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Educação audiovisual no ensino básico

Para que a experiência não se repita, isso é, que o ciclo de consumo das obras de cinema e de criações de vídeos em geral não se mantenha pela própria educação, o cinema deve ser visto como uma construção e expressão de uma visão de mundo nas escolas.

Há linguagem audiovisual em toda parte. No mais simples ato de abrir o smartphone e interagir com aplicativos, até encontrar nas redes sociais um trailer de cinema, um vídeo que algum amigo tenha gravado no fim de semana, ou mesmo uma propaganda de algum produto, nossa experiência com a internet e com as próprias pessoas está cada vez mais permeada pelo uso do audiovisual. No entanto, a linguagem audiovisual não é ainda uma preocupação escolar, no sentido de ser algo também formador para os jovens, e isso pode ocorrer por dois motivos principais: por educadores serem pouco familiarizados com tais recursos, considerando essa nova linguagem como própria ao universo dos jovens e, portanto, geracional; mas também pode se dar por uma falta de compreensão sobre o próprio papel formativo do meio audiovisual para a experiência contemporânea.

O audiovisual que encontramos nas escolas está baseado em uma fórmula bastante equivocada e que pode ser prejudicial para a formação dos educandos. O cinema, por exemplo, é utilizado na grande maioria das vezes como uma ilustração de algum tema ou como um “passatempo” para os alunos em aulas vagas. Há também projetos de incentivo ao cinema brasileiro, como o Programadora Brasil, que dispõe de filmes nacionais para as escolas estaduais – nesse caso temos sim uma forma de incentivo a um olhar que foge ao padrão. De qualquer modo, o incentivo à linguagem do audiovisual na escola é parte de um processo de repetição de experiências do mundo comercial do cinema e por isso seu caráter prejudicial na formação vem à tona.

O que se espera de um valor formativo em audiovisual é o caminho da criação de um espaço de autonomia para o meio educacional. Isso significa que deve-se incentivar os alunos e os educadores a fazer também cinema e conhecer a linguagem e as tecnologias do audiovisual. Tal forma é distinta de como o cinema está hoje nas escolas, pois ela se vale de um acesso não somente à visualização de uma obra audiovisual, mas também da autonomia para criação e reconhecimento dessa linguagem específica que permeia boa parte de nossa experiência com a informação e o conhecimento.

Para que a experiência não se repita, isso é, que o ciclo de consumo das obras de cinema e de criações de vídeos em geral não se mantenha pela própria educação, o cinema deve ser visto como uma construção e expressão de uma visão de mundo. E sendo assim, se fecha em algumas poucas visões, como a que encontramos no circuito comercial, nem em formas clichês de se orientar para a criação audiovisual.

O desafio para o ensino de cinema, portanto, consiste na busca por formas de propiciar espaços de criação que ultrapassem a experiência dogmática já presente nos centros urbanos de nosso país, das grandes distribuidoras estrangeiras que sugam o imaginário de nós, jovens, e que nos mantém em uma experiência pobre e alienada de nossa própria visão de mundo.

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É mestrando na UFABC em Filosofia, área que também possui formação como bacharel e licenciado. Pesquisa a relação entre cultura de massa, cinema e política nos autores Siegfried Kracaeur e Walter Benjamin. Quando possível, faz fotografias e vídeos direcionadas para temas da área de Filosofia, a qual é também professor. É educador no projeto Inventar com a Diferença, que trata de cinema e direitos humanos nas escolas. Por fim, estuda Relações Internacionais na UFABC.

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