abr 05, 2020
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Nínive Pinto Caetano da Silva

                                                            

No momento em que escolhemos amar, começamos a nos mover contra a dominação, contra a opressão. No momento em que escolhemos amar, começamos a nos mover em direção à liberdade, a agir de formas que libertam a nós e aos outros.

(HOOKS, 2006 p. 250)

  Há uma citação de Guimarães Rosa que diz que o real não se dispõe na saída e tampouco na chegada. Ele se estabelece para a gente é no meio da travessia. Brava gente, não tem sido uma travessia fácil não é mesmo? Esse poder político, que invadiu os lares dos cidadãos e cidadãs brasileiros, com a promessa de armar a população com arma de fogo e pôr em prática políticas de eugenia, amordaçou os nossos sonhos. Confesso-vos que ingressei esse ano de 2019 em luto. E acredito que você também. E sabe quem me carregou no colo? Essa constelação de educadoras e educadores da nossa rede de Educação em Direitos Humanos, e do Africanidades, Literatura Infantil e Circularidade.

Figura 1: Esse coração cercado de lutadoras e lutadores, recheado de tambores sagrados, e coberto pela flecha de Oxóssi serviu para selar o nosso compromisso de amar e transbordar esse amor para além dos muros da Universidade e da escola.

Vocês têm tornado essa travessia nesse mar turbulento algo mais leve. Até aqui, podemos dizer que o amor nos uniu, nos acalentou, nos fez sorrir, e também chorar porque as lágrimas são necessárias para o desabafo da alma. Abro o meu coração para dizer que para mim é um privilégio realizar essa travessia ao lado de vocês, que decidiram fazer do amor a única arma de transformação desse mundo. Podemos dizer que o nosso amor pela educação em direitos humanos, uniu as nossas diferenças e nos permite tocar a mais bela das sinfonias. É pelo amor que lutamos para nos libertar desse sistema opressor que nos dilacera, e, também para libertar aquelas e aqueles que esse sistema dilacerou ou simplesmente enlouqueceu. É por meio do amor que alimentamos os nossos sonhos e também os sonhos de tantos outros que sonham conosco.

Figura 2: Segunda oficina de arte-educadoes. Ofertamos 20 vagas, e recebermos mais de 150 inscritos.

Figura 3: Essa foto foi retirada no segundo dia da oficina. Me sinto emocionada por pertencer a um grupo tão coeso e potente.

Concordo com a célebre citação de Guimarães Rosa. O real, não foi a vitória do fascismo esquizofrênico nas eleições brasileiras de 2018, e tampouco será a nossa alforria dessa loucura, quando esse desgoverno chegar ao fim. Real mesmo é o meio dessa travessia, em que encontramos os direitos da pessoa deficiente serem pisoteados, o aumento da pobreza, o racismo inescrupuloso, gays sendo espancados e espancadas, pessoas trans sendo desumanizadas, terreiros sendo deflorados. Somos esbofeteados por essas infrações aos direitos humanos e também por muitas outras, e se é pelo amor que lutamos, então que o amor nos faça de mãos dadas lutar para que sejamos restaurados e restauradas. Que possamos sonhar e que esse sonho também agregue o sonho de outras pessoas.

Sem uma ética do amor moldando a direção de nossa visão política e nossas aspirações radicais, muitas vezes somos seduzidas/os, de uma maneira ou de outra, para dentro de sistemas de dominação — imperialismo, sexismo, racismo, classismo. Sempre me intrigou que mulheres e homens que passam uma vida trabalhando para resistir e se opor a uma forma de dominação possam apoiar sistematicamente outras. Fiquei intrigada com poderosos líderes negros visionários que podem falar e agir apaixonadamente em resistência à dominação racial e aceitar e abraçar a dominação sexista das mulheres; com feministas brancas que trabalham diariamente para erradicar o sexismo, mas que têm grandes pontos cegos quando se trata de reconhecer e resistir ao racismo e à dominação por parte da supremacia branca do planeta. Examinando criticamente esses pontos cegos, concluo que muitas/os de nós estão motivadas/os a mover-se contra a dominação unicamente quando sentimos nossos interesses próprios diretamente ameaçados.

(HOOKS, 2006 p. 243).

Faço uso dessa estupenda declaração para dizer que, sem o amor, não há revolução! Portanto, ama-te a ti mesmo e faça esse amor transbordar. E ao fazer isso, que possamos perceber que maiores são os que estão conosco do que os que estão contra nós!

Figura 4: Agradeço a essas duas grandes personalidades por me ocasionarem uma metamorfose e me possibilitou chegar até aqui: professora doutora Ana Dietrich e meu orientador professor doutor Guilherme Brockington.

Figura 5: Essa foto foi tirada na oficina intitulada: o pensamento matemático na cultura africana. Ao meu lado direito está a professora de artes e também escritora Alcidea Miguel, grande parceira.

Figura 6: Maiores são os que estão sonhando conosco do que os que estão pelejando contra nós!

  Referências bibliográficas HOOKS, Bell. Love as the practice of freedom. In: Outlaw Culture. Resisting Representations. Nova Iorque: Routledge, 2006, p. 243–250. Tradução para uso didático por wanderson flor do nascimento.      

Ninive Pinto Caetano da Silva

Possui bacharelado interdisciplinar em Ciência e Tecnologia e Licenciatura em Física, ambos cursados na Universidade Federal do ABC. Atualmente, está matriculada no curso de graduação de Neurociências e de mestrado em Ensino e História das Ciências e suas Interfaces com a Educação na instituição supracitada. É Pesquisadora no Projeto Africanidades Literatura Infantil e Circularidade na UFABC. É Afro-Brasileira, filha de angolano pertencente ao grupo étnico mbunda e de uma brasileira. Sua pesquisa é voltada para a Cosmologia Bantu no Ensino de Ciências. Realiza palestras e oficinas voltadas para a História da África em escolas particulares e públicas.

 

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Ensino de Artes: A abordagem Triagular de Ana Mae Barbosa

Eliane dos Santos de Oliveira

Vanisse Simone Alves Corrêa

O surgimento da abordagem triangular objetivava a  melhoria do ensino da arte, na busca pelo entendimento da mesma e também uma buscava uma mais aprendizagem significativa. Preocupou-se pela busca de um conhecimento critico não somente para os aluno, mas também para os professores. Nos anos 90 a abordagem Triangular passou a ser colocada em prática. Inicialmente foi chamada de Projeto Arte na escola.  Mais tarde, ficou conhecida como  Triangular e/ou Abordagem Triangular. Entre essas duas nomenclaturas foi escolhido o nome de Abordagem Triangular (Barbosa, 2010, p.11). É fundamental ressaltar que a Abordagem Triangular não se refere a um modelo ou método, mas tem o objetivo de focar na metodologia adotada pelo professor nas suas aulas práticas,  sem vinculo teórico padronizado, a fim de não engessar o processo. Fica evidente portanto, que  a abordagem Triangular não se enquadra para quem quer seguir um método padronizado, ele  requer a  liberdade de obter conhecimento critico  reflexível  no processo de ensino [...], ajustando-se ao contexto em que se encontra (Machado, 20010, p.79). A Abordagem Triangular é uma abordagem diálogica. A imagem do Triângulo abre caminhos para o professor na sua prática docente. Ele pode fazer suas escolhas metodológicas,  é permitido mudanças e adequações, não é um  modelo fechado, que não aceita alterações. Não é necessário seguir um passo a passo. Para Barbosa ” (...)  refere-se à uma abordagem eclética. Requer transformações enfatizando o contexto” (Barbosa, 2010, p. 10).  

Fonte: https://memoria.ifrn.edu.br/bitstream/handle/1044/337/AE%2010%20-%20DF.pdf?sequence=1&isAllowed=y

  Segundo Novaes (2005),  a Abordagem Triangular aponta que é importante pensar, questiona  o que é  a imagem, o uso da imagem, a imagem do cotidiano  da história da arte e da cultura na sala de aula. É necessário fazer uma leitura crítica da produção da imagem das coisas e de nós mesmos.  Não depende só do sujeito a maneira como se vê uma imagem. É necessário também interpretar a mesma. A imagem visível aguarda uma leitura invisível que é revelada a cada deslocamento que ela faz. Para  Dewey e Freire (2010),  uma boa leitura de mundo artístico ocorre a partir do contexto em que se vive. Porém isso não significa focar só no ensino cotidiano do aluno, mas contribuir para que eles consigam fazer uma leitura crítica e contextualizar a imagem multicultural, podendo identificar  e não apenas apreciar, mas também comentar a beleza das imagens em uma sociedade em desenvolvimento sociocultural cumprindo o papel político de transformação social partindo do pressuposto das imagens artística (Dewey e Freire, 2011). Sobre a prática educativa do professor do ensino básico,  a Abordagem Triangular mostra seu valor nas artes visuais. Para o professor contemporâneo/artista, pode possibilitar uma análise crítica do seu próprio fazer, quando atuam como artistas e professores de artes visuais. É também interessante fazer uma análise no processo de expressão do professor artístico e do aluno artista que experimenta. Quando é algo mecânico e sem causa poética, não passa a singularidade do trabalho artístico produzido. O trabalho artístico passa sensibilidade e emoção. A Proposta Triangular da Prof.ª Ana Mae Barbosa possui estruturantes, a seguir descritos:  a contextualização, a apreciação e a produção.  

Fonte:  PÓVOA, M. A. M., 2012

  O eixo contextualização abrange os aspectos contextuais que envolvem a produção artística como manifestação simbólica histórica e cultural. nesse eixo, observa-se o que se transforma e como se revelam as representações que os grupos fazem de si e dos outros. Ele abrange, também, a análise das relações de poder que criam certas representações, diferenciando e classificando hierarquicamente pessoas, gêneros, minorias (PEREIRA, 2013, p. 22) A contextualização da obra permite entender em que condições a mesma foi produzida, bem como as relações de poder que estão implícitas nessa produção. Já Pereira (2018) define o eixo da apreciação da seguinte maneira: O eixo de apreciação está organizado diante de aspectos que lidam com as interações entre o sujeito e os artefatos da arte. Nesse eixo são mobilizadas competências de leitura que requerem do sujeito o domínio dos códigos estruturantes e suas relações formais. na apreciação também estão entrelaçados os aspectos simbólicos da produção artística e como a pessoa que dialoga com o artefato atribui a ele determinados significados. Aqui se operam uma série de relações provocadas pela interação entre sujeito e objeto. No eixo de produção, estão envolvidos aspectos da criação artística. Nele, o sujeito torna-se autor e precisa mobilizar conhecimentos sobre as linguagens para transformar em invenções artísticas. Aqui estão envolvidos elementos de natureza formal e simbólica. O sujeito mobiliza conhecimentos tanto conceituais quanto procedimentais, inventando tecnologias, adaptando materiais, articulando ideias (PEREIRA, 2013, p. 22). Esse eixo possibilita a percepção das interações entre os componentes dos objetos artísticos, na relação que ocorre entre o sujeito e a própria obra de arte. Sobre o eixo da produção, Pereira (2103), esclarece: No eixo de produção, estão envolvidos aspectos da criação artística. Nele, o sujeito torna-se autor e precisa mobilizar conhecimentos sobre as linguagens para transformar em invenções artísticas. Aqui estão envolvidos elementos de natureza formal e simbólica. O sujeito mobiliza conhecimentos tanto conceituais quanto procedimentais, inventando tecnologias, adaptando materiais, articulando ideias (PEREIRA, 2013, p. 22).   É nesse eixo que o aluno já tem condições de produzir. Todas as etapas que ele já percorreu permitem que ele se lance na produção artística, de modo qualificado, crítico e sensível.   Eliane dos Santos de Oliveira é graduanda em Pedagogia pela Universidade Estadual do Paraná - UNESPAR, campus Paranaguá.   REFERÊNCIAS: FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 27. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996. IAVELBERG, R. Para gostar de aprender sala de formação de professores. Porto Alegre: Artmed, 2003. PARANÁ.  Diretrizes Curriculares para o Ensino de Artes. Disponível em http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/diretrizes/dce_arte.pdf Acesso em 12 MAI. 2018. SALGADO, E. de C. V. de C.  Desenvolvimento e Inclusão Social de Pessoas com Deficiência. Universidade de Taubaté. (2013.) Dissertação de Mestrado. SANTOS, Santa Marli Pires dos. Educação, arte e jogo. Petrópolis, RJ: Vozes, 2006. SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo: Cortez, 2007. SILVA, Luis Eron da. Reestruturação Curricular: novos mapas culturais, novas perspectivas educacionais. Porto Alegre: sulina, 1996. In://www.bdtd.unitau.br/tedesimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=65Acesso em 20.08.18
TROJAN, R. M .A arte e a humanização do homem: afinal de contas, para que serve a arte? In: Educar em Revista. no.12 Curitiba Jan./Dez. 1996.
 
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