Período Joanino e do Primeiro Império aos imigrantes europeus protestantes[7], a próxima etapa do protestantismo brasileiro seria a dos missionários estrangeiros, principalmente das missões americanas, para trazer, cada qual, as suas denominações.

Pela constituição de 1824 seriam permitidas as diferentes religiões, desde que fossem feitas em culto doméstico. Ou seja, os fiéis não poderiam realizar nenhum tipo de culto público em templos ou demonstrarem suas profissões de fé aos demais membros da população brasileira[8]. Com a onda de missões da segunda metade do século XIX foram introduzidas no Brasil a Igreja Congregacional, em 1855; a Presbiteriana, em 1859; a Batista em 1871 (Apesar de contar com algumas pessoas batistas no país, a missão batista e a primeira igreja batista só foram fundadas nessa data), os adventistas instalariam sua Igreja em 1890, assim como outras denominações protestantes.

Com a proibição da Constituição que seguia uma religião oficial, os templos públicos se instalavam com certa dificuldade, devido a repressão do governo, da Igreja católica e da própria população. As confissões protestantes, no processo de transição do Império para República (por volta de 1870 a 1889), no Brasil, ainda eram encaradas pela população como religião afrontosa, herege e, portanto, passível de ser tratada com desrespeito e preconceitos. Como não tinham direitos garantidos pela Constituição, tornava-se difícil efetuar o trabalho missionário.

Nas décadas finais do Império, as relações entre as denominações protestantes e o governo imperial tornaram-se menos repressivas. Permitiu-se a criação de templos públicos e maior tolerância ao trabalho missionário protestante. A instalação da República no Brasil (1889) traria mudanças quanto à permissão de estabelecimento das religiões reformadas, já que se instituíra o Estado Laico. Poderiam, assim, tornar-se legítimas as diferentes denominações protestantes, sendo institucionalizadas. No entanto, a tolerância aos cultos de origem africana não seria considerada até meados do século XX, em obediência ao Código Penal de 1890.

O fluxo imigratório europeu iniciado na época imperial, consolidaria, no período republicano, a tolerância em relação a outras religiões com a chegada de imigrantes protestantes e de missionários vindo de outros países com os mais diferentes costumes e tipos de fé protestantes[9]. Justamente, nesses tempos, chegariam ao Brasil as primeiras igrejas pentecostais, a começar pela Assembleia de Deus, que se fixaria em Belém do Pará por missionários suecos em 1910.

Considerando a nova conjuntura republicana, de “liberdade cidadã”, o que inclui a escolha livre do culto religioso[10], abordaremos a chegada do presbiterianismo no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, e irá se estabelecer o diálogo entre os recortes espaciais no contexto do fim do império ao período de acomodação republicana – as primeiras 3 décadas. Abordagem essa inspirada no diálogo proposto por Braudel entre as durações, considerando estruturas, conjunturas e acontecimentos como relevantes ao debate que proponho fazer, para, dessa forma, construir uma observação comparada[11] entre a fundação das duas igrejas.

Para isso, teremos de percorrer não só a jornada das primeiras incursões protestantes, mas também – dentro desse recorte – a jornada da chegada do presbiterianismo ao Brasil até o desenvolvimento das nascentes igrejas presbiterianas em Campos dos Goytacazes e no Sana, na serra de Macaé – ambas na província (e, após, Estado) do Rio de Janeiro, localizadas na região Norte Fluminense.

O presbiterianismo chegou ao Brasil em 1859, através do missionário norte-americano chamado Ashbel Green Simonton do Seminário Teológico de Princeton, que se ofereceu à Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos para fazer o trabalho missionário no Brasil[12].  Simonton chegaria ao país em 12 de agosto desse ano, apenas dois meses depois dele ser ordenado no seminário. Era, então, um jovem de 26 anos que chegara no Rio de Janeiro, onde teve um momento inicial de aprendizado do idioma e de ambientação.

A partir dessas primeiras experiências, começaria, de fato, seu trabalho, ministrando cultos em língua portuguesa. Em 1860, um outro missionário chegaria ao país para acompanhá-lo na tarefa de organizar a Igreja no país. Era um jovem pastor, Alexander Blackford, seu cunhado, e que veio encorajado justamente pela irmã de Simonton, que era sua esposa. Os dois fundam a Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro em 1862, na Rua do Ouvidor[13].

Simonton trouxera sua esposa (casou-se pouco tempo depois da fundação da igreja), faleceria ainda jovem, porém deixando vários trabalhos realizados durante sua curta estadia no Rio de Janeiro e à frente do presbiterianismo no país. Podemos citar dentre esses trabalhos, a fundação do primeiro jornal protestante do país, o “Imprensa Evangélica”; a criação de um curso de alfabetização para adultos, como forma de ensinar a leitura bíblica; a supervisão da criação do Presbitério do Rio – cerne do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil; a fundação da Igreja Presbiteriana de São Paulo; a ordenação do primeiro pastor protestante brasileiro, o ex-padre José Manuel da conceição; além da criação do “Seminário Primitivo”, primeiro seminário protestante da América Latina.

Nesse seminário, assiste-se a ordenação, primeiramente de quatro pastores presbiterianos, quatro nomes que seriam ativos na primitiva história presbiteriana no Brasil. São esses Miguel Torres, Antônio Trajano, Antônio da Cerqueira Leite e Modesto Carvalhosa. O último nome dessa lista tornar-se-ia importante nessa pesquisa, visto que foi o pastor fundador da Igreja Presbiteriana de Campos dos Goytacazes em meados da década de 1870.

Seguindo-se à morte de Simonton em 1867, de febre amarela, a principal liderança da Igreja Presbiteriana no Brasil, além do pastorado da igreja do Rio de Janeiro, passaria às mãos do seu cunhado Alexander Blackford, mesmo que houvessem alguns outros presidentes do Presbitério do Rio durante seu trabalho. Blackford viria a ser a principal referência durante os anos de 1867-1890, ano de sua morte[14].

Chegando, então, a época final do império brasileiro, entre 1870 e 1889, o reinado de Pedro II se encontraria desgastado, em tempos de crise[15]. Principalmente após o fim da Guerra do Paraguai, cresce a insatisfação da população com o imperador e seus ministros ao final da guerra na chamada “questão militar”. A questão sucessória também era discutida entre os súditos, com a possível introdução de um estrangeiro como governante, o esposo da Princesa Isabel, sucessora legítima do Império. O Conde D’Eu não era aceito pelos brasileiros. Outra questão, a abolicionista, tencionava as relações entre os setores hegemônicos imperiais.

Também a “questão religiosa” é tida como uma das causas da crise do segundo reinado, com a ruptura da Igreja Católica, que, usufruindo do fato de ser religião oficial do Império do Brasil, se tornou forte crítica do Império após esse usar demais de seu poder de Imperador para tomar a frente de assuntos da igreja. Porém, mesmo com a crise do governo, e com a igreja não dando mais a base necessária, ela ainda era muito forte e poderosa dentro desse mesmo Império, tanto da sociedade brasileira – até os dias atuais – quanto dentro do próprio governo e das instituições políticas.

Com a instauração do Estado Laico no início do governo republicano, o ambiente religioso se modificava com templos novos e pregações e missões nas praças, hospitais, escolas. Além da presença crescente de espíritas, judeus, dentre outras religiões. Novos imigrantes chegavam, trazendo consigo essas novas religiões e formavam cidades ou comunidades em locais cada vez mais afastados das capitais. Foram se instalando nas várias regiões, principalmente, no Sul e no Sudeste, mas também se colocaram em alguns lugares no Nordeste e no Norte.

Os imigrantes suíços e alemães que chegaram ao Rio de Janeiro deixaram suas pátrias em busca de “uma vida melhor”[16]. Grande contingente seguiu para a serra fluminense e fundou Nova Friburgo. Além de se espalharem por aquele espaço, boa parte desses imigrantes trazia consigo crenças, práticas e costumes protestantes, luteranos – principalmente – e calvinistas.

Importante refletir sobre a história registrada na “carne” da serra fluminense pelos descendentes daqueles que nela intervieram e modificaram com o propósito de construírem suas vidas muito distantes de suas pátrias. Pode-se acompanhar nos relatos as mudanças econômicas do Estado do Rio de Janeiro, da economia baseada também nas grandes plantações de café, das grandes fazendas às pequenas propriedades dos “colonos” estrangeiros.

Quanto à religião, o Rio de Janeiro refletia a condição do país: fortemente católico, mas que se tornou berço da maioria das novas religiões e denominações chegadas no Brasil, até porque boa parte dos imigrantes e dos missionários desembarcavam no porto do Rio de Janeiro. Por ser a cidade mais importante, a capital da nação, os missionários se estabeleciam ali pra tentar expandir seu trabalho naquela região, e também a cidades próximas cidades vizinhas.

Além de presbiterianos, os batistas também se instalaram, principalmente, no fim do século XIX e começo do XX, no Norte Fluminense, com o trabalho promissor do “judeu errante” Salomão Ginsburg. Também núcleos espíritas chegaram a Campos dos Goytacazes e outras regiões próximas. As religiões afro-brasileiras mantiveram-se presentes em todos esses espaços, o Judaísmo igualmente.

Pode-se observar esse panorama do Norte Fluminense, onde se percebe, tanto na parte mais urbana, como em Campos dos Goytacazes em Macaé, quanto na parte rural dessa região, a forte presença da Igreja Católica que defenderia um catolicismo conservador era forte se mantem até a atualidade. Porém, é nessa sociedade de influência católica que surgem, principalmente, “invasores” protestantes, onde teremos batistas e presbiterianos, inicialmente, se colocando e fazendo parte de um ambiente estranho à sua realidade.

No caso da experiência presbiteriana, teremos dois casos pioneiros e centenários nesse local, o primeiro durante todo esse caos da crise do império em 1877 em Campos dos Goytacazes, com a fundação da Igreja Presbiteriana, vinda diretamente de personagens que fundaram o presbiterianismo no Brasil e de frutos do seminário primitivo. Um lugar de importância econômica da cana-de-açúcar, que trazia consigo uma vontade de crescer e se mostrar relevante para o Estado, visto as tentativas de se tornar uma província anos antes e mesmo tentar ser capital do Estado do Rio de Janeiro, onde a nascente influência republicana se mostrava cada vez mais presente[17]. Numa sociedade conservadora, com resistência a esse novo movimento de religiões, apesar da curiosidade e de uma aparente e paradoxal liberdade, tanto para esses protestantes quanto para os primeiros espíritas.

O segundo amplamente influenciado por sua proximidade da região serrana, que foi a localidade do Sana, presente dentro do município de Macaé já na época inicial da República em 1909. Essa localidade, como mesmo outras da região, eram muito influenciadas pela região serrana pois seus habitantes eram, em sua ampla maioria, descendentes dos imigrantes vindos na metade do século XIX para Nova Friburgo, sendo toda a serra macaense muito próxima da serra de Friburgo, sua população era composta por esses mesmos elementos[18]. Traziam como herança os costumes protestantes, sendo essa uma das poucas regiões do estado com uma maior liberdade religiosa, presente até mesmo numa espécie de mistura religiosa inicial do protestantismo naquele local, algo que nunca percebi em nenhuma outra pesquisa ou leitura que fiz do protestantismo no Brasil. Ou seja, até agora, creio ser uma experiência única.

Pretendo então fazer, a partir desse estudo, uma história comparada desses dois casos, em locais tão próximos e com personagens até iguais, em algumas das ocasiões, mas com visões tão diferentes e com resultados e procedimentos tão diferentes. Ou seja, poder vislumbrar todas as diferenças e semelhanças desses locais tão próximos que, apesar dessa proximidade, mostrou suas especificidades através da influência do meio, a influência da região, da localidade e cultura locais, numa escala menor mesmo que a própria região Norte Fluminense.

Um templo protestante na Campos dos Goytacazes imperial

Pode-se dizer que a Igreja Presbiteriana Campos dos Goytacazes é filha direta dos primeiros missionários presbiterianos que fundaram a Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro em 1862. Ainda que não tenha sido a primeira comunidade protestante a se fazer presente na cidade de Campos, pois já haviam chegado elementos batistas antes disso, podemos dizer que é o primeiro templo, a primeira igreja protestante organizada de fato na cidade, pois os batistas não tiveram um templo e uma denominação organizada antes dos presbiterianos.

Fundada no último quarto do século XIX, mais precisamente no ano de 1877, os missionários escolheram uma cidade grande, rica e próspera dentro do estado, no caso, foram para aquela que era a mais bem desenvolvida cidade do interior do Rio de Janeiro. Era uma cidade com uma importância muito grande economicamente voltada para a agricultura, principalmente para o cultivo e a cultura da cana-de-açúcar e toda a produção que provinha dela, fazendo com que tivesse uma forte elite vinda das imensas fazendas de açúcar. Uma cidade com força política dentro do estado, devido a sua economia açucareira, mas com uma forte tradição católica.

Esse catolicismo, porém, com o detalhe de ser ligado às correntes conservadoras dessa religião, o que me deixou ainda mais intrigado para o estudo dessa instituição, ser instalada num ambiente talvez mais hostil do que em outras cidades do Rio de Janeiro. Defendiam uma perseguição aos protestantes, e tinham o apoio político – pois todos os chefes políticos da região eram ligados à igreja católica – das elites do açúcar.

O primeiro evangelista presbiteriano a chegar em Campos dos Goytacazes foi o membro enviado da igreja do Rio de Janeiro, o evangelista Cândido Mesquita, se instalando em Campos no dia 14 de junho de 1874 e realizando um culto na Rua do Sacramento (atual Rua Lacerda Sobrinho), número 56, no dia 18. Enquanto era realizado o culto evangelístico, alguns manifestantes contrários a pregação da igreja protestante apedrejaram a casa em que estava acontecendo a cerimônia, pedindo que o evangelista fosse embora. Tal ocorrência, porém, resultou num efeito reverso. A curiosidade da população em saber o que estava acontecendo naquela casa fez com que o culto posterior tivesse o triplo de pessoas que se encontravam na primeira reunião, segundo o que pode se ler no livro de atas número 1 da igreja de Campos (mas não há o número exato de pessoas que estavam tanto no primeiro quanto no segundo culto).

Depois que Cândido Mesquita voltou para o Rio, o pastor da igreja do Rio de Janeiro, Reverendo Alexander Blackford, juntamente com seu auxiliar, o Reverendo Modesto Carvalhosa, foram a Campos no ano de 1875, mais precisamente no dia 11 de setembro, para fazerem reuniões evangelísticas na Rua do Rosário, 161.

Porém, não era essa a primeira vez que o Reverendo Blackford havia estado em Campos, já que no ano de 1874, antes mesmo que Candido Mesquita viesse, ele fez uma visita a cidade como forma de tentar fazer um reconhecimento do local, planejar como iria ser a missão que trabalharia por ali para fazer com que houvesse um espaço voltado para o presbiterianismo na cidade.

No ano de 1875, Carvalhosa começa a residir em Campos. Fazia seus cultos evangelísticos e planejava a organização da igreja com um local fixo para um templo público. Em 1877, no dia 11 de março, Modesto Carvalhosa organiza de vez a igreja, sendo assim seu primeiro pastor. Na cerimônia de fundação estavam presentes o Rev. Blackford, Cândido Mesquita e o Dr. Miguel Ferreira – que era um importante presbítero da Igreja do Rio de Janeiro, vendo assim o primeiro fruto da primeira igreja presbiteriana do Brasil. O Pastor Blackford foi quem pregou nesse dia e fez a pregação baseada no texto de Atos 2:41 no culto das 11h da manhã, já que nesse dia se teve dois cultos, esse de manhã e um de noite.

Encontravam-se no culto da noite – ou seja, o culto de organização – aproximadamente trezentas pessoas, como se pode ver relatado na ata de organização feita por Blackford. Nela também podemos ver que, nesse culto ocorrido as sete horas da noite, teve não só o sermão, mas também o momento da ceia logo após o sermão da qual participaram 17 pessoas, visto que a grande maioria dos que estavam presentes naquele dia eram curiosos da cidade que se interessavam em saber como era esse culto protestante, além de visitantes vindos do Rio de Janeiro para presenciar a fundação dessa igreja.

Entretanto, a igreja contava, em seu começo, com apenas 13 membros, sendo 3 crianças, e 8 desses membros foram batizados justamente no culto de organização. São eles, Margaret Murray, Henry Spittle (importante na chegada do Reverendo Benjamin Lenz Cesar, já que a sua família, ou os seus descendentes, o irá acolher quando chegar em 1928), Domingos Moreira Roque, Anna Moreira Roque, João Francisco de Campos Júnior, Joaquim Pereira Barbosa Cabral, Generosa Emiliana de Matos e Harriet Purcel Doherty. Os outros membros da igreja, que começou nesse dia, eram a mãe e a esposa do Pastor Carvalhosa, e os 3 menores eram os filhos do Pastor.

Por curiosidade, podemos perceber que haviam alguns nomes ingleses entre os batizados da igreja. Não só nesse primeiro dia, mas também nos outros batismos feitos nesse início da igreja de Campos, nós podemos ver esses nomes estrangeiros nas atas da igreja.

O Reverendo Modesto Perestrello Barros de Carvalhosa era um português da Ilha da Madeira que veio com seus pais para o Brasil na adolescência e foi convertido na Igreja Presbiteriana de São Paulo. O Rev. Carvalhosa foi uma das principais figuras do presbiterianismo no Brasil em seu início, tendo sido o presidente nacional da Igreja Presbiteriana em três oportunidades – em duas delas, enquanto era pastor em Campos – além do seu nome ser, hoje, o nome do prédio principal da Universidade Mackenzie em São Paulo.

Esteve Modesto Carvalhosa à frente da igreja em Campos até o ano de 1888 e nesse período viu a igreja tanto crescer quanto passar por dificuldades devido à repressão por parte de alguns membros da Igreja Católica na cidade. Nesse período, dentro do livro de atas, podemos ver o crescimento da igreja, já que vemos um número grande de batismos e profissões de fé, encontrando mesmo pessoas vindas de cidades vizinhas para comungar na igreja. O crescimento que viu esteve associado à propaganda que fazia da igreja nos jornais da cidade, principalmente no Monitor Campista, em que trazia não só o convite para o culto ocorrido no salão na Rua Barão do Amazonas, mas também costumava colocar umas poucas mensagens evangelísticas.

Travou até uma vez, em suas escritas no jornal, um embate com os primeiros elementos espíritas a se instalarem na cidade, criticando suas condutas e sendo prontamente criticado no dia seguinte. Nesse embate, podemos ver uma espécie de provocação num dia feita por uma das partes e sendo prontamente respondida no dia seguinte com outra provocação, tendo em vista os ideais tanto dos espíritas quanto do Reverendo Modesto Carvalhosa, onde os dois os defendiam com vontade e perspicácia como se pode perceber ao ler as páginas do Monitor Campista.

Tal debate ainda perdurou por alguns dias, tendo uma vez o pastor escrito ironicamente que esperava pacientemente as palavras dos espíritas para rebatê-lo e sendo convidado ao final de tudo para um debate (não consegui achar em lugar nenhum se compareceu ao debate, mas gostaria muito de encontrar um dia um escrito do acontecimento, se tiver ocorrido).

A repressão ocorreu em forma de pichamentos ao local de culto, provocações que os católicos faziam aos membros da igreja, o impedimento do sepultamento de falecidos presbiterianos no cemitério da cidade, tendo que pedir uma licença à Câmara para enterrar em um terreno separado para a Igreja. Os protestantes então obtiveram essa licença especial da Câmara e puderam dessa forma enterrar em um local que não fosse frequentado por católicos, devido a essa questão.

Durante esse período em que o Reverendo Carvalhosa esteve à frente da igreja, ou seja, entre 1877 e 1888, o pastor teve inúmeras vezes de se ausentar, em grande parte devido a problemas pessoais e familiares do local de onde veio, a Ilha da Madeira, então teve de ir pra lá algumas vezes e se encontrar longe da igreja em muitas dessas vezes por meses ou mesmo por período de um ano. Dessa forma, teve de deixar no seu lugar algumas vezes pastores a frente da igreja, dentre eles podemos citar os reverendos Blackford, D. M. Hazlett, J. T. Houston, o presbítero Dr. Miguel Ferreira e o evangelista Maxwell Wright e também eram ajudados num período posterior pelos batistas em Campos, pastoreados pelo famoso pastor Salomão Ginzburg, o “Judeu Errante”. Como disse Elvira César, esposa do Reverendo Benjamin em seu livro autobiográfico “Nem Sempre Será”, a igreja de Campos estava praticamente abandonada por alguns desses pastores, recebendo visitas quase que anualmente, fazendo com que uma época que já era difícil pra igreja, ficar ainda mais complicada, pois era uma igreja praticamente sem a liderança de um pastor que encontrava muitas rixas internas.

Carvalhosa acabou por sair da igreja de Campos para pastorear a Igreja Presbiteriana de São Paulo em 1888 e ser o diretor da Escola Americana no ano seguinte. Assim que saiu, alguns pastores estiveram à frente da igreja por curtos períodos de tempo, começando por uns que vieram somente por alguns dias ou meses para continuar o trabalho do Carvalhosa. São quatro nomes, os Reverendos Franklin, Rodgers, Schneider e Menezes. Então vieram os pastores efetivos, mas também de vida muito curta na igreja de Campos, o primeiro dentre esses que ficaram a frente foi o Reverendo John M. Kyle, que fazia visitas esporádicas, uma vez que não residia na cidade e pastoreava mais de uma igreja. César. omo disse Elvira César, esposa do Reverendo Benjamin em seu livro autobiográfico “Nem Sempre Será”, a igreja de Campos estava praticamente abandonada por alguns desses pastores, recebendo visitas quase que anualmente, fazendo com que uma época que já era difícil pra igreja, ficar ainda mais complicada, pois era uma igreja praticamente sem a liderança de um pastor que encontrava muitas rixas internas.

Kyle acabou indo para Nova Friburgo e se instalando de vez lá, ficando como pastor apenas da igreja de Friburgo e fundando uma das mais influentes igrejas do estado, foi uma das igrejas que ajudaram a fundação da próxima igreja que vamos falar, a igreja do Sana em Macaé. Vê-se que a missão das igrejas do Rio de Janeiro nesse início estava bem entrelaçada, com personagens que fazem parte das duas histórias, o que mostra também a importância dessa história comparativa, visto que ocorre em ambientes próximos, com personagens muita das vezes iguais, mas com narrativas diferentes e que demonstram as peculiaridades dos locais em que foram instaladas.

Quando o Rev. Kyle se mudou para Nova Friburgo, alguns membros da igreja, principalmente aqueles que eram imigrantes, foram junto do pastor e fixaram a residência na nova cidade, e aproveitando para ajudar na missão de instalar o presbiterianismo naquele região, que dali se espalhou para boa parte dos municípios da serra macaense. Outros membros se juntaram a Igreja Batista, que já havia membros na cidade, mas que ganhou muita força depois que foi realmente instalada em 1892 e que na época tinha um pastor muito influente no meio evangélico, não só da região mas do país, o Salomão Ginsburg, chamado de “Judeu Errante” nas regiões do Norte e do Noroeste Fluminense..

Alguns pastores tomaram a frente da igreja, mas sempre de maneira não muito efetiva. Boa parte deles eram pastores designados para fazer com que a igreja de Campos não fosse declarada uma igreja “morta”. Depois desse período de pastores itinerantes e de uma vida pouquíssimo ativa da igreja, vem o Reverendo Benjamin Lenz César. Como disse Elvira César, esposa do Reverendo Benjamin em seu livro autobiográfico “Nem Sempre Será”, a igreja de Campos estava praticamente abandonada por alguns desses pastores, recebendo visitas quase que anualmente, fazendo com que uma época que já era difícil pra igreja, ficar ainda mais complicada, pois era uma igreja praticamente sem a liderança de um pastor que encontrava muitas rixas internas.

No ano de 1928, quando chegou a Campos o Reverendo Benjamim Lenz de Araújo Cesar junto de sua esposa Elvira Magalhães Cesar, encontrou a situação já comentada aqui de uma igreja praticamente sem reuniões e com muitos conflitos internos, tendo de fazer com que boa parte dos conflituosos conseguisse se acertar. Organizou um cronograma para a igreja, tendo culto praticamente todos os dias e um trabalho pesado de propagação do trabalho da igreja através de cultos evangelísticos feitos em praças. Fez com que o número de membros crescesse rapidamente, comprou um terreno e construiu a igreja que continua instalada no mesmo local (antes o culto era feito num salão alugado), organizou igrejas em Guarus, Turfe Clube, Caju, entre outros bairros de Campos; transformou uma igreja que estava esquecida e parada numa igreja ativa dentro da cidade.

O pastor Benjamim permaneceu à frente da igreja por trinta e um anos, saindo de forma proposital para pastorear a igreja do Turfe, onde permaneceu até sua aposentadoria em 1975. Fez com que a igreja crescesse justamente por sua visão de fazer com que os leigos tivessem parte na liderança do trabalho, antes muito reservada àqueles que estudavam num seminário ou eram oficiais da igreja. A participação de membros da população, inclusive sua própria mulher tinha certa liderança na igreja, algo difícil de encontrar dentro do panorama das igrejas protestantes da época, chamou a atenção e fez com que outras pessoas entrassem para a denominação.

O curioso caso do protestantismo no Sana

O começo da história do protestantismo enquanto culto instituído de fato no Sana – e, nesse sentido, na serra de Macaé, como um todo – se deu na primeira década do século XX. Sendo assim, é dentro do período do Brasil República – onde houve a promulgação da Constituição de 1891 e, com isso, a instituição do Estado Laico – que se teve as primeiras manifestações de culto protestante público na região.

Quanto as perseguições a protestantes por parte de fiéis católicos, mesmo com a nova constituição, não cessaram durante a primeira metade do século XX. Não se pode dizer que foi uma situação geral, em partes do país temos a diminuição das perseguições e, em outras localidades, vemos uma perseguição mais forte e articulada. No caso do distrito do Sana, não temos documentada essa perseguição, e mesmo em registros orais, não se encontra tal situação. Mas, claro, há de se lembrar que era um local fundado por imigrantes suíços e alemães. Além disso, os que viviam ali ainda eram descendentes desses que já vieram da cultura protestante – ou pelo menos de um local onde se era normal a presença de comunidades protestantes.

Esse culto público se iniciou então no ano de 1907, liderado principalmente pelos irmãos Salustiano e Manoel Monteiro que, mesmo sem ter instrução ou mesmo estudo acerca da Bíblia, decidiram por começar a criar esse culto. Aparentemente, a vontade de se fazer um culto protestante vinha da própria comunidade e, com isso, os irmãos Monteiro, que eram da região, se colocaram a frente. A falta de instrução não os impedira de serem liderança concreta naquela região, sendo mantidos pelos próprios moradores, mesmo que não ganhassem para tal, recebiam alimentação, e mesmo que também não fossem instruídos.

Dentre as práticas sincréticas de culto, guiadas pelos irmãos, estavam a leitura da Bíblia, os hinos protestantes sendo entoados, um sermão regido por Salustiano ou Manoel, realizavam a mesa branca espírita, manifestavam e recebiam espíritos, faziam a adoração a santos da Igreja Católica e, talvez a parte mais curiosa dentre todas que foram ditas, ocorria um baile, logo após o culto – ou ainda sendo parte do culto – que acontecia com músicas e danças até o amanhecer do dia. Além disso, mesmo sem a formação como pregadores, batizavam os crentes “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. O local do culto era embaixo de uma figueira que se encontrava na propriedade de um dos membros, Pedro Gaspar, ficou conhecida como a igreja da “Figueira Gaspar”.

Um dos membros desse movimento inicial, João Mozer, teve de fazer uma viagem para uma localidade da Serra Fluminense chamada Barra Alegre, no município de Bom Jardim. Aproveitou então sua ida para poder visitar uma igreja presbiteriana instalada no local. Indo nessa igreja, percebeu como a forma de culto era completamente diferente da forma que faziam no trabalho do Sana. Chegou à conclusão que o culto no Sana estava sendo feito de forma equivocada, que não era a forma tradicional, e, voltando, falou com Pedro Gaspar e seu irmão. Carlos.

Esses, ouvindo seu relato, pediu para que Mozer voltasse em Barra Alegre, falasse da situação da Igreja do Sana, como era o culto e que trouxesse alguém de lá com ele para observar e poder ajudar a formar uma igreja com um trabalho realmente protestante. Feito isso, Mozer voltou com um presbítero da igreja de Barra Alegre chamado João Stutz. O presbítero foi a uma das reuniões, pregou e explicou deveria ser feito a pregação, o culto e como deveria se organizar a congregação. A partir dessa reunião, aquele movimento foi se dissipando e foram criadas duas igrejas, os irmãos Monteiro fundaram a Igreja Batista do Sana em 1908 e o segundo grupo, que ficou sob a liderança da família Gaspar, iria fundar a Igreja Presbiteriana do Sana, um ano depois. Apesar de haver tido um distanciamento entre os dois grupos, as duas igrejas foram crescendo e se desenvolvendo como “igrejas-irmãs”, com uma relação de cumplicidade que ajuda a movimentar as igrejas ainda até os dias atuais.

Aqueles que viriam a fazer um trabalho presbiteriano começaram a ter que correr atrás de uma pessoa que ficasse a frente da congregação como um pastor efetivo, ou pelo uma figura de liderança espiritual, como um missionário. Perguntaram primeiramente ao próprio presbítero Stutz, porém esse disse que não poderia, porque não era um pastor, somente um presbítero e, assim sendo, não poderia realizar batismos e nem mesmo pegar um trabalho de congregação para ser seu trabalho efetivo. Tiveram assim de recorrer a alguma igreja para tal. Com a sugestão do Presb. Stutz, enviaram uma carta a Igreja Presbiteriana de Nova Friburgo, perguntando se seu pastor, O Reverendo Henrique Louro de Carvalho, poderia assumir o trabalho no Sana.

Ao chegar a carta, o Pr. Henrique não teve como pegar o compromisso com o Sana, visto que já era pastor de Friburgo e que estava passando por um período de doença e as condições de viagem de Nova Friburgo até o Sana não ajudavam. O próprio pastor optou por enviar uma carta a um missionário que poderia ajudar com a situação. Escreveu então para a missão americana, que desde a época de Simonton e Blackford, estava auxiliando o trabalho do Presbiterianismo. Essa, por sua vez, decidiu enviar o missionário Thomas Porter para fundar a igreja.

Sendo auxiliado pelos recursos da missão americana, Porter chegou ao Sana acompanhado do Presb. Stutz e de João Mozer em fevereiro de 1908, e conseguiu fazer os primeiros cultos embaixo da Figueira Gaspar já com a denominação de Igreja Presbiteriana. Essas primeiras reuniões feitas por Porter tinham a marca grandiosa para o Sana de quinhentos pessoas assistindo, sendo que, já no primeiro culto, batizou 50 membros – 32 adultos e 18 crianças.

Com a liderança de Thomas Porter, construíram o templo da igreja, que era localizada no Arraial do Sana – distante da propriedade de Pedro Gaspar e de sua figueira. Após o término da construção, já com o templo instituído, decidiram por fundar de fato a igreja não sendo mais uma congregação, mas sim uma igreja inteiramente organizada, no dia 18 de abril de 1909. Mas por não ser mesmo um pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, e sim um missionário americano associado ao presbiterianismo, convidou o Pr. Samuel Barbosa para assumir o pastorado da Igreja Presbiteriana do Sana, sendo esse de fato o primeiro pastor dessa igreja agora organizada. Samuel Barbosa que é conhecido dentro da igreja presbiteriana do Brasil como um dos pioneiros pastores e como um plantador de igrejas, apelidado pela denominação de “O Consagrado”.

Ao se falar sobre o início da Igreja Presbiteriana do Sana – já como igreja devidamente instalada e organizada, com o seu rol de membros bem constituído, um corpo de presbíteros atuante e um templo construído no Arraial do Sana – temos um bom panorama de como era a vida da igreja, a igreja enquanto uma comunidade e inclusive como era a própria comunidade do Sana, percebendo de fato como era constituída aquela localidade. As relações das pessoas da igreja entre si, as trocas da igreja com a comunidade e a influência que as duas exerciam uma na outra são facilmente percebidas através do hábito das Atas de número 1 e 2 da Igreja Presbiteriana do Sana de se comentar – junto com o relato das pessoas batizadas e de fé professa, ou seja, pessoas que entraram no corpo de membros da igreja – a ocupação da pessoa, de onde vinha, às vezes de como chegou até ali.

Em todo esse relato, vemos que a igreja era constituída única e completamente por lavradores (agricultores) e domésticas (donas de casa) – pelo menos, todos os nomes que vi na ata estavam dizendo exatamente a mesma ocupação. Tal informação mostra a total visão da igreja voltada para a vida rural, para o campo. É inegável a observação de que é uma comunidade agrícola onde todos que faziam parte eram pessoas que viviam da terra, o que torna a igreja dependente da terra para também sobreviver. Mesmo porque tal relato também demonstra, nesse caso, o sentido do Sana e – talvez – da Serra de Macaé como um todo. Onde a expressiva maioria desses agricultores eram plantadores de café que escoavam seu produto pelos caminhos de Macaé e Casimiro de Abreu até o porto de Macaé, que chegavam – em sua maioria – na cidade do Rio de Janeiro. Mas também haviam pessoas ligadas ao gado bovino, dentre outras atividades menores dentro da serra macaense.

Vemos relatados nas primeiras atas inclusive um grande movimento de pessoas que se encontravam nas mais variadas localidades da serra de Macaé, mesmo localidades bem distantes. Para a época, eram comunidades de acesso difícil e de uma viagem demorada, o que demonstra o impacto desse primeiro trabalho protestante, porque em vezes era uma viagem de ida e volta que demorava o tempo de um dia inteiro. Tal presença de pessoas de localidades como Glicério, Duas Barras, Frade, Cachoeiros de Macaé, Bicuda Grande, Quebra Perna, e outros distritos das serras de Macaé, Friburgo e Trajano de Moraes, fez com que a Igreja Presbiteriana instalasse congregações em muitas dessas localidades. Boa parte dessas congregações não conseguiram dar continuidade ao trabalho, como Duas Barras e Quebra Perna, mas outras como a de Cachoeiro de Macaé, deram prosseguimento ao trabalho e continuam atuantes nos dias atuais.

A igreja viu um bom desenvolvimento de seu trabalho nas suas duas primeiras décadas de vida – durante os anos 1910 e 1920 – e com isso mostrou uma outra característica dessa comunidade, característica essa que posso perceber na grande maioria dos trabalhos presbiterianos em ambiente rurais. Geralmente pela dificuldade de locomoção, a maioria dos pastores que ficaram à frente do trabalho do Sana – inclusive o Samuel Barbosa, primeiro pastor – não se instalavam no local, eram um tanto que realizadores de trabalhos efêmeros e ficavam semanas, meses e, às vezes, um ano sem ir à igreja. Além disso, em boa parte ficavam no cargo de pastor na igreja por pouco tempo. Na boa parte dos relatos, eram 5 anos, 2 anos, 1 ano, a frente da igreja. O que demonstra, de forma efetiva, que o responsável pelo papel de liderança da igreja era o presbiterato daquela igreja. Então os presbíteros que pregavam, visitavam os membros, exortavam, dentre outros atos mais ligados à figura do pastor. Sendo assim, é inegável perceber a influência mais presente na comunidade do presbítero do que do próprio pastor.

Como foi dito, nas décadas de 1910 e 1920 se viu um grande crescimento em relação ao número de membros da Igreja Presbiteriana do Sana, número que abrange não somente a própria população da localidade em si, mas de outros distritos que fazem parte da mesma serra, mesmo que não sejam tão próximos, como Bicuda Grande. E assim, temos o número de congregações crescer. E um trabalho que primeiramente abrangia aquela comunidade de lavradores, onde a grande maioria era descendentes de suíços e alemães, chega também até famílias de portugueses e, também de afrodescendentes – como vai acontecer como a primeira congregação do Sana a se organizar como igreja, a congregação do Frade, que nos dias atuais ainda se detém como uma igreja onde a maio parte dos membros é de origem afrodescendente.

Mesmo com a alta rotatividade dos pastores, a força dos presbíteros enquanto liderança é demonstrada nas atas, os nomes que mais aparecem enquanto aqueles que resolviam as questões concernentes ao corpo da igreja foram os nomes de presbíteros, como Pedro Gaspar, Carlos Gaspar, Cleveland Peixoto e Atagildo Daudt. Fato esse que trouxe um desenvolvimento baseado nesse tipo de organização onde o presbítero assumia um papel do pastorado. Dessa forma, a igreja do Sana chegou ao seu ápice, durante os anos 1920. E o mais interessante de se perceber é provavelmente como o crescimento, declínio e estagnação do número de membros acompanhou toda a dinâmica da economia agrícola brasileira da primeira metade do século XX. Claro, tais fatores influenciaram não só na comunidade protestante no Sana, mas também na comunidade em si daquela região.

A década de 1920 seria o ápice não só da igreja, mas também da população e da cultura e produção cafeeira naquela localidade. A fazendas de café, onde a grande parte era de origem familiar, de subsistência – e não latifúndios ou grandes pedaços de terra – estavam operando com total força e atraía a atenção de pessoas que queriam participar da produção. O café assim estava sendo escoado até o porto de Macaé. Vemos nas atas o maior número de profissões de fé e batismo ocorrerem nessa época. A congregação do Frade inclusive se funda e organiza em igreja nesse recorte da década de 1920.

Com a forte crise do café da década de 1930, com a queima do café durante o governo Vargas, vemos a igreja diminuir drasticamente o número de seus membros. Com a mudança de cultura imposta pela quebra na economia, boa parte das famílias tiveram de se locomover para outros lugares a fim de conseguir melhores oportunidades – seja pelo êxodo rural, ou mesmo mudando para uma outra localidade rural, como irá acontecer com Pedro Gaspar – ou então tiveram de mudar a cultura dentro de seu pedaço de terra. E assim se vê as plantações de café sumindo e começando a aparecer as plantações de banana, produto mais forte da região serrana de Macaé pelas próximas décadas.

Até a década de 1950 vemos uma queda brusca e contínua do número de membros. Por essa época temos de fato a estagnação da quantidade de pessoas. Atrelado a isso, vemos que a cultura da banana vai aos poucos sendo substituída – ou então equiparada – à criação do gado bovino. Essa estagnação ocorre desde a década de 1950 até os dias atuais, onde basicamente a comunidade de membros da igreja ficou sendo de uma base familiar que frequenta a igreja e mantém a cultura do presbiterianismo naquela região.

Conclusão

A partir desse estudo das duas igrejas presbiterianas centenárias do Norte Fluminense, busquei um aparato da história comparada para estudá-las. Procurei utilizar os enfoques possíveis que cabem ao campo dessa abordagem historiográfica, o método comparativo, para mostrar como essas igrejas, ou como os contextos que envolvem os tempos e espaços das fundações delas, desde o início de suas concepções, a fundações de fato e desenvolvimento, seguiram caminhos tão diferentes, apesar de estarem praticamente dentro de uma mesma região, em termos de condições ambientais e políticas – tendo em vista que se separam por uma distância relativamente pequena, já que se encontram no Norte do Estado, dentro da mesma mesorregião – e tendo alguns mesmos personagens por vezes

Como condição essencial nos aspectos de distinção, é preciso ter em vistas as condições econômicas e sociais em que as histórias da Igreja Presbiteriana de Campos dos Goytacazes e da Igreja Presbiteriana do Sana tiveram lugar. As referências que as distinguem enquanto uma igreja foi criada para abrigar a fé de colonos rurais e uma igreja para moradores de uma zona urbana em expansão: a questão dos laços de solidariedade e sociabilidade distinguem-se, nesses contextos.

Em relação ao recorte temporal, a proximidade dos tempos torna-se relevante em termos paradoxalmente opostos: numa perspectiva macro pode tornar-se referência o contexto histórico global.  Em termos micros, no entanto, o recorte temporal é conflitante e pode ser confrontado com a ruptura regimental no país: de império à república, o que deveria significar quebra ou troca de projetos, mudanças estruturais profundas e substituições radicais na reorganização dos setores hegemônicos. Assim acontece com o recorte temporal de fundação das duas igrejas: a igreja de Campos deu-se durante a última fase do império e a igreja do Sana foi fundada no começo da república no Brasil.

Como já comentado durante a primeira parte do texto, é preciso insistir, também, como forma de criar meios para comparação, nas características que distinguem os ambientes das duas igrejas: Campos caracterizava-se como um ambiente urbano, um dos principais municípios do interior do Estado do Rio na época, um importante centro comercial e da produção da cana-de-açúcar, com uma população ligada a diferentes áreas de atuação urbanas, em sua maioria, como atividades ligadas ao comércio e aos serviços. O Sana caracterizava-se como uma localidade rural, enquanto distrito do município de Macaé, com praticamente toda a sua população formada por lavradores. Quando não eram lavradores, exerciam outras atividades ligadas à terra, ou que dependiam da agricultura. Nessa época, quase que completamente cafeicultora, onde a informação e as redes não eram tão ágeis e interligadas, tal qual em Campos. Na verdade, eram bem mais complicadas, pois era através da tração animal e por caminhos ruins e longínquos.

O Sana era um local praticamente fundado por descendentes de suíços e alemães que traziam, pelo menos em sua cultura, a vivência protestante vinda de seus antepassados, que lhes foram ensinadas. Para eles, apesar da primeira tentativa de prática protestante pelos moradores do Sana ter sido através do sincretismo entre influências protestantes, católicas e espíritas (que por si só é outro fator de comparação importante e singular com qualquer outra igrejas presbiteriana do país), foi algo que os marcou de tal forma que eles procuraram persistir na fundação de uma igreja protestante, como defesa de uma tradição. Não teria sido uma missão que lhes fora imposta. Teria sido uma decisão coletiva que visava uma afirmação de identidade imigrante suíça e protestante.

Campos contava com uma rede de informações muito maior do que a do Sana, e, com isso, utilizava de meios de informação e comunicação da época. Mesmo que, em teoria, não pudessem professar publicamente sua fé, as páginas dos jornais contavam com colunas de opinião do Reverendo Modesto Carvalhosa – claro, compradas por ele – e com divulgações dos cultos, que aconteciam na Rua Barão do Amazonas.

O Sana não contava com esse mesmo tipo de aparato, porém contava com o fato de ser uma igreja de uma pequena localidade, o que fazia com que sua mensagem lhes chegasse diretamente.

Além disso, esse fato fazia com que o Sana tivesse um grupo mais fiel e unido à sua igreja do que em Campos, que mostrava uma rotatividade de membros relativamente maior em relação à igreja do Sana. Este fato pode ser comprovado com o fato de não se ter conhecimento de período de estagnação na igreja do Sana, sendo amparada por esse seu grupo que se manteve, com as mesmas famílias, e que instigavam a vinda de pastores para o trabalho (que, por ser um local de mais difícil acesso e com menos membros, mostrava uma maior rotatividade de pastores do que Campos).

No entanto, a igreja de Campos ficou alguns anos fechada. Do final do século XIX a fins da década de 1920, a igreja esteve com seus trabalhos praticamente parados e fechados, devido a inconstância dos membros e a desentendimentos entre os mesmos.

Na parte do conselho de presbíteros e na defesa de práticas da moral cristã, eram igrejas que trabalhavam de forma parecida, creio que parte disso pelo fato de terem tido influências de pastores vindo dos mesmos lugares e com formas de trabalhar parecidas. Muitas vezes, alguns pastores eram até os mesmos, tanto no fato de pastorear quanto no de dar assistência, como Henrique Louro de Carvalho, Thomas Porter, Laudelino de Oliveira Lima e o próprio Benjamim César, que foi tão importante para a igreja de Campos em seu reestabelecimento, afirmação e desenvolvimento. César foi pastor da igreja do Sana na mesma época em que atuava na igreja de Campos.

O conselho de presbíteros era parecido pois são as duas igrejas compostas de nomes de famílias presentes na igreja e que se mantiveram no posto por muito tempo, muita das vezes levantando as igrejas em tempos mais complicados. Quanto a defesa de práticas morais, por que tanto uma quanto outra eram bem rígidas com práticas consideradas erradas dentro dessa moral cristã, e não costumavam abrir mão de disciplinar e tirar da comunhão aqueles que não iam se retratar ou não se mostravam arrependidos dos atos.

Porém a principal questão passível de comprovação pelo método comparativo entre a instalação e consolidação das duas igrejas é justamente a influência do meio em que elas eram inseridas. Deste modo, percebe-se como as fundações e desenvolvimentos dessas igrejas sofreram a ação e a interferência dos seus meios. Nesse sentido, utilizo a abordagem da história comparada associada ao “modelo” braudeliano de se explicar a história de uma sociedade aliada ao meio de onde é inserida, a esse tipo de geohistória bem visto nas obras de Fernand Braudel.

Partindo da história do Sana, pode-se observar como o elemento do meio formado por descendentes suíços e alemães foi extremamente importante para que a igreja fosse fundada, uma vez que foram eles que queriam criar em sua comunidade uma igreja protestante e foram atrás de um pregador. O ambiente cafeicultor tornou a igreja do Sana voltada inteiramente para elementos do campo que trabalhava no café. As atas da igreja deixam isso bem claro. Era uma igreja totalmente lavradora, e que mudou de templo devido a distância que ficava da casa dos lavradores e do seu local de trabalho, da sua terra de plantio.

Percebemos como essa questão estava presente dentro do contexto da serra macaense, e como essa igreja de uma pequena comunidade de lavradores do Sana começou a chamar a atenção de outras pessoas dessa mesma serra, visto que era um local ocupado justamente em sua maioria por pessoas descendentes de europeus de países protestantes e voltadas para as plantações de café. Era uma igreja que respirava o ambiente rural e, principalmente, essa cultura do café. Além disso, as relações sociais desse meio familiar fizeram com que a rede entre as famílias fosse igualmente importante para o crescimento dentro dessa região. O que explica seu rápido crescimento nos anos iniciais, durante a década de 1910 e 1920.

A igreja envolta do ambiente do café e dos descendentes afetaram a organização do espaço numa linha direta de mão dupla, cujo reta unidade da comunidade e sua identidade. Esta relação explica o crescimento da igreja, com sua mudança de local e o sentido de suas pregações. Ela também explica, sem muita dificuldade, como essa igreja teve um grande declínio da década de 1930 em diante. Com a crise do café, depois do crack da bolsa em 1929, ocorre mudança dos eixos da economia no Brasil e a chegada ao poder de Getúlio Vargas que transferiria para a indústria nacional o projeto nacional de crescimento econômico. Estas condições provocaram a desvalorização da produção do café. As decisões tomadas pelo novo governo mantiveram a estratégia de garantia dos preços aos grandes produtores o que levaria à queima das sacas de café, para recuperação da crise. A mudança dos rumos econômicos, sob um governo que defendia uma “modernização conservadora” em substituição aos interesses da agricultura.

A população do Sana sofreria com as medidas “modernizadoras” nesse período e houve, quase de imediato, uma mudança no ambiente físico, social e econômico dessa região. Sendo não só propriamente o Sana, mas a serra macaense por inteiro. As sacas foram queimadas, a cultura foi mudada para o cultivo da banana e, consequentemente, houve o êxodo rural ou mesmo a mudança maciça das famílias para outras áreas rurais.

Claro que isso fez com que a igreja perdesse muita força e muitos dos seus membros. Dessa forma, foi interrompido o crescimento da igreja, com a estagnação no número de membros e trabalhos da igreja do Sana, o que trouxe um sentido completamente oposto: fez com que essa igreja entrasse num processo de declínio, permanecendo somente aquelas famílias que estavam presentes desde os anos iniciais, as que se mantiveram no Sana. A igreja passou por dificuldade por alguns anos, mas conseguiu se manter e entrar numa fase de estacionamento, mas finalizou seus trabalhos.

Campos seguiu sua história de outra forma. Não era uma igreja que sofria a influência de um meio homogêneo, com seus membros sendo de uma mesma classe social ou de um mesmo modo de vida ou de trabalho. Era a típica igreja inserida num ambiente do centro urbano, em que recebiam pessoas vindas das mais diferentes áreas, inclusive imigrantes ingleses, comerciantes, pessoas ligadas ao cultivo da cana, dentre outros elementos da sociedade campista.

A igreja se situava, até os anos finais do pastorado de Benjamim César, num salão da Barão do Amazonas (depois de um curto tempo na Lacerda Sobrinho), que era uma das mais movimentadas ruas do centro campista, o que mostrava como o ambiente da igreja estava dentro da movimentação que acontecia na cidade, não era alheia a isso, e até deveria sofrer uma certa repressão por causa dessa posição. Como disse então, recebiam muitos comerciantes, sendo que estavam no centro urbano. Não só isso, mas disse que muitos ingleses eram membros dessa igreja, o que fazia com que a configuração dessa também fosse diferente, já que alguns dos presbíteros vinham dessas famílias inglesas, provavelmente que já eram protestantes antes de vir para o Brasil.

Os pastores que faziam a missão em Campos, costumavam pregar nas praças, locais em que todos os elementos dessa sociedade passavam e podiam vir a fazer parte desse meio presente na igreja. Durante todo este período inicial, na década de 1880, Campos vivia  uma época econômica e política próspera, em que o movimento republicano se expandindo, época também em que Modesto Carvalhosa conseguira fazer chegar a igreja aos jornais.

A igreja e as classes proprietárias de Campos seriam impactadas social e economicamente pela abolição da escravatura, assim como, a República nascente trouxera outras expectativas. No período em que se instalava a nascente república e trouxera mudanças políticas e sociais para a cidade de Campos, os conflitos internos, na igreja, a paralisaram, quase ao ponto de serem encerrados os trabalhos pastorais. A sociedade campista estava em mudança, de igual forma, os egos afloraram na igreja, e as falácias venceram durante esse tempo, só voltando de fato ao trabalho, com Benjamim César, em 1928.

Pode-se perceber, então, as influências diferentes do meio em cada igreja e como elas lhes ditaram o ritmo e fizeram com que seu trabalho fosse modificado ou visto de outra forma. O meio falava aos membros das igrejas e esses respondiam ao seu espaço e ao seu tempo. A geografia física, a economia, a mudança política, tudo isso tem sua importância dentro da implementação de um novo trabalho religioso nessas regiões, e de como eles andaram até se estabelecerem de fato nesse espaço definido e fazerem parte desses locus.

 

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[1] Mestrando em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro; Bacharel e Licenciado pela Universidade Federal Fluminense – Polo Universitário de Campos dos Goytacazes.

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[10] BELLO, José Maria, História da República. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1976.

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[13] LESSA, Themudo. Anais da Primeira Igreja Presbiteriana de São Paulo. São Paulo: Cultura Cristã, 2010.

[14] FERREIRA, Julio de Andrade. História da Igreja Presbiteriana do Brasil. Rio de Janeiro: Casa Presbiteriana, 1960

[15] SCHWARCZ, Lilia Moritz. As Barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

[16] HECHT, Joseph. A Imigração Suíça no Brasil 1819-1823. Missão Primícia, 2009.

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CAUTIERO, Gisele Muniz dos Santos e FRANCO, Maria da Conceição Vilela. Macaé nos séculos XX e XXI. Macaé/RJ: Prefeitura de Macaé, 2013.

Professora Doutora do Departamento de História do Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional da Universidade Federal Fluminense. Coordenadora do Laboratório de Estudos da Imanência e da Transcendência (LEIT) e do Laboratório de Estudos das Direitas e do Autoritarismo (LEDA). Membro do Grupo de Estudos do Integralismo (GEINT).

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