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HOLODOMOR: A UCRÂNIA LEMBRA, O MUNDO RECONHECE

Neste artigo, Pe. Domingos Miguel Starepravo, osbm, narra como em um belo dia, recebe um convite inusitado que coloca em marcha uma vez mais as suas pesquisas, e a permanente divulgação do genocídio ocorrido na História recente da Ucrânia.

 

“Com um convite oficial vindo através da Embaixada Ucraniana no Brasil em Brasília, enviada pelo DD. Embaixador Rosteslau Tronenko iniciou-se algo inédito na minha vida, tenho a oportunidade de estar em um Fórum Internacional. E assim no dia 19 de novembro passado já estava no aeroporto pronto para embarcar ao destino da minha longa viagem, e somente no outro dia ao anoitecer cheguei a Kyiv coberta de neve:

Ordem de São Basílio Magno – Província São José
Estado do Paraná.

Reverendo Padre

Em novembro de 2018 a Ucrânia e o Mundo inteiro homenageiam a memória das vítimas do Holodomor por ocasião do 85º aniversário desta tragédia. Nos anos 1932 e 1933, no território da Ucrânia milhões de pessoas morreram de fome criada propositalmente pela liderança da União Soviética. O Holodomor foi perpetrado pelo regime stalinista com objetivo de eliminar definitivamente a resistência ucraniana contra o regime totalitário comunista, dominar os ucranianos e reprimir suas tentativas de construir um Estado Independente Ucraniano. Pela Lei da Ucrânia de 2006 o Holodomor nos anos 1932 e 1933 na Ucrânia foi reconhecido como genocídio do povo ucraniano.

Averiguando a verdade sobre um dos maiores crimes contra a humanidade na história da civilização, o nosso país sempre sentiu apoio e solidariedade da comunidade internacional. Com objetivo de evitar a repetição de tragédias semelhantes no futuro e restabelecer a verdade histórica, a Ucrânia apela à comunidade internacional de continuar o processo de reconhecimento do Holodomor como genocídio do povo ucraniano.

Nos dias 22-24 de novembro deste ano na cidade de Kyiv serão realizados o Fórum Internacional “A Ucrânia Lembra – o mundo reconhece” e os eventos comemorativos, para participação nos quais são convidados os chefes de Estados estrangeiros, representantes de governos e parlamentos, líderes políticos e figuras públicas, cientistas renomados e pesquisadores do Holodomor de muitos países do mundo. No âmbito do Fórum nos dias 22-23 de novembro será realizado o simpósio científico, no dia 23 de novembro – campanha artística no Teatro Nacional de Opera da Ucrânia. No dia 24 de novembro, no Dia da Memória das vítimas do Holodomor, serão realizadas as atividades comemorativas oficiais com a participação das autoridades ucranianas.

Convidamos o Senhor para visitar a cidade de Kyiv, e esperamos que o Senhor participe junto conosco no Fórum Internacional e nas atividades em memória de milhões de vítimas inocentes de uma das tragédias mais cruéis do século XX. Aproveitamos a oportunidade para desejar ao Senhor muitos sucessos, paz e prosperidade ao Brasil.

Atenciosamente,

Co-presidentes do Comitê Organizador da preparação e realização de atividades por ocasião do 85-o Aniversário do Holodomor nos nos 1932 e 1933 na Ucrânia.

Primeiro -Ministro da Ucrânia
Volodymyr Groysman e Chefe da Administração do Presidente da Ucrânia – Ihor Rainin.”

Kiev, Ucrânia. Fonte: https://www.infoescola.com/europa/kiev/

O Fórum Internacional “A Ucrânia Lembra – O Mundo Reconhece” em memória dos 85 anos do Holodomor de 1932-1933 iniciou-se cedo no dia 22 de novembro e que aconteceu no Centro Internacional de Convenções Casa Ucraniana (Український дім) em Kyiv, capital da Ucrânia, entre os dias 22 e 24 novembro de 2018.

Minha participação como único basiliano representante do Brasil e a nossa Ordem Basiliana. Feliz e grato a Deus e a aqueles que me proporcionaram tal realização especial da minha vida, e foram momento de muito aprendizado com participantes de 53 países. Foi um momentoconhecer não só diversos estudiosos sobre o genocídio ocasionado pelo regime comunista da União Soviética, mas também chefes de vários países, diplomatas, autoridades máximas ( os Patriarcas das igrejas da Ucrânia) e de participantes ilustres de vários países.

Durante a abertura do Fórum, o Primeiro Vice-Primeiro Ministro da Ucrânia, Stepan Kubiv, disse: “O Holodomor deve ser abertamente reconhecido como genocídio, para que esse terrível crime contra o homem e a humanidade nunca mais aconteça.” Além de exposições, filmes e premiações, o evento contou com as seguintes sessões:

HOLODOMOR-GENOCIDE: UMA REVISÃO DE RAPHAEL LEMKIN E DA CONCEITO LEGAL INTERNACIONAL

Moderadores:
Frank Sysyn , diretor do programa Petro Jacyk, Instituto de Estudos Ucranianos do Canadá, Universidade de Alberta, Canadá
Myroslava Antonovych, JD, Universidade Nacional de Kyiv-Mohyla
Debatedores:
Volodymyr Vasylenko, JD, professor da Universidade Nacional de Kyiv-Mohyla
Roman Serbyn, professor emérito de História da Universidade de Quebec, Montreal, Canadá
Bohdan Futey, Professor, Juiz do Tribunal de Justiça de Reivindicações Federais dos Estados Unidos
Yevhen Zakharov, presidente do conselho da União Ucraniana de Direitos Humanos de Helsinque, diretor do Grupo de Direitos Humanos Kharkiv
Genadi Poberezhny, Instituto de Pesquisa Ucraniano da Universidade de Harvard, EUA / Universidade Livre da Ucrânia, Alemanha

DA PESQUISA: RESULTADOS, REALIZAÇÕES, PERSPECTIVAS

Moderadores:
Bohdan Klid, Diretor de Pesquisa, Holodomor Research and Education Consortium (HREC), Instituto Canadense de Estudos Ucranianos, Universidade de Alberta, Canadá
Volodymyr Tylishchak, Diretor adjunto do Instituto Ucraniano de Lembrança Nacional
Debatedores:
Vasyl Marochko, Ph.D (História), Chefe, Associação de Pesquisadores Holodomor, Pesquisador Chefe, Instituto de História da Ucrânia da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia
Marta Baziuk, Diretora Executiva, Holodomor Research and Education Consortium (HREC),Canadá
Valentina Kuryliw , Diretora de Educação, Holodomor Research e Consórcio de Educação (HREC), Instituto Canadense de Estudos Ucranianos, Universidade de Alberta, Presidente do Conselho Nacional do Comitê do Congresso de Estudos do Holodomor do Canadá
Liudmyla Hrynevych, Ph.D (História), Diretora, Holodomor Research and Education Consortium (HREC), Instituto Canadense de Estudos Ucranianos, Universidade de Alberta, Canadá, Pesquisadora Sênior, Instituto de História da Ucrânia do Nacional Academia das Ciências da Ucrânia
Natalia Levchuk, Ph.D (Economia), Membro do “Projeto MAPA, Atlas Digital da Ucrânia”, Instituro de Pesquisa Ucraniana da Universidade de Harvard, Pesquisador Chefe, Instituto de Demografia e Relações Sociais do National Academia das Ciências da Ucrânia

AVANÇOS EM INVESTIGAÇÃO ACADÊMICA: A DIMENSÃO INTERDISCIPLINAR

Moderadores:
Gennadiy Boryak, Ph.D (História), Diretor Adjunto, Instituto de História da Ucrânia da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia
Oleksandr Hladun, Ph.D (Economia), vice-diretor, Instituto de Demografia e Relações Sociais do Academia Nacional de Ciências da Ucrânia
Debatedores:
Stanislav Kulchytsky, Ph.D (História), pesquisador sênior, Instituto da História da Ucrânia da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia
Oleh Wolowyna, professor da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, EUA
Andriy Kozytsky, professor assistente, Ivan Franko Universidade Nacional de Lviv
Philippe de Lara, professor da Université Paris 2 Panthéon Assas, França
Iryna Zakharchuk, Ph.D (Filologia), Professor, Universidade Humanitária do Estado de Rivne

AVANÇOS NA EXPANSÃO DAS FONTES DE PESQUISA

Moderador:
Yuri Shapoval, professor, Ph.D (História), chefe do Centro de História política, pesquisador chefe de estudos etno-políticos no Instituto IF Kuras de Estudos Políticos e Étnicos da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia
Debatedores:
Volodymyr Serhiychuk, Ph.D (História), Professor da Faculdade de História, Universidade Nacional Taras Shevchenko, Kiev
Lubomyr Luciuk, professor do Royal Military College do Canadá
Gennady Yefimenko, pesquisador sênior, Instituto de História da Ucrânia, Academia Nacional de Ciências da Ucrânia
Victoria Malko , Ph.D (Pedagogia), professora do departamento de história, California State University em Fresno, EUA
William Noll, autor do livro “Transformação da Sociedade Civil. Uma história oral da cultura camponesa ucraniana dos anos 1920-1930”

HOLODOMOR: POLÍTICA DA MEMÓRIA NAS PROJEÇÕES DO FUTURO

Moderador:
Volodymyr Viatrovych, diretor do Instituto Ucraniano de Lembrança Nacional
Debatedores:
Viacheslav Kyrylenko, Vice Primeiro Ministro da Ucrânia
Stefan Romaniw, Secretário Geral do Congresso Mundial Ucraniano
Ivan Vasiunyk, Co-presidente, Comitê Público para recordação das vítimas do Holodomor de 1932-1933 na Ucrânia
Bohdan Nahaylo (jornalista)

MÉTODOS EDUCATIVOS CONTEMPORÂNEOS: A EXPERIÊNCIA UCRANIANA

Moderador:
Pavlo Khobzey, vice-ministro da Educação e Ciência da Ucrânia
Debatedores:
Valentina Noseworthy, Consultora, Departamento de Educação, Governo de Manitoba, Canadá
Bohdan Onyshchuk, Presidente da Holodomor National Information Tour
Oksana Wynnyckyj-Yusypovych, presidente da Organização Mundial de Educação e Conselho de Coordenação Educacional (SKVOR) do Congresso Mundial Ucraniano

HOLODOMOR: PERSPECTIVAS PARA MEMORIALIZAÇÃO EM UM MUSEU

Moderador:
Ihor Poshyvailo, Diretor Geral, Complexo Memorial Nacional dos Heróis das Centenas Celestiais – Museu da Revolução da Dignidade
Debatedores:
John Young, presidente e diretor executivo do Museu Canadense de Direitos Humanos, Winnipeg.
Olesia Stasiuk, diretora geral do Museu Nacional – Memorial das Vítimas do Holodomor
Oleh Pohorilets, diretor do Mezhybizh State Historical and Cultural Reserve
Ihor Shchupak, diretor do Instituto Ucraniano para Estudos do Holocausto, “Tkuma”, diretor, Museu Memória Judaica e Holocausto na Ucrânia.

Com a informação da minha participação neste evento tão significativo quero partilhar com os simpatizantes e estudiosos da história humana no mundo, sem ideologias perversas que tentam negar esses fatos que “Jamais podemos esquecer”, porque a memória escreve a história com a voz da eternidade. Apresento-vos estimados leitores algumas publicações de alguns escritores de renome mundial estrangeiros que foram os primeiros a denunciar e mostrar ao mundo o genocídio que estava acontecendo nas terras negras da Ucrânia, chamada de Celeiro da Europa. Estes e muitos outros foram tratados no Fórum e apresentados como os mais renomados. Chegou-se a afirmar que existem 15 mil publicações no mundo sobre esse tema. Certamente grandes estudiosos entre eles grandes cineastas terão muitíssima matéria para inúmeros trabalhos científicos e filmes no futuro próximo.

O que motivou-me a escrever foi a notícia do dia 10.01.19 que o filme da Agnieszka Holland “Gareth Jones” sobre o Holodomor foi indicado para o – “ 2019 BERLIN Internacional Film Festival, (Fesival de cinema de Berlim) para concorrer ao Prêmio “URSO DE OURO”, que foi realizado na Capital da Alemanha nos dias 7-17 de fevereiro 2019. O projeto deste filme é uma obra conjunta da Autora Agnieszka Holland polonesa e atores e colaboradores da Ucrânia, Polônia, e Grã-Bretanha.

Na Ucrânia foram filmadas as sequências ucraninas deste filme, dedicado ao Holodomor ucraniano e ao papel do jornalista investigativo britânico GARETH JONES, o primeiro cidadão ocidental que informado sobre os acontecimentos, resolveu ir até as vilas ucranianas para registrar os fatos in loco. Assim Ele realizou um fato inédito, porque percorria a pé todas as aldeias famintas e em extinção, ele enviava em cartas e crônicas para a sua família contando toda a verdade, porque era um testemunho ocular sobre o genocídio comunista na Ucrânia.

Todos estes escritos felizmente encontram-se na sua família e que serviram para o thriller político baseado na história real deste jornalista investigativo galês Gareth Jones. Nos papéis principais estão James Norton, Vanessa Kirby, e o veterano Peter Sargaard, que dispensa apresentações. Espera-se que o filme seja apresentado nos cinemas já em 2019, escreve a Rádio Polônia e está no topo dos filmes europeus mais interessantes de 2018.

No FORUM circulou o Slogan – “A Ucrânia Lembra e o Mundo Reconhece”. Portanto, para que o mundo reconheça é preciso sua divulgação. Não se trata de convencer mostrando o numero exato de vítimas desse terror, nem fomentar o ódio e a vingança, mas trata-se de mostrar os fatos narrados do genocídio ucraniano, assim como já houveram outros genocídios durante a história da humanidade, mas em atrocidade e terror o ucraniano não tem igual, conforme os historiadores que iremos apresentar neste trabalho.

Finalmente temos um trabalho científico brasileiro sobre o tema, que é o livro de ANDERSON PRADO resultado de sua tese de doutorado, “HOLODOMOR (1932 – 1933): Repercussões no Jornal Ucraniano -Brasileiro Pácia” – Goiania – Go Editora Espaço Acadêmico. Prado é graduado em história pela UNICENTRO – Pr., mestre em história pela UPF – RS e doutor em história política pela UNISINOS – RS. Foi professor da UNESPAR – Pr. (Paranaguá), UEPG (Ponta Grossa) e, atualmente é professor do IFPR – Campus Irati. Seus estudos são voltados à História contemporânea e Teoria da história.

Nesta viagem adquiri algumas publicações muito importantes que devem valorizar mais o meu acervo: “Crônica do Holodoror” – Vassylh Mrochko e Olha Movchan, ”Gnyvá Skorbóty”, Colheita Amarga – Robert Conquest, “Fome 1932 – 1933 na Ucrânia como genocídio: no idioma de documentos e olhos das testemunhas” – Stanislau Kulhchetskyi – Kyiv, Nosso Tempo 2008. “Genocide – 1932 – 1933 of Ukrainians” de Volodymyr Serhiychuk Vyschorod PP SERHIYCHUK M.I. 2018.

Em duas versões inglesa e ucraniana, UKRAINA: materializatcia pryvydiv. – JAMES MACE. Em Ucraniano. Klio Kyiv TOB “ Editora KLIO” 2016, James Mace – “ Dilemas do comunismo… em inglês e ucraniano Kyiv 2018M, “CRONICA DA COLETIVIZAÇÂO E DO HOLODOMOR NA UCRÂNIA -1932 – 1933” Crítica. Tomo I, II,III de 1927 – 1929 – Liudmyla Hrynévych – Kyiv 2008. Também foi editada a Enciclopédia do Holodomor em 19 Tomos – autor Vacylh Ivanovicz Mrotchko , 12 de novembro 2018 e apresentada no Forum.

Procurei o livro o “Grande Terror” mas não está disponível. Um padre prometeu enviar-me o seu. Consegui comprar o livro “Colheita Amarga” – R. Conquest versão ucraniana.Oxford University Press New York, 1986. Este autor merece um comentário especial pela importância histórica que representa. O livro principal de Robert Conquest é o GRANDE TERROR, a Purgação de Stalin dos anos 30 publicado em 1968. Ele deu origem a um título alternativo do período da História Soviética conhecido como o Grande Expurgo.

Uma versão revisada do livro, chamada o Grande Terror, que foi impressa em 1990, depois que o autor teve oportunidade de emendar fatos ao seu texto, tendo oportunidade de consultar arquivos soviéticos abertos no período da Perestroika.

Robert Conquest nasceu em Malvern, Worcestershire, Inglaterra, morreu em Stanford- Califórnia – USA. Fez seus estudos de filosofia politica e economia em Winchester, em Grenoble (França) e, por fim em Oxford, onde obteve o doutorado. Trabalhou também como diplomata e conselheiro do Reino Unido. Autor de sete livros poéticos, Criticas Literárias de obras e também de trabalhos de história, além do “Grande Terror”, também a obra «ЖНИВА СКОРБОТИ», – « Colheita Amarga”, (1986).

Hoje temos o filme com esse nome Colheita Amarga. No livro o “Grande Terror” ele chegou a criticar duramente os intelectuais ocidentais por sua cegueira em relação as realidades da União Soviética, tanto nos anos de 1930 e os de 60, onde além de negar, desculpavam ou justificavam esses acontecimentos desumanos dos expurgos. Só após o colapso da União Soviética e a abertura dos arquivos soviéticos, muitas das afirmações de Conquest foram validadas como sendo precisas.

A quantidade de vítimas é contestada por alguns, mas na realidade ninguém vai chegar ao número exato porque agora é impossível, mas novas pesquisas já mostram nomes de vitimas escritas em enormes blocos de mármore, principalmente no parque ( cemitério) BYKIVNIA, um dos 4 existentes nas periferias de Kyiv, este acima mencionado contem milhares de nomes, comprovando a sua veracidade.

Outros historiadores concordam com Conquest e mantêm suas estimativas originais mais altas, entre eles o biógrafo de Stalin, Simon Sebag Montefiore, arquiteto da Perestroica e ex presidente do Comitê Presidencial para a reabilitação de Vítimas da Repressão Política Alexander Nikolaevich Yakoulev e diretor dos anais da Universidade de Yale da série Comunismo Jonathan Brent, colocando o numero de mortos em cerca de 20 milhões. O Simon Sebag Montefiore no seu livro Stalin: (O tribunal do Czar Vermelho), pp.649 “Talvez 20 milhões tenham sido mortos, 28 milhões de deportados, dos quais 18 milhões haviam escravizados nos Gulags”, que segundo as estimativas mais recentes sobre o numero de vítimas de Stalin ao longo de seu reinado de 25 anos, de 1928 a 1953, variam amplamente, mas 20 milhões são agora considerados o mínimo.

Agora levando em conjunto os três períodos da grande fome que são: no primeiro período nos anos 21-23 passaram fome 8 milhões e graças ao trabalho da Cruz Vermelha, morreram somente 3 milhões. Em seguida ela foi expulsa do território e nos anos 1932-33, que é o grande terror, com o numero de vitimas acima mencionado; E o terceiro período é pós-guerra mundial, anos 46-47, com o número de vitimas de 1 milhão e meio. No Fórum na seção solene, realizada no Parlamento (Conselho Superior) – Verxovna Rada, na presença das mais altas autoridades do País, no seu pronunciamento o Patriarca Filaret lembrou “que segundo a estatística da época a Ucrânia contava com 87 milhões de habitantes.” Depois do grande terror da fome, houve um número absurdo de vítimas fuziladas, chegava-se sepultar diariamente até 15 mil pessoas. Cada soldado tinha a tarefa de fuzilar 200 presos por dia.

JAMES MACE – foi um historiador americano, professor e pesquisador do Holodomor, nascido aos 18 de fevereiro de 1952, Oklahoma, USA. Falecido aos 3 de maio de 2004, Kyiv, Ucânia. Estudou na Universidade de Oklahoma e Universidade de Michigan, USA. A sua tese de doutorado em 1981 foi com uma tese sobre o comunismo nacional na Ucrânia soviética na década de1920. A partir de julho de 1981, Mace trabalhou como pós-doutorado no Instituto de Pesquisa Ucraniano de Harvard. De 1986 a 1990, Mace atuou como diretor executivo da Comissão dos USA sobre a fome da Ucrânia, em Washington, DC. Em 1993, ele mudou-se dos USA para a Ucrânia.

Desde 1995, ele foi professor de Ciência Política na Universidade Nacional da Academia Kyiv-Mohyla. Recebeu a Ordem de Jaroslau Mudry das mãos do então presidente Viktor Yushchenko em 2005.Um feito inédito foi quando era diretor da Comissão dos USA para o estudo da fome ucraniana, ele coletou relatos de testemunhas oculares de sobreviventes na América do Norte.

Foram mais de 200 horas de gravação de áudio que foram posteriormente entregues à Biblioteca Parlamentar Ucraniana, em Kyiv. As fitas desses relatos de testemunhas oculares foram encontradas espalhadas pelo chão da biblioteca vandalizadas, algumas totalmente destruídas. No Fórum o nome dele foi muito lembrado e celebrado.

RAPHAEL LEMKIN (24 de junho de 1900- 28 de agosto de 1959), foi um advogado polonês, de origem judaica, que emigrou para os Estados Unidos em 1941. Antes da Segunda Guerra Mundial, se interessou pelo Genocídio Armênio e fez campanha na Liga das Nações para banir o que ele chamou de “ barbárie” ( massacre de um povo), ficou conhecido por seu trabalho criando a palavra híbrida ou composta cunhada por ele em 1943, usando o grego génos (familia, povo ou raça) e usou a palavra do latim Cídere ( Matar). Lemkin usou essa expressão pela primeira vez em seu livro Axis Rule in Occupied Europe.

Lemkin nasceu no vilarejo de Bezwodne, na Bielorrusia, não se sabe muito sobre a sua infância. Seu pai era um fazendeiro e sua mãe uma intelectual: pintora linguista, estudante de filosofia e colecionadora de livros de literatura e história. Aos 14 anos de idade, sob a influência da mãe Bella Pomerantz Lemkin, tornou-se um conhecedor de línguas e dominava-as e falava fluentemente em nove línguas, entre elas o inglês, francês, espanhol, hebraico, iídiche, alemão, ucraniano, bielorrusso e o paterno polonês.

Depois de graduado, iniciou os estudos de linguística na Uniwersytet Jana Kazimierza, em Lviv, onde começou a interessar-se pelo conceito crime, que mais tarde, ele associaria ao conceito genocídio, em grande parte baseado na experiencia dos assírios, massacrados no Reino do Iraque em 1933, e no Genocídio Armênio. Depois ele transferiu-se para Alemanha na Universidade Heidelberg para estudar filosofia e em seguida retornou para Lviv na Ucrânia para estudar Direito no ano 1926 e no final tornou-se promotor em Varsóvia, capital da Polônia. Quando houve o cerco de Varsóvia no ano 1939 estava no exército polonês e aí foi ferido, mas conseguiu fugir do país e em 1940, passou pela Lituânia, e foi até a Suécia, onde consegue lecionar na Universidade de Estocolmo.

Com ajuda de amigos consegue visto para exilar-se nos EUA, onde chega no ano 1941 e logo consegue lecionar na Universidade de Duke. Em seguida transfere-se para Washington, DC, onde passa a trabalhar no Departamento da Guerra, como analista, ao mesmo tempo em que realizava pesquisa documental sobre as atrocidades cometidas pela Alemanha nazista, para seu livro “Axis Rule in Occupied Europe”. Mais tarde, Lemkin integraria o grupo de trabalho encarregado de preparar os julgamentos de Nuremberg e nesse tempo ele conseguiu incluir a sua palavra “genocídio” na acusação contra os líderes nazistas.

Ao voltar da Europa, ele estava determinado a ver o seu conceito de genocídio incorporado ao direito Internacional e começou a fazer lobby nesse sentido, durante as primeiras sessões das Nações Unidas. Afinal os seus esforços para obter o apoio de delegações e influentes líderes nacionais foram recompensados. Em 9 de dezembro de 1948, as Nações Unidas aprovam a Convenção sobre o Genocídio. (Este artigo sobre o jurista e escritor, pode ser expandido, segundo a Wikipédia.)

Lugar das recentes comemorações oficiais com a presença das mais altas autoridades nacionais e chefes de vários países e seus representantes, é o famoso cemitério clandestino BYKIVNHA, onde milhares de vitimas eram enterrados a noite, principalmente as vítimas fuziladas durante o dia. Chegava-se a 15 mil cadáveres sepultados. Existem nos redores de Kyiv 4 desses grandes Parques-Cemitérios. Algo assombroso de ver e difícil de imaginar até onde vai a maldade humana; e mais ainda a obstinação de muitos em negar os fatos dessa história, mas a história fala com a voz da eternidade.

Milhares de nomes das vítimas esculpidos nos blocos de mármore. Aqui estou eu, diante do altar mor das vítimas ucranianas e ao meu lado há muitas lamparinas onde estão sepultadas as vítimas do povo polonês, também em grande número.”

 

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Izabel Liviski é professora e fotógrafa, doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Escreve a coluna INcontros desde 2009 e é também Co-Editora da Revista​ ContemporArtes.​ Contato: bel.photographia@gmail.com

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