abr 21, 2019
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René Machado desenvolve pintura cada vez mais gestual

A exposição LabUTA é composta por um conjunto de obras recentes de René Machado e abre para o público a partir do dia 16 de Abril na Casa de Cultura Laura Alvim. O artista revisita suas origens profissionais como publicitário, incorporando-as à imagética variada e viva da arte urbana e às possibilidades artísticas que circundam a ideia de "pintura abstrata" na atualidade. Apresenta de forma imponderável a força estética das ruas, do grafite, da street art, da pop art com o impulso de pinceladas neo-expressionistas. Explora a idéia do efêmero a partir das inúmeras sobreposições de camadas de elementos.   O artista lança mão da serigrafia como marca da era industrial, da reprodutibilidade, do desgaste da imagem, ora ampliada trazendo apenas os pontos, ora imagens repetidas que lembram anúncios nos muros da cidade, sobrepostos com traços de spray, e inúmeras camadas de tintas. “Parte do processo envolve: fotografia, digitalização, impressão, serigrafia, ampliação e tratamento de imagens para impressões pictóricas em grandes suportes e inclusão de uma série de camadas. O trabalho sofre interferências de diferentes técnicas: óleo, acrílica, esmalte sintético, carvão e spray”, cita o artista.   O resultado despretensioso do trabalho de René também advém da "action painting”, seu traço descompromissado, as pinceladas livres, o gesto solto - oriundos de seu estilo que dispensa afetação.   As cores fazem parte de estudos do artista e seguem a mesma linha de liberdade do processo. Nesta exposição, algumas explorações mais sóbrias do verde, do azul, outras mais radicais trazem o rosa e laranja neon da década de 90, sempre entrepostas pela radicalidade dos pretos, explorados pelo carvão, spray, e esmalte sintético.   De acordo com a curadora Vanda Klabin o deslizamento de gestos é um processo de articular diferentes modos de ver, derivado da perda da imagem representativa da realidade, um contínuo fazer e refazer, obliterar e construir novos acessos.“Os campos picturais permeados por vibrantes contrastes, harmonias dissonantes, grumos espessos e alta voltagem cromática, têm uma conotação ambígua. A cor é o seu veículo expressivo e compatibiliza elementos díspares e dissonantes na estruturação da tela.” Diz Vanda.   Uma parte das obras se inspira no que René chama de "Frequência Morelenbaum”, as últimas inspirações vieram da sonoridade composições do álbum Central do Brasil de Jaques Morelenbaum - Toada, Alma e Central do Brasil, “Sempre que ouvia esse álbum, tinha vontade de decifrar as composições através de gestos, então escolhi estas músicas para produzir as obras no ritmo de cada uma delas", revela o artista.   Nesta exposição René traz novidades como a fotografia, a colagem e a instalação revelando novas dimensões do processo criativo. A fotografia, ora como um desmembramento e ora como inspiração para as telas, contém paisagens urbanas, muros, painéis capturados em centros de cidades como Paris, Berlin e Barcelona. O olhar sempre atento à estética do efêmero, restos de cartazes, grafite, fixações, pinturas descascadas, são paisagens capturadas pelo artista que influenciam suas telas e agora fazem parte da exposição.   A colagem surge como um índice correlato da pintura, a partir de um material mais popular que é o papelão. Oriundo de caixas de produtos de marcas populares o material foi trabalhado com cores preponderantes nas telas durante o processo criativo, recortes, rasgos livres e colagem, revelam ainda novas dimensões para o conceito de descomposição e acaso. “Desconstrução, fazer e refazer fazem parte do processo, sobreposições, apagamentos, sinais de erros e acertos e desta forma as camadas vão se compondo, criando de forma aleatória o abstrato”, diz René.    

TEXTO DE ANA MARIA CARVALHO

Ana Maria Lima de Carvalho é jornalista especialista em comunicação, psicanalista e fotógrafa. Sócia da Crio.Art assessoria especializada em arte contemporânea             .

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“A habilidade das mãos e a ocupação com o artesanato preparam no homem a vontade de se dedicar ao seu intelecto. Aquele que desenvolve habilidades nas mãos também desenvolve ideias e pensamentos flexíveis." (Rudolf Steiner)

 

No mês em que se comemora o Dia do Índio, alunos do Ensino Fundamental (1ª a 4ª série), de cerca de 10 escolas municipais de Curitiba, serão beneficiados com uma atividade pouco convencional: oficinas de cerâmica indígena. O projeto chama-se Tauá – A Arte Indígena da Cerâmica e irá atingir com 60 oficinas mais de 2 mil crianças até julho deste ano. Tauá significa argila em Tupi Guarani e a iniciativa, além de promover o exercício e a valorização do trabalho artesanal, visa também à preservação da cultura ancestral indígena.

O entusiasta desta ideia e criador do projeto é o artesão, arte educador e músico Fabio Mazzon, que desde 2004 produz peças de cerâmica a partir de pesquisas de técnicas ancestrais de modelagem e decoração utilizadas por povos originais e indígenas brasileiros. “O objetivo é oferecer uma vivência criativa, educativa e produtiva. O contato com a argila, com os trabalhos manuais, artesanais, trazem inúmeros benefícios ao desenvolvimento humano e em especial às crianças”, explica.

Fabio também ressalta que o projeto cria oportunidade para que as crianças tornem-se criadores de seus próprios meios de expressão. “Estamos em uma época em que o fazer está distante da realidade das crianças, hoje elas encontram tudo pronto, basta consumir. A possibilidade de confeccionar algo com as próprias mãos é extremamente saudável e fundamental para seu desenvolvimento humano”, pontua.

Além de Mazzon, outro ministrante da oficina é o artesão e pedagogo Pietro Rosa que há anos desenvolve trabalhos com crianças, inclusive com necessidades especiais. Na opinião de Rosa: “Esse tipo de atividade não só estimula a valorização das artes manuais, mas também a criatividade, a socialização, além do desenvolvimento do conhecimento cognitivo e da psicomotricidade”, declara.  As oficinas acontecerão nas escolas, a técnica utilizada será o acordelado e a peça produzida será levada para casa pelo próprio aluno.

O formato da oficina será sempre o mesmo em todas as escolas: primeiro os alunos serão recepcionados ao som de tambores de cerâmica e de outros instrumentos artesanais de referências ancestrais, feitos de madeira, semente e de fibra natural. Após, serão introduzidos ao tema a partir de histórias e mitos sobre o barro e a argila. Na sequência está programado um bate papo sobre a utilização da cerâmica em nossas vidas desde tempos remotos até hoje. A ação inclui também uma exposição de peças de cerâmica indígenas. Cada oficina terá a duração de 1 hora e 40 minutos.

Os educadores também serão beneficiados com duas oficinas onde terão atividades práticas de manipulação da argila a fim de desenvolver sensibilidade, concentração, paciência, imaginação, criatividade e psicomotricidade e atividades teóricas focadas no conhecimento histórico e cultural do trabalho artesanal, bem como a utilização e importância da argila.

A Cerâmica no Brasil

No Brasil, a cerâmica tem seus primórdios registrados na Ilha de Marajó, no Pará. A cerâmica marajoara tem sua origem na avançada cultura indígena que floresceu na Ilha. Estudos arqueológicos, contudo, indicam a presença de uma cerâmica mais simples, que ocorreu ainda na região amazônica por volta de 5.000 anos atrás.

A confecção de artefatos em argila é um aspecto presente na maioria das comunidades indígenas brasileiras. Em algumas comunidades a cerâmica é lisa, exclusivamente utilitária, em outras, além de utilitárias, encontram-se peças decorativas nas quais sobressaltam a beleza e variedade das formas, grafismos e pinturas, como é o caso das cerâmicas Marajoara, Tapajônica, Kadiwéu e Asurini. Onde for, a cerâmica mostra-se imbuída de cultura e extremo valor, acompanhando a história e o desenvolvimento da raça humana.

Este projeto foi viabilizado por meio da LEI MUNICIPAL DE INCENTIVO À CULTURA e FUNDAÇÃO CULTURAL DE CURITIBA e conta com o incentivo do Shopping Muller.

FOTOS: Guilherme Pupo e Vinícius Mazzon. CONTATOS: Produção Vinícius Mazzon 41 99622 2829 viniciusmazzon@gmail.com Assessoria de Imprensa Glaucia Domingos 41 99909 7837 glauciadomingos@hotmail.com    
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