• Home
  • Nova onda populista de direita

Nova onda populista de direita

Sou formada em História. Conclui o Curso pelo Departamento de História do Instituto de Ciência da Sociedade e Desenvolvimento Regional da Universidade Federal Fluminense. Feminismo e política já faziam parte de mim antes mesmo que eu percebesse. Ser nascida na baixada fluminense do Rio de Janeiro faz parte do que me fez perceber que tudo é um ato político.
O compromisso com a verdade é primordial para mim, por isso, escrevo e desejo
que a verdade esteja acessível para todos.

Débora Marinho

 

Nova onda populista de direita

 

Partidos populistas multiplicaram sua presença na Europa nos últimos 20 anos, tendo votos suficientes para liderar governos em 11 países. A presença populista continua a crescer na Europa, principalmente o populismo de direita. Em 1998 os partidos populistas eram forças marginalizadas e tinham apenas 7% dos votos pelo continente, mas nas eleições recentes um em cada quatro votos foi para um partido populista.

Defensores do populismo afirmam que o movimento defende a pessoa comum contra interesses estabelecidos, no entanto, críticos afirmam que quando no poder, o populismo, subverte as normas da democracia, seja prejudicando a mídia e o judiciário ou passando por cima dos direitos das minorias.

Não apenas pela Europa tem se espalhado o populismo, mas também em cinco das sete maiores democracias: Índia, Estados Unidos, Brasil, México e Filipinas. Na Europa o populismo vem de décadas atrás com o partido de extrema direita da Áustria que foi fundado e 1956 por um ex-nazista e ganhou 20% dos votos em 1994. Hoje o mesmo partido faz parte da coalizão dominante no país. Os partidos populistas tiveram sucesso na Noruega, Suíça e Itália nos anos de 1990, mas fora na virada do século que as ideias populistas começaram a proliferar.

Desde então o populismo aumentou de forma rápida, principalmente depois do crash de 2008 e a crise de refugiados de 2015 na Europa. O UKIP (UK Independence Party) o Partido de Independência do Reino Unido impulsionou a votação do BREXIT, e Marine Le Pen chegou ao segundo turno nas eleições, além de estar se apropriando do discurso populista através das manifestações dos coletes amarelos[1] (https://goo.gl/itLbdo). O partido anti-imigração Alternativa para Alemanha (AFD) se tornou o primeiro partido de extrema direita desde a Segunda Guerra a entrar nos parlamentos estaduais alemães e possui mais de 90 assentos no parlamento (Bundestag); na Itália o Movimento Cinco Estrelas (M5S) teve quase 50% do voto popular; o Fidesz União Cívica Húngara teve 49% dos votos e os Democratas Suecos (partido de extrema direita) aumentou em 17,5%.

“O sucesso de tais políticos tem muito a ver com sua capacidade de convencer as suas audiências de que não pertencem ao tradicional sistema político. Como tal, eles estão em pé de igualdade com o povo na medida em que nem eles nem o povo pertencem às elites corruptas” Claudia Alvares, professora associada da Universidade Lusófona.

Alvares também afirma que as mídias sociais tiveram importante papel na ascensão do populismo, já que os posts nas redes sociais canalizavam a raiva que os políticos populistas expressavam.

Em suma, governantes populistas veem a presidência como um planejamento para uma cruzada contra certos grupos. Tais movimentos podem não matar as democracias, mas forçam as instituições democráticas.

Por certo não apenas a Europa vê a presença do populismo de direita, este também se faz presente na América Latina. Na Colômbia é possível ver o aparecimento do populismo de direita com a eleição de Iván Duque que é um protegido do ex-presidente Álvaro Uribe. Duque tem seu foco governamental na segurança, assim como foi com Uribe (apesar do mesmo ter aberto mão de apoiar as negociações de paz com as FARC quando era oposição), mas seu partido tem implicações com abusos em direitos humanos e corrupção. Duque dá preferência em proteger grupos específicos como os evangélicos e quando se opta por proteger um grupo em particular a possibilidade de unificar o país acaba por se frustrar.

No Brasil, temos o novo presidente eleito que também faz parte do movimento populista de direita. Prometendo uma guerra contra a corrupção e mantendo-se como a única fonte de notícias verdadeiras através de seu twitter, na tentativa de desqualificar a imprensa tradicional. No que toca ao direito às minorias, por exemplo, o presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou em vídeo passado que a minoria precisaria se dobrar à maioria. Apresenta ideias em concordância com outros governantes populistas de direita assim como o pensamento liberal. Foi contra a PEC da doméstica, mas se mostra a favor da reforma trabalhista e da previdência.

No resto da América do Sul, para valor de nota, é importante ressaltar, que, ainda que não sejam classificados enquanto governos populistas, há uma onda de conservadorismo que toma a América do Sul. Com a presença, por exemplo, de Mario Abdo Benítez presidente do Chile e filho do ex-tesoureiro do ditador Alfredo Stroessner; Maurício Macri, na Argentina, com seu projeto liberal; Miguel Sebastian Piñera, no Chile o empresário, porém não outsider; e Martín Vizcarra que substituiu o PPK por envolvimento em esquemas na Odebrecht.

Na contramão, o México, na América do Norte, elegeu um populista de esquerda, Andrés Obrador que tem seu foco na luta contra a corrupção e na distribuição da riqueza. Ainda no começo de governo, para análises profundas, mas com tomada de medidas populares como permanecer em sua casa pessoal e não na oficial Los Pinos.

 

Fontes: https://www.theguardian.com/world/ng-interactive/2018/nov/20/revealed-one-in-four-europeans-vote-populist?utm_source=instagram&utm_campaign=populismmain

https://www.nytimes.com/2018/06/25/opinion/mexico-colombia-populism.html

 

[1] Informação não incluída no texto original do The Guardian, mas uma interpretação minha do vídeo anexado como fonte a afirmação.

 

 

Professora Doutora do Departamento de História do Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional da Universidade Federal Fluminense. Coordenadora do Laboratório de Estudos da Imanência e da Transcendência (LEIT) e do Laboratório de Estudos das Direitas e do Autoritarismo (LEDA). Membro do Grupo de Estudos do Integralismo (GEINT).

Deixe uma resposta