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Autoconhecimento e Poesia

Há Poemas que são Mundos, e pequenos versos que dizem Tudo…

Dentro do Caos e da desordem há Poetas

Só observando, mudos…

 

Quando leio ou ouço poesias, particularmente me volto ao que existe de único em cada uma delas. Digo isso porque, sempre vejo nos poemas dos outros e nos próprios, elementos que carregam as identidades dos autores, e estas são as marcas muitas vezes sutis que nos levam ao mundo interior de cada poeta.

A poesia, para mim, nasceu como um rio que transbordou por não suportar mais o grande volume de sentimentos, emoções e pensamentos acumulados ao longo da Vida. Ela nasceu violenta, autocrítica das ações e atitudes tomadas até então, e avançou revoltosa, cheia de fúria e de mágoas, buscando além da expansão, o alívio, a serenidade e a compreensão dos trajetos que a Vida estava seguindo, questionando os sentidos, as explicações dos fatos, e principalmente a si mesma.

A PoesiaVida desejava estender-se e entender-se como jamais havia tentado. Era um processo de reflexão sobre si e sobre o mundo, sobre as relações entre os “dois”, sobre seus conflitos. Um processo de destruição e também criação de si, sendo sua auto cura, porque o mundo de antes já não lhe servia mais. E assim a Poesia se desvelava, mostrava-se nua em frente ao espelho e, então, desejava saber o que era este mesmo espelho…

Desta forma se iniciou minha relação com a escrita poética, e posteriormente com a Filosofia. A busca por se entender e autoconhecer se utilizava da caneta e do papel, e assim, o que se via poeticamente dentro e fora de si, se expressava, se materializava.

A Poesia, desde então, mostrou-me muitas vezes quem fui e quem sou. Ela também foi capaz de revelar o que desejo Ser e o que posso me tornar. A Poesia é, portanto, eu mesmo. Ela também é você quando a escreve, quando a lê e relê. Ela tem esse poder de ser ao menos um pouco de nós, mas por vezes ela é o Todo, ela É, como já disse em outra ocasião, a própria Vida.

Para finalizar, duas poesias que foram escritas nesta busca:

Demora

Seja o medo, medo ele
O medo possa amedrontar
E na sombra, própria sombra
Uma trilha possa achar

A distância das ideias
Deixa o Sol engrandecer
Enquanto as sombras se desfazem
Para tudo conhecer

E conheceste o futuro
Nunca mais há de esquecer
De uma vida tão real
Que demora pra nascer

Seja mundo, mundo fértil
E não tema o sofrer
Pela hora da verdade
O que quer é ser você!

Zero Igual a Um

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Mergulhou no universo da poesia no ano de 2003. Desde então, sob o pseudônimo Victor Canti, tem se dedicado à criação poética em diversas esferas, já tendo participado da publicação de fanzines, blogs literários e vídeo-poesias. Em 2013 publicou seu primeiro livro, de nome Pensar em Pensar, e foi um dos autores em destaque da 3ª Bienal do Livro de São José dos Campos - SP. O poeta é formado em Filosofia pela UFABC.

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