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Juana Inés de la Cruz. Mulher, poesia e o colonialismo mexicano

Juana Inés de la Cruz (1651-1695) viveu em pleno período colonial no México. É conhecida na literatura universal e na historiografia feminista por sua produção literária e pela luta em prol da emancipação da mulher.

“No estudio por saber más, sino por ignorar menos.”

Juana Inés de la Cruz (1651-1695) viveu em pleno período colonial no México. É conhecida na literatura universal e na historiografia feminista por sua produção literária e pela luta em prol da emancipação da mulher.

“Nem a tolice é exclusiva das mulheres nem a inteligência privilégio dos homens”.

Segunda Irantzu Monteano (2013), a Juana Inés aprendeu a ler e escrever, escondida de sua mãe, aos três anos com ajuda de sua irmã mais velha. Depois teve o contato com a biblioteca de seu avó e onde se debruçou nos estudos de clássicos e teve o contato com a teologia.

No livro Soror Juana Ines de la Cruz Octavio Paz comenta que ela era muito curiosa para conhecer o que acontece no mundo e dentro dela. Explica também que sua obra marca a passagem do clássico para o barroco.

“Quem, afinal, foi sóror Juana e por que escolheu, sendo jovem e bonita, a vida conventual? Qual foi a verdadeira índole de suas inclinações eróticas e qual o lugar e o significado de sua obra, especialmente de seu poema ‘Primero sueño’, na história da nossa poesia? São muitos os enigmas da freira mexicana e o livro de Octavio Paz é uma tentativa de responder a algumas dessas perguntas. A vida e obra de sóror Juana se inserem no mundo fechado da sociedade aristocrática da Nova Espanha do final do século XVII, um período em que a extrema decadência da Espanha coincide com o anúncio, no México, de uma nova sociedade – crepúsculo e amanhecer. Paz abrange cem anos de estudos sobre sóror Juana e pode-se dizer que esta é sua obra mais ambiciosa, extensa e rigorosa. Uma contribuição fundamental para a história do México, para a literatura hispânica e para a história da condição feminina.”

Por ter se distanciado das “letras sagradas”, infelizmente a notoriedade desta mulher foi interrompida pelas trincheiras da intolerância e do patriarcalismo que cruzaram as fronteiras do México. “Como silenciar e humilhar aquela mulher que não teve mestres, que não frequentou universidades e que ousara contestar o maior orador sacro do seu tempo?” (ANDRADE)

Tivemos a oportunidade de conhecê-la através da série produzida por um canal mexicano de televisão que a lançou em 2016. A série tem 352 minutos e retrata a vida da Juana Inés de La Cruz, que é vista como referencial do início da literatura mexicana na língua espanhola. A produção audiovisual é uma ficção que mostra, principalmente, a relação entre a hierarquia clerical e a vontade da freira Juana desenvolver-se intelectualmente em uma época que somente os homens podiam ingressar na Universidade e a mulher era inferiorizada.

Assim como a série, o Octavio Paz crítica o bispo para quem a Juana confessava, pois inicialmente foi “benévolo e paternal”, depois começou a cada vez mais pressioná-la para abdicar de sua dedicação às letras.

Outro ponto retratado, e também ratificado por alguns críticos, foi o envolvimento afetivo e sexual de Juana com a condessa María Luisa Manrique de Lara e sua importância para o desenvolvimento e divulgação de sua obra.

A mi amada Virreina

“Miradme señora mía
Veis el temblor de mis manos?
Ellas sacuden cual mariposas
Los restos de mil pecados.

Esparcen un ruego de piedad
Ajeno a todo entendimiento
Ni el viento y la bruma, podrán
Con tan preciado sentimiento.

Llegad a mí sus aromas
Vuestros ojos en mis labios
Oh señor de mis dolores…
Cuanto pesa el blanco atavío.

Tenéis mis sueños y silencios
Que comprendéis amiga mía
Haz con ellos el secreto
De una ruta sin salida.

Rezad por este amor
Que se enreda en vuestra falda
Y si besáis mi boca en flor
Orad antes de besarla.

La cruz que aquí me acompaña
La pluma y el candelabro
Entre sombras se enmarañan
Pudorosos en el abrazo.

Amada Reina mía
Agua fresca de montaña
Habéis regado complaciente

El lirio de mis entrañas.

Llevadme hasta vuestro pecho
Acariciadme sin las manos
Mañana sumiré mi arrogancia
En penitente desgarro”

O filme argentino baseado nos estudos de Octavio Paz denominado “Yo, la peor de todas”, de María Luisa Bemberg também mostra a vida e obra de Juana:

Referências Bibliográficas

José Luis Gómez, El beso de la virreina: la historia sugerente y cautivadora de dos mujeres condenadas por el placer, México: Booket, 2011.
“El tintero y el Caldero” en Francisco, Martín Moreno, Arrebatos carnales I: las pasiones que consumieron a los protagonistas de la historia de México, México: Planeta, 2011.
Sor Juana Inés de la Cruz. “Yo, la peor del mundo” Irantzu Monteano on 25 Septiembre, 2013 at 0:10
Disponível em: http://www.mirales.es/sor-juana-ines-de-la-cruz-1651-1695-yo-la-peor-del-mundo/

Recordamos el nacimiento de Sor Juana Inés de la Cruz con 25 fragmentos de sus mejores poemas. por Belinda Lorenzana12 noviembre 2014 Disponível em: https://www.belelu.com/2014/11/25-frases-de-sor-juana-ines-de-la-cruz/
JUANA INÉS DE L A CRUZ – m. andrade. GLÓRIA, ESQUECIMENTO e REDENÇÃO. Disponível em: https://palavrastodaspalavras.wordpress.com/juana-ines-de-l-a-cruz-m-andrade/

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Mestra em Ensino, História e Filosofia das Ciências pela UFABC. Bacharel e licenciada em Ciênciais Sociais pelo Centro Universitário Fundação Santo André (CUFSA). Professora de Sociologia e Filosofia na Educação Básica e na Educação de Jovens e Adultos no Estado de São Paulo. Trabalha também com audiovisual e fotografia desde meados de 2007, dirigiu dois documentários: Transformação Sensível, Neblina Sobre Trilhos (2012) que aborda a história ferroviária, sobretudo a Vila de Paranapiacaba-SP e Seja Mais (2017) que trata a respeito da Educação em Direitos Humanos. Faz parte do coletivo de futebol Rosanegra. Nas horas vagas estuda música, toca acordeon.

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