Aos novos 40.

Este texto questiona o espanto de algumas pessoas ao se depararem com pessoas de 40 que ainda são jovens e dispostas, e propõe que seja qual for a idade, as pessoas se assumam como tal, sem pretensão de parecer o que não são, pois a grande compreensão de mundo vem com a idade.

Esta semana li uma reportagem sobre “belas aos 40”.

Achei curioso, porque as pessoas, de repente, quando você faz quarenta, ou até mesmo antes, gostam de dizer: nossa!, você é tão jovem! não parece. Ah é?

E como é mesmo que se parece uma mulher aos 40? Ou um homem? Desde quando existe um catálogo de como deveriam ser as pessoas aos 20, aos 35 ou aos 40?

E o pior é que apesar de entender que esta é uma frase que vem de pessoas ou muito mais jovens, ou muito mais velhas, e que portanto tem um referencial deturpado baseado no conceito dos seus pares e, no caso dos mais jovens, dos maus conceitos que têm a respeito dos mais velhos, não me conformo que, tão inteligentes em emitir opiniões em outras áreas, tão politizados e instruídos, os jovens sigam repetindo frases como essa, baseadas num senso comum de como devem ser as pessoas a cada década a mais que completem.

Mais inconformada fico ainda porque tenho amigos e conhecidos da minha geração, não poucos, como exemplos de beleza aos 40, que não são (não, não são) os novos 30, mas os novos 40 mesmo!

Por que pra estar bem uma geração tem que parecer a anterior e não ela mesma? Por que seguimos fugindo do ser em sua completude, inclusive quanto à idade, ainda que isso se acompanhe de uma ideia de cuidado e preservação, de valiosa manutenção da saúde e, por que não?, da beleza? Não podemos ser lindos e jovens e ter 40 (ou mais?)?

Aos jovens advirto, vocês chegarão cá (Deus queira, porque como costumo repetir, só fica velho quem vive), e ao chegarem perceberão que ter quarenta não é muito, aliás, parece bem pouco e muito natural para quem os alcançaram sentir-se ainda muito jovem e belo, principalmente nestes tempos.

Aos mais velhos também é bom dizer que apesar dos novos cuidados estéticos e diferenças de temperamento, pois somos às vezes muito mais egoístas do que nossos pais costumavam ser com a mesma idade, nosso viço não corresponde a um tardio amadurecimento. É que agora, feios ou bonitos, conservados ou embebedados, somos os novos 40! Não os novos 30, os nos 50, ou qualquer outra dezena! Simplesmente, os novos 40!

E pra você que está lendo isso e está longe de conhecer os dilemas dessa idade, este texto é só pra dizer que cada tempo tem o seu fascínio, e não é bom parecer ter qualquer outra idade que não a sua. Pelo menos é assim que me sinto. Satisfeita com o meu currículo.

Espero que você também possa se sentir assim, esteja em que fase da vida você esteja, e que,ao chegar o tempo dos intrusos cabelos brancos, dos óculos de perto ou de qualquer outra novidade que só quem vive tem o prazer de experimentar, encontre valor no momento presente, e gratidão por compreender cada vez melhor o sentido das coisas, a magia de melhorar a cada dia (porque sim, a compreensão vai melhorando sem parar).

E apesar de terem se acostumado a nos dizer como um elogio: nossa! você não parece ter a idade que tem, digam em resposta, com orgulho: pareço sim!

Ouça esta canção e entenda com o coração o que não está dito.

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Lári Germano é autora dos livros "Cinzas e Cheiros" e "En plein air - ao ar livre". Conheça e adquira os trabalhos no site www.larigermano.com. Lári escreve também na página pessoal do Facebook e nos Instagrams @lari poeta e @lariprosaetrova . É compositora intuitiva e tem perfil no Sound Cloud, Twitter e Youtube. A foto do logo é assinada pelo fotógrafo Fernando Pilatos www.fernandopilatos.com.br.

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