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Um sonho que se torna realidade: Escola da Ponte em visita

Maria Inês Ribas Rodrigues

Professora do Centro de Ciências Naturais e Humanas da Universidade Federal do ABC

Quando se trata de metodologia inovadora de ensino e sua influência entre instituições do ensino básico, é quase impossível esquecer-se da Escola da Ponte.

Uma proposta diferenciada que deveria fazer parte de muitas formações. Assim foi durante a minha própria. Havia outros exemplos na disciplina Didática, mas este foi um que marcaria minha carreira como professora profundamente.

Falar da Escola da Ponte é mostrar a possibilidade da mudança, quando se acredita em algo melhor envolvendo a coletividade. A Esperança é fundamental para todos, mas principalmente para aqueles que lidam com o contexto do ensino e aprendizagem.

Mas antes de adentrarmos sobre o contexto da visita a essa instituição de ensino portuguesa, gostaria de ressaltar alguns pontos, trazidos na leitura do livro do José Pacheco (2010), muito interessantes.

A Escola da Ponte surgiu em 1970, sob a proposta de ser um ensino diferenciado. Mas foi seis anos mais tarde, após um processo que poderia ser encarado como negativo para qualquer outra instituição de ensino, que surgiu um novo projeto.

Liderado por José Pacheco e motivado por uma série de questionamentos internos, que serviram de incentivo para a construção de algo completamente diferente, o projeto inicial fora transformado, tornando a formação voltada para um contexto centrado no estudante.

Segundo Pacheco (2010), a Escola da Ponte era um arquipélago de solidões, quando se refere ao trabalho isolado, tanto física quanto psicologicamente, dos professores. Um ensino dito tradicional, pautado em manuais e centrado nos professores. A diversidade sociocultural das crianças que chegavam à escola, ao invés de ser uma oportunidade enriquecedora, era motivo de desfavorecimento no contexto do ensino e aprendizagem, já que muitas eram originadas de bairros pobres da região.

Para o autor, não passa de um grave equívoco a ideia de que se poderá construir uma sociedade de indivíduos personalizados, participantes e democráticos enquanto a escolaridade for concebida como um mero adestramento cognitivo(PACHECO, 2010, p.13).

O tempo passou. Estando na cidade de Coimbra, para acompanhamento do Programa de Licenciaturas Internacionais (PLI), que coordenava na época, pela instituição de ensino superior na qual atuo na formação de professores, tive duas oportunidades de conhecer escolas portuguesas. Uma no centro da cidade de Coimbra e outra na cidade do Porto.

Tratava-se de uma época dourada para os cursos de formação de professores. Digo dourada, pois um novo panorama se fazia presente para o processo de formação de professores no Brasil. Época inicial do PIBID (Programa de Incentivo de Bolsa de Iniciação à Docência), outro programa que incentivava veementemente a formação de professores, inicial e continuada.

Aqui cabe um parêntesis, pois essa é a política que se deve empreender num país que pretende que seus professores sejam valorizados, bem formados e tenham possibilidades de estudarem e de se formarem continuamente, pesquisando a própria prática. A educação engajada com a construção de um mundo melhor, tendo a universidade integrada às escolas, crescendo juntas. Esses projetos trouxeram resultados que valem a pena serem revisitados (SILVA et al. 2014; MIRANDA et al. 2017)

Mas vamos à Ponte!

Primeiro entrei em contato com a secretaria dessa escola e agendei uma visita. Esse é o ponto de partida para os que pretendem conhece-la de perto.

Como já havia dito Ruben Alves, é uma Escola com que sempre sonhei, sem imaginar que pudesse existir. E ela existe!

 

Foto 1- Fachada da Escola da Ponte
Fonte: autor

Ao chegar à escola, dirigi-me à secretaria para anunciar minha chegada, no horário previsto
para a visitação. Estava bem curiosa e eufórica por estar ali!
Sem muitas cerimônias, a secretária pediu que eu aguardasse do lado de fora.

Enquanto aguardava, coloquei atenção ao entorno. A escola era composta por um prédio
simples, onde o jardim era de terra batida, com algumas árvores distribuídas pelo espaço.

Foi então que uma criança de uns onze anos aproximou-se e me disse que me acompanharia
durante a visita à Escola da Ponte. Um tanto quanto perplexa, naturalmente, levantei-me e
segui-a pela entrada da escola, lembrando-me da experiência contada pelo Ruben Alves.

Era como um devaneio…

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Bruno Campos é estudante de Jornalismo na Universidade Metodista de São Paulo. Estagiário no curso de Educação em Direitos Humanos na Universidade Federal do ABC – UFABC e editor-assistente nas Revistas ContemporArtes e Contemporâneos.

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