dez 04, 2019
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O filósofo social francês Montesquieu formulou no século XVIII o princípio da separação de poderes, base da constituição da maioria dos Estados modernos do ocidente. Tal conceito deriva da democracia ateniense, e preconiza que o Estado deve ser constituído por três poderes – legislativo, executivo e judiciário – que atuem separadamente, de forma independente e em harmonia, com o objetivo de evitar poder concentrado em uma única pessoa ou grupo. Poder absoluto e sem limites inevitavelmente gerará abuso. Vemos com frequência as péssimas consequências de empresas públicas ou privadas agirem sem o controle da lei, e isso se aplica também a pessoas em posições ou cargos em que se sintam “empoderadas” ou inexpugnáveis. Um caso recente é o de uma promotora do estado da Bahia, que impôs a várias escolas municipais do sertão baiano servirem apenas refeições veganas a seus alunos em pelo menos dois dias da semana. O Veganismo é uma prática de restrição de qualquer alimento de origem animal, e segundo consta, a promotora é ativista desta causa. O assunto é complexo, vegetarianos e veganos defendem sua opção alimentar com argumentos que vão desde os supostos malefícios que o consumo de carne causaria até relatos horripilantes (e muitos infelizmente verdadeiros) sobre como animais são criados e abatidos. De outro lado, muitos nutricionistas e pediatras consideram que a retirada da proteína animal da dieta, principalmente de crianças, é preocupante, não havendo substituto em custo viável à disposição. Há também uma questão cultural, a região em tela é rural, e tem parte de sua economia advinda da criação de caprinos e ovinos. As crianças se alimentam normalmente da carne e derivados destes animais, e não aceitam facilmente uma substituição. Poderia ser dito que são apenas dois dias da semana, porém serão dois dias em que a alimentação fornecida não atenderá nem mesmo à legislação sobre a merenda escolar, que não permite a substituição de alimentação já testada pela que pode ser considerada experimental. E fala-se que o objetivo é chegar aos 100% de oferta de alimentos sem carne e ovos. A promotora tem uma crença legítima, e como adulta pode consumir ou não determinados alimentos, não pode, no entanto, impor sua crença no uso de seu cargo. Não há lei que impeça as pessoas de comer carne, não há lei que as obrigue a comer apenas vegetais, não há lei que as impeça de comer apenas vegetais. O cargo público tem, ou deveria ter, limitantes, as escolhas pessoais do ocupante não devem influir em seu trabalho; sua religião, seu partido político, seu time do coração, sua dieta alimentar, são questões que só a ele dizem respeito e não podem jamais interferir em suas decisões profissionais. Infelizmente não é o que acontece. Num cúmulo de arrogância e despreparo, quando foi questionada sobre os alunos que preferem que a merenda tenha carne, a promotora declarou “que comam em casa com o seu dinheiro, porque aqui a gente está falando de recurso público”. De fato, os recursos para a merenda escolar são públicos, e é indecente que se proponha usa-los para firmar posição acerca de uma filosofia alimentar que contraria a maioria dos seus usuários. Supõe-se que determinadas práticas impliquem necessariamente em superioridade moral, é o caso do ciclismo, do não tabagismo, do vegetarianismo, do uso de roupas de brechó, da proteção aos animais. A maioria delas é decorrente de decisão pessoal meritória, vem ao encontro da preservação da saúde física e mental dos praticantes, e representa inegável mérito social. Entretanto, a superioridade moral automática é algo contestável: vemos com frequência ciclistas em atitudes de desrespeito com os demais que competem com as dos piores motoristas, e não esqueçamos que Hitler era vegetariano, não fumava e gostava de cachorros, mas isso não exime um sequer dos horrores que seu regime político praticou.

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dez 14, 2018

Ensino de Artes: A abordagem Triagular de Ana Mae Barbosa

Eliane dos Santos de Oliveira

Vanisse Simone Alves Corrêa

O surgimento da abordagem triangular objetivava a  melhoria do ensino da arte, na busca pelo entendimento da mesma e também uma buscava uma mais aprendizagem significativa. Preocupou-se pela busca de um conhecimento critico não somente para os aluno, mas também para os professores. Nos anos 90 a abordagem Triangular passou a ser colocada em prática. Inicialmente foi chamada de Projeto Arte na escola.  Mais tarde, ficou conhecida como  Triangular e/ou Abordagem Triangular. Entre essas duas nomenclaturas foi escolhido o nome de Abordagem Triangular (Barbosa, 2010, p.11). É fundamental ressaltar que a Abordagem Triangular não se refere a um modelo ou método, mas tem o objetivo de focar na metodologia adotada pelo professor nas suas aulas práticas,  sem vinculo teórico padronizado, a fim de não engessar o processo. Fica evidente portanto, que  a abordagem Triangular não se enquadra para quem quer seguir um método padronizado, ele  requer a  liberdade de obter conhecimento critico  reflexível  no processo de ensino [...], ajustando-se ao contexto em que se encontra (Machado, 20010, p.79). A Abordagem Triangular é uma abordagem diálogica. A imagem do Triângulo abre caminhos para o professor na sua prática docente. Ele pode fazer suas escolhas metodológicas,  é permitido mudanças e adequações, não é um  modelo fechado, que não aceita alterações. Não é necessário seguir um passo a passo. Para Barbosa ” (...)  refere-se à uma abordagem eclética. Requer transformações enfatizando o contexto” (Barbosa, 2010, p. 10).  

Fonte: https://memoria.ifrn.edu.br/bitstream/handle/1044/337/AE%2010%20-%20DF.pdf?sequence=1&isAllowed=y

  Segundo Novaes (2005),  a Abordagem Triangular aponta que é importante pensar, questiona  o que é  a imagem, o uso da imagem, a imagem do cotidiano  da história da arte e da cultura na sala de aula. É necessário fazer uma leitura crítica da produção da imagem das coisas e de nós mesmos.  Não depende só do sujeito a maneira como se vê uma imagem. É necessário também interpretar a mesma. A imagem visível aguarda uma leitura invisível que é revelada a cada deslocamento que ela faz. Para  Dewey e Freire (2010),  uma boa leitura de mundo artístico ocorre a partir do contexto em que se vive. Porém isso não significa focar só no ensino cotidiano do aluno, mas contribuir para que eles consigam fazer uma leitura crítica e contextualizar a imagem multicultural, podendo identificar  e não apenas apreciar, mas também comentar a beleza das imagens em uma sociedade em desenvolvimento sociocultural cumprindo o papel político de transformação social partindo do pressuposto das imagens artística (Dewey e Freire, 2011). Sobre a prática educativa do professor do ensino básico,  a Abordagem Triangular mostra seu valor nas artes visuais. Para o professor contemporâneo/artista, pode possibilitar uma análise crítica do seu próprio fazer, quando atuam como artistas e professores de artes visuais. É também interessante fazer uma análise no processo de expressão do professor artístico e do aluno artista que experimenta. Quando é algo mecânico e sem causa poética, não passa a singularidade do trabalho artístico produzido. O trabalho artístico passa sensibilidade e emoção. A Proposta Triangular da Prof.ª Ana Mae Barbosa possui estruturantes, a seguir descritos:  a contextualização, a apreciação e a produção.  

Fonte:  PÓVOA, M. A. M., 2012

  O eixo contextualização abrange os aspectos contextuais que envolvem a produção artística como manifestação simbólica histórica e cultural. nesse eixo, observa-se o que se transforma e como se revelam as representações que os grupos fazem de si e dos outros. Ele abrange, também, a análise das relações de poder que criam certas representações, diferenciando e classificando hierarquicamente pessoas, gêneros, minorias (PEREIRA, 2013, p. 22) A contextualização da obra permite entender em que condições a mesma foi produzida, bem como as relações de poder que estão implícitas nessa produção. Já Pereira (2018) define o eixo da apreciação da seguinte maneira: O eixo de apreciação está organizado diante de aspectos que lidam com as interações entre o sujeito e os artefatos da arte. Nesse eixo são mobilizadas competências de leitura que requerem do sujeito o domínio dos códigos estruturantes e suas relações formais. na apreciação também estão entrelaçados os aspectos simbólicos da produção artística e como a pessoa que dialoga com o artefato atribui a ele determinados significados. Aqui se operam uma série de relações provocadas pela interação entre sujeito e objeto. No eixo de produção, estão envolvidos aspectos da criação artística. Nele, o sujeito torna-se autor e precisa mobilizar conhecimentos sobre as linguagens para transformar em invenções artísticas. Aqui estão envolvidos elementos de natureza formal e simbólica. O sujeito mobiliza conhecimentos tanto conceituais quanto procedimentais, inventando tecnologias, adaptando materiais, articulando ideias (PEREIRA, 2013, p. 22). Esse eixo possibilita a percepção das interações entre os componentes dos objetos artísticos, na relação que ocorre entre o sujeito e a própria obra de arte. Sobre o eixo da produção, Pereira (2103), esclarece: No eixo de produção, estão envolvidos aspectos da criação artística. Nele, o sujeito torna-se autor e precisa mobilizar conhecimentos sobre as linguagens para transformar em invenções artísticas. Aqui estão envolvidos elementos de natureza formal e simbólica. O sujeito mobiliza conhecimentos tanto conceituais quanto procedimentais, inventando tecnologias, adaptando materiais, articulando ideias (PEREIRA, 2013, p. 22).   É nesse eixo que o aluno já tem condições de produzir. Todas as etapas que ele já percorreu permitem que ele se lance na produção artística, de modo qualificado, crítico e sensível.   Eliane dos Santos de Oliveira é graduanda em Pedagogia pela Universidade Estadual do Paraná - UNESPAR, campus Paranaguá.   REFERÊNCIAS: FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 27. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996. IAVELBERG, R. Para gostar de aprender sala de formação de professores. Porto Alegre: Artmed, 2003. PARANÁ.  Diretrizes Curriculares para o Ensino de Artes. Disponível em http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/diretrizes/dce_arte.pdf Acesso em 12 MAI. 2018. SALGADO, E. de C. V. de C.  Desenvolvimento e Inclusão Social de Pessoas com Deficiência. Universidade de Taubaté. (2013.) Dissertação de Mestrado. SANTOS, Santa Marli Pires dos. Educação, arte e jogo. Petrópolis, RJ: Vozes, 2006. SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo: Cortez, 2007. SILVA, Luis Eron da. Reestruturação Curricular: novos mapas culturais, novas perspectivas educacionais. Porto Alegre: sulina, 1996. In://www.bdtd.unitau.br/tedesimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=65Acesso em 20.08.18
TROJAN, R. M .A arte e a humanização do homem: afinal de contas, para que serve a arte? In: Educar em Revista. no.12 Curitiba Jan./Dez. 1996.
 
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O uso da maquiagem – por homens e mulheres - é quase tão antigo quanto a humanidade. Utilizada mesmo antes dos egípcios, gregos, romanos e outros povos, a maquiagem sempre esteve ligada de algum modo às diversas culturas ocidentais e orientais, seja por motivos ritualísticos, estéticos, assim como demarcador de status social e até com finalidades medicinais como no caso da legendária Cleópatra, rainha do Egito. Esta fazia uso de pesada maquiagem, com finalidade estética mas também  estratégica, para impressionar seus aliados e inimigos, assim como para proteger a pele e os olhos em função do clima, segundo uma pesquisa do Centro Nacional para Pesquisa Científica da França.

(https://i.pinimg.com/736x/98/35/bd/9835bd5703660c094f4fa540ac2e6872--cute-eye-makeup-beauty-makeup.jpg)

 

O hábito da maquiagem foi se sofisticando com o passar do tempo, ganhando proporções industriais e destacando os perfís de beleza de cada época. A busca hoje é por um tipo de beleza total que possa combinar estilo, atitude e estética, e o desafio é fugir dos estereótipos estabelecidos e encontrar as referências que possam refletir a imagem que cada um busca para si. E nesse sentido, o Make Up Design - Curso de Maquiagem Profissional do Centro Europeu é hoje o curso mais completo e inovador do mercado.

Produção de Modelo pelos alunos do curso

Os professores são profissionais atuantes e reconhecidos no mercado, e são instrutores com muitos anos de experiência na formação de maquiadores. O corpo docente é formado por Pablo Inísio, maquiador, cabeleireiro especialista em produção de noivas e pós-graduado em Visagismo- Harmonização da Imagem Pessoal Pela Universidade Anhembi Morumbi, SP. Olga Pellanda, com 26 anos de experiência no mercado e especialista em maquiagem de noivas, é uma das maquiadoras mais requisitadas deste segmento, e Patrícia Ferraz, maquiadora especialista em maquiagem social e de editorial e passarela, com participação nos maiores eventos de moda do país, como o São Paulo Fashion Week.

Modelo produzida pelos alunos, com supervisão dos professores.

A metodologia é inovadora, pois os alunos aprendem as técnicas de design de sobrancelhas, visagismo aplicado à maquiagem, utilização de materiais e pincéis e postura profissional nas primeiras aulas, depois é apresentado ao aluno inúmeras técnicas de maquiagens divididas entre os professores que possuem estilos distintos, o que enriquece o repertório dos alunos e possibilita que eles possam criar o seu proprio estilo criativo.  

Outra versão da modelo produzida pelos alunos.

Ao final do curso os alunos apresentam um Trabalho de Conclusão de Curso, com modelos profissionais disponibilizadas pelo Centro Europeu onde desenvolvem temas escolhidos pelos professores e devem compor todo o visual da modelo, desde a concepção da maquiagem, cabelo e figurino - este com ajuda dos alunos do curso de design e de consultoria de moda. A cada término de curso, há a exposição de trabalhos inovadores como os temas capas de revista e divas do cinema. A última turma teve alguns dos seus trabalhos divulgados na revista VOI.

Os alunos saem do curso aptos para atuarem em salões, editoriais, atendimentos de noivas e qualquer tipo de maquiagem social. É uma ótima opção para quem quer mudar de área, ou se especializar, pois o mercado da beleza no Brasil, e no mundo, só cresce a cada ano. 

Alunos e professores do curso de Make Up Design do Centro Europeu.

No mercado atual houve uma crescente demanda de indivíduos capacitados nas áreas da beleza e estética, em especial a maquiagem.  Segundo dados da Anabel, mensalmente são abertos sete mil novos salões de beleza no país. O número de salões de beleza cresceu 78% em cinco anos. Ainda de acordo com a junta comercial, são abertos mais negócios neste segmento que empreendimentos ligados a alimentação. Neste contexto, o curso de Make Up Design do Centro Europeu, promovido pelo Estúdio Imagem, visa capacitar pessoas para atuar nesse mercado que precisa cada vez mais de bons profissionais.

Para Pablo Inísio, coordenador do curso, "com o crescimento desenfreado do mercado da beleza, o profissional que se destaca é aquele que está em busca da formação continuada e que busca fidelizar suas clientes com atendimentos singulares buscando o diferencial na sua personalidade artística e criatividade. Um mercado crescente e dinâmico para profissionais criativos e que buscam fugir da rotina, afinal cada cliente é única. O mercado da beleza vive em contante expansão, e a cada dia temos novos produtos e tecnologias o que faz com que a profissão nunca seja vítima da monotonia".

(https://thelonepanda.files.wordpress.com/2015/07/e86e64b3c6f7edbb4756a0d7f852a286.jpg?w=599)

 

Pablo acrescenta ainda que "o maquiador, como um verdadeiro artista, tem o extraordinário poder de embelezamento nas mãos e isso produz e estimula sobremaneira a auto-estima das pessoas, pois através de técnicas apuradas, consegue trazer à tona a melhor versão de suas clientes."  

A capacitação no curso de MAKE UP DESIGN do Centro Europeu, visa entre outros objetivos: *Reconhecer quais os recursos cosméticos utilizados na maquiagem profissional. *Identificar os Tipos faciais e como embelezá-los utilizando as técnicas profissionais de maquiagem. *Conhecer e analisar os diferentes recursos tecnológicos e cosméticos utilizados no contemporâneo. *Estimular os alunos a aplicar os conhecimentos para obter qualidade de vida, bem estar e embelezamento de si próprio e/ou dos clientes. *Trabalhar e estimular o ensino dos princípios éticos da profissão. Para maiores informações sobre o curso:
Centro Europeu
R. Benjamin Lins, 999
Batel
(41) 3233-6669
Curitiba-Paraná.

http://centroeuropeu.com.br/portal/curso/make-up-design-estudio-imagem/

Fotos: Bini Fotografia.