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CARTA ABERTA SOBRE OS VALORES HUMANOS E AMBIENTAIS NO BRASIL

O momento é de exceção, em prol da paz e do diálogo está-se divulgando esta carta elaborada por diversas instituições que estão preocupadas com o nosso país, independentemente do resultado destas eleições. A divulgação dessas ideias é muito importante e também o repasse para outras pessoas interessadas nos rumos do país, e na preservação dos valores mais essenciais.

Entidades religiosas e sociais lançam carta aberta pedindo diálogo e reforçando valores que precisam ser relembrados e sustentados nesse momento.

O Centro de Estudos Budistas Bodisatva, com sede em Viamão, no Rio Grande do Sul, convidou entidades sociais, filosóficas, científicas, políticas e religiosas para refletir e dialogar sobre o momento de tensão no Brasil devido às eleições. O encontro foi no último domingo, 21 de outubro, e resultou em uma carta aberta com reflexões de entidades voltadas à cultura de Paz.

Sentaram-se em roda lideranças e representantes de diferentes organizações que, assim como o próprio CEBB, têm se posicionado historicamente a favor dos mesmos valores: respeito à diversidade e à dignidade humana, garantia dos direitos sociais e ambientais e construção de uma sociedade não-violenta.

Estavam presentes lideranças indígenas, psiquiatras, advogados, ativistas sociais, representantes de ONGs, representantes de outras tradições, além de praticantes budistas de diferentes cidades. O documento tecido por muitas mãos e vozes será entregue a instituições, representantes e candidatos políticos.

Encontro em Viamão, no Centro de Estudos Budistas Bodisatva (CEBB)

A Carta destaca 7 pontos:

1. Vida humana sustentável e preciosa.

2. Cultura de paz.

3. Justiça social e liberdade.

4. Movimentos não sectários.

5. Proteção, apreciação e reconexão com o meio ambiente.

6. Auto-organização e redes.

7. Democracia participativa.

Assinam, além do Centro Budista, outras 12 entidades. Entre elas, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil, a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural e o Grupo Mulheres da Terra.

Segue a Carta na íntegra:
“Carta Aberta sobre Valores Humanos e Ambientais no Brasil”
Outubro de 2018

Em 21 de Outubro de 2018, o Centro de Estudos Budistas Bodisatva (CEBB), na sua sede em Viamão, Rio Grande do Sul, convidou representantes de diferentes organizações religiosas, movimentos sociais, entidades não governamentais, representantes do poder público, lideranças indígenas e pessoas em geral, com a presença de cerca de 100 pessoas no local e 200 acompanhando virtualmente, para uma conversa aberta sobre a promoção dos valores humanos e ambientais no contexto político e social atual.

Acreditamos que, especialmente em tempos de acirramentos e tensões, é importante enfatizarmos a continuidade de diálogos abertos entre diferentes pessoas e setores da sociedade, a fim de constituir terreno comum entre as diferentes visões religiosas e não religiosas, filosóficas, científicas, políticas e sociais, que nos guiem à ação a partir de valores e princípios elevados.

No movimento do CEBB, esse encontro constitui mais um capítulo de encontros abertos sobre cultura de paz, saúde, educação, auto-organização, reencantamento e redes, que acontecem aqui desde o ano 2000.

A partir das conversas neste dia, convergimos em alguns valores fundamentais que acreditamos ser importante retomar e sustentar no momento. Eles podem ser sumarizados nos seguintes pontos:
Vida humana sustentável e preciosa. Bem-estar físico, emocional e social. Redes humanas assentadas em compaixão, pacificação, valorização, respeito e lucidez.

Cultura de paz em todos os níveis e em todos os lugares. Nos opomos a posturas autoritárias, sectárias, armamentistas e violentas nas disputas políticas e no convívio social. Que não seja uma paz de conivência silenciadora, mas a paz que nos permite falar e ouvir com abertura e interesse. Nos opomos a visões e não a pessoas; não temos inimigos.

Justiça social e liberdade. Acesso amplo às condições básicas – físicas, emocionais e sociais – de apoio à vida: infra-estrutura básica; alimentação de qualidade; saúde integrada e preventiva; segurança física e emocional; justiça ampla e restaurativa; educação que inclua o livre pensar, o respeito à diversidade, o mundo interno e as emoções; liberdade de movimento, pensamento e expressão.

Movimentos não sectários. Valorização das diferentes culturas e expressões que compõem nossa sociedade, incluindo os povos tradicionais, as expressões e modos de vida de matriz africana, as diferentes culturas e religiões, as mulheres, as diversas expressões de gênero, sexualidade e afeto. Uma postura que vá além da tolerância: que inclua generosidade, respeito e um interesse genuíno por todos os seres humanos.

Proteção, apreciação e reconexão com o meio ambiente a partir da consciência da interdependência entre toda a vida na Terra e da compreensão dos impactos de nossos movimentos nos diferentes grupos humanos, nos animais e vegetais, na terra, nas águas e na atmosfera. Sócio-bio-diversidade; proteção dos ecossistemas; defesa de práticas agrícolas familiares, saudáveis, orgânicas, integradas ao meio ambiente e às culturas tradicionais.

Auto-organização e ação em redes. Favorecimento da formação de redes baseadas em solidariedade, apoio mútuo e visões não sectárias de coletividade. Construção de espaços múltiplos de diálogo, de associações comunitárias, de fomento de projeto e de ações construídas coletivamente de forma horizontal e descentralizada.

Democracia participativa. Participação mais ampla da sociedade em conselhos municipais, estaduais e federais. Comunicação pública mais ampla e transparente entre governos e sociedade civil. Mais espaços de abertura para que a inteligência das várias redes possa se traduzir em políticas públicas responsáveis e efetivas.

Fazemos coro a diversas outras instituições que, neste momento de acirramento político e disputa eleitoral, relembram compromissos e aspectos que deveriam estar presentes em quaisquer grupos que governem o país e os estados pelos próximos anos. Acreditamos que os candidatos deveriam esclarecer suas posições diante desses valores humanos, sociais e ambientais, bem como suas proposições, metas concretas e indicadores que planejam para seus governos.

Para além disso, reafirmamos nosso esforço contínuo, individual e em rede, para que a manifestação desses valores e princípios sejam ampliados e consolidados em nosso tecido social.
Viamão, 21 de Outubro de 2018.

Encontro em Viamão no CEBB

Subscrevem este documento:

Centro de Estudos Budistas Bodisatva (CEBB)
Instituto Caminho do Meio (ICM)
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC)
Fórum Nacional Permanente do Ensino Religioso (FONAPER)
Instituto de Estudos da Religião (ISER)
Iniciativa das Religiões Unidas (URI)
Observatório Transdisciplinar das Religiões de Recife
Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (AGAPAN)
Via Zen – Associação Zen-budista do Rio Grande do Sul
Instituto ZEN Maitreya
Tekoá Anhetenguá (Guarani)
Assentamento Filhos de Sepé:
Grupo ‘Mulheres da Terra’,
Grupos de Certificação Orgânica ‘Vandana Shiva’ e ‘Adão Pretto’

Contato para entrevista: 51 9258 6013 (Lama Padma Samten – Lama budista brasileiro da tradição Nyingma do budismo tibetano e presidente do Centro de Estudos Budistas Bodisatva CEBB)

Glaucia Domingos (Jornalista):  41 99909 7837

Foto: por inesc.org.br

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Izabel Liviski é professora e fotógrafa. Doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), escreve a coluna INcontros desde 2009 e é também Co-Editora da Revista​ ContemporArtes.​ Contato: bel.photographia@gmail.com

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