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PERSONALIDADES POLÔNICAS: KORNELIA FIALKOWSKA

A coluna Polonaises inaugura hoje uma sessão de personalidades polônicas, trazendo um pouco da história de uma polonesa que apesar de muito jovem, já viveu em alguns países do mundo e, inclusive no Brasil.

A coluna Polonaises inaugura hoje uma sessão de personalidades polônicas, trazendo um pouco da história de uma polonesa que apesar de muito jovem, já viveu em alguns países do mundo e, inclusive no Brasil. Estudiosa das línguas ibéricas, tradutora, ela conta aos leitores um pouco da sua vivência e experiências nos locais por onde passou.

“Apesar de meu contato com línguas estrangeiras ter começado já na escola primária, meu verdadeiro interesse pelas línguas teve início com uma coleção de revistas para a aprendizagem de espanhol. Era um curso para iniciantes autodidatas e a cada semana saía um número com novos vocabulários, regras gramaticais e exercícios. Continha também vídeos-cassetes para poder ouvir os sons, a entonação e a melodia da língua espanhola.

Málaga, na Espanha.

Foi naquela época que nasceu o meu fascínio pelas línguas e as realidades nas quais elas existem. Continuei estudando espanhol por conta própria em tempo livre. Isso me levou a entrar em um curso bilíngue com espanhol na escola secundária, onde dediquei muito tempo à aprendizagem da língua, como também da história, geografia e literatura espanholas.

Já no curso universitário, motivada pelo interesse de aprender uma outra língua românica, escolhi o curso de Licenciatura em Estudos Portugueses na Universidade de Varsóvia. No princípio entrei no grupo europeu, onde aprendi a falar português conforme a versão falada em Portugal.

Como o curso de licenciatura incluía disciplinas como literatura, história e filosofia de Portugal, Brasil e Países Africanos de Língua Portuguesa. Tive a oportunidade de conhecer não só a cultura e a realidade sociopolítica portuguesa, mas também as questões relacionadas com todos os países de língua oficial portuguesa.

Durante o curso me dei conta da dimensão e do alcance da língua portuguesa no mundo e do contraste que existe entre suas variantes faladas em diferentes cantos do mundo.

Ilha da Madeira.

No terceiro ano do meu curso tive a oportunidade de viver uma experiência muito ‘legal’ – passei um ano na Ilha da Madeira no âmbito do Programa Erasmus. Foi meu primeiro contato e estadia em um país de língua portuguesa, por isso a experiência foi tão importante para mim. Desde o início dei-me conta da boa decisão que tomei escolhendo a Ilha da Madeira para fazer meu intercâmbio.

Essa ilha da primavera eterna fascina à primeira vista, com sua paisagem verde rodeada pelo azul do Oceano Atlântico. Apesar de não ter sido fácil entender o sotaque madeirense no início da minha estadia, com o tempo consegui me acostumar àquele jeito de falar e com a forma de vida do local.

Graças à possibilidade de morar na Ilha e viajar para Portugal, pude conhecer melhor a história e a cultura do país. Além disso, a oferta de disciplinas na universidade me permitiu aprofundar meu conhecimento na área de linguística portuguesa.

Depois de dois semestres de intercâmbio voltei para a Polônia e comecei o curso de Mestrado em Filologia Portuguesa. Com meu crescente fascínio pela cultura brasileira e a variante de português falada no Brasil, comecei a usar o sotaque brasileiro.

Rio de Janeiro.

O primeiro ano do meu curso despertou um certo interesse em uma área específica: por efeito de diversas disciplinas de tradução escrita e oral que o curso incluía, como a teoria de tradução, tradução específica ou tradução simultânea, meu interesse se voltou para trabalhar com legendas de filmes.

Durante o segundo ano do meu curso fui aceita para um intercâmbio na Universidade Federal do Paraná, em Curitiba. Na universidade brasileira cursei várias disciplinas que ampliaram meu conhecimento na área de linguística, especialmente a fonética, o que me ajudou muito a me preparar para elaborar a dissertação de Mestrado sobre a dialetologia brasileira.

Um ano e dois meses longe da família e de casa é bastante, mas em Curitiba minha saudade foi atenuada. Encontrei uma parte da Polônia, conhecendo pessoas com ascendência polonesa e organizações, graças às quais a cultura e tradições polonesas continuam vivas no Brasil, lugares onde podia comprar pierogie e vários outros produtos que me lembravam do meu país.

Parque Barigui, Curitiba, Paraná.

Apesar do clima de Curitiba não ser muito ‘bondoso’, o ano passado no Brasil foi um ano repleto de viagens, felicidade e amor pelas capivaras. Durante esse tempo tive a oportunidade de aprender muito sobre o país, a língua portuguesa e o povo brasileiro.

Nasci na região que fica ao centro-norte da Polônia, na cidade de Bydgoszcz, mas para cursar a universidade mudei-me para a capital. E como disse acima, sou formada em Filologia Ibérica pela Universidade de Varsóvia.

Faço traduções português-polonês e polonês-português, e já traduzi textos, por exemplo, para a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro. No futuro gostaria de me especializar em linguagem técnica, e atuar em diversas áreas de tradução.”
Contato:

email: kornelia.fialkowska@student.uw.edu.pl

whats app: +48668073242

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Izabel Liviski é professora e fotógrafa. Doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), escreve a coluna INcontros desde 2009 e é também Co-Editora da Revista​ ContemporArtes.​ Contato: izabel.liviski@gmail.com

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