• Home
  • EM FOCO: MAISON EUROPÉENNE DE LA PHOTOGRAPHIE…

EM FOCO: MAISON EUROPÉENNE DE LA PHOTOGRAPHIE…

Em fevereiro deste ano visitei um importante museu de fotografia que me agradou muitíssimo, e do qual trago excelentes recordações.

“O essencial é invisível aos olhos”
(Antoine de Saint-Exupéry)

Em fevereiro deste ano visitei um importante museu de fotografia que me agradou muitíssimo, e do qual trago excelentes recordações. Com a sigla MEP, a Maison Européenne de la Photographie  está situada no coração do bairro Marais, em Paris, e é dedicada à fotografia contemporânea, oferecendo aos visitantes um centro de exposições com mais de 20.000 obras de fotógrafos internacionais a partir dos anos cinquenta até os dias de hoje.

A instituição possui também uma biblioteca com um panorama da edição fotográfica e uma videoteca de filmes realizados por fotógrafos ou sobre eles. Nesse dia em que lá estive, a biblioteca e a videoteca não estavam abertas ao público devido a reformas no espaço. Já na entrada do museu fui cumprimentada por funcionários que de forma simpática e acolhedora me ajudaram a entrar na maison… eu estava usando bota ortopédica devido a uma fratura no pé, ocorrida um mês antes de viajar.

 

“Colagem de Lee Fredlander.”

 

Um pouco da História da MEP:

Fundada em 1978 por iniciativa de Henry Chapier, Jean-Luc Monterosso, Marcel Landowski e Francis Balagna, a Associação “Paris Audiovisual” é a origem da Bienal Internacional do Mês da Fotografia em 1980, cujo sucesso e a presença maçiça do público em geral têm ajudado a criar uma relação especial com a Prefeitura de Paris que se tornou ao longo dos anos, a primeira parceira e principal financiadora de suas ações.

É assim que em 1985 a cidade de Paris coloca à disposição da Associação do “Espaço Foto”, situado próximo da localização atual do Fórum das Imagens, a Place Carrée. Esta primeira galeria de 400 metros quadrados funcionou sob a direção artística de Jean-Luc Monterosso, e já representava o embrião da futura Casa Europeia da Fotografia por sua programação destinada ao conhecimento  de obras de artistas franceses e estrangeiros, a maior parte deles hoje famosa, mas que na época eram apenas considerados os pioneiros do movimento contemporâneo da fotografia, criando uma ruptura com o passado da imagem fixa, artistas como Robert Frank ou William Klein.

Nesta linhagem de artistas, encontrava-se no “Espaço Foto”, exposições de Duane Michals, Helmut Newton, Alice Springs e Ralph Gibson. Além disso, Henry Chapier inaugura uma exposição em 1986 para comemorar os 50 anos da Frente Popular, a partir dos arquivos do C.G.T. com fotos inéditas de Willy Ronis e Robert Doisneau sem esquecer de imagens raras do mundo da moda e do entretenimento.

Com a aproximação da década de 90, a Associação “Paris Audiovisual” assume um duplo papel, o de promover uma política artística e cultural para os parisienses e paralelamente tem a ambição de fazer do Mês da Fotografia uma ponta de lança capaz de consagrar a Cidade Luz como a capital inconteste da fotografia.

Exposições

A cada ano, a MEP propõe diversas exposições, com artistas de todos os horizontes criativos, convidando grandes nomes assim como jovens talentos a expor suas obras.

A Biblioteca

Com mais de 30.000 títulos, a biblioteca da MEP é um local de referência na matéria para pesquisadores, estudantes e amantes da fotografia.

A Livraria

Permanecendo aberta de quarta a domingo, a livraria  da MEP propõe obras em conexão com as Exposições e uma seleção composta de livros e revistas selecionados sobre artistas que fazem e que fizeram a história da fotografia.

A Coleção

A Coleção da MEP conta com mais de 20.000 fotografias. A mesma não é exibida permanentemente, mas é regularmente mostrada na França e no exterior como parte de grandes exposições.

A Vídeoteca

A Videoteca da MEP conta com cerca de 750 filmes consagrados à fotografia, ficções realizadas  por fotógrafos, filmes experimentais, e entrevistas,  disponíveis para consulta no local.

O Auditório

Auditório da MEP tem recebido muitas projeções e conferências, possibilitando ao público ver e ouvir grandes fotógrafos e profissionais da área.  A grande reabertura  se deu durante o ano  de 2013.

O ARCP

A MEP abriga também dentro de seus  muros o Atelier de Restauração e de Conservação de Fotografias da Cidade de Paris. Desde 1983, está em curso uma política de preservação do patrimônio fotográfico municipal.

Ações Pedagógicas

A MEP realiza ações educativas também com crianças através da fotografia. A fotógrafa Cyntia Mancuso realizou em abril deste ano uma oficina com crianças entre 7 e 10 anos, justamente para sensibilizar os pequenos e fazê-los experimentar “ver”, muito mais do que somente “olhar”.  Utilizando as emoções vindas dos outros sentidos, mais do que somente da visão, como o paladar, a audição, o toque e o olfato são colocados em ação para perceber o mundo ao redor, e expressar essas sensações em imagens.

“Feche os olhos … o que resta do mundo exterior, suas cores e suas formas? Que impressão deixa em nossas memórias? Que imagens continuam em nossa mente? elas são as mesmas para cada um de nós? Abra os olhos… o olhar vai muito além da visão! Ele questiona o mundo, projetando nossas emoções guiando nossos passos, influencia nosso ambiente. Nossa vez de fazê-lo aparecer em imagens!”

Algumas fotos e registros abaixo das instalações, estrutura, fachada, decoração e da exposição que estava em curso na MEP em fevereiro de 2017: Nova Dheli, sobre a qual Johann Rousselot escreveu apresentando o ensaio fotográfico: “Brutalmente contemporânea, Delhi é uma selva na qual cada um tenta sobreviver à sua maneira, se protegendo quotidianamente, sem o qual ela o devora.”

 

“Exposição Nova Delhi”

“Tradição e modernidade na capital da Índia”

 

“Visitantes podem apreciar a exposição e assistir à vídeos relativos ao tema”

 

“Contradições da sociedade indiana são retratadas em fotos.”

“As mesas têm fotografias da cidade de Paris impressas em seu tampo.”

 

 

“Perspectivas inusitadas da cidade por toda a parte.”

“Fotos de natureza têm uma iluminação especial que as torna ainda mais destacadas.”

“Toda a decoração foi pensada para que o visitante se sinta à vontade, em um local muito aconchegante.”

 

 

“Cantinho perfeito para um café enquanto se observa e se discute fotografia.”

 

 

 

 

 

“Espaços de sociabilidade e reflexão na MEP.”

 

“Fachada da MEP na Rue de Fourcy, Paris.”

 

“Ambientes expositivos que lembram cavas e bunkers.”

 

“Uma tela viva e movente, passa em frente à Maison.”

 

” Pausa para descanso dos olhos e dos pés.”

 

 

Fonte: www.mep-fr.org

Texto e Fotos: Izabel Liviski

 

 

Tags:, , ,
Izabel Liviski é professora e fotógrafa. Doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), escreve a coluna INcontros desde 2009 e é também Co-Editora da Revista​ ContemporArtes.​ Contato: izabel.liviski@gmail.com

2 Comments

  1. FRANCISCO CEZAR DE LUCA PUCCI disse:

    Uma visita dialética, pois o corpo visita o Museu e o Museu visita o corpo. Essas obras entram pelos olhos, mas fixam-se na alma. Adorei ter compartilhado.

    • Izabel Liviski disse:

      Obrigada, amigo Pucci. Seus comentários são sempre um incentivo para continuarmos
      seguindo o lema do CEP: Longe Lateqve!!!!!!, para a frente e para o alto.
      Abraço grande.

Deixe uma resposta