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PSICANÁLISE E ANTROPOLOGIA

A Coluna Radar Lepcon entrevistou o Psicanalista e Antropólogo Célio Pinheiro acerca do curso que ministra há 26 anos, e que tem importantes contribuições para diversas áreas do conhecimento teórico e também para a atuação clínica, devido principalmente ao seu caráter interdisciplinar.

RL – Em linhas gerais, sobre o que trata o curso Psicanálise e Antropologia?

​CP – O Curso Psicanálise e Antropologia visa trazer uma contribuição importante para várias áreas de interesse tanto profissionais quanto acadêmicas.

Este curso contribui ao colocar em diálogo dois campos do saber tão vastos e merecedores de serem conhecidos: a profundidade subjetiva da Psicanálise e a riqueza simbólica e metodológica da Antropologia.

Precisamos compreender as profundas mudanças nos modos de constituição das famílias, das redes de sociabilidades e estudar os processos psíquicos em relação com os dilemas sociais onde o Sujeito está inserido. Tal estudo se constitui numa experiência reveladora.

Ao escutar o Sujeito em sua singularidade, a Psicanálise encontra a dimensão social em que ele está inserido, descobre a Cultura. Ao estudar as Culturas, a Antropologia encontra a subjetividade singular do Sujeito.

No privilégio que dão à linguagem, seja pela palavra escrita, pelas tramas dos discursos, verbal, gestual, pictórica, ou atuada, tanto uma ciência como a outra privilegiam a busca das relações entre significantes e os significados.

Portanto, as articulações conceituais entre Psicanálise e Antropologia favorece melhor compreender questões subjetivas bem como dilemas culturais, tais como: o amor e a sexualidade; as novas formas de organização do parentesco; a significação da morte; os fenômenos religiosos; a medicalização e o uso de drogas; as relações de trabalho como fator de adoecimento psíquico; as representações do corpo; as várias formas de violência…

RL – A que público se destina essa aprendizagem?

CP – O curso tem por característica ser aberto a todos os interessados pelos discursos da Psicanálise e da Antropologia. Profissionais e acadêmicos de várias disciplinas vão se beneficiar do estudo das articulações destes dois grandes campos do saber.

O curso completa 26 anos de existência e neste tempo freqüentaram o curso profissionais e estudantes da Psicologia, do Direito, da Medicina, da Pedagogia, da Filosofia, das Artes, da Sociologia, das Letras, e várias outras, cada qual com um interesse específico mas que em muito ampliaram sua formação profissional nos aspectos humanos e sociais.

RL –  A que conteúdos os participantes terão acesso?

CP – O curso promove uma apresentação histórica e conceitual dos principais temas e também um diálogo entre autores e obras. A compreensão do mundo em que vivemos – leia-se: a cultura, as representações, os fenômenos, aquilo que muda e aquilo que permanece – requer uma articulação de conceitos, movimentos comparativos entre passado e presente, bem como comparações entre culturas diferentes. O diálogo entre as disciplinas é fundamental.

Antropologia e Psicanálise privilegiam o estudo das representações e das práticas, os modos de inserção do Sujeito na Cultura, as transformações e permanências, as redes de significantes e significados produzidos.

Estudaremos os principais autores e obras antropológicas e psicanalíticas; faremos estudos comparativos de práticas sociais realizadas por sujeitos de diferentes culturas: modos de tocar, casamentos, funerais, festas, instituições, rituais.

Desde antes do nascer, até a morte e mesmo depois dela, o sujeito reproduz modos culturais ao passo em que nela também produz transformações, quer o saiba ou não. Eis o inconsciente, conceito legado da Antropologia para a Psicanálise, fundamental a ambas.

A escuta clínica requer que se compreendam as formas de organização do parentesco, das estruturas, dos significados da morte, do estudo dos rituais, dos fenômenos coletivos, dos mitos, da linguagem, da cultura enfim, para que se possa alcançar a singularidade do Sujeito em seu tempo e lugar.

 

Célio Pinheiro (imagem do acervo pessoal)

Célio Pinheiro é Psicanalista e Antropólogo. Formado em Psicologia pela Universidade Tuiuti do Paraná em 1993. Tem Mestrado em Antropologia Social pela UFPR. Experiência clínica em consultório psicanalítico e trabalhos com Grupos e equipes profissionais.

Atuação nas seguintes áreas temáticas: Psicanálise, Antropologia da saúde, Saúde Coletiva, Saúde Mental, estudos sobre adoecimento psíquico. Trabalhos preventivos e de combate à depressão, melancolia, suicídio e respectivos projetos de prevenção. Ministra cursos de formação em Psicanálise e cursos de extensão em Universidades. Participa de Projetos de Saúde Preventiva e Saúde Mental. Coordenador do projeto Cinema e Psicanálise.

 

Mais detalhes sobre o curso:

 

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Izabel Liviski é professora e fotógrafa, doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Escreve a coluna INcontros desde 2009 e é também Co-Editora da Revista​ ContemporArtes.​ Contato: bel.photographia@gmail.com

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